Quando parti para Goiás para falar de energia nuclear ainda não tinha ouvido falar desse relatório sobre as usinas nucleares russas. É assustador. Foi parcialmente divulgado ontem pelo Le Monde.
O relatório foi divulgado pela organização norueguesa Bellona e produzido pela agência nuclear russa, Rosatom.
Já está nas mãos do presidente Dimitri Medvedev e afirma que as 11 usinas nucleares na Rússia não estão preparadas para os efeitos de grandes desastres naturais. E além disso, estão decadentes, mesmo sem desastres.
As usinas foram construidas no período da União Soviética e não levaram em conta os riscos sísmicos. Os maiores problemas de segurança estão nas centrais de Leningrado e Kola, fronteiras com Finlândia.
A usina de Kola já foi atingida por um temporal e a Noruega socorreu a Rússia com energia para resfriar os reatores.
O documento entregue a Medvedev é o primeiro resultado do reexame da segurança nuclear, após o desastre de Fukushima. Foram apontadas no conjunto 31 falhas nas 11 usinas.
Quando é que vamos produzir alguma coisa pós Fukushima sobre Angra?
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A decisão da Alemanha e fechar suas 17 usinas nucleares até 2002 foi a repercussão mais forte do desastre nuclar de Fukushima.
O Japão, o principal atingido, decidiu que não mais construirá novas usinas e que vai satisfazerr a nova demanda de energia com fontes alternativas.
O caso da Alemanha é diferente. Já houve decisão de não mais construir usinas e até mesmo de para com o nuclear.
A Alemanha foi o berço do movimento antinuclear, sobretudo na resistência à concentração de armas atômicas na Europa.
Foi na Alemanha que surgiu o partido verde mais forte do continente, já com uma tradição de alianças com a social democracia.
A decisão aparece como um movimento brusco mas foi o gesto que, nessa conjuntura internacional, entre os paises ricos,talvez só pudesse mesmo acontecer na Alemanha. O país rivaliza com a Inglaterra nas políticas de redução de carbono e deu passos largos no princípio do século rumo à matriz solar.
Seria isso suficiente no momento? Alguns observadores afirmam que ao abandonar o nuclear a Alemanha pode lançar mão de fontes sujas para substituir os 20 por cento da energia que é produzida pelos reatores.
Pode ser um processo longo, com alguns retrocessos no caminho. Mas é uma indicação de que entramos na era da energia solar, tornando-a uma das colunas que sustentarão o avanço no século XXI. As outras, segundo o cientista americano J. Dyson, devem ser a genética e a internet.
Tags: energia solar, fontes sujas, Fukushima, J.Dyson
O Japão decidiu recomeçar do zero sua política energética. Como consequência do desastre que atingiu Fukushima e revelou a vulnerabilidade de suas usinas atômicas, o Premier Naoto Kan optou pelo uso de fontes de energia renovável, como o solar e a eólica.
Com essa decisão, o país deixará de construir 14 usinas até 2030. Trata-se de um aprendizado doloroso e caro para os japoneses. Mas que deveria ser discutido no mundo.
O Brasil continua afirmando sua política nuclear. Mais do que isso, minimizando os perigos. Por iniciativa do deputado Ricardo Tripoli, o tema está sendo discutido numa série de audiências na Câmara e ,na próxima semana, será o encerramento do debate.
As pessoas são desalojadas pelas cheias ou passam dificuldades com as secas. Como as hidroelétricas na Amazônia são uma grande aposta do governo, é preciso pensar também em energia solar para complementar as quedas que podem acontecer em períodos fortes de seca. Essas conclusões são de um estudo conjunto do Inpe(Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) e do Met Office, serviço de metereologia britânico.
Todos os dados levam a uma nova reflexão sobre a política energética. Será que o ministro Lobão está disposto a conduzi-la?
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No momento em que a Agência Atômica do Japão classifica o desastre em Fukushima no mesmo nível 7 de Chernobyl talvez valesse a pena voltar atrás, para ver como os japoneses relutaram em chegar a esta conclusão.
Logo após as primeiras explosões, as autoridades japonesas classificaram o desastre de Fukushima como de nível 4. Os franceses protestaram : na opinião deles, o desastre era de nível 6, portanto , um ponto acima de Three Mile Island. Depois de algum tempo, as próprias autoridades asiáticas eleveram o nível do desastre para 5.
Esses critérios de classificações são feitos por um órgão da Agencia Internacional de Energia Atômica. Resultam da cooperação de vários cientistas internacionais e todo país membro da AIEA pode participar dos debates.
Elas dizem respeito também à comunicação e tipo de providencias em áreas atingidas e países potencialmente alcançaveis pela radiação. A melhor descrição do processo foi dada pelo cientista espanhol Eduard Ferré: Fukushima foi um Chernobyl em câmera lenta.
Isso sugere que os japoneses embora tenham demorado a equiparar os dois acidentes tiveram razão para elevar gradativamente o nível de perigo. Nao aconteceu num só instante como na Ucrânia. Piorou com o tempo.
Tags: AIEA, Chernobyl, escala de gravidade, Fukushima
Ao mesmo tempo em conseguiu deter o vazamento de água radioativa do reator 2 para o mar, a Tokyio Eletricidade(TEPCO) enfrentou ontem dois problemas políticos. Um deles foi a recusa dos moradores da região afetada pela usina de Fukushima de aceitar a indenização oferecida pela empresa. Em alguns casos, feitas as contas, as pessoas iam receber o equivalente a US$18 a título de condolência.
O outro foi a divulgação pelo New York Times de um relatório da Comissão de Regulação Nuclear americana afirmando que os perigos em Fukushima devem ameaçar , por muitos meses , porque o vazamento pode continuar e a injeção de água enfraqueceu as estruturas abaladas com a explosão. Este último tópico a coloca vulnerável a novos terremotos, mesmo de pequena intensidade.
As ações da TEPCO caíram na Bolsa e a própria Agencia Internacional de Energia Atômica, AIEA, afirmou que a empresa não tomou as providências necessárias no desastre.
Fukushima passa a ser agora um caso de estudo como ainda é Chernobyl, um marco dos tropeços da energia nuclear. Na última hora, surgiu a notícia de que o próximo passo será injetar nitrogênio nos reatores, com o objetivo de evitar as explosões.A cada instante, uma nova tentativa.
Tags: Comisão de Regulação Nuclear, Fukushima, nitrogénio, reator 2
A Tokyo Eletricidade informou nesta manhã de segunda feira no Japão que os esforços para deter o vazamento de água contaminada do reator 2 falharam até o momento. Os trabalhadores na usina de Fukushima tentaram tudo, desde areia ate uma resina especial, mas continuarão experimentando novos métodos, durante a noite.
Especialistas calculam que sete milhões de toneladas de água contaminada estão escapando por hora nas instalações do reator 2. A água contem iodo 131 . Cada litro de iodo 131 por sua vez contem um milhão de bequereis, o que representa um nível dez mil vezes superior de radiação comparado com a água normalmente usada na usina.
As autoridades japonesas anunciaram que a luta contra o vazamento duraria meses. Não estavam ainda se referindo especificamente à água contaminada. Mas já começam a surgir críticas á estrategia de inundar as instalações de Fukushima com água do mar, não apenas porque inviabiliza o funcionamento dos reatores. O problema é que a água evapora apenas parcialmente, uma grande quantidade acaba vazando pelas fendas do prédio semidestruido.
Dois operarios de 21 anos foram encontrados mortos na usina nuclear de Fukushima. Estavam desaparecidos desde 11 de março, dia da primeira grande explosão no complexo. A empresa Tóquio Eletricidade disse que manteve a notícia em sigilo durante uma semana, em respeito às famílias.
Lendo uma reportagem sobre o povo da pequena cidade de Futaba, ocorreu-me como é mais complexo do que pensava um plano de fuga. Futaba até que gostaria de ter uma usina nuclear, como Fukushima. Isto traria mais empregos e crescimento econômico.
Alguns dos articuladores da campanha estão agora num abrigo, que foi dividido e numerado para que todas as famílias pudessem se instalar. Ficaram num ginásio onde a biblioteca abrigou 70 pessoas. Eles acreditavam profundamente na segurança da usina.
Sempre que falamos nos planos de fuga de Angra, falamos apenas em fugir com segurança. A população de Futama, 6.900 pessoas, na maioria disciplinada e operosa, já tinha pelo menos para onde ir. Angra dos Reis tem 170 mil habitantes.
Claro que uma parte da imprensa continua afirmando que é impossível um desastre em Angra porque nossas usinas são mais seguras. O Brasil não deixa nem a Agência Internacional de Energia Atômica visitar todas as suas intalações nucleares, argumentando que os fiscais vão passar a nossa tecnologia para os países mais ricos. No nosso imaginário, temos a usina mais segura do mundo e uma tencologia tão avançada que pode ser roubada por fiscais da AIEA, gente como Hans Blix ou Mohamed ElBaradei.
Apesar do Brasil ter a usina mais segura possível e desenvolver uma tecnologia nuclear que os paises ambicionam copiar, seria interessante sempre voltar ao plano de fuga. Não vamos discutir orgulho nacional e todas essas coisas. Vamos apenas admitir que uma vez admitindo um plano de fuga, precisamos precisar a outra etapa: onde colocaremos tanta gente?
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A água em torno das usinas de Fukushima está altamente contaminada. O vazamento radiativo escapou por uma fenda de 20 centímetros que a Tepco(Tokyio Eletricity) tenta fechar com cimento ou mesmo usando uma resina especial.
No mesmo dia, o New York Times publica uma reportagem dizendo que os cientistas no mundo inteiro estão bem informados sobre o que se passa em Fukushima, pois desenvolveram um modelo de análise à distancia. Quando Steven Chu, ministro da energia dos EUA, foi ao Congresso já tinha condições de precisar o quanto cada reator tinha se derretido.
A tendência geral é a de achar que o mar dissolve tudo e recebe tudo. Por causa dela, ainda não conseguimos bons resultados na educação ambiental, sobretudo aqui nas cidades litorâneas. De vez em quando, mergulhadores fazem um teste e recolhem tudo do fundo das águas, fogão, geladeira, peças de automóvel
.
Quando levantei a questão do mar, um leitor informou que um especialista garantia que a água radiotiva seria dissolvida na grande massa oceânica. O nível da radiação em torno da usina é de mil milisieverts, 330 vêzes a carga de radiação que recebemos por ano. É preciso esperar um pouco mais para uma definição.
Muito possívelmente não houve derretimento total em Fukushima. Mas essa luta diária ainda não acabou e os 300 samurais atômicos que combatem os vazamentos estão sujeitos a morrer nas próximas semanas.
Vamos ver o que acontece com o teste da resina. Já houve esperanças nitidamente equivocadas, como a de usar helicópteros para jogar água nos reatores. Os pilotos se expuseram e a água não acertava o ponto exato.
Tags: cientistas nucleares, contaminação oceânica, Fukushima, radiação
Aos sábados costumo escrever um post leve, de um modo geral sobre os lugares que frequento.
Esta semana, no entanto, foi muito estranha. Tivemos a morte de José de Alencar, o episódio envolvendo o deputado Jair Bolsonaro, 12 mortes, entre elas a de quatro funcionários da ONU, por intolerância religiosa; água contaminada vazando em Fukushima, guerra civil na Líbia e na Costa do Marfim, ufa.
Como se não bastasse tudo isso, explodiu mais um bueiro da Light em Copocabana, criando um clima de terror no bairro. Não foram concluidas, no meu entender, as histórias sobre revoltas em Jirau e Santo Antônio, assim como a crise em várias grandes obras. Os sindicalistas tentam ser a ponte com o governo, depois de abandonarem os trabalhadores desses canteirose. Esperam novos acordos, novos afagos e novos empreguinhos do governo.
Na Câmara, Tiririca emprega humoristas que lhe dão ideias e no país continuamos crimes bárbaros, como esse que levou a vida de duas irmãs, em Cunha, em São Paulo, na fronteira com o estado do Rio.
Não há espaço para nada além de seguir as notícias com a lingua de fora. A intolerância racial e religiosa continua sendo o mais dramatico pois são pessoas se agredindo ou se matando com o veneno de suas ideias. A estupidez que começou na Flórida, com a queima do Corão, redicalizou-se com os assassinatos. Provavelmente, entre os 12 mortos havia muçulmanos também ofendidos com a queima de seu livro sagrado.
Eu que falaria de natacão esta semana, só achei uma foto para ilustrar a semana.
Tags: Afeganistão, Bolsonaro, Costa do Marfim, Fukushima, Jirau e Santo åntønio, Líbia
A Tokyo Eletric Power(TEPCO) informou hoje que deve fechar os reatores de Fukushima para evitar novos problemas. A decisão não esclarece se a empresa apenas decidiu fechar, no sentido de nunca mais usar, ou fechar no sentido de sepultar.
Esta declaração é um anuncio de que a opinião pública está sendo preparada para o desfecho do desastre. No entanto, sempre haverá dúvida sobre a necessidade de submeter tantos trabalhadores e altos níveis de radiação.
Alguma partículas radioativas chegaram a Nova Yorque, mas sem nenhum perigo para a saúde humana, esclaracem as análises técnica. O desastre vai repercutir muito nos EUA.Nas discussões no Congresso esta semana, os senadores pareciam dispostos a mudar a nova lei, interferindo até nos esquemas de geradores de reserva. Na verdade, fala-se numa lei que determine, no caso de baterias, quanto tempo de vida útil deveriam ter e, no caso dos geradores a diesel exigência de que tenham combustível para nove dias.
Na sexta feira, publico no Estado de São Paulo um artigo analisando a nova situação da energia nuclear e as correções que estão em curso. No Brasil, espero que essas correções, sobretudo depois da lição de Fukushima levem em conta também os problemas dos geradores de reserva, o calcanhar de Aquiles das usinas da Tokyio.
Tags: Fukushima, radiação Nova Yorque, TEPCO
2011