Quando parecia equacionada, pelo menos para o começo da batalha, a crise europeia entra em nova fase.
O que determinou a reviravolta nas expectativas foi a decisão do Primeiro-Ministro Papandreu de realizar um referendo para aprovar o plano europeu, que prevê 130 bilhoes de euros no resgate da Grécia,
As bolsas começaram a cair. Itália e Espanha sentem-se ameaçadas porque o equacionamento da crise grega poderia aliviar a pressão sobre suas economias.
Todas as atenções mundiais se voltam agora para os gregos- o eleitor grego que terá o poder de influenciar a economia mundial com seu voto.
Os principais países europeus são contra o referendo pois atrasa a solução da crise. Papandreu, no entanto, está buscando a legitimidade interna.
Nas pesquisas, a condenação do plano de resgate entre os gregos é de 60 por cento. No entanto, 70 por cento dos eleitores quer continuar na zona do euro.
O que fazer? Acusar a Grécia de ser democrática? Nada mais lisongeiro para o o país que se orgulha do ser o berço da democracia.
Haverá atraso mas a única saída é convencer os gregos das vantagens do plano de resgate. Semanas interessantes, pois a maioria também deseja continuar na União Europeia.
Atenas, por algumas semanas, volta a ser o centro do mundo. E agora que o verão acabou , os gregos estarão mais sozinhos na sua decisão que, pelo menos na aparência, poderia ser reduzida a isto: ou vai, ou racha.
Tags: FMI, Papandreu, Plano de resgate, referendo
Na véspera de uma importante audiência na justiça de Nova York, a expectativa de liberação de Dominique Strauss Khan, ex-diretor do FMI, cresceu. Matéria do New York Times afirma que os investigadores já não confiam muito no depoimento da vítima.
O que levou a essa reviravolta? A manchete do Le Monde de hoje admite que Nafissatou Diallo, a camareira do Sofitel, tem uma história com muitas lacunas.
Os reporteres franceses descobriram que o homem que se apresentava como irmão dela, nas entrevistas, mentia. Ela veio da Guiné, ele é senagalês.
Mas o que mais preocupou a polícia americana foram os laços de Nafissatou com o tráfico de drogas. Em dois anos, cerca de US$100 mil dolares foram depositados em sua conta por pessoas suspeitas.
Telefonemas da camareira para um presidiario, pedindo instruções sobre o comportamento, também foram gravadas. A polícia acha também que houve relação sexual entre a camareira e o diretor do FMI.
Com tudo isso, cresceu a possibilidade, admitida até pelos investigadores, de cair a prisão domiciliar hoje e de o processo contra Dominique Strauss Khan se encerrar.
PS: Como previmos no post matinal, a prisão domiciliar foi relaxada.
Tags: FMI, Nafissatou Dialo, prisão domiciliar
Quem viveu a época Collor e sua espantosa política que congelou a poupança tem ideia do que é uma crise econômica e como ela afeta o cotidiano de cada um.
O que está acontecendo na Grécia é uma crise de outras proporções mas atinge a todo grego. O governo Papandreou perdeu dois deputados socialistas. E não consegue fazer uma aliança com o centro-direita, a Nova Democracia.
O líder desse partido, Antonis Samaras, está pedindo, claramente, a queda de Papandreou. As dificuldade internas entre os socialistas tornam a coalizão algo mais distante ainda, apesar da urgência.
Os gregos que se agruparam na Praça Syntagma culpam o governo pela crise. Não é nossa crise, dizem; é a crise do governo.
Os assalariados terão de pagar uma contribuição de solidariedade que varia de 1 a 4 por cento. Os funcionários públicos, que tiveram uma redução de 20 por cento nos seus salários, também terão de contribuir.
Iates, casas com piscinas e inúmeros outros bens pagarão mais imposto. O governo precisa desesperadamente de apoio político para conseguir o sacrifício da população.
Vinte pessoas foram presas ontem. O clima torna-se cada vez mais tenso. O próprio diretor do FMI, John Lipsky, que substitui Strauss Kahn, pressionou os alemães para fazerem um novo empréstimo à Grécia.
Ou esse dinheiro sai, ou a Grécia decreta o calote, que em termos técnicos se chama default soberano.
A confusão na política grega não permite que se veja no horizonte uma aliança de salvação nacional, capaz de dirigir o pais para fora da crise.
Papandreou afirma que ele tem condições de fazer isso. Mas com uma oposição firme , revolta nas ruas, renúncia de dois deputados socialistas, ele parece estar longe do objetivo
Tags: FMI, Impostos, Nova Democracia, Papandreou
A imprensa já está dando os primeiros passos para traçar o perfil da camareira do Sofitel que acusa Dominique Strauss-Khan de agressão sexual.
Seu nome não é Ofélia, como disseram alguns jornais, mas sim Nafissatou Diallo. Ela não veio de Gana, como se disse antes, mas da Guiné, precisamente da cidade de Labé.
Os dados são revelados pela revista Slate África e estão no site da Slate francesa, www.slate.fr. Segundo a revista, ela veio acompanhando o marido um comerciante de Guiné e com a separação nos EUA, passou a cuidar da filha de 15 anos.
Encarregado de representar a família, o comerciante da Guiné, Mamadou Cherif Dialo, declarou à Slate:
-“É uma boa muçulmana. Ela é muito bonita como muitas mulheres de etnia Peule(40 por cento da população da Guiné) Dominique Strauss-Kan atacou a pessoa errada.”
Nenhum organismo oficial confirmou esta revelação porque a polícia de Nova York está dando proteção à camareira, exatamente para evitar o assédio dos meios de comunicação.
A imigrante da Guiné tem a green-card permissão para trabalhar nos EUA. Ela não vota nem participa de política, segundo seus parentes.
A Guiné fica ao sul do Senegal e da Guiné-Bissau. O país disse não aos franceses, proclamando a independência em 1958, quando De Gaulle retirou funcionários e equipamentos, em represália.
Presidida, desde dezembro, por Alpha Condé, a Guiné está negociando uma saída com o FMI para seus problemas financeiros.
Dominique Strauss Kahn corre o risco de ser condenado a 25 anos de prisão nos EUA por prender e tentar violentar uma camareira, na suíte do Hotel Sofitel em. Nova York.
A decisão da juíza Melissa C. Jackson de mantê-lo preso foi tomada com o argumento de que poderia tentar escapar. Mas a verdade é que o relatório dos especialistas nesse tipo de crime já indicam que ele pode ser o culpado.
A preocupação da policia é de que, numa fuga, ele leve no corpo os vestígios do crime, tais como fragmentos de unhas e outras minúsculos marcas corporais, decifráveis através de um exame de DNA.
O debate na Franca continua intenso. O pais não tem tratado de extradição com os Estados Unidos e alguns teóricos se interrogam sobre os escândalos sexuais nos EUA. O sociólogo Eric Fassin, que escreveu um livro sobre sexo e política nos EUA defendeu, em artigo do Le Monde, que os escândalos sexuais não tem mais a mesma importância na política americana.
Ele demonstrou sua tese, lembrando do exemplo de Arnold Schwarzenegger, em 2003, quando se disputou o governo da Califórnia. Foi acusado de machista e agressor sexual mas as acusações caíram no vazio.
Para Fassi, os escândalos sexuais, normalmente atribuídos ao puritanismo norte-americano, só começaram a ter peso depois do processo de Watergate.
Depois de 2000, passaram a seguir uma nova lógica, concentrando-se nas denúncias de homossexualismo. Os escândalos heterosexuais passaram a ser tratados mais na esfera judiciária que política.
Como excessão, ele cita o caso de John Edwards que teve relações fora do casamento e sua mulher sofria câncer. John Edwards perdeu a chance de se candidatar à vice-presidência.
O sociólogo Eric Fassi cita ainda os casos de Mark Sanford que tinha amante mas foi pego porque sumiu uma semana, abandonando suas tarefas oficiais. E o de Elliot Spitzer, governador de Nova York, que fazia campanha contra a prostituição mas utilizava o serviço de prostitutas.
Mas a sensação do pesquisador no tema é que os escândalos continuam a acontecer mas não são mais políticos, não definem a cultura americana.
A conclusão que ele tira é a de que os escândalos sexuais são agora tratados como um fato da sociedade e não mais como uma busca da verdade imposta pela imprensa. Isto significa que os acusados são tratados de uma forma comum, presos em celas onde estão outros agressores, e não há nenhum tipo de imunidade política que possa salvá-los.
O sexo é simplesmente uma questão de justiça e tratado à luz da justiça ordinária e do direito comum.
A descrição do tratamento que Straus Kahn teve na cadeia, ao lado de outros acusados, grande parte deles nem falando o inglês, é uma prova disso. A outra é o fato de que a policia novaiorquina passeou com ele para que fosse fotografado com algemas por jornais do mundo inteiro.
Tags: Eric Fassia Clar, Escandalos Sexuais, FMI, Melissa Jackson
O fim de semana está terminando com as mortes na fronteira de Israel , no dia do aniversário da fundação do país, data que os palestino chamam de Nakba, palavra árabe para catátrofe.
Acabaram os campeonatos estaduais de futebol e o noticário, como não poderia deixar de ser, está repleto de grandes loucuras individuais.
Refiro-me às duas que me impressionaram: a prisão de Dominique Strauss Kahn, em Nova York, e a de um advogado brasileiro Rodrigo Moreto Cubek que exibiu uma foto da Virgem Maria dentro do maior templo muçulmano do Paquistão.
Só a magia de um romance fantástico poderia colocar os dois no mesmo espaço.. Para o diretor do FMI , cosmopolita e conhecedor dos atritos religiosos no mundo, o gesto de Rodrigo deve parecer uma loucura.
Mas para um advogado que ouviu a voz de Cristo, determinando que exibisse a foto da Virgem Maria, jogar-se nu contra a camareira de hotel deve ser uma loucura mais séria ainda.
Em termos de importância são dois fatos incomparáveis. Mas ambos atravessaram a fronteira da lucidez e nos recordam que a imprevisibilidade não está apenas nos grandes fatos históricos mas também dentro do inconsciente.
O advogado brasileiro ouviu a voz de Cristo e o delirio talvez seja sua salvação. Será considerado maluco e deportado para o Brasil. Seu acerto de contas deverá ser com o próprio Cristo, que, segundo ele, o lançou na aventura.
Já o diretor do FMI não tem o apoio do sobrenatural. Não pode recorrer a vozes. Será defendido por um caro advogado profissional e terá de provar sua inocência.
Dominique Straus-Khan estava nu. Era diretor do FMI, favorito nas eleições francesas, e não havia ninguém protegendo a porta de seu quarto.
Rodrigo poderia entrar ali, na suite do Sofitel, e mostrar a foto da Virgem. Mas um estava em Islamabad, outro em Nova York. A loucura do brasileiro poderia ter salvo o FMI. Mas ainda não foi dessa vez.
As primeiras repercussões do escândalo envolvendo o diretor do FMI, Dominique Strauss-Kahn, em Nova York, mostram a esquerda prudente e a direita indignada.
DSK, como é chamado na imprensa francesa, ainda não tinha se definido concorrer à presidência mas era, na última semana, um favorito para derrotar Sarkozy.
O último episódio que o envolveu foi ter sido fotografado num Porsche, na porta de sua casa. Ele atribuiu isto a uma campanha política dos adversários que usam como argumento seu alto padrão de vida. A suite do Hotel Sofitel, onde DSK estava hospedado, custa US$ 3 mil por noite.
A direita francesa afirma que o comportamente de DSK foi uma humilhação para todo o país e comparou o episódio à série televisiva Dallas.
Muitos deputados manifestaram-se em seus blogs, afirmando que iriam esperar o pronunciamento de DSK e obter mais informações sobre o episódio.
Além de encontros políticos importantes, como o que teria com Ângela Merkel, DSK não estará presente na reunião de terça do FMI, que discute um empréstimo de 22 bilhões de euros para a Irlanda.
Os jornais admitem que pode ser demitido do FMI que tem um severo código de conduta para seus funcionários. Em caso de demissão, reza o contrato, DSK terá o direito de receber 60 por centos dos seus vencimentos anuais, a título de indenização.
Tags: Dallas, Dominique Strauss-Kahn, FMI, Sarkozy
2011