Penso um pouco diferente acerca da frase do El Pais: o governo Dilma viverá a hora da verdade na auditoria dos gastos na Copa e nas Olimpíadas.
Não é certo que o governo nas Olimpíadas seja o mesmo de hoje. Há uma eleição no meio. Mas ainda que fosse, não escaparia de julgamentos preliminares.
No campo da infraestrutura, apesar da continuação do PAC, as obras da Copa tendem a ocupar o centro da atenção. Sua singularidade: têm prazo de conclusão, o que chamamos no jargão jornalístico de deadline.
Não se trata apenas de mobilizar recursos para um objetivo, mas realizá-lo dentro de um prazo inexorável.
As relações com a FIFA e as diferentes concessões no processo de negociação são outro fator de análise.
Segundo alguns jornais, a FIFA está satisfeita com a desgraça de Orlando Silva. Assim o estariam também PMDB e PT, de olho num ministério com importância crescente.
Não importa que combinação saia daí, entre a FIFA e o do núcleo do governo. Quem subir à cena vai ocupar um palco pesado demais para ambos.
Os atores lembram um pouco aqueles andarilhos da peça de Harold Pinter que caíram na cozinha de um restaurante de luxo e choveram ordens de pratos sofisticados. Como atendê-las: não eram cozinheiros e só tinham o seu farnel?
As eliminatórias dos jogos mal começaram e há uma dupla crise na área. Ricardo Teixeira investigado pela PF; o Ministério de Transportes sob denúncia de corrupção.
A crise de imagem da CBF e do governo dificulta o já problemático fluxo das obras. Orlando Silva, segundo declarações do Ministro Aloísio Mercadante, foi o arquiteto dos jogos panamericanos e da preparação da Copa.
As obras já estão atrasadas, o arquiteto foi atingido no peito, a crise mundial aperta e desacelera o crescimento. Os recursos usadas na área social rivalizam com os investimentos.
Não se trata de pessimismo. São os fatos na mesa. Sempre se pode dizer que não há provas materiais contra Orlando Silva. Mas dificilmente se sustenta no cargo.
As denúncias, no mínimo, vão demonstrar a ligação de seu partido com as ONGs que executam o programa Segundo Tempo.
Já se foi o tempo do oba-oba por sediarmos a Copa. Começou a realidade da preparação. Alguns países já jogam as eliminatórias da Brasil-2014. É preciso lembrar que esse Brasil-2014 somos nós e falta um balanço geral do caminho trilhado.
A presidente Dilma não gostou da imagem de faxineira com uma vassoura na mão. Que tal agora e a de um zagueirão que limpa a área?
Tags: FIFA, Orlando Silva, PC do B, Rcardo Teixeira
A Copa do Mundo já começou para muitos países. Ela começa no auge de uma grande crise econômica na Europa com repercussões no mundo inteiro.
Nos Estados Unidos ainda não recuperados do choque de 2008, um movimento Ocupe Wall Street ganha força e anima uma manifestação transoceânica.
O M-15, movimento espanhol que agitou as eleições municipais, parecia estagnado e ganhou novo élan.
O interessante detalhe, observado pela revista Atlantic, é que tantos os radicais do Tea Party como os ocupantes da Wall Street pedem o fim da aliança entre a política e o capital financeiro.
Nesse contexto sinistro, o Brasil aparece como um oasis, preparando-se para grandes investimentos para a Copa. Quanto gastaremos? Nem o governo sabe direito, a julgar pela manchete do Estadão.
El Pais, o matutino espanhol,afirma que a hora da verdade do governo Dilma virá com as auditorias dos gastos da Copa.
Se isso acontecer, a hora da verdade chegará com atraso. No momento, o conceito da tansparência está em jogo, pois não sabemos sequer o volume dos gastos projetados.
Sem contar o fato de que Ricardo Teixeira, presidente da CBF, está sendo investigado pela PF e Orlando Silva, Ministro de Esportes, está no olho do furacão, com as denúncias sobre o programa Segundo Tempo.
No meu entender, a hora da verdade não acontece apenas na auditoria dos gastos, não é uma característica do post-festum.
Todas as horas revelam um pouco da verdade sobre a Copa. O Brasil projeta uma imagem de confiança, ao sediar os jogos. Mas ela pode se quebrar se os acontecimentos negativos continuarem a emergir.
Tanto a Copa do Mundo como a crise ainda parecem um pouco distantes. Mas não deveriam. Ambas estão sendo vividas como uma realidade fora do país.
Se formos esperar a hora da verdade no fim de 2016, teremos perdido a Copa e, possivelmente, a crise mundial.
Um dos temas pouco discutidos, por exemplo, foi a isenção de impostos concedida à FIFA. Os dirigentes do futebol pretendem ter um lucro de US$3 bilhões. Dirigem um esporte milionário, que paga salários astronômicos.
Num contexto de crise mundial, alguns pequenos sacríficios têm de ser feitos. No mundo inteiro, as multidões pedem que sejam dos mais poderosos.
Apaixonado ou não pelo futebol, o cidadão brasileiro paga a conta, dá desconto para a FIFA e ainda nem sabe quanto gastará com todo o evento. Na crise, é um fenômeno de generosidade.
Mas será que sabe disso?
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É preciso voltar à história do meio ingresso para jovens, de 15 a 29 anos. É uma dessas generosidades que a política faz em ano pré eleitoral, sem que as consequências sejam discutidas.
Com 29 anos a pessoa já é adulta e possivelmente trabalhe para ganhar seus sustento. Comecei a fazer isto com 17 e a continuo até hoje.
Quando um grupo de teatro, que tem enormes dificuldades para colocar sua peça em cena, protesta contra o meio ingresso, os apelos caem no vazio.
Aliás, não foram poucos os diretores e atores que pediram o fim do meio ingresso, na esperança de melhorar sua dramática situação financeira.
Quando se trata da FIFA, o governo é obrigado a rever a concessão. Não pode ameaçar os lucros da entidade que são produzidos, principalmente, durante a Copa do Mundo.
Nada mais injusto. A proposta do Estatuto da Juventude vale para o frágil sistema de diversão no Brasil e é suspenso para a Copa do Mundo, período em que a poderosa FIFA, muitas vezes acusada de corrupção, vai faturar mihões de dólares.
Acabar com o meio ingresso agora, por causa da FIFA, é inoportuno, embora o tema possa ser discutido adiante.
Aceitar o meio ingresso para jovens de 15 a 29 anos pode ameaçar a estabilidade da indústria de espetáculos no Brasil.
Uma terceira hipótese é deixar a discussão do tema para os estados em que haverá jogos da Copa. Cada estado brasileiro teria sua definição.
Mas é evidente que esse conflito agora tem um fundo eleitoral. Aos deputados interessa votar algo que agrade à juventude. Ao governo interessa fazer algo que agrade à FIFA, pois a Copa é uma alavanca eleitoral para os altos dirigentes.
A saída proposta pelo prefeito Eduardo Paes contempla as duas partes. O meio ingresso continua de pé na Copa, valorizando a decisão dos deputados e o governo federal paga a conta, garantindo os lucros da FIFA.
E nós? Como sempre, pagamos a conta.
Tags: Eeduardo Paes, FIFA, meio ingresso, teatros
Nos anos 60, corria uma história engraçada nos bares frequentados por intelectuais Um garoto transou com um maduro diretor teatral. Consumado o ato, como diria um escrivão, o garoto se dirigiu ao diretor e disse:
-Quero 100 cruzeiros
-Não, respondeu o diretor
-Quero 50 cruzeiros
-Não
-Quero 20 cruzeiros
-Não
-Tudo bem, me dá dez cruzeiros
-Não
O garoto olhou para a mesa, estendeu a mão e disse: então vou levar essa caixa de fósforos.
Essa história me vem à cabeça na relação do Brasil com a FIFA. O Brasil decidiu ceder em tudo. Mas vai preservar o direito dos idosos, que terão meia entrada
O Ministro Orlando Silva, do PC do B, não mencionou os estudantes. Como o partido dirige a UNE é possível que não haja protestos pela suspensão da meia entrada durante a Copa.
Os marqueteiros do Planalto vão convencer a todos que Dilma resistiu à FIFA e defendeu bravamente os idosos. Alguns jornalistas vão repassar essa imagem e Dilma, que já está nas alturas pela suposta faxina contra a corrupção, será a heroina da terceira idade.
Esse é o tempo que vivemos. Evidências são envenenenadas pelas versões e poucos se importam com isso; deixaram de ser a materia prima da avaliação , tornaram-se página em branco , nas quais, a partir de alguns fragmentos tudo pode ser escrito.
Em Cuba já se pode comprar carro novo, falou muito disso em setembro. Mas 563 pessoas foram presas por razões políticas, quase o triplo da média mensal; a notícia vai desaparecer, após uma discreta menção.
Ressaltar estas prisões, vale sempre uma enxurrada de protestos. Por que não falar de Guantanamo? Por que não reconhecer a importância da revolução cubana e mencionar apenas alguns detalhes negativos, como 573 pessoas presas ?
Por que não olhar para Gisele Bundchen, de biquini, tentando seduzir o marido numa propaganda da Hope? Aí sim, vemos uma questão de direitos humanos que é preciso equacionar.
São tempos em que a maioria vai para um lado e é preciso coragem e bom humor para contestá-la. A pátria de chuteiras aceita tudo porque já cedeu o principal: a Lei Geral da Copa do Mundo tem como objetivo máximo garantir os lucros da FIFA e ponto.
Durante anos, a pirataria foi regida por uma lei. As penas serao ampliadas na Lei da Copa. A pirataria não é mais apenas a apropriação dos direitos intelectuais de criadores ou da pesquisa das grandes marcas.
Ao chegar ao futebol, ameaçando os lucros da FIFA, a pirataria ganhou um novo e sério estatuto como crime. Tudo vai ser interpretado assim: Dilma heroina dos idosos é também a defensora máxima dos direitos intelectuais. E o PC do B ao promover a supressão de conquista dos estudantes na verdade é o seu supremo dirigente , pois está estimulando a emancipação da juventude.
Além de ser bonito e rico, o Brasil é um país muito engraçado.
Tags: Dilma Rousseff, FIFA, meio ingresso, PC do B, pirataria
Algumas notícias sobre a Copa do Mundo são inquietantes. Para começar, há muitas dúvidas sobre o famoso legado, sobretudo depois que a ministra Miriam Belchior anunciou o feriado como alternativa para a mobilidade urbana, nos dias de jogo.
A aprovação da Lei da Copa não satisfez à FIFA. Jornalistas que trabalham nos bastidores informam que há uma grande tensão entre o governo brasileiro e a entidade esportiva.
A FIFA quer dinheiro. Um dos problemas para ela é o fato de o Brasil não revogar, durante os jogos, o direito a meio ingresso de estudantes e idosos. O pais não pode revogar suas leis por causa de uma Copa, sobretudo quando representam direitos adquiridos, concorde-se ou não com eles.
A FIFA deveria considerar algumas coisas. A lei das licitações foi mudada por causa da Copa. O Código Florestal ganhou , no Senado,um dispositivo que permite desmatar com mais facilidade, para facilitar obras da Copa.
A legislação brasileira já mudou por causa da Copa e a FIFA ainda não está satisfeita. Ela tem até outubro para desistir de fazer a Copa no Brasil. Esta decisão parece improvável. Mesmo porque o Brasil já gastou muito com as primeiras obras de estádios, obras que, de certa forma, mesmo com a Copa do Mundo, são excessivas.
No Rio Grande do Norte, o estádio Machadao, que será reconstruído para se chamar Arena das Dunas, foi objeto de uma pesquisa sobre frequência. O estádio nunca encheu, exceto quando o Papa visitou Natal.
As obras para ampliar o numero de lugares talvez não tenha utilidade plena nem durante a Copa. Todo o dinheiro só terá sentido se o Papa nos visitar de novo. E apenas no momento de sua visita.
O futebol é uma paixão, todos compreendemos. Mas alguma racionalidade é essencial: estamos entrando numa crise econômica com dimensões planetárias e, precisamente nesse período, corremos o risco de jogar dinheiro fora, aumentando as dívidas.
Tenho escrito sobre o tema e recebido algumas criticas. Os entusiastas da ideia e os que esperam tirar proveito político dela, afirmam que os críticos são negativistas e torcem contra.
É outra face do problema.Para os adeptos de alguns governos democráticos e da ditadura militar, quem faz criticas é porque não acredita no Brasil e está querendo o fracasso nacional.
A Copa não vai bem. E os instrumentos de controle do rumo parecem desligados. Por que não reagir enquanto há tempo? A decisão de não ceder à FIFA direitos adquiridos foi correta. É preciso avançar com as idéias que protejam o país, evitar o “depois da Copa, o dilúvio”.
A Copa do Mundo no Brasil trouxe benefícios políticos para os dirigentes, nas eleições de 2010. É uma ilusão pensar que a vitória está apenas na escolha do país sede. Há muito caminho pela frente.
Tags: estádios, FIFA, legado, Lei da Copa
Acordei em São Paulo com o sol iluminando a igreja presbiteriana, diante do quarto de hotel. Fiquei sem conexão toda a manhã e constato agora que terei de alterar minha próxima viagem para cá.
Decidiram fechar o aeroporto Santos Dumont na tarde de sábado. O tráfego aéreo iria prejudicar a transmissão do sorteio da Copa do Mundo. Começam os transtornos da Copa. O sorteio custa R$30 milhões aos cariocas. As autoridades dizem que é para o nosso bem. Haverá mais propaganda para o Rio.
A FIFA determinou o fechamento do aeroporto e todos cumprem sem hesitar. A FIFA é considerada um covil de gangsters, não só pelos ingleses, como por muitos outros observadores. O presidente da CBF, Ricardo Teixeira, deu uma entrevista à revista Piauí revelando que não se importa com sua reputação depois da Copa, porque estará aposentado.
A associação de dirigentes da FIFA com governantes brasileiros ainda vai dar muito o que falar. Seria interessante informar se os alemães ou japoneses fecharam aeroportos para transmissão de cerimônia de sorteio. Viajarei para São Paulo, na manhã de domingo. Será menos complicado.
Esta cerimônia que fechará o Santos Dumont será mostrada para todo mundo e foi organizada pela Globo e RBS, ambas muito competentes. No entanto, as chamadas empresas parceiras, ou mesmo as patrocinadoras do evento, não compareceram com os recursos para o sorteio. Coube ao Estado do Rio pagar R$15 milhões e a Prefeitura R$15 milhões.
É uma tese discutível a de que a propaganda compensa tudo. Se compensa para a cidade, por que não compensaria para a Panasonic, a Nike , etc? Claro, as empresas são livres para investir onde e quando quiserem. Mas se continuar nesse tom, a maior parte do investimento será feita pelo contribuinte.
Tags: Aeroporto Santos Dumont, copa do mundo, FIFA, Ricardo Teixeira
Será que vale a pena uma Copa do Mundo no Brasil? Num certo sentido, é tarde para perguntar, porque já estamos no caminho dela.
Uma das razões que levaram o governo a aceitar tantos gastos é simbólica. O povo brasileiro gosta de futebol e quer ver sua seleção brilhar mais uma vez.
Ouvi este argumento de outro brasileiro, quando fazíamos um debate para um programa radiofônico estrangeiro.
O valor simbólico estava muito ligado também às expectativas de sucesso da seleção, dando mais uma prova da excelência brasileira na modalidade.
Pesquisas iniciais indicam que, depois da Copa América, a maioria dos entrevistados está pessimista com a performance da seleção brasileira. Perder quatro pênaltis num jogo de 120 minutos, em que não fez gol, não alimenta nenhuma esperança.
Como se não bastasse esse fator, a decadência do futebol brasileiro, o New York Times publicou ontem uma impressionante reportagem sobre corrupção na FIFA.
Esta entidade, que estará associada ao esforço multimilionário do Brasil ,paga altos salários aos seus dirigentes, os mantêm em hotéis cinco estrelas, com jantares cinco estrelas e muitas outras vantagens dispensadas aos muito ricos.
Grande parte desse dinheiro vem dos direitos de transmissão das partidas. Dez por cento deles são destinados à FIFA. Como se não bastassem os rios de dinheiro que correm na entidade, ainda há fortes denúncias de corrupção entre dirigentes esportivos que escolheram as próximas sedes da Copa do Mundo, em 2018 e 2022.
Num contexto de débil controle interno sobre as obras, associado à FIFA, entidade esportiva marcada pela corrupção, com um futebol não lembra mais o melhor do mundo, o Brasil se prepara para gastar fortunas.
Será que esse dinheiro é a melhor forma de atender às nossas necessidades?. Será que realizar a Copa do Mundo significa mesmo um excelente negócio para as novas gerações?
Ainda é hora de perguntar. A Copa do Mundo é irreversível, mas quanto mais realista formos a respeito de seus resultados, mais conseguiremos evitar prejuízos absurdos. Uso o adjetivo absurdos, porque acho que prejuízo, do jeito que as coisas andam, teremos de qualquer maneira.
Tags: Copa América, FIFA, seleção brasileira
Semana nada romântica. Muito frio, boeiros explodindo, baixaria dos tabloides ingleses e um escândalo de grande porte o do Ministério dos Transportes ao qual dediquei um artigo no Estadão de sexta.
Como sábado é dia de olhar pelo bairro sai para fotografar bueiros nos dias mais cinzentos. Os chilenos têm o vulcão Puyhue um fenômeno natural com nome nativo. Nos temos muitas explosões feitas em casa, com nome estrangeiro: Light.
Jerson Kelman, o presidente da Light, disse algo muito esclarecedor: o que está acontecendo não é problema da manutenção, é de renovação.
Essas fragilidades estão aparecendo antes da Copa e das Olímpiadas . Vivo um momento de dúvida sobre a capacidade de achar solução para tudo ,na carona dos dois eventos.
Pelo contrário, podem se tornar um problema. Primeiro pela aprovação de um sigilo nas obras, pelo Congresso, mas ainda não foi digerido legalmente.
Uma razão adicional de dúvida são a FIFA e CBD, esta dirigida por Ricardo Teixeira. Muitas denúncias de corrupção.
Outras bombas invisiveis como o saneamento e lixo tendem ao olvido..
Uma coisa é melhorar a cidade a partir da Copa do Mundo e Olímpiadas. Outra coisa é melhorar a partir de suas necessidades.
Barcelona conseguiu a convergência entre os dois projetos, os dos jogos e o da cidade. As obras do Maracanã que estão nas mãos da Delta, empresa de Fernando Cavandish, vão custar em torno de R$1 bilhão.
O orçamento que era de pouco de R$700 milhões deu um salto. Tudo isso é dinheiro que poderia ser empregado em outras coisas e com mais rigor.
Compreendo a importância simbólica da Copa e das Olímpiadas. Ela é um pouco acentuada pelo governo com essa história de que é bom para auto estima nacional.
Isso, as vezes, distrai a atenção dos problemas reais e dos aspectos econômicos de toda a aventura.
Os bueiros nos incitam a colocar de novos os pés no chão, e com muito cuidado.
Tags: bueiros, FIFA, Light, Ricardo Teixeira, saneamento
Estou percorrendo algumas cidades do interior de São Paulo. Reclamei dos aeroportos ,mas, já na saída da cidade, um engarrafamento provocado por um carro que tombou revela que também aqui embaixo as coisas estão complicadas.
Leio que o pedágio nas estradas paulistas vão ter um aumento de 9,7 por cento . Isto vai acontecer depois do feriadão. Devo voltar antes dele e, felizmente, no sentido contrário ao do fluxo.
Escrevo um artigo para o Estadão de sexta sobre o sigilo nos documentos oficiais e nas obras da Copa do Mundo. Considero o sigilo nas obras da Copa temerário.
O governo acaba de perder um ministro da Casa civil, Antônio Palocci, por suspeitas. Já havia perdido José Dirceu e Erenice Guerra.
A CBF está sendo acusada, na pessoa do presidente Ricardo Teixeira, de ter aceitado suborno. A FIFA na Inglaterra sofre pesadas denúncias e não escapa delas João Havelange, que foi seu presidente.
Políticos e cartolas do futebol não têm condições de pedir a ninguém que lhes dê um cheque em branco.
Constato que com esse tipo de sigilo até o Sarney disse que não concorda. Sinal de que não passará no Senado da forma que o governo pede. Vamos ver se Sarney inventa uma saída.
Essa história de dizer que foi mal compreendido é ruim para o governo. Quando a maioria esmagadora entende uma proposta dessa maneira, ela não compreendeu mal. Foi o governo que explicou mal. Uma nuance importante na democracia
No momento em que se discute o sigilo eterno dos documentos oficiais, surgiu uma nova aberração na praça: os gastos da Copa do Mundo e Olimpíadas poderão ser feitos, parcialmente, também em sigilo.
O governo enviou ofício ao Tribunal de Contas afirmando que a prestação de contas dos gastos com Copa do Mundo e Olimpíadas vai depender da conveniência do próprio governo.
Quando o Brasil se candidatou, a afirmação do Presidente Lula era de que tudo seria feito com a maior transparência.
A aprovação do Regime Diferenciado de Contratações é o primeiro grande problema pois alem do sigilo em gastos, o governo dispensará as empresas da apresentação do projeto básico da empreitada, antes da licitação.
O Procurador-Geral da República, Roberto Gurgel, já se pronunciou sobre o segredo nos gastos, afirmando que é inconstitucional.
O site que deveria apresentar esses números está desatualizado. E foram tantas as comissões de monitoramento prometidas na época mas nenhuma delas se pronuncia.
No momento em que discutimos o sigilo dos documentos da Guerra do Paraguai, o governo nos oferece, discretamente, um sigilo ainda mais indigesto.
Depois do segredo histórico, o orçamento secreto. Por que não houve uma briga maior no Parlamento? Não foi apenas a influência do governo que enfraqueceu a resistência. As grandes empreiteiras, decisivas nos processos eleitorais, também estão interessadas.
Todas essas barbaridades só acontecem em tempos de vagas gordas. Que o digam gregos e espanhóis.
Tanta se fala contra o imperialismo e pela soberania nacional e agora se entrega ao COI e à FIFA a chave do tesouro. São entidades internacionais, diria alguém, acima de suspeita. Em matéria de suspeição, FIFA e COI ganham qualquer campeonato, a julgar pelos escândalos recentes.
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2011