Além da boa notícia da libertação do repórter Andrei Netto, na Líbia, ontem foi um dia importante para a política externa brasileira. No Conselho de Direitos Humanos, em Genebra, a delegação de nosso país fez um incisivo pronunciamento contra a intolerância religiosa, afastando-se mais ainda do governo do Irã, movimento iniciado pela presidente Dilma Rousseff, quando condenou a pena de morte decretada contra Sakineh Ashtiani.
A intolerância religiosa é quase universal mas a menção da fé Bahai, perseguida no Irâ revela que o discurso brasileiro tinha endereço certo. Antes disso, a Embaixada brasileira já havia recebido para um almoço uma oposicionista do regime de Ahmadinejad, Shirin Ebadi, advogada que ganhou o Prêmio Nobel da Paz, em 2003.
A menção específica fortalece os Bahai, que existem no Brasil e não encontram eco para as denúncias de violações de seus direitos no Irã. Terão mais chance de serem reconhecidos pelo Congresso e a imprensa brasileira.
Como disse, existem outros lugares do mundo com intolerância religiosa, mas ao escolher este exemplo, o Brasil confirma o afastamento do governo de Ahmadinejad, o que , na verdade, é a confirmação de uma posição nacional majoritária. Mesmo ganhando as eleições, um partido político não pode transformar a política externa em puro reflexo das suas posições. Aliás, talvez até no PT, a aproximação com a Ahmadinejad não tenha maioria. Ela é fruto de uma visao minoritária não só sobre o Irã mas também sobre a proliferação de armas nucleares.
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2011