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17.dezembro.2011 07:42:45

Natal com os pés no chão

Antes que você se dê conta dele, o Natal aparece no seu caminho matinal. No meu foi assim: primeiro a árvore da Lagoa, depois o presépio.

Bem que desconfiava de algo quando vi algumas caixas imensas  com o laço vermelho. Estavam vazias. Que presentes  trouxeram?

Caixas na lagoa Rodrigo de Freitas.(foto FG)

De repente, no sol a pino, um presépio. Imagino que as figuras tenham saído daquelas caixas, com suas roupas pesadas e pedras cintilantes.

O camelo parecia estar mais à vontade no clima. Sou fascinado com esses bichos criados pela artesãos. O elefante de escola de samba é perfeito. Descobri isto ao fotografar um incêndio num barracão. O elefante sobreviveu.

A árvore de Natal tanto aqui como na avenida Paulista contribui para deter o trânsito. Mas o que fazer? Já é dezembro, tem chovido, nada está fluindo como no meio do ano. Na Lagoa, ela alegra as famílias e mobiliza um verdadeiro batalhão de pipoqueiros.

Registro aqui o presente de Natal que a pesquisa de ontem do Ibope representou para o governo. A popularidade de Dilma está nas alturas.

Tenho hoje uma visão de que a atual composição de governo conseguirá o apoio da população por muitos anos, sobretudo dos setores mais pobres.

Analogias são imperfeitas, reconheço. Mas acontece no Brasil um encontro do povo com um tipo de governo, parecido com a trajetória da social democracia em alguns países europeus, no pós guerra.

A árvore que é atração nos últimos Natais.(foto FG)

A liderança em época de crescimento econômico mas, sobretudo, de distribuição de renda, estabelece um vinculo que dura muitos anos. E não se abala tanto com episódios como os escândalos de corrupção.

Reconhecer isto, não significa concordar com o governo ou fechar os olhos para seus erros. Cerca de um quarto da população não o aprova.

Mas a realidade é que a grande maioria o considera bom e ótimo. Todo esse alvoroço em torno do desvio de verbas, ou mesmo da ineficácia do governo em algumas áreas, tem um sentido para quem quer melhorar as coisas.

Mas não altera no momento a simpatia das grandes massas. Muita gente a atribuía apenas ao carisma de Lula. Ele contribui  muito para fixar a ideia de que o governo é dos pobres e a oposição representa os ricos.

No Natal de 1968, distribuíamos panfletos contra o Ai-5 e não entendíamos a indiferença das pessoas. Ignorávamos o peso do Natal na vida das famílias.

Hoje pelo menos, em circunstâncias diferentes, com a presença da democracia, escrevo sobre o Natal e reconheço o potencial de longevidade do governo.

Atravessar o deserto não é novidade para mim. Difícil é evitar miragens ao longo do caminho.

O nascimento de Cristo, no meio da rua, no clima de dezembro.(foto FG)

PS: Escrevi um texto sobre Christopher Hitchens, Um polemista dedicado a quebrar mitos, no Sabático do Estadão, uma rápida lembrança de suas atividades e passagem pelo Brasil.

 

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O governo blindou o ministro Fernando Pimental, impedindo, através de sua maioria, que fosse convocado a depor no Senado.

Os estrategistas do governo pensam assim: se evitarmos a ida do ministro, o tema, aos poucos, cai no esquecimento e o episódio estará superado.

Há um outro modo de pensar. É oposto a este, mas poderia ser mais benéfico ao futuro político de Pimentel. Se fosse ao Congresso e desse explicações convincentes, o caso cairia no esquecimento de maneira mais estável.

A leitura da blindagem é esta: o ministro Pimentel e o governo temem esse depoimento no Congresso porque acham que não há explicações convincentes.

Entre o desgaste de uma má performance no Congresso e  a ausência de explicações satisfatórias, optou-se pela segunda saída.

Alguns dos argumentos levantados aqui, valeram também para os seis dos sete ministros que se foram. A opção de blindar Pimentel pode comprometer seu futuro político, tornando-o vulnerável em qualquer disputa eleitoral.

O governo tem maioria no Congresso e desfruta de grande popularidade. Sabe o que faz.  Está seguro de sua posição olímpica.

Praticamente, tentou segurar um ministro por mês. E nisso o ano se passou, deixando uma sensação de vazio, logo agora que a crise econômica mundial volta a dificultar nosso avanço.

Com ou sem queda de Pimentel, 2011 termina sem novidade , exceto  a discussão, precisamente, sobre a saída de mais um ministro.

No ano que vem, há uma reforma. Se os episódios se repetirem, vai ser mais monótona e repetitiva a  queda dos ministros.

 

 

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Hora de voltar ao continente. Dedico a manhã de hoje à Enseada do Abreu para conhecê-la e trazer algumas imagens.

Saio de Noronha com muito material que precisa ser elaborado. Desde quando cheguei, entretanto, já pensava que a política pode ter uma repercussão no destino do arquipélago.

O governador de Pernambuco, Eduardo Campos, tem pretensões nacionais. Noronha pode aumentar ou diminuir a simpatia em torno de seu nome. A opção por um projeto sustentável seria uma resposta.

Tartaruga monitorada pelo projeto Tamar.(foto FG)

As vezes quando  alguém de oposição faz uma sugestão dessas, o governo desconfia e a trata com má vontade. Acabamos de passar algo parecido com a proposta de demissão de Carlos Lupi.

Dilma resistiu para mostrar força, na suposição de que tudo o que adversário pede é o contrario simétrico do que ela precisa fazer.

OO patrimônio histórico está arruinado e o da II Guerra ocupado por sem teto.(Foto FG)

Esse será um tema do começa da semana, embora na essência já se esgotou. Não há o que falar mais do caso Lupi.

As vezes vejo na inflexibilidade momentânea o fato de Dilma não ter enfrentado muitas eleições. Mas minha tese não prospera, pois Lula, que esteve em todas as eleições do período democrático, também era contra a saída de Lupi.

Continuo à espera de mais sinais para entender.

Nesta semana, gostaria de abordar um pouco o campeonato brasileiro. Assisti a muitas partidas pela tevê. Mas sobretudo estive em cidades diferentes e viajei pelos aeroportos aos domingos.

É impressionante passar por um bairro de classe media em Manaus e ver a família erguendo uma bandeira do Vasco da Gama na varanda. Ou ver de, repente em cidades menores, surgir um motociclista com a bandeira do Coríntias. Para mencionar apenas os líderes.

Nos saguões, muitos passageiros com camisas de seus clube. Em termos de emoção o futebol foi bem. Em termos técnicos tenho dúvidas.

Saudades me trouxeram a Noronha.(foto FG)

Mas isso é apenas um pequeno programa para a semana que entra. Antes do voo, vou dedicar às horas que restam ao sentimentos que me trouxeram aqui.O reencontro com a netinha de coração e através dele a certeza de que é preciso fazer algo pelo futuro de Noronha.

Nada melhor do que recolher  material e continuar estudando. Temos caminho pela frente.

PS;  Aviso que o artigo sobre a Cabeça do Cachorro na Amazônia, saí hoje no caderno Aliás do Estado de São Paulo

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Como posso fazer o que queres lobo?

Lupus,lupi, declinava-se assim. E a lembrança da fábula de Esopo, recitada na escola, me veio com a nova crise que se desenha. Desta vez é o Ministro do Trabalho Carlos Lupi. Parece com todas as outras cinco.

Vai-se a primeira pomba- recitava o professor de português. Vai-se o sétimo ministro neste primeiro ano de governo. Um deles, Nelson Jobim, saiu por excesso de franqueza.

As coisas se repetem com detalhes idênticos : ONGs, tarefas não realizadas, dinheiro para os cofres partidários; basta trocar o nome dos personagens para contar  toda a história.

Aliás a Policia Federal suspeita que todos os envolvidos andaram fazendo um curso comum sobre como desviar dinheiro, falsificar notas fiscais e  até a idade da ONG.

Lupi é macaco velho. Fez-se na política como um abnegado assessor de Brizola. Nada que possa descrever, substitui a foto de Orlando Brito. Mimetizado naquela atmosfera, o brilhante fotógrafo brasileiro consegue contar, com um simples clique, grandes histórias da corte brasiliense.

Presente, passado e futuro na foto de Orlando Brito (Obritonews)

Com essa personalidade, Lupi deveria procurar, o mais rápido e discretamente, sair de cena. Os dirigentes do PC do B também são macacos velhos. Mas de outra forma. Ainda acreditam na força de guerra fria para vitimar a verdade.

Por que Lupi sairia? Não estaríamos aplicando a ele a lógica do próprio lobo, no dialogo com o cordeiro: o responsável não é você mas seu secretário executivo?.

Vamos voltar à foto. Dilma sequer olha para o beijo na mão. Ela desvia o foco para bem distante, como fez quando Sérgioo Cabral, num inglês bastante acidentado, desfiava elogios à ela no sambódromo: the first woman president of Brazil.

Lupi dificilmente vai à televisão envolver a imagem de seu partido, o PDT e , como os comunistas,  construir uma blindagem através da mitificação do passado. Talvez fique apenas alguns dias e, depois, resolva sair para provar a inocência de sua gestão.

A divulgação pela CGU da existência de 500 contratos sem fiscalização, no Ministério do Trabalho, indica que o governo sabia que Lupi era o próximo.

Vamos assistir, mais uma vez, ao mesmo filme. Menos dramático, mas revelador quando se escolher o novo ministro.

Estamos apenas trocando peças de uma engrenagem imutável? Ou será que, no sétimo ministro demitido , já se pode perguntar se não há algo errado com a maneira de compor um governo?

Quem se lembra das verbas que não foram para as estradas, dos convênios engolidos no turismo, dos dribles à prestação de contas no programa Segundo Tempo?

Lupi  deveria pedir licença e sair, mas a sucessão de atores em cena não alterou ainda a essência do script. É possível retirar as ONGs da sala.Mas é muito ingênuo supor que o problema está apenas nelas, sobretudo as que foram criadas com o único objetivo de levantar grana.

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28.outubro.2011 09:57:16

Mudanças à brasileira

O Ministério dos Esportes foi pacificado da mesma forma que o do Turismo. O sistema de divisão do poder permanece inalterado.

No Turismo, caiu um ministro entrou outro aliado de Sarney. Há diferenças entre os dois? O atual ministro é mais articulado, atuou na educação e tem experiência administrativa.

Houve portanto uma melhora, dentro da rigidez inabalável de manter o ministério sob a influência de Sarney.

Caiu Orlando Silva, entre Aldo Rebelo. Este com mais experiência parlamentar, com posições próprias sobre Raposa Serra do Sol e o Código Florestal.

Os jornalistas enfatizam também de suas campanhas contra o uso de palavras estrangeiras, seu projeto criando o Dia do Saci Pererê, a combinação, em sua estante, de efígies comunistas  com imagens de santos catóicos.

O que querem dizer é o seguinte: a mudança foi para melhor.

A trajetória de Gastão Vieira também autorizava dizer que a mudança no Turismo foi para melhor.

É uma resignação  típica . Acho que está na raiz da longa sobrevivência da ditadura militar.

A palavra de ordem é sempre buscar algo positivo nas ações do governo, para evitar  confrontos prolongados.

Dilma muda os nomes mas não altera os esquemas herdados. No passado colonial, tínhamos a capitanias hereditárias.

Esporte é com o PC do B; Turismo, Minas e Energia pertencem ao Sarney. E assim por diante.

Sarney já estatizou o museu com suas imagens e documentos. É um faraó acabado.

Pelo menos, no último escândalo, discutimos alguma coisa sobre o comunismo. Chegamos ao princípio do Século XX, com múmias mais recentes.

O difícil será mergulhar na agenda atual: economia verde, erradicação da miséria, Copa do Mundo sustentável.

PS: leia o artigo de hoje no Estadão: http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,e-o-vento-levou-,791649,0.htm

 

 

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Brasília-  Estou na capital para um seminário. Nada a ver com os escândalos. Mas aqui na corte, só se fala nisso.  O Brasil é hexa na modalidade queda de ministros: Orlando Silva cai e o PC do B , parece, continuará com o Ministério dos Esportes.

Orlando Silva aparelhou o ministério para o PC do B, que o defendeu com unhas e dentes. As ONGs, que pegaram o dinheiro e não comprovam seu uso , também são ligadas ao PC do B.

O ministro foi punido, seu partido não. O PC do B se comportou de uma forma que merecia a mesma punição que o próprio Orlando.

Sempre se dizendo um partido experiente, afirmando ter passado por várias situações difíceis, sua reação às denúncias foi elementar.

Produziu um programa de televisão para incensar o comunismo no Brasil. Não era isto que estava em jogo. Usou, indevidamente ,a imagem das pessoas. E não respondeu às acusações de frente.

Sinceramente, não esperava que  seus dirigentes fossem tão estreitos. Eles se dirigem a uma opinião democrática tentando infantizá-la, como se estivessem num pais sem liberdade de imprensa.

No movimento estudantil, chamávamos os quadros do PC do B de a tigrada. Isto por causa da frase de Mao: o imperialismo é um tigre de papel.

É surpreendente, tantos anos depois, que a tigrada reduza o mundo a uma guerra  de propagandas.

Fala–se que Aldo Rebelo será o no novo ministro. Ele tem mantido posições independentes da esquerda, a partir de sua própria reflexão.

Mas daí a contestar o aparelhamento do estado pelo PC do B vai uma grande distância. O esporte continuaria nas mãos de um partido, alimentando suas finanças e seu crescimento.

Impressionante a mediocridade do governo. Não consegue dar um passo adiante, na liberação da máquina do estado de seus ocupantes espúrios.

Pela mesma lógica, demite alguém do Sarney, mas coloca outra pessoa do Sarney no Turismo.

Não acredito que Orlando Silva seja o culpado sozinho. O governo, com a renúncia do Ministro e a continuação do cargo com o PC do B, tenta nos passar esta ideia.

Assim como o PC do B, o governo desistiu de fazer sentido. Resolve apenas mudar um pouco, para deixar tudo como está. Inauguramos, sob inspiração da tigrada, o grande salto no mesmo lugar.

 

 

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Esboço de um artigo para semana. Lula aconselhou o PC do B a resistir com Orlando Silva. É preciso enfrentar firme a ventania, não se deixar arrastar por ela-teria dito.

O orientais aconselham o contrario. Dobrar-se para que a ventania passe e não nos arraste com sua força.

Os orientais buscam a sabedoria, com essa frase. Lula busca o poder com a sua afirmação. Eu tenho a força, parece dizer como um personagem de histórias infantis.

Há casos, na história, em que figuras históricas enfrentaram a ventania sem se dobrar. Alguns foram vitoriosos. Mas todos tinham algo em comum: uma grande causa .

Qual é a causa do governo ao enfrentar a ventania? É uma causa clandestina: a legimitidade de se usar o aparato do governo para construir a estrutura partidária.

Ela tem validade à boca pequena, entre militantes de partido que, com suas perspectivas revolucionárias, se acham acima do bem ou do mal.

Espelhinhos no Xingu já não trazem a alegria do passado.(foto FG)

Mas é abertamente antirepublicana e não pode ser defendida à luz do dia. Portanto, o governo está no olha do furação sem uma ideia para defender.

Daí ter caído na simplicidade da pergunta: cadê as provas? Ora não é apenas o recebimento do dinheiro na garagem que está em jogo. São quase 50 milhões de contas não prestadas. Onde estão as provas de que foram gastos com honestidade?

O governo e o PC do B estão devendo provas e, para confundir, pedem provas. Sua decisão de resistir é apenas um gesto de força de Lula que se sente invencível por duas razões: a popularidade interna e o reconhecimento internacional.

Ele parece não compreender que são fatores dinâmicos. Uma pessoa bem informada na oposição ao Irã já não o considera um interlocutor, tantos equívocos cometeu em relação ao pais.

As ventanias no país não são idênticas umas às outras. O sudoeste aqui significa chuva. A ventania trazida pela corrupção nos esportes é de fácil compreensão popular, em tempos de Copa do Mundo. É portanto um vento de tempestades.

Os populistas do passado diziam que as denúncias não pegavam porque seus eleitores acreditavam que eram apenas perseguições políticas.

As condições de hoje permitem informar melhor. Espelhos e miçangas sempre serão distribuídos, mas são mínimas as chances de gritarmos Caramuru.

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O filósofo do futebol, Neném Prancha dizia: pênalti é tão importante que devia ser batido pelo presidente do clube.

Dilma parece ter seguido esta orientação. A Copa do Mundo é um evento tão importante que será monitorada, diretamente, pela presidente do país.

Isto foi o que saiu no Estadão de hoje. O governo é muito ambíguo, nessa e em todas as questões delicadas em que se envolveu.

Detesta a palavra faxina, quando está perto dos políticos; adora a palavra faxina, quando ela aumenta alguns pontos na pesquisa de popularidade.

O fato é que o governo é sempre bem informado. Mesmo longo de Brasília, ouço os rumores de que correm vídeos  de mão em mão, vídeos que podem ofuscar aqueles que derrubaram o governo Arruda.

Muito em breve, a situação vai se complicar. Assim que o caso Orlando Silva for solucionado, começará o de Agnelo Queiroz.

O PM João Dias, dono de academias de kung-fu, faz carga pesada contra Orlando Silva. Mas é discreto quando fala do governador de Brasília.  Agnelo era ministro na época. Dizem que, hoje, João Dias tem até afilhados nomeados em cargos de confiança no governo local.

Será difícil limitar o escândalo ao Ministro dos Esportes. Agnelo Queiroz passou pelo Ministério e faz política em Brasília. Ele agora é do PT e governador.

Está sendo investigado pelas mesmas razões que levaram Orlando Silva à desgraça. E outras decorrentes de sua prática específica em Brasília.

Se depender do acusador, o escândalo nos Esportes morre com a queda de Orlando Silva.

É uma ilusão pensar que essas histórias podem acabar no dia certo, com a ação, personagem e diálogos já escritos. Não são novela de televisão.

A médio prazo monitorar a Copa pode ajudar. Mas no momento, o problema é monitorar o escândalo e seus imprevisíveis desdobramentos. Daqui a pouco, começa a campanha Sou Agnelo, Sou Brasil.

A mais recente crise mostrou que a política em Brasília é complicada, sobretudo quando é preciso achar  um nome para tirar a capital da crise.

Agnelo: essas coisas custam tanto a passar

 

 

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Nos anos 60, corria uma história engraçada nos bares frequentados por intelectuais Um garoto transou com um maduro diretor  teatral. Consumado o ato, como diria um escrivão, o garoto se dirigiu ao diretor e disse:

-Quero 100 cruzeiros

-Não, respondeu o diretor

-Quero 50 cruzeiros

-Não

-Quero 20 cruzeiros

-Não

-Tudo bem, me dá dez cruzeiros

-Não

O garoto olhou para a mesa, estendeu a mão e disse: então vou levar essa caixa de fósforos.

Essa história me vem à cabeça na relação do Brasil com a FIFA. O Brasil decidiu ceder em tudo. Mas vai preservar o direito dos idosos, que terão meia entrada

O Ministro Orlando Silva, do PC do B, não mencionou os estudantes. Como o partido dirige a UNE é possível que não haja protestos pela suspensão da meia entrada durante a Copa.

Os marqueteiros do Planalto vão convencer a todos que Dilma resistiu à FIFA e defendeu bravamente os idosos. Alguns jornalistas vão repassar essa imagem e Dilma, que já está nas alturas pela suposta faxina contra a corrupção, será a heroina da terceira idade.

Esse é o tempo que vivemos. Evidências são envenenenadas pelas versões e poucos se importam com isso; deixaram de ser a materia prima da avaliação , tornaram-se   página em branco , nas quais, a partir de alguns fragmentos tudo pode ser escrito.

Ilustração Cadu Tavares

Em Cuba já se pode comprar carro novo,  falou muito disso em setembro. Mas 563 pessoas foram presas por razões políticas, quase o triplo da média mensal; a notícia vai desaparecer, após uma discreta menção.

Ressaltar estas prisões, vale sempre uma enxurrada de protestos. Por que não falar de Guantanamo? Por que não reconhecer a importância da revolução cubana e mencionar apenas alguns detalhes negativos, como 573 pessoas presas ?

Por que não olhar para Gisele Bundchen, de biquini, tentando seduzir o marido numa propaganda da Hope?  Aí sim, vemos uma questão de direitos humanos que é preciso equacionar.

São tempos em que a maioria vai para um lado e é preciso coragem e bom humor para contestá-la. A pátria de chuteiras aceita tudo porque já cedeu o principal: a Lei Geral da  Copa do Mundo tem como objetivo máximo garantir os lucros da FIFA e ponto.

Durante anos, a pirataria foi regida por uma lei. As penas serao ampliadas na Lei da Copa. A pirataria não é mais apenas a apropriação dos direitos intelectuais de criadores ou da pesquisa das grandes marcas.

Ao chegar ao futebol, ameaçando os lucros da FIFA, a pirataria ganhou um novo e sério estatuto como crime. Tudo vai ser interpretado assim: Dilma heroina dos idosos é também a defensora máxima dos direitos intelectuais. E o PC do B ao promover a supressão de conquista dos estudantes na verdade é o seu supremo dirigente , pois está estimulando a emancipação da juventude.

Além de ser bonito e rico, o Brasil é um país muito engraçado.

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18.setembro.2011 09:24:09

Palestina na ONU

Salvo um imprevisto, o pedido de admissão da Palestina à ONU deve ser o tema da semana. O Brasil decidiu votar a favor do pedido que será apresentado no dia 23. E com esta decisão, expressa também o desejo da maioria dos países latino-americanos.

Existe muita preocupação no governo de Israel. O pais atravessa uma fase de isolamento. Atritos com a Turquia e o Egito foram os mais recentes problemas que a diplomacia israelense enfrentou.

No caso do Egito, a situação é complexa. Os populares querem uma política mais dura com Israel. O governo egípicio resiste porque sabe que a ajuda militar vinda dos EUA está condicionada às boas relações com o vizinho.

Muito possivelmente, o pedido da Palestina vai resultar numa admissão como país observador, mas com possível acesso ao Conselho de Direitos Humanos.

A posição que o Brasil apresenta na ONU expressa o desejo de que o processo de paz avance. Algo de positivo existe em tudo isso, pois os atentados cessaram, momentaneamente, e a demanda palestina conduz o debate para o front diplomático.

Decisões da ONU não costumam impressionar o governo de Israel, sobretudo quando a direita o controla. Mas têm uma grande consequência política.Duas variáveis importantes: a retomada das negociações diretas e uma nova chance para os dois grandes grupos palestinos se entenderem.

 

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  • ZULA VIEIRA: ESTOU DENUNCIANDO QUE NO MARANHÃO TEM MUITAS FLAUDES NO SEGURO DEFERO QUE É COMANDAO PELA FEDERAÇÃO...
  • Fernanda: Mesmo sendo um movimento estratégico, sinto orgulho do meu país por recebê-los. Bem vindos! :)
  • Fernanda: Ainda que com atraso, desejo-lhe um feliz ano novo! Muita sorte e felicidade! :)
  • VOZ ATIVA: DESORDEM E CAOS EM SALVADOR >>> A polícia da Bahia em manifestação de máxima orquestração...
  • Dany: Gostei da sua ideia.Louvo sua coerência e sinceridade,prezado Fernando.

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