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Quando Dilma disse que o passado já passou, tinha um leve sorriso nos lábios. Ela sabia que Carlos Lupi continuaria sendo acusado de várias coisas pela imprensa e que o passado viria puxar sua perna.

Essa foi minha leitura. Dentro do Palácio do Planalto, a capacidade de análise política não é das mais fortes. O que não desmerece a inteligência de cada um dos formuladores.

 O que dificulta a fluidez do pensamento é o velho hábito de considerar tudo a partir da contradição. A contradição move o mundo, está presente até nas invisíveis frações de um átomo, afirmam os teóricos do passado.

O PT viu nas denúncias contra Lupi o adversário de sempre: as elites. E resolveu resistir porque está em luta com as elites e tudo o que acontece é uma expressão dessa luta.

Se substituirmos o termo elite, para imperialismo americano, veremos que Chavez usa o mesmo método, embora o presidente da Venezuela atravesse, com frequência, as fronteiras da paranoia, atribuindo aos americanos a capacidade de produzir terremotos.

Avião de mentira deu com os burros n"água, em Grajaú.(foto FG)

Quando você se define pelos adversários, não importa quem sejam, gregos,romanos, ou vendedores de pamonha, o caminho do erro está pavimentado.

A presença de Lupi é insustentável porque ele não tem condições de ser Ministro do Trabalho. Ninguém afirmou o contrario. Lupi continuava apenas para como prova de resistência “ao golpe das elites”.

Foi este o tom dos discursos entre os jovens do PT, quando homenagearam o ex-Ministro José Dirceu, que, por sua vez, afirmou que as denúncias de corrupção são uma onda de moralismo.

O mesmo que Brizola disse sobre Lula, José Dirceu e seus companheiros, no passado: o PT é a UDN de macacão.

O Brasil perdeu um pouco o senso da realidade. Quando Lupi fez aquele cena na Câmara, para mostrar, que não conhecia o dono das ONGs, Adair Meira, ele o fez de uma forma tão ostensiva, que levaria qualquer psicólogo de botequim a concluir que estava mentindo.

Lupi abriu um papel e nada viu nele. Em seguida, Lupi abriu outro papel, e nada viu. Voltou ao primeiro papel e perguntou: como é o nome dele? do senhor…? Adair.

Lupi estava fazendo um esforço extraordinário para se desvincular de Adair. Buscou seu nome nos papeis para mostrar que não o localizava nem em suas anotações. Em seguida, hesitou sobre o nome, como se fosse algo muito remoto para ele. E, finalmente, o chamou de senhor para simular distância.

Lupi queria bala, apareceu o Bala da Rocha, deputado do PDT: juntos legalizaram no Amapá sete sindicatos falsos, isto é de atividades que não existem no estado.

Surgiu a foto de Lupi no avião em Grajaú. Surgiu o vídeo de Lupi, no avião em Grajaú. É uma cidade do Maranhão que faz fronteira com o Piauí . Os dois estados  são separados ali pelo rio Gurgeia. Estive por lá, quando o vale do Gurgeia queria se separar do Piauí.

Grajaú é o Waterloo de Lupi e dos estrategistas do Planalto que o mantinham, como um fósforo frio, até a reforma de janeiro, para não capitularem diante da “elite golpista”.

O grande adversário, quase sempre, está dentro de nossas cabeças. Cada minuto de Lupi significa meses de desgaste. É pegar ou largar. De preferência, em Grajaú, no Maranhão.

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Aniversário da república, feriado. O ano passou como um trem bala. Daqui a pouco, a Conferencia Rio+20 nos lembra que duas décadas se passaram, oito anos de Fernando Henrique, oito de Lula, Itamar.

Neste dia da República, 37 manifestações foram convocadas no Brasil para protestar contra o maior inimigo da República na cultura brasileira: o patrimonialismo, a incorporação dos bens públicos ao patrimônio pessoal. É um dos nomes científicos da corrupção.

Manifestante pelos royalties do petróleo no Rio.( foto FG)

Aqui no Rio, a data coincide com a celebração da tomada da Rocinha, num ano em que também foi ocupado o Complexo do Alemão.

Manchas de óleo, vazadas pela Chevron, alcançam 163 km2 no litoral norte do Rio. As autoridades da capital e das cidades do norte fizeram uma grande manifestação pelos royalties. Mas não se interessaram ainda pelo vazamento.

O governador Cabral deveria, pelo menos, sobrevoar. Espero que faça isto, depois de minha sugestão, embora creio que seja a última sugestão do mundo que  queira ouvir.

Nos Estados Unidos um vazamento, muito maior é verdade, mobilizou Obama algumas vezes. No caso do Rio, ele acontece, precisamente, na semana em que 150 mil pessoas foram as ruas pedir pelo Rio.

O impacto é nosso, os royalties também -dizia uma camiseta azul e branca da prefeitura de Macaé. Sinceramente, o impacto não está parecendo nosso, tal o desligamento das autoridades e dos manifestantes.

Esse foi o primeiro ano de Dilma. Uma verdadeira montanha russa. Ela venceu as eleições , já foi forçada a mudar seis ministros e o sétimo foi aquele a quem ela parece ter dado a mão: Carlos Lupi “eu te amo”, fanfarrão que quer ser abatido à bala de grosso calibre. Aliás, ele deve ser abatido pelo deputado Bala da Rocha, do PDT do Amapá: juntos, Lupi e Bala, criaram sete sindicatos fantasmas, conforme manchete de hoje da Folha de São Paulo.

O Brasil nesses 20 anos conquistou um importante papel no quadro mundial. Cresceu, ficou mais rico, dividiu renda, há uma euforia com o  consumo. Bons tempos para quem governa, aridez para a oposição, bastante devagar pelas próprias características.

Como trem bala, o ano passou tão rápido que nem o sentimos. Teria mesmo acontecido?

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10.novembro.2011 21:38:21

Nas ruas pelos royalties

Foi um belo dia de sol no Rio. No caminho da Cinelândia, ainda me perguntava se a praia não iria competir com a manifestação na preferência dos cariocas.

Inútil pergunta. Na Glória, vi cerca de 80 ônibus estacionados, indicando que o interior já estava presente em grande número.

Sorrisos, cores e bandeiras na Avenida.(foto FG)

Cheguei um pouco mais cedo. Isto é na hora que combinaram começar. Mas a Avenida Rio Branco ainda estava semi deserta.

Uma pequena contra manifestação de estudantes e gente do Ocupe o Rio , movimento acampado na Cinelândia marchava em direção à Candelária, de onde partiria o cortejo maior.

Na Glória, entre 80 e 100 ônibus da empresa 1001.(foto FG)

Os estudantes gritavam palavras de ordem contra o governador Cabral mas andaram apenas uns 200 metros e voltaram.

A primeira impressão que tive foi a Corrida São Silvestre que atrai gente fantasiada de tudo. A Avenida Rio Branco viveu um dias bem carnavalesco, enquanto a a grande manifestação não se deslocava no trajeto da Candelária até a Cinelândia.

No princípio da tarde, a notícia: habemus Papam.(foto FG)

Cada grupo com sua faixa e coreografia.(foto FG)

Nesse trecho, foram realizadas quase todas as manifestações de protesto. Hoje cores predominantes eram o azul e branco. Havia muita bandeira do Rio e milhares de camisetas dos manifestantes de Macaé, com a inscrição: o impacto é nosso, os royalties também.

Clube, partidos e animais, valia tudo na passeata.(foto FG)

Se pudesse dividir a passeata nos principais componentes, daria um grande peso aos que vieram em delegações do interior mas também a grupos de funcionários públicos que deixaram o trabalho às duas horas.

Sindicatos, partidos politicos, ONGs, beneficiários de trabalho social do governo,  grupos de portadores de deficiência física estavam lá.

Uma bateria de escola de samba,presença infalível.(foto FG)

Quase todos os politicos expressivos do Rio também compareceram. Os manifestantes sempre perguntavam se aquilo iria impressionar os deputados.

Como a resposta era não, perguntavam então se o movimento não era para convencer Dilma Roussef a vetar o projeto.

Os locutores limitavam-se a denunciar a nova divisão dos royalties e dizer que os aposentados estavam ameaçados assim como os  serviços essenciais .

Trios elétricos à espera de entrar na avenida.( foto FG)

Diante do palanque armado na Cinelândia um grupo selecionado fazia evolucões e seus movimentos eram mostrados no telão.

A frase de Caetano Veloso, mexeu com o Rio, mexeu comigo, era uma das mais ditas no palanque. O ponto central da manifestação foi o show com artistas como Lula Santos e Fernanda Abreu, entre outros.

Os empresários agrupados na Firjan também compareceram em grupo. Quase todos os partidos politicos com cartazes e militantes enrolados na bandeira estiveram presentes.

Resta a dúvida: qual o desdobramento? Com o aparato de hoje, inclusive banheiros químicos na Avenida, novas manifestações não foram anunciadas.

Se o Rio não sensibilizar Dilma Roussef, o único caminho serEa uma luta judicial. O próprio prefeito Eduardo Paes, em entrevista no meio da tarde, disse que essa seria uma saída.

Estudantes marcham em protesto contra governol.(foto FG)

Os manifestantes do Rio ficaram sabendo pelos locutores que, no mesmo momento, havia uma manifestação dos capixabas em Vitória.

Exatamente no dia da manifestação houve um importante vazamento de óleo, nos poços da Chevron, na bacia de Campos.

Portadores de deficiência participaram em grupo( foto FG)

Não foi possível ouvir todos os discursos. Mas os vazamentos são um dos temas essenciais na defesa dos royalties para o Rio.

Sol na avenida, sol na praia, assim mesmo muita gente na rua.(foto FG)

Banheiros químicos para evitar o pipi na rua.(foto FG)Fatasiado de Bin Laden, conversa diante do palanque oficial.(foto FG)

Diante do palanque, Bin Laden conversa com um amigo.(foto FG)

 

 

Ela desceu da Mangueira para a Avenida para lutar pelo futuro.(foto FG)

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10.novembro.2011 00:08:29

No mar e nas ruas, petróleo

Hoje é dia de manifestação no Rio. Royalties do petróleo. Vai muita gente. Foi convocada pelo governador e tem o apoio de prefeitos que trarão manifestantes de outras cidades.

O governador Cabral foi inábil no período em que o tema foi discutido no Congresso. E foi incapaz de articular uma campanha nacional, mostrando com números e fatos socioambientais  o impacto da exploração do petróleo no litoral do estado.

A manifestação de hoje não vai sensibilizar os deputados e senadores. Todos trabalham voltados apenas para os seus eleitores. O que é legítimo. Mas não há um núcleo que pense no pacto federativo, nos vínculos que unem uns aos outros.

Quem pode pensar no conjunto é a presidente Dilma. Mas o governo federal não  conseguiu achar a saída que atendesse a todos.

O Rio está sendo jogado numa luta pelos seus interesses regionais. Mas também tem uma vocação nacional. As duas vertentes unidas podem chegar a um resultado melhor.

Daí a necessidade de manifestar, mas também iniciar um diálogo com a opinião pública de outros estados, ter uma proposta que faça justiça ao Rio e também contemple a todos.

O papel do governo federal é importante. Mas não aceitou reduzir uma parte  de sua fatia.

Instalação da Petrobrás, perto da ponte Rio-Niterói.(foto FG)

Ha ainda uma questão essencial que os governos não tocam, quando se tratam de royalties: o compromisso com a transparência nos gastos.

Isso não só previne  a corrupção, mas ajuda a orientar a aplicação do dinheiro. Uma pesquisa sobre o tema indicou que as cidades do Rio gastaram 30 por cento de seus royalties empregando mais gente. Será que esse é o caminho?

O fato de as pessoas não saberem como é gasto o dinheiro do petróleo torna o tema dos royalties muito abstrato para elas.

Estarei lá ouvindo os manifestantes, documentando e tentando compreender o quais são as propostas para depois da manifestação.

A forma como o país gasta o que ganha com o petroleo é decisiva para alguns, como foi para a Noruega e a Venezuela, cada uma com sua trajetória.

O caminho brasileiro foi discutido muito brevemente no Congresso. O que mobiliza o Rio hoje poderia levar a um debate nacional sobre o tema. Os governos daqui, no entanto parecem preocupados em mostrar  apenas que estão resistindo. Saídas para o impassse não conseguem colocar na mesa.

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Quando surgiram as primeiras acusações contra Wagner Rossi, o governo afirmou que não eram graves.

Quando surgiram acusações que eram graves, o governo afirmou que não havia provas.

E quando surgem acusações que o próprio Ministro confirma, o governo insinua que só demitira Rossi  em caso de batom na cueca.

Se aparecer o batom  na cueca, o governo dirá que  é mancha  de ketchup.

As últimas acusações publicadas pelo Correio Brasiliense não se referem apenas a viagens num avião de uma empresa  que vende vacinas para o Ministério- http://bit.ly/n9Ykcx.

Elas falam também num sócio da empresa que teria uma secretaria no Ministério.

O governo vai, de sobressalto em sobressalto,  mantendo seu apoio a Rossi. As acusações contra ele são antigas. Lembro-me , na Câmara, de um deputado paulista que, volta e meia, subia à tribuna para desancar Rossi.

Seu nome é Fernando Chiarelli. Ficava muito emocionado e com isso passava a sensação de algo pessoal e localizado em Ribeirão Preto.

Rossi não era deputado naqueles anos, mas não me lembro de alguém discursando em sua defesa. Rossi é do PMDB, Chiarelli do PDT.

Jamais poderia prever que aquelas acusações de Chiarelli sobre o enriquecimento de Rossi pudessem ser revistas à luz de um problema nacional.

Rossi, a cerimônia do adeus.

Rossi é uma cereja no bolo de casamento do PT e PMDB. Mas os noivos, com sua experiência, já devem ter percebido que ela pode ser devorada por uma CPI.

No mínimo, Rossi terá de voltar ao Congresso para se explicar. E dessa vez as explicações serão mais difíceis .

Se Rossi não cair dessa, é melhor marcar na agenda do Congresso “um dia da semana para ouvir o Rossi”.

Trabalho dobrado para ele: passará um dia se preparando para falar no Congresso e um dia respondendo às perguntas dos parlamentares.

Seu ministério trata da agricultura, um dos dínamos da economia brasileira, num mundo à beira de  uma  séria crise.

No Transportes, o recurso foi buscar o número 2 para assumir o ministério. Na Agircultura esse recurso não existe mais, pois o numero dois já saltou fora.

Bom motivo para buscar um grande nome do próprio setor e passar uma borracha no erro de ter escolhido Rossi.

Casamento complicado, esse.

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Senadores independentes criaram um grupo para apoiar Dilma Rousseff, na “sua luta contra a corrupção”

Fizeram o que a sociedade recomenda. Em caso de luta contra a corrupção, apoiar a presidente diante das pressões dos interessados em desviar dinheiro público.

Mas a frente de senadores merece alguns reparos. O enfoque afastou a oposição, que não considera o esforço de Dilma sincero. E não atraiu a base aliada temerosa de investigações que acabem atingindo a um grande número de ministros e parlamentares.

Toda iniciativa séria contra a corrupção no Congresso termina isolada da oposição e da base aliada. O PSDB compra a briga desde que possa ter a liderança e dosá-la de acordo com seus interesses e a sua forte tendência a amarelar em situações complexas.

Isso vem de longe e possivelmente continuará assim. A novidade que os senadores poderiam apresentar seria uma agenda própria de luta contra a corrupção. Dezenas de projetos nesse sentido adormecem nas gavetas.

O escândalo do Ministério do Turismo pode acabar com todos os réus sendo julgados pelo Supremo Tribunal. Como existe uma deputada entre os acusados, os advogados da quadrilha querem mandar o processo para o STF. É o famoso foro especial dos parlamentares que precisa ser revisto.

Iniciar um trabalho desse tipo dentro do Parlamento provoca reações, resmungos e, às vezes, hostilidade direta. A vida  torna-se muito incômoda. Mas , afinal, foi para esse desconforto que alguns parlamentares se elegeram, prometendo lutar contra a corrupção.

Os senadores colocaram o tema nas mãos de Dilma. Decidiram apoiá-la nas dificuldades, é certo. Mas não traçaram um roteiro próprio de luta. Sozinha e sem inspiração, Dilma não resolve o problema. Os senadores têm de entrar em campo e chamar para ele também a sociedade mais consciente.

Não se trata de uma tarefa apenas de Dilma, diante da qual  se pode apoiar, condenar ou ignorar. É uma tarefa nacional .

A corrupção tem produzido muitos escândalos na Índia, que comemora 64 anos de independência e cresce economicamente como o Brasil.

Lá, o Congresso está discutindo uma lei rigorosa, pois essa é sua missão. Lá começam a surgir manifestações populares.Não estou propondo o mesmo para o Brasil pois cada pais tem suas características.

Mas, em tese, sem um Congresso ativo e sem povo na rua, o caminho é mais longo e difícil.

 

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Na semana que se encerra não foi fácil analisar a conjuntura nacional. Lá fora, a crise econômica é uma realidade, determinando alerta e precaução no âmbito interno.

Dentro do pais, sucedem-se as denúncias sobre corrupção. Veja publica matéria de capa sobre o enriquecimento do Ministro da Agricultura, Wagner Rossi. E na Carta ao Leitor apresenta um texto intitulado toda a força à presidente, falando da determinação de Dilma em combater as irregularidades.

 

Horas depois da publicação, Dilma reafirmou seu apoio a Wagner Rossi, depois de tudo o que foi divulgado a seu respeito.

No Senado, Cristovao Buarque, Pedro Simon e Jarbas Vasconcelos e outros pretendem criar uma frente de apoio a Dilma, na sua “luta contra a corrupção”.

Essas manifestações de apoio revelam que Dilma pode escolher um lado ou outro, sua base de apoio, ou a simpatia da imprensa mais um grupo minoritário no Congresso.

Para onde vai pender? Wagner Rossi é homem de Michel Temer que, por sua vez, pode representar o elo de Dilma com sua base de apoio, mais precisamente o PMDB.

O fim de semana foi marcado também por uma entrevista de Ideli Salvatti, afirmando que repudiava o movimento de deputados e senadores da base, que se recusaram a votar para dar um recado a Dilma. E que ia liberar R$1 bilhão em emendas. Por via das dúvidas

Tudo isso expressa o processo contraditório em que se meteu o governo com as primeiras denúncias de corrupção. Ele hesita entre surfar na onda moralizadora e estreitar seus vínculos com a base aliada.

Naturalmente, o governo não vê essa contradição como a exponho aqui. Vai tentar as duas coisas: manter a base aliada e combater a corrupção, pelo menos na aparência.

O caso de Rossi é emblemático. Dilma não quer hostilizar seu vice e desmanchar o casamento idealizado naquele bolo de aniversário da coligação, no qual ela e Temer aparecem como os noivos.

A oposição vai pedir coerência, alguns vão chamar de farsa o processo de moralização.

Acontece que é um nó difícil de desatar. Era preciso ganhar as eleições com uma proposta clara de um novo tipo de coalizão, sem loteamento de cargos entre partidos. O que não significa ausência dos políticos ou discriminação contra eles.

Dilma foi eleita de um jeito e para mudar as coisas teria também de mudar de base. O modelo que está aí permite que os políticos voltem as costas para a sociedade e se comportem como uma entidade autônoma, com suas próprias leis e padrão moral.

Só que esse modelo venceu as eleições e, possivelmente, vencerá muitas outras em escala regional.

É mas fácil cobrar dos eleitos com um discurso de mudança do que cobrar a mudança de quem foi escolhido para a continuidade.

Em outras palavras, dificilmente, a contradição será vencida sem participação popular.

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Os escândalos se sucedem e esta sucessão tem consequências. Uma delas é o foco no conjunto e uma certa superficialidade no exame dos casos individuais. A outra mais radical, é o esquecimento.

Quem se lembra do DNIT, depois que o escândalo explodiu na COHAB? E quem se lembra do escândalo mais recente quando a PF organiza um verdadeiro voo charter com 35 suspeitos do Turismo para Macapá, onde serão interrogados?

Muitos acham que o governo está apenas fazendo jogo de cena, fingindo que combate a corrupção. As coisas parecem um pouco mais complexas.

Defrontado com o primeiro grande caso, o governo Dilma resolveu demitir no Ministério dos Transportes e deixou circular a imagem da faxina nos cargos de confiança de partidos.

É complicado fazer um discurso desse tipo e, simultaneamente, neutralizar órgãos de controle como o TCU e a Polícia Federal, abarrotados de relatórios com indícios de corrupção. Além disso, a imprensa está em grande atividade.

Podem acontecer excessos em uma ou outra operação. Os partidos políticos vão se apegar a esta possibilidade para evitar que o processo avance.

 

Turismo é uma complicação para Copa e Olimpîadas.(foto FG)

 

Talvez tenha ficado tarde demais para, simplesmente, encerrar a chamada faxina. Ou tarde demais para acalmar os aliados no presidencialismo de coalizão.

O governo vai apelar para crise econômica, em busca de unidade nacional. Acontece que a crise econômica torna mais difícil manter de pé um esquema de corrupção, destinado a garantir eleições sucessivas e a enriquecer alguns burocratas.

Curioso é que todos falam de Copa do Mundo e Olimpíadas e alguns acham que Londres não poderia sediar os jogos de 2012 porque houve confrontos nas ruas.

O que dizer então de um pais que organiza Copa e Olimpíadas e quase todo seu Ministério do Turismo embarca para a prisão, numa remota capital do norte?

A tese do PMDB e do próprio governo é de que o Ministro Pedro Novais não tem relação com o escândalo, pois o convênio que o propiciou foi assinado em 2009.

O problema do ministro Novais não é ter ou não relação com o escândalo. O problema dele é ter ou não relação com o próprio turismo no Brasil.

Dilma precisa enfrentar esta questão. Só tem sentido gastar com os jogos, se pudermos trazer algo de volta, com o crescimento do turismo. Graças à PF, o problema acabou na agenda, embora muitos, como eu, tenham insistido em discuti-lo, antes mesmo de estourar o escândalo.

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Entramos numa semana cujo desenrolar é difícil de prever. No mundo, a situação econômica delicada sugere, no mínimo, uma posição de alerta.

Mas é no campo político que os problemas vão aparecer com mais intensidade. Mais uma denúncia de corrupção no Ministério da Agricultura derrubou, no sábado, o secretário executivo do órgão, Milton Ortolan, braço direito do ministro Vagner Rossi.

Num dos posts da semana passada, chamei a atenção para as denúncias diárias de corrupção, ampliadas nas edições dominicais e pelas revistas.

A denúncia publicada na Veja derrubou Ortolan. Ela apresenta um lobista chamado Júlio Fróes que tinha uma sala no ministério, só para articular as fraudes.

Fróes é um lobista violento pois agrediu o editor Rodrigo Rangel, depois de uma entrevista num restaurante de Brasília.

De novo, a oposição tentará uma CPI mas o foco talvez não esteja tanto nos seus movimentos. Estará na própria presidente Dilma.

Ela demitiu algumas pessoas no DNIT, que era feudo do PR. Agora, teria de demitir gente do PMDB e PTB, que dividem os cargos na Agricultura.

Sua tática é diferente da usada por Lula. Ele preferia resistir e deixar que um escândalo ofuscasse o outro.

As condições mudam. Dilma não tem a mesma popularidade e experiência. Ela percebeu que o chamado presidencialismo de coalizão, como plataforma de roubalheira, está falido.

E a crise econômica vem correndo por fora. Dilma não pode recuar. É difícil renovar o método Lula. Mas também é difícil desalojar partidos aliados.

São inúmeras as notícias dizendo que Dilma foi irritada com alguma coisa. De um modo geral, partem do próprio governo, querendo preservá-la.

Mas de irritação em irritação, já se foram três ministros, dois por suspeitas, um por ter falado demais.

Esse primeiro semestre do governo foi bem descrito por Agamenon, remanescente do velho Casseta e Planeta.

Ato contra a corrupção, na Câmara de Nova Friburgo.(foto FG)

Segundo ele, a política brasileira está parecendo uma novela de televisão. Todo dia tem escândalo, todo dia tem fofoca- aventureiros inescrupulosos, golpes milionários, superfaturamento.

Num contexto de novela, nem sempre os papéis ficam muito claros. Mas a verdade é que o enredo principal, coalizão com loteamento de cargos, já não aguenta mais muitos capítulos.

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O governo parece que voltou atrás na decisão de vetar o projeto de acesso aos documentos públicos. Ao contrário do que queriam Sarney e Collor não haverá sigilo eterno. Isso porque, nesse momento, a maioria do Senado concorda com o projeto aprovado na Câmara.

Segundo uma notícia de hoje, Dilma também voltou atrás no sigilo sobre as obras da Copa. Segundo a nova formulação aceita pelo governo, o Tribunal de Contas terá acesso a todos os gastos, do começo ao fim.

A história do sigilo nas obras da Copa é parcialmente um mal entendido. O governo queria construir um estádio perguntando quanto custa e não dizendo, antecipadamente, quanto pode gastar.

No entanto, formulou a medida provisória de forma que o sigilo poderia ser mantido.Muita gente reclamou e o governo disse que foi mal entendido. Na verdade, foi também mal explicado e formulado.

Essas idas e vindas do governo são noticiadas nos jornais sem que Dilma se pronuncie. É preciso ficar atento para ver o que vale, no momento da decisão.

A impressão que se tem é a de que o governo, nesse tópico Copa do Mundo, aprova aquilo que quiser. Não há resistência de peso na Câmara.

Começam, agora, por exemplo, os jogos militares. Começam custando R$1,5 bilhão, 28 por cento a mais do que estava previsto. Com nossas Forças Armadas tão carentes de verba, será que vale a pena gastar tanto com uma competição internacional entre militares?

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