ir para o conteúdo
 • 

Patrocinado por

Hoje é dia complicado no campo das notícias. Há muitos temas importantes disputando as primeiras páginas. Temas que podem trazer uma tensão mundial, como o vácuo da poder na Coreia do Norte, uma sensação de retrocesso, como a  dificuldade de punir juizes no Brasil, ou mesmo  dificuldades internas, com os indícios de crise econômica na China.

Sobre a China,  terminada a leitura do livro de Henry Kissinger, preparo um artigo para sexta feira no Estadão. Sobre  a luta interna na Coreia do Norte, nada posso informar pois quase nada sei, assim como a maioria dos jornalistas no mundo.

A decisão de tornar dificil a punição dos juizes pelo Conselho Nacional de Justiça foi tomada no primeiro dia de férias do STF, pelo ministro Marco Aurélio Mello.

Já foi defendida pelo Ministro Cesar Peluso, presidente do STF. Agora, os juizes voltarão ser julgados pelas corregedorias dos tribunais, o que torna  mais difícil sua punição. A justiça pode ser tornar uma república independente; caixa preta já é.

Um ano e continuamos apenas a contemplar as águas rolando.(foto FG)

Voltou  chover forte em Friburgo, no serra fluminense. Uma ponte improvisada foi arrastada pelas águas deixando isolados os moradores de Córrego Dantas. Esse drama era previsível, quase um ano depois das grandes chuvas do verão passado.

Ao longo do dia, assim que terminar a resenha do livro, vou tentar um balanço das chuvas de ontem na serra, falando com os moradores de Friburgo.

Nas crises internacionais, somos apenas espectadores, ao passo, aqui ao nosso lado, talvez possamos influir. Durante todo o ano, foram derrubados dois prefeitos por corrupção, mas o espírito preventivo ainda não baixou no governo.

A ponte que caiu era provisoria e a promessa de dragagem do córrego que inundou é de janeiro. Moradores fecharam uma estrada, a RJ-130( Friburgo- Teresópolis) em protesto. A paciência deles está no limites.

Tags: , , , ,

Sem Comentários | comente

13.outubro.2011 22:36:30

Choveu, sujou

Sou um cronista visual da Lagoa. Já vi lindos movimentos de garças mas passei por terríveis mortandades de peixe.

No feriado, antes do trabalho na marcha contra a corrupção, resolvi dar uma olhada na margem. Na madrugada, houve uma forte tempestade.

Aqui é fatal: choveu, sujou. Parte do lixo, restos de jornal e lata de alumínio devem ter sido arrastados da margem pelo vento.

De um modo geral, as latas de alumínio são catadas para a reciclagem e há quem recolha também papel velho.

No entanto, alguns blocos de lixo urbano indicam que a vulnerabilidade da Lagoa é muito maior. As aves têm de romper alguns blocos para avançar na água. Gostaria de acreditar que são mutantes e vão sobreviver a isto com um estômago de ferro.

Tartarugas examinadas pelo Projeto Tamar mostram que a maioria delas morre com plástico no estômago.

O estômago das aves da Lagoa deve ser atingido também, porque elas estão em busca de comida mesmo nos blocos de lixo.

Há um trabalho de recuperação da Lagoa, voltado para suas águas e margem. Temo ser um trabalho de Sísifo se não houver uma intervenção mais ampla para protegê-la.

Enquanto discutimos isto, pelo menos registro os principais momentos da Lagoa, inclusive antigas tubulações de esgoto que a envenenaram durante tantos anos.

 

Tags: , , ,

Comentários (3) | comente

Acaba de sair o relatório do CREA feito por engenheiros que percorreram a região atingida pelas chuvas na serra. É um relatório preliminar que conclui algo importante: muitas vidas teriam sido salvas, através de realizações relativamente simples. Eles defendem a construção de barragens e pequenas ondulações para reduzir a velocidade dos rios. Tanto nas visitas aos Vale do Cuiabá como em Bom Jardim é possível constatar uma das dimensões da tragédia: o transbordamento dos rios.

Rio arrastou quase tudo em Bom Jardim

Outra dimensão mencionada no relatório: os deslizamentos. Em muitos lugares, faltaram obras de contenção. Em quase todos, houve tolerância à ocupação irregular.

Nas conversas com pessoas da região, sente-se que há uma ligação entre vereadores e loteamentos irregulares. Um projeto regular depende de licença e precisa destinar no mínimo vinte e cinco por cento do terreno  para os equipamentos coletivos. Fica muito mais barato transgredir. E mais viável com apoio de politicos locais.

Obras de contenção em Teresópolis; só na estrada

Vai ser preciso uma atenção especial sobre novos loteamentos irregulares. Mas as prefeituras são responsáveis por controlá-los. Devia existir um organismo extramunicipal para denúncia de moradores da cidade.

Casa à margem do Rio Cuiabá, Itaipava

Tags: , , , ,

1 Comentário | comente

A indústria da região serrana sofreu um forte impacto com a tragédia. A Federação das Indústrias do Rio acaba de divulgar um relatório preocupante. Depois de ouvir 278 empresas concluiu que os prejuizos foram em torno de R150 milhões e que  a recuperação pode levar um ano.

Os prefeitos da região fizeram um consórcio com o objetivo de buscar saidas comuns, na recuperação. Mas um consórcio é pouco. As causas do prejuizo estão ligadas à infraestrutura: faltaram energia,  água e as estradas exigem longos desvios, encarecendo o produto transportado.

Bairro da Posse, Teresópolis

Era preciso um plano regional de desenvolvimento para a região, tentando corrigir, alguns erros do passado. Os cálculos da Firjan não devem ter incluído o turismo e o comércio, nem o pequeno produtor agrícola que fornece os hortigranjeiros no mercado da capital.

Entrada de Frburgo, começo de tempestade

Campo Grande, Teresópolis

O Rio tem diante de si a preparação para a Copa e Olímpiadas. Mas surgiu essa tarefa emergencial. Vai ser preciso muito energia para atacar todas as frentes ao mesmo tempo.

A vida política local está um pouco em suspenso. Os deputados que perderam as eleições ainda não sairam; os que venceram ainda não chegaram. Deveriam se reunir de qualquer jeito, nem que seja para preparar o caminho dos que virão.

O Rio tem uma tradição de tragédias no princípio do ano. Lembro-me porque trabalhei nelas: o naufrágio do Bateau Mouche, o deslizamento em Angra e agora as grandes chuvas na região serrana.

É um ano que começa difícil. Vai ser preciso  estar à altura do desafio, ou pelo menos crescer um pouco com ele.

Tags: , , , , , , ,

Comentários (10) | comente

Acabo de descer de Campo Grande, em Teresópolis.  Subi ao ponto mais alto do morro, onde houve uma grande destruição. Não passei apenas por escombros, mas dramas humanos, rápidos diálogos dolorosos. No alto do morro, onde tudo foi devastado começou uma chuva forte e fomos forçados a descer. Como não posso produzir duas narrativas ao mesmo tempo, e sou  pressionado pelo dead-line, o prazo fatal para concluir o trabalho, deixo no blog apenas uma imagem para que sintam a força da tempestade e destruição que passaram por aqui.

Foto Fernando Gabeira

Tags: , ,

Comentários (63) | comente

No momento em que acontecem tragédias como essa , há vários caminhos a se percorrer. Há o caminho tomado por Chavez que é o de politizar o processo e utilizá-lo para impulsionar o socialismo.Há o caminho australiano no qual o governo indicou um general da região para comandar as obras de socorro e reconstrução e há também a  discussão estratégica, sobre como atenuar o impacto dos desastres, através de processos longos de reeestruturação urbana.

Considerando que as chuvas não escolhem culpados para cair e que os projetos estratégicos são tema de discussão permanente, é preciso dar um espaço para o quesito  resposta. Está sendo adequada ou não? O que se faz  no Brasil em termos de preparação?

A Presidente Dilma Rousseff não quis quantificar a verba de ajuda nem o prazo de recuperação. Foi cautelosa porque, as vezes, anunciam-se milhões e, depois de alguns meses, aparecem apenas alguns milhares. Por isso, sempre se batalhou por um fundo para desastres naturais. Com as regras estabelecidas, a liberação do dinheiro é automática. É um mecanismo institucional que não precisa depender do presidente, exceto em momentos excepcionais pois não se podem prever todas as situações numa lei que cria o fundo.

Passei  parte da tarde em contato com  pilotos de helicópteros para conhecer melhor o trabalho de resgate e obtive informações ainda não confirmadas sobre corpos sepultados em alguns bairros atingidos. Parto pela manhã para dedicar os próximos dias ao tema.  Um leitor me acusou de frieza porque usei algumas horas para concluir um trabalho de semana, inclusive virando a última noite em aviões e aeroportos. Tenho limites físicos  e prefiro além de estar presente,  preciso render mais.

O governador do Rio disse que a remoção das famílias não avança, as vezes, por causa de alguns politicos. E conclui que é preciso coragem. Isso é bom para quem quer manter o prestígio com o eleitorado. Mas além de coragem, é preciso recursos. Existe uma janela para um grande empréstimo no Banco Mundial. Se for aproveitada para  aumentar a segurança será fundamental.

Mas é preciso mudar muita coisa. Sempre tivemos um Ministro do Interior do Nordeste. Esta opcão se deve às secas que atingem grandes áreas e maltratam pessoas muito indefesas. Acontece que os desastres naturais estão se repetindo muito nas regiões metropolitanas. Não importa se o ministro é ou não do Nordeste, é preciso que se interesse pelo problema e saiba mobilizar a sociedade.

Esta última questão é vital. Se o governo reconhecer que não responde sozinho pela defesa civil, acaba transferindo poder para as pessoas, para os bairros. O modelo do Caribe, onde os furacões se sucedem, talvez seja o mais adequado. Através de cartilhas e programas informativos, os governos envolvem a população.

Em alguns bairros facilmente alagáveis do Rio, como a comunidade dos marítimos em São Gonçalo, as pessoas já sabem onde estão os barcos, e o endereço de quem não consegue se mover. Em São Francisco de Pádua as chuvas , de repente, levaram o hospital. Foi preciso buscar um a um os dependentes de hemodiálise para transferi-los para uma cidade fronteiriça mineira.

No Rio, certos  líderes comunitários já estão recebendo celulares para que sejam avisados de temporais se aproximando. As pessoas com quem falei no bairro de Campo Grande foram dormir sem saber que ia chover forte. É um aprendizado que vale para o futuro. Aliás, Teresópolis tinha um levantamento de risco mas não chegou a extrair as consequências práticas .

Lembro-me, nas muitas vezes em que percorri a região serrana com Luis Paulo Correa da Rocha em dias ensolarados observando a disposição das casas na encosta . Pensar num  grande temporal dava calafrios.

Visão de ontem no vale onde está Caracas

Os avisos não faltaram. Era exatamente isto que pensava ontem, quarta-feira, no vale onde está situada Caracas. Visitei o bairro do Limon, onde cairam várias casas. Em seguida, percorri  encostas da  monte Ávila, fotografando a precariedade das casas que restaram. É uma situação idêntica ao que vivi na Serra. Ao desembarcar no Brasil, ouço a noticia da tragédia.

Tags: , , ,

Comentários (8) | comente

13.janeiro.2011 14:42:39

Tragédia na Serra

Ao sair de Caracas, ontem à noite, a CNN, no aeroporto, noticiava apenas as chuvas de São Paulo. Ainda não havia nenhuma notícia sobre a tragédia no Rio. Ao chegar, com o impacto da notícia, entrei em contato com alguns conhecidos no bairro de Campo Grande, o mais atingido em Teresópolis, e marcamos, para amanhã cedo, uma visita detalhada ao local. Alguns foram surpreendidos na madrugada, porque nem sabiam que ia chover. O Serviço de Meteorologia prevê novas chuvas no Sudeste. Precisamos avançar naquele projeto de avisar às comunidades mais vulneráveis. Isso pode ser feito pelo telefone celular. Os atingidos em Campo Grande estão traumatizados. Não há mais lugar nos hospitais da Serra e muitos ficaram feridos com as explosões de bujões de gás, que sempre acontecem quando a casa é atingida pelo deslizamento. Vou usar o resto da noite para concluir meu trabalho sobre a Venezuela e  amanhã passo o dia na Serra. Já acompanhei um grande desastre natural em Petrópolis e, depois dele, sempre enfatizei a prioridade na proteção daquelas áreas. O desastre atingiu algumas famílias ricas, mas a verdade é que muitos trabalhadores pobres têm se fixado nas principais cidades da Serra, Petrópolis, Teresópolis e Friburgo. A cada ano, fica mais difícil reverter a situação de perigo.  Os perigos do clima parecem ser mais rápidos do que nossa tomada de consciência e mudanças reais decorrentes dela.

Tags: , , , , , ,

Comentários (30) | comente

06.janeiro.2011 18:25:36

Nossa defesa para as chuvas

Depois de um estudo de seu departamento geotécnico, o Rio concluiu que tem 18 mil residências em área de risco. A partir dos estragos das chuvas do ano passado, foram cobertos pela pesquisa 52 bairros. O que fazer? A cidade não tem condições de retirar todo o mundo. Algumas obras de contenção serão feitas e provavelmente serão distribuídos telefones celulares entre alguns representantes da comunidade, para que recebam o sinal de alarme.

O próprio celular poderia ser usado para o treinamento das pessoas. Grande parte da luta contra os furacões no Caribe depende de cartilhas determinando o que cada um deve fazer, no momento do desastre natural.

O que me preocupa é que o Estado tem 92 cidades. Apenas uma tem departamento geotécnico. Muitas, como Angra dos Reis, necessitam de um balanço semelhante para que possam se defender.

O discurso do prefeito do Rio, em certos momentos, parece com o discurso do prefeito de Mauá(SP), onde morreram duas pessoas soterradas. Não dá para tirar as famílias. O único caminho é prepará-las para sair. Numa das comunidades de São Gonçalo, onde moram ex-marinheiros, as famílias organizaram seu sistema de fuga. Sabe-se o endereço de quem não pode se mover e, sobretudo, onde estão os barcos. Sempre bom lembrar que os flagelados da última enchente ainda não foram alojados em casa própria. Estamos acumulando vitimas.

Pretendo viajar à Venezuela, nos próximos dias, e inclui no meu roteiro entender como foi a resposta Venezuela às chuvas que arruinaram 130 mil pessoas. Aconteceu ali, algo que há muitos anos, é uma espécie de tema de bastidores entre ecologistas. Até que ponto os desastres naturais podem determinar o curso da política? Chávez aproveitou as chuvas para crescer sobre o Parlamento e aprofundar o socialismo. Em cada realidade nacional as mudanças climáticas podem ter um peso no futuro da democracia. É um tema um pouco abstrato mas que, no futuro, terá o seu lugar.

Enchentes no Maranhão. Foto FG

Tags: , , ,

Comentários (6) | comente

03.janeiro.2011 22:05:19

Primeiro dia útil

Qual será seu primeiro ato de governo? Os jornalistas fazem muito esta pergunta aos candidatos. Está acabando o primeiro dia útil do ano. Não houve nada de bombástico até agora. Apenas declarações de intenções. A presidente Dilma, que começou no domingo, recebeu o Primeiro Ministro da Coreia do Sul e o trem bala talvez tenha sido o tema mais importante em suas conversas diplomáticas do dia. Os ministros manifestaram suas intenções: Maria do Rosário,  de Direitos Humanos, enfatizou a criação da Comissão da Verdade; nas Comunicações, Paulo Bernardo anuncia a tendência de criação de uma Secretaria de Inclusão Digital; na Pesca, Ideli Salvatti quer levar o peixe à merenda escolar, e a nova Secretária de Política para Mulheres, Iriny Lopes, declarou que a legislação sobre aborto não deve ser modificada. Alguma coisa pode ter escapado ao meu giro pelo Brasil, mas o que li hoje sobre o governador do Espírito Santo informa que começou cuidando de um plano para as chuvas. O mais ousado da região sul, foi Beto Richa do Paraná: moratória de 90 dias. Em Santa Catarina , o primeiro dia foi  marcado pelo anúncio do novo Chefe de Polícia. Tarso Genro reuniu secretários e formulou uma proposta de sessões extraordinárias na Assembléia. Em  São Paulo, Alckmin resolveu fazer um corte no orçamento: R$1,5 bilhão. Em Brasilia, Agnelo Queiroz suspendeu por cinco dias de exame as licitacões no  Distrito Federal.  No Pará, Simão Jatene reclamou da dívida de R$400 milhões deixada pela antecessora e no Rio Grande do Norte, Rosalba Ciarlini, afirmou que o estado iria entrar em economia de guerra. Nos lugares onde govenadores iniciam um segundo mandato, de um modo geral, foram reuniões de pajelança. Em Alagoas, Teotônio Vilela, prometeu mais ousadia. O dia está apenas terminando, pode haver supresas.  Mas hoje, compreendo melhor porque os candidatos são evasivos diante da clássica pergunta: qual será seu primeiro ato de governo, Não é tão romântico quanto parece. PS: Agnelo Queiroz, no fim do dia, demitiu 15 mil funcionários comissionados e determinou um mutirão para limpar Brasília, que está muito suja, por causa da greve dos funcionários da Novacap.

Tags: , , , , ,

Comentários (39) | comente

Comentários recentes

  • ZULA VIEIRA: ESTOU DENUNCIANDO QUE NO MARANHÃO TEM MUITAS FLAUDES NO SEGURO DEFERO QUE É COMANDAO PELA FEDERAÇÃO...
  • Fernanda: Mesmo sendo um movimento estratégico, sinto orgulho do meu país por recebê-los. Bem vindos! :)
  • Fernanda: Ainda que com atraso, desejo-lhe um feliz ano novo! Muita sorte e felicidade! :)
  • VOZ ATIVA: DESORDEM E CAOS EM SALVADOR >>> A polícia da Bahia em manifestação de máxima orquestração...
  • Dany: Gostei da sua ideia.Louvo sua coerência e sinceridade,prezado Fernando.

Arquivos

Seções