Hoje é dia complicado no campo das notícias. Há muitos temas importantes disputando as primeiras páginas. Temas que podem trazer uma tensão mundial, como o vácuo da poder na Coreia do Norte, uma sensação de retrocesso, como a dificuldade de punir juizes no Brasil, ou mesmo dificuldades internas, com os indícios de crise econômica na China.
Sobre a China, terminada a leitura do livro de Henry Kissinger, preparo um artigo para sexta feira no Estadão. Sobre a luta interna na Coreia do Norte, nada posso informar pois quase nada sei, assim como a maioria dos jornalistas no mundo.
A decisão de tornar dificil a punição dos juizes pelo Conselho Nacional de Justiça foi tomada no primeiro dia de férias do STF, pelo ministro Marco Aurélio Mello.
Já foi defendida pelo Ministro Cesar Peluso, presidente do STF. Agora, os juizes voltarão ser julgados pelas corregedorias dos tribunais, o que torna mais difícil sua punição. A justiça pode ser tornar uma república independente; caixa preta já é.
Voltou chover forte em Friburgo, no serra fluminense. Uma ponte improvisada foi arrastada pelas águas deixando isolados os moradores de Córrego Dantas. Esse drama era previsível, quase um ano depois das grandes chuvas do verão passado.
Ao longo do dia, assim que terminar a resenha do livro, vou tentar um balanço das chuvas de ontem na serra, falando com os moradores de Friburgo.
Nas crises internacionais, somos apenas espectadores, ao passo, aqui ao nosso lado, talvez possamos influir. Durante todo o ano, foram derrubados dois prefeitos por corrupção, mas o espírito preventivo ainda não baixou no governo.
A ponte que caiu era provisoria e a promessa de dragagem do córrego que inundou é de janeiro. Moradores fecharam uma estrada, a RJ-130( Friburgo- Teresópolis) em protesto. A paciência deles está no limites.
Tags: China, chuvas, Coreia do Norte, Friburgo, STJ
Tags: China, Conferência de Durban, Conferência Rio+20, economia, EUA, Kissinger
É difícil escrever sobre economia, quando não se é economista. Mais difícil ainda é tentar entender um crescimento zero e ser acusado, como fazem alguns, de torcer contra.
No texto anterior não afirmei que a economia iria abalar o governo. Disse apenas que daria mais trabalho. Será que a intolerância chega ao ponto de considerar ofensivo uma simples constatação de que o governo terá mais trabalho.
A crise de 2008 também repercutiu na economia, reduziu o crescimento. Na época, Lula afirmou que era apenas uma marolinha. Tentava com isso neutralizar o impacto psicológico da crise e suas consequências nos investimentos.
Dilma foi menos enfática na injeção de otimismo. Além disso, pegou um governo depois de altos gastos públicos,típicos, no Brasil, em períodos eleitorais.
Alguns analistas acham que a queda no nível de investimento revela a preocupação com a crise europeia. E isso teve um papel. Outros, afirmam que o governo decidiu colocar um freio no crescimento para evitar pressões inflacionárias. Isso também teve um papel.
Mas o que parece desafiar uma visão conjuntural é o declínio da indústria. Movimento constante, indica que caminho de superação?
As relações com a China deveriam ser analisadas dentro do quadro geral. Os chineses sustentam a demanda de muitos produtos brasileiros e seu crescimento nos acelera também.
Mas os chineses, por outro lado, com sua alta competividade contribuem para o declínio da indústria, não só aqui mas em outros pontos do mundo.
Se você, em termos nacionais, olha os chineses apenas como consumidores tende ao otimismo. Mas se olha como vendedores tem uma certa apreensão.
No Brasil há uma resistência à ideia de uma política industrial. Mesmo que se evite um rótulo polêmico, um conjunto de medidas deve ser tentado, como, por exemplo, Obama tenta Estados Unidos, estimulando, entre outros, a indústria solar. O que ja levou a um certo conflito com a China.
Talvez fosse interessante na tentativa de entender o processo não se concentrar apenas nos investimentos, mas no exame da trajetória da indústria.
Além das medidas gerais de controle que o governo já prevê , um debate nacional sobre o estado da indústria e suas perspectivas pode ser um ser um saldo positivo do sobressalto trimestral.
Pelo menos, seria uma tentativa de entender os problemas de curto prazo, com uma reflexão de como reverter o processo com uma retomada sustentável.
As comissões de relações exteriores do Congresso poderiam organizar um debate sobre as relações Brasil-China. Elas se tornaram muito importantes, mas não têm correspondência na realidade parlamentar.
A primeira objeção é esta: o que esperar deles? Acontece que o debate é televisionado, falam especialistas, a imprensa cobre.
Essas primeiras observações sobre o momento e talvez muitas outras não são de quem tem as respostas, mas apenas algumas perguntas.
Tags: China, Congresso, política industrial
O que significa parar de crescer um trimestre? Os analistas divergem mas divergiram também nas previsões. O consumo das famílias está em alta, mas desacelerando.
Tudo isso nos remete também à política, província onde os escândalos brotam generosamente do solo. Nos tempos de euforia, os escândalos foram até positivos para o governo. Cada ministro caído, eram pontos a mais na popularidade de Dilma.
Levar o país com um crescimento mediocre, abaixo de 3 por cento, através de um labirinto de escândalos, não será uma tarefa fácil.
Até o momento, tudo resultou em prestígio para o governo. Os ciclos de bonança da social democracia europeia no pós guerra também foram longos.
Muito possivelmente será longo também o período de hegemonia do que se chama, por falta de precisão, centro esquerda brasileira.
Não há ,no horizonte, perigo de cairem do cavalo. Mas, pelo menos, têm de mostrar um pouco mais de habilidade.
Os chineses devem continuar comprando e o comércio exterior crescendo. Embora com um ritmo menor, vamos seguindo no embalo dos emergentes.
O caderno de Economia do Estadão apresenta hoje muitas análises. Outros jornais também analisam o tema, alguns achando positiva, no momento, a queda na produção.
Daqui a pouco cairemos naquele mesmo debate americano e europeu sobre o que é adequado ou não para voltar a crescer.
Voltaremos ao tema.
Tags: China, escândalos, exportações, PIB
O Dalai Lama começa hoje sua quarta visita ao Brasil. Lembro-me da primeira, em 1992, durante a Conferência do Meio Ambiente.
Foi uma batalha. Os chineses pressionaram para que só recebesse o visto, quando a delegação oficial saisse do país. Isso significava excluir o Dalai-lama da conferência e dos debates alternativos, que aconteceriam no Aterro do Flamengo.
Nesta quarta viagem, há uma novidade. O Dalai-lama abriu mão de suas funcões políticas. Transferiu-as para um exilado tibetano que estudou em Oxford e é filho da primeira geração de tibetanos que buscou refúgio no norte da Índia, em Dharamshala. O nome do tibetano que responde hoje pelo governo no exílio é Lobsang Sangay.
Apesar de ter se livrado de suas funcões políticas, o Dalai Lama ainda é objeto de pressão chinesa . Na Argentina, duas medalhas seriam dadas a ele, uma pelo governo federal, outra pela prefeitura de Buenos Aires. Foram canceladas por influência dos chineses.
Alguns tibetanos no exílio resistiram à saída do Dalai- lama. Queriam que prosseguisse, pelos menos, cumprindo algumas funções políticas rituais , como fazem os reis numa monarquia.
Com o humor de costume, o Dalai- lama teria contestado: só se vocês me derem uma rainha.
Ele se diz mais leve por ser apenas o que sempre quis: um simples monge budista. Infelizmente, a política está presente em tudo, no Tibete ocupado pela China. Até a sucessão do Dalai -lama, que hoje tem 76 anos, é motivo de grandes disputas.
Os chineses inventaram um successor, Gyaltsen Norbu, hoje com 21 anos, e querem impingi-los aos tibetanos. O successor apontado pelos líderes religiosos tibetanos Gedhun Choekyi foi raptado e desapareceu quando tinha cinco anos.
Estive com o Dalai- lama em algumas de suas visitas ao Brasil. Talvez vá a São Paulo para vê-lo e entrevistá-lo. Nesse caso, o novo post sairá no princípio da noite.
Tags: budismo tiberano, China, Dalai Lama, Lobsang Sangay
Estados Unidos, Coreia do Sul e China detetaram sinais de radiação produzida pelo acidente nuclear em Fukushima, informa a BBC. Segundo as autoridades chinesas o nível de radiação registrado não significa perigo para a saúde humana.
Também no Vietnã foram encontrados vestígios radioativos, atribuídos ao acidente e possivelmente eles foram trazidos com a ajuda das chuvas.
A notícia aparece no mesmo dia em que as autoridades japonesas reconhecem a existência de vestígios de plutônio no chão das instalações em Fukoshima. O plutônio usado num dos reatores tem um potencial maior de poluição e é componente reusado.
Foi divulgada no Canadá, mantido o anomimato do autor, uma dramática carta de um trabalhador em Fukushima. Ele conta que, na usina, não tiveram tempo de dormir direito e descansar e o clima é de guerra, com todas as tensões voltadas para vencer a batalha. Muitos dos trabalhadores, heróis do povo japonês, perderam suas famílias no desastre, não tiveram tempo de procurá-las ou assistir aos enterros coletivos.
É uma das histórias mais dramáticas desse dos últimos tempos ,mais ainda que o caso dos mineiros que ficaram presos no desabamento da mina no Chile.
Tags: China, Coreia do Sul, plutônio, radiação
Estados Unidos, Coreia do Sul e China detetaram sinais de radiação produzida pelo acidente nuclear em Fukushima, informa a BBC. Segundo as autoridades chinesas o nível de radiação registrado não significa perigo para a saúde humana.
Também no Vietnã foram encontrados vestígios radioativos, atribuídos ao acidente e possivelmente eles foram trazidos com a ajuda das chuvas.
A notícia aparece no mesmo dia em que as autoridades japonesas reconhecem a existência de vestígios de plutônio no chão das instalações em Fukoshima. O plutônio usado num dos reatores tem um potencial maior de poluição e é componente reusado.
Foi divulgada no Canadá, mantido o anomimato do autor, uma dramática carta de um trabalhador em Fukushima. Ele conta que, na usina, não tiveram tempo de dormir direito e descansar e o clima é de guerra, com todas as tensões voltadas para vencer a batalha. Muitos dos trabalhadores, heróis do povo japonês, perderam suas famílias no desastre, não tiveram tempo de procurá-las ou assistir aos enterros coletivos.
É uma das histórias mais dramáticas desse dos últimos tempos ,mais ainda que o caso dos mineiros que ficaram presos no desabamento da mina no Chile.
Tags: China, Coreia do Sul, plutônio, radiação
Aos 76 anos , o Dalai Lama anunciou que vai renunciar às suas funcões políticas e dedicar-se apenas ao trabalho espiritual. O anúncio do Dalai Lama acontece em 10 de março, dia em que se comemoram os 52 anos da rebelião tibetana, em 1959, sufocada, como tantas outras manifestações, pelos chineses.
O Dalai Lama esteve três vezes no Brasil e sua liderança, embora aceita por todos, foi questionada por alguns jovens tibetanos que queriam ações mais radicais pela independência do país.
Acontece que a dominação chinesa não é fácil de superar. A China tornou-se uma potência econômica respeitada, importando comida e matéria prima e inundando o mundo com seus produtos industriais. A tática chinesa no Tibete foi a de povoar o país e enfraquecer a população nativa. Além disso, as visitas ao Tibete são controladas e os países que recebem o Dalai Lama sempre sofrem alguma restrição chinesa.
Lembro-me na Conferência do Meio Ambiente, em 1992, quando a China exigiu que o Brasil desse o visto de entrada para o Dalai Lama apenas quando seu representante tivesse deixado nosso país. Isto significava a ausência forçada do Dalai Lama no evento paralelo no Aterro do Flamengo. Foi preciso brigar para que entrasse a tempo.
Ultimamente, o Dalai Lama não falava mais em independência do Tibete. Queria apenas um estatuto especial, para que a cultura e religião tibetanas pudessem florescer. Ele afirma que não está desanimado e citou a rebelião nos países árabes como algo inspirador para todos que lutam pela democracia.
O governo tibetano no exílio está em Dharamshala na Índia. O Dalai Lama, embora viaje sempre, deverá continuar por lá. No caso tibetano, a liderança espiritual tem um peso muito grande e ele deverá ser influente e decisivo pelo resto de sua vida.
Tags: China, Conferência do Meio Ambiente, Dalai Lama, rebelião tibetana, Tibete
Estamos numa semana importante. A tendência é um crescimento no ritmo político do pais, com a instalação do novo Congresso. Mas sem muitas ilusões, pois vivo este filme há duas décadas. As coisas só funcionam a pleno vapor depois do carnaval.
Importante a notícia de hoje: Itamaraty vai rever a política externa brasileira. Pelo menos, pediu uma reavaliação a todas as embaixadas e à missão na ONU. Em tese, reavaliações podem ser até uma rotina. Mas as recentes entrevistas da presidente Dilma Rousseff indicam uma nuance, em relação ao governo anterior. E esta nuance, também a julgar pelas suas falas, está no capítulo de direitos humanos.
O Brasil entrou numa fase de crescimento comercial . Não existem modelos perfeitos sobre como se comportar diante do crescimento econômico e aumento da importância política. A China, defendendo-se das críticas externas, sempre desdenhou a luta pelos direitos humanos, afirmando que esse combate desconhecia características locais, e que a universalização do conceito era manobra política e inadequada. Ela fecha os olhos às ditaduras em qualquer parte porque precisa e muito de matéria prima para dinamizar sua economia e alimentar seu 1,3 bilhão de habitantes.
A China também está mudando um pouco. Na mais recente visita de seu presidente aos EUA, o pais reconheceu a universalidade dos direitos humanos. Mas está censurando a palavra Egito nas redes sociais, revelando que no momento decisivo fica com governos fortes. E os governos fortes ficam com a China: todos eles faltaram à cerimônia de entrega do premio Nobel a um dissidente chinês.
No caso brasileiro, os erros mais gritantes foram cometidos em relação ao Irã, com a abstenção do pais na ONU, num tema tão grave como a pena de morte por apedrejamento. E em Cuba, onde Lula comparou os dissidentes político aos bandidos comuns de São Paulo.
O Brasil tem condições de condenar a pena de morte e isto é uma cláusula pétrea em nossa Constituição. A Itália, por exemplo, fez muita campanha internacional contra a pena de morte, sem que isto tenha prejudicado suas relações políticas com outros países.
A nota do Itamaraty sobre o Egito, dizendo que o Brasil acompanha atento, é o tipo de nota desse período de transição. Todos sabemos que a melhor maneira de transmitir a falsa idéia de posicionamento é dizer que acompanha com atenção. Acompanha o que? Restrições às manifestações populares. A alemã Angela Merkel, por exemplo, especifica a necessidade de se respeitar o direito de demonstração pacífica.
Vamos voltar ao tema. Talvez nem exista mudança, talvez seja mais ampla do que espero.
Tags: China, Cuba, Dilma Roussef, direitos humanos, Irã, itamaraty, ONU
2011