O episódio que envolveu a jornalista Monalisa Perrone, agredida na porta do Sírio Libanês, foi muito comentado no twitter mas pouco informado em seus detalhes.
Quem são as pessoas? Por que fizeram isto? Tudo o que sabemos é que se dizem da Merd TV e têm como objetivo sabotar os links da Globo.
Compreendo que se dêem poucos detalhes, pois o grande problema das emissões na rua, ao vivo, são as pessoas que querem aparecer.
Até hoje, limitaram-se a dar adeus ou fazer alguma gracinha no segundo plano. Os agressores dizem que têm um alvo e um projeto claro. Será fácil neutralizá-los.
Dificilmente, conseguirão fazer de novo. Mas deixam uma importante reflexão: The Economist comparou a situação do ex-presidente Lula com a de Chavez.
A doença dos dois teve outro tratamento na imprensa. No caso brasileiro, o diagnóstico foi apresentado na hora e o tratamento é acompanhado em todos os detalhes, com a ajuda de animações e desenhos.
A revista inglesa atribui esta diferença à imprensa brasileira, mais persistente. Na verdade, a diferença está também na maturidade democrática do país.
Um incidente como o do Sírio Libanês pode ser visto de várias formas. É uma agressão, mas também revela a tevê emitindo da porta do hospital informações médicas recentes.
Há registro de comentários agressivos contra Lula na internet. Mas ao que me consta, a maioria dos blogueiros está procurando, na mediação dos comentários, um equilíbrio entre respeito humano e liberdade de expressão.
Corrente de solidariedade e transparência são os fatores mais fortes nesse episódio. O saldo da democracia brasileira é positivo.
Tags: Chavez, Monalisa Perrone, Sírio Libânes, Tevê Globo, The Economista
Talvez baseando-se nos dois mitos mais comuns a respeito de Kadafi( progressista interna e externamente), o Brasil relutou muito antes de reconhecer o fim de jogo.
Ainda assim, o Ministro Antônio Patriota acaba de declarar que nosso país reconhece estados e não governos e deve esperar a ONU definir qual é governo legítimo na Líbia
.A julgar pela entrevista dos líbios que ocuparam a Embaixada da Líbia em Brasília, a percepção que eles têm é a de que o Brasil ficou contra os rebeldes.
Um deles chegou a dizer: logo nós, que torcemos tanto pela seleção brasileira. Esperávamos a simpatia do Brasil.
Há uma continuidade na política externa de Lula. Aliás os líbios se referiram algumas vezes à amizade Lula-Kadafi.O Brasil não teve, por exemplo, a mesma resposta da Venezuela. Em Caracas, Chavez afirmou que reconhece apenas o governo de Kadafi.
Teremos de trabalhar com as nuances para recuperar a simpatia para o Brasil na Líbia. Pelo menos, esta seria uma posição a discutir. O Itamaraty acha que foi bem. Não considera um problema ter voltado às costas à rebelião.
O conjunto das entrevistas de Patriota revela que não ficou satisfeito com o desfecho da crise na Libia. Mas o faz de uma forma bem mais diplomática que a Venezuela.
Nem tudo está perdido. Mas Kadafi perdeu. Os que sonhavam com sua continuidade, delirando sobre seu papel progressista, se equivocaram.
O grande amigo de Kadafi, Silvio Berlusconi, vai receber os rebeldes amanhã. A Itália se move.
Tags: Chavez, Kadafi, Lula, Nerlusconi, Patriota
“Tenho certeza de que você (Juan Manual dos Santos) e Dilma poderão fazer muito mais do eu e Uribe, que tínhamos uma boa relação mas com muita desconfiança”.
Esta frase de Lula, dita durante o Fórum de Investimestons Brasil-Colômbia, em Bogotá, provocou uma forte reação no ex-presidente Álvaro Uribe que, no seu twitter, afirmou que Lula falava mal de Chavez mas tremia diante do presidente da Venezuela.
Surpreso com a fala de Lula, Uribe afirmou também que o ex-presidente brasileiro, quando estavam juntos, sempre declarava sua amizade por ele.
Em novas mensagens, Uribe afirmou que Lula se recusava a classificar as FARC como um grupo terrorista e que teria vetado a trasnsmissão por TV de um debate em Bariloche sobre as guerrilhas na Colômbia.
Esse é um ponto obscuro pois Lula não teria condições de vetar a transmissão de um debate na Argentina.
Finalmente, Uribe acusou Lula ser um mau perdedor porque Uribe teria conseguido eleger Luiz A. Moreno para o BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) derrotando o candidato brasileiro João Sayad.
Como se vê, os dois não se davam bem. Mas a frase final de Lula, a esperança de que Santos e Dilma se entendam melhor , é oportuna.
Além do Fórum de Investimento, foi assinado, em Taguatinga (AM) um acordo para a proteção da fronteira Brasil-Colômbia, na Amazônia.
Lula não precisava dizer em discurso que havia desconfiança entre ele e Uribe. Nem Uribe, precisava sair atirando em Lula.
A construção de uma aliança continental demanda mais discutir relações como participantes de um reality-show
Tags: Alvaro Uribe, Chavez, Colmbia, Juan Manuel Santos
A decisão dos Estados Unidos de estabelecer sanções contra a empresa de petróleo da Venezuela, Pdvsa, foi o fato mais discutido hoje na América Latina.
As sancões foram aplicadas porque a empresa mantêm relações comerciais com o Irã.Os EUA acham que a Venezuela não rompeu com o terrorismo.
Chavez protestou no seu twitter: sanções contra a patria de Bolivar? Impostas pelo governo imperialista gringo? E acrescentou: bem-vindas, Mr Obama.
A decisão americana não vai afetar a venda de petróleo da Venezuela nos Estados Unidos. Istoporque a Pdvsa tem uma filial no território americano, a CITGO, que tem a capacidade de refinar 749 mil barris por dia, dos quais cerca de 250 mil vêm da Venezuela..
O chanceler Nicolás Maduro fez críticas aos Estados Unidos e anunciou que estuda a possibilidade de denunciar as sanções à OEA.
No total, a Venezuela exporta 1200 milhões de barris para os Estados Unidos. No comunicado oficial, o governo Chavez afirma que vai estudar a extensão dos problemas que as sanções americanas trouxeram e reavaliar a exportação para os EUA.
As sanções americanas foram determinadas no contexto da lei que pune relações comerciais com o Irã e, além da empresa da Venezuela, atingem a seis outras pequenas companhias.
Elas consistem em proibir negócios com organismos do governo nortea-americano e proibir financiamentos para a Pvsa.
Chavez pensa em reataliar. Mas ainda não sabe como.
Tags: Chavez, Irã, Nicolás Maduro, Pvdsa
Depois de um dia de trabalho, conseguimos resolver o problema de conexão. Apesar do cansaço da viagem, ainda estou meio fora do fuso, andei passeando pela cidade e andando de metrô para sentir o clima.
Meu objetivo era a Assembleia e para isso usei a linha Parpatria- Palo Verde. Desci no Capitólio e encontrei muita vida pelo caminho. Nem todas as fotos foram processadas ainda, uma vez que meu trabalho é para o jornal e decidi publicar no fim de semana.
Encontrei muita gente comprando ouro, vendendo cartão de telefone e, diante do prédio da municipalidade havia um grupo de velhinhos que me lembrou a brizolandia no Rio. Eles passam o dia numa tenda, ouvindo discursos e reportagens sobre a reforma agrária. O tema mais importante, em termos diplomáticos, foi a decisão de José Miguel Insulza, Secretário Geral da OEA, de denunciar a nova lei que permite Chávez governar sem o Congresso, por 18 meses. A regra é clara diz Inzulza e Chávez será punido como o goleiro que agarra bola, fora da área.
Descanso de algumas horas, para continuar a peregrinação. Muitos pastores por aqui: são tipo diferentes dos brasileiros, porque se vestem de forma bem colorida.
Tags: capitólio, Chavez, jose maria insulza
Foi uma viagem maluca, pelo caminho mais longo. Quase perdi a conexão em Buenos Aires pois não sabia que seria feita em outro aeroporto, distante uma hora de viagem. Creio que estou chegando a uma experiência socialista, pois conheci muitas e os sinais são inequívocos. A empresa estatal que nos trouxe estava um pouco caída. Ouvi o seguinte diálogo da aeromoça com um embaixador venezuelano que voltava de férias: nosso avião passou por um tratamento geriátrico, para poder voar. Quem diria, no passado, tínhamos agência nos Champs Elysées.
A porta do banheiro estava emperrada, mostrando que o tratamento geriátrico não foi completo. Havia sol em Caracas. O aeroporto está cheio de cartazes de propaganda. Mais educação, mais saúde, mais alimentos, isto é viver no socialismo. As manchetes dos jornais, no entanto, estão sombrias. O preço dos alimentos cresceu 15 vezes e os salários apenas 8 em todo o período Chávez. A produção de petróleo caiu aos níveis mais baixos, desde 2003. A Venezuela tem como importar apenas 12 por cento dos produtos que consome: o déficit, diz a manchete do jornal Poder, será de US41 bilhões. Assim que conseguir a conexão com a internet , que depende também da conexão telefônica, com a portaria, vou sair para a rua para falar com as pessoas. Resisti à clássica conversa com o motorista de taxi. Isso já não se faz mais no jornalismo internacional. Mas ele queria me vender dólares, muita gente no caminho do aeroporto até aqui tentou me vender dólares, pagando o dobro do câmbio oficial.
Volto quando for possível.
Tags: Chavez, embaixador, socilaismo
Os vazamentos de telegramas americanos sobre a nacionalização de instalações da Petrobrás na Bolívia parecem surpreendentes. Mostram que o governo brasileiro acompanhava o processo e sabia que Hugo Chavez estimulou Morales,com a promessa de assistência técnica à Bolívia, após a nacionalização. Os movimentos de Chavez, o envolvimento da PDVSA em sintonia com a empresa boliviana,YPBF- tudo isso apareceu nos jornais da época. O Brasil, hoje, justifica sua tática, com a frase de Chico Buarque: não fala fino com os EUA e não fala grosso com seus vizinhos. Na época, houve muito questionamento.Lembro-me de ter perguntado ao chanceler Celso Amorim se não era razoável chamar nosso embaixador de volta. Ele argumentou que era preciso alguém lá, para observar e negociar. Na avaliação de Chavez, nacionalizar as instalações de Petrobrás era correto. Por baixo da retórica socialista, a PDVSA queria se implantar melhor na Bolívia. Esta é a questão que um governo de esquerda no Brasil precisa avaliar. Afinal, é eleito para defender os interesses nacionais. A solidariedade internacional não é automática. Sua intensidade depende de consenso, ou, no mínimo, de negociação política. Essa compreensão é que faz da política externa uma política nacional e não a política de um partido.
Não faço previsões anuais. Mas preciso de um plano de trabalho,logo tenho de analisar os dados para concentrar a atenção. Os dados da Venezuela indicam que sera um ano quente por lá. Chavez conseguiu a Lei Habilitante e poderá tomar decisões sem consultar o Congresso, que , a partir do dia 5 de janeiro, terá 40 por cento de opositores.Chavez , que ganhou respeito por assumir a resposta aos desastres naturais em seu país, usa as chuvas para aprofundar o chamado socialismo do Século XXI. A oposição acha que é preciso ocupar as ruas para defender a legalidade constitucional, ameaçada por uma enxurrada de leis destinadas a fortalecer Chavez.
O desfecho disso tudo, em condições normais, só se dará em 2012, com as eleições. Mas antes do desfecho muita coisa pode acontecer. O que se passa na Venezuela vai influenciar Bolívia, Equador, e , até certo ponto, a Argentina. Mas destinos entrelaçados no momento ,são os de Cuba e Venezuela. Uma gripe em Caracas pode ser uma pneumonia em Havana.
A economia retrocedeu na Venezuela e a inflação é a maior do continente,27 por cento. Cuba, por sua vez, é apontado nos vazamentos do Wikileaks, como um país que só aguenta mais três anos, com esse regime. Caracas financia Havana que responde de muitas maneiras: quadros, montagem da inteligência, e, nos últimos dias, até exportaçao de cimento.
Chavez nacionalizou as fábricas de cimento , a produçãoi caiu e se viu agora diante de 130 mil desabrigados e uma enorme necessidade de construir novas casas. Havana respondeu com a rápida exportação . Vale a pena ,portanto, acompanhar o eixo Caracas-Havana nos próximos meses.
Nenhuma garantia de que algo vai acontecer. Apenas uma das muitas apostas de reporter.
2011