O governo blindou o ministro Fernando Pimental, impedindo, através de sua maioria, que fosse convocado a depor no Senado.
Os estrategistas do governo pensam assim: se evitarmos a ida do ministro, o tema, aos poucos, cai no esquecimento e o episódio estará superado.
Há um outro modo de pensar. É oposto a este, mas poderia ser mais benéfico ao futuro político de Pimentel. Se fosse ao Congresso e desse explicações convincentes, o caso cairia no esquecimento de maneira mais estável.
A leitura da blindagem é esta: o ministro Pimentel e o governo temem esse depoimento no Congresso porque acham que não há explicações convincentes.
Entre o desgaste de uma má performance no Congresso e a ausência de explicações satisfatórias, optou-se pela segunda saída.
Alguns dos argumentos levantados aqui, valeram também para os seis dos sete ministros que se foram. A opção de blindar Pimentel pode comprometer seu futuro político, tornando-o vulnerável em qualquer disputa eleitoral.
O governo tem maioria no Congresso e desfruta de grande popularidade. Sabe o que faz. Está seguro de sua posição olímpica.
Praticamente, tentou segurar um ministro por mês. E nisso o ano se passou, deixando uma sensação de vazio, logo agora que a crise econômica mundial volta a dificultar nosso avanço.
Com ou sem queda de Pimentel, 2011 termina sem novidade , exceto a discussão, precisamente, sobre a saída de mais um ministro.
No ano que vem, há uma reforma. Se os episódios se repetirem, vai ser mais monótona e repetitiva a queda dos ministros.
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Hora de voltar ao continente. Dedico a manhã de hoje à Enseada do Abreu para conhecê-la e trazer algumas imagens.
Saio de Noronha com muito material que precisa ser elaborado. Desde quando cheguei, entretanto, já pensava que a política pode ter uma repercussão no destino do arquipélago.
O governador de Pernambuco, Eduardo Campos, tem pretensões nacionais. Noronha pode aumentar ou diminuir a simpatia em torno de seu nome. A opção por um projeto sustentável seria uma resposta.
As vezes quando alguém de oposição faz uma sugestão dessas, o governo desconfia e a trata com má vontade. Acabamos de passar algo parecido com a proposta de demissão de Carlos Lupi.
Dilma resistiu para mostrar força, na suposição de que tudo o que adversário pede é o contrario simétrico do que ela precisa fazer.
Esse será um tema do começa da semana, embora na essência já se esgotou. Não há o que falar mais do caso Lupi.
As vezes vejo na inflexibilidade momentânea o fato de Dilma não ter enfrentado muitas eleições. Mas minha tese não prospera, pois Lula, que esteve em todas as eleições do período democrático, também era contra a saída de Lupi.
Continuo à espera de mais sinais para entender.
Nesta semana, gostaria de abordar um pouco o campeonato brasileiro. Assisti a muitas partidas pela tevê. Mas sobretudo estive em cidades diferentes e viajei pelos aeroportos aos domingos.
É impressionante passar por um bairro de classe media em Manaus e ver a família erguendo uma bandeira do Vasco da Gama na varanda. Ou ver de, repente em cidades menores, surgir um motociclista com a bandeira do Coríntias. Para mencionar apenas os líderes.
Nos saguões, muitos passageiros com camisas de seus clube. Em termos de emoção o futebol foi bem. Em termos técnicos tenho dúvidas.
Mas isso é apenas um pequeno programa para a semana que entra. Antes do voo, vou dedicar às horas que restam ao sentimentos que me trouxeram aqui.O reencontro com a netinha de coração e através dele a certeza de que é preciso fazer algo pelo futuro de Noronha.
Nada melhor do que recolher material e continuar estudando. Temos caminho pela frente.
PS; Aviso que o artigo sobre a Cabeça do Cachorro na Amazônia, saí hoje no caderno Aliás do Estado de São Paulo
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Quando Dilma disse que o passado já passou, tinha um leve sorriso nos lábios. Ela sabia que Carlos Lupi continuaria sendo acusado de várias coisas pela imprensa e que o passado viria puxar sua perna.
Essa foi minha leitura. Dentro do Palácio do Planalto, a capacidade de análise política não é das mais fortes. O que não desmerece a inteligência de cada um dos formuladores.
O PT viu nas denúncias contra Lupi o adversário de sempre: as elites. E resolveu resistir porque está em luta com as elites e tudo o que acontece é uma expressão dessa luta.
Se substituirmos o termo elite, para imperialismo americano, veremos que Chavez usa o mesmo método, embora o presidente da Venezuela atravesse, com frequência, as fronteiras da paranoia, atribuindo aos americanos a capacidade de produzir terremotos.
Quando você se define pelos adversários, não importa quem sejam, gregos,romanos, ou vendedores de pamonha, o caminho do erro está pavimentado.
A presença de Lupi é insustentável porque ele não tem condições de ser Ministro do Trabalho. Ninguém afirmou o contrario. Lupi continuava apenas para como prova de resistência “ao golpe das elites”.
Foi este o tom dos discursos entre os jovens do PT, quando homenagearam o ex-Ministro José Dirceu, que, por sua vez, afirmou que as denúncias de corrupção são uma onda de moralismo.
O mesmo que Brizola disse sobre Lula, José Dirceu e seus companheiros, no passado: o PT é a UDN de macacão.
O Brasil perdeu um pouco o senso da realidade. Quando Lupi fez aquele cena na Câmara, para mostrar, que não conhecia o dono das ONGs, Adair Meira, ele o fez de uma forma tão ostensiva, que levaria qualquer psicólogo de botequim a concluir que estava mentindo.
Lupi abriu um papel e nada viu nele. Em seguida, Lupi abriu outro papel, e nada viu. Voltou ao primeiro papel e perguntou: como é o nome dele? do senhor…? Adair.
Lupi estava fazendo um esforço extraordinário para se desvincular de Adair. Buscou seu nome nos papeis para mostrar que não o localizava nem em suas anotações. Em seguida, hesitou sobre o nome, como se fosse algo muito remoto para ele. E, finalmente, o chamou de senhor para simular distância.
Lupi queria bala, apareceu o Bala da Rocha, deputado do PDT: juntos legalizaram no Amapá sete sindicatos falsos, isto é de atividades que não existem no estado.
Surgiu a foto de Lupi no avião em Grajaú. Surgiu o vídeo de Lupi, no avião em Grajaú. É uma cidade do Maranhão que faz fronteira com o Piauí . Os dois estados são separados ali pelo rio Gurgeia. Estive por lá, quando o vale do Gurgeia queria se separar do Piauí.
Grajaú é o Waterloo de Lupi e dos estrategistas do Planalto que o mantinham, como um fósforo frio, até a reforma de janeiro, para não capitularem diante da “elite golpista”.
O grande adversário, quase sempre, está dentro de nossas cabeças. Cada minuto de Lupi significa meses de desgaste. É pegar ou largar. De preferência, em Grajaú, no Maranhão.
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Contos de fadas e histórias infantis têm muitas interpretações. O psicanalista Bruno Bettelheim se especializou nessas análises. As próprias canções populares, como a de Ronaldo Bôscoli, são também uma intepretação poética: lobo bobo, promete tudo, até amor/ mas fraco de lobo é ver o chapeuinho de maiô.
Minha análise é só política. O lobo na história é o pragmatismo, o Chapeuzinho Vermelho são as vinculações históricas do PT com uma ideia de classe operária.
Ao longo desses anos, na luta eleitoral, o PT cresceu também entre desempregados e pessoas que dependem da Bolsa Família. Mas os trabalhadores, pelo menos no discurso, continuam sendo importantes.
Dizer, como o líder Paulo Teixeira, do PT, que seu partido apoia Lupi é uma visão fantástica do mundo do trabalho. Se o Partido dos Trabalhadores acha mesmo que Lupi deve permanecer, cai por terra toda essa história de respeito ao seus representados.
Lupi não só dirige um Ministério acusado de desvios, como se mostrou, ao longo da semana, despreparado para o cargo.
Aquela história de sair só à bala, pode ser interpretada como uma franqueza típica de um homem do povo. Tudo bem. Mas uma franqueza que revela também desprezo pela democracia e seus ritos.
Finalmente, a declaração pública de amor a Dilma confirmou a sensação de que estamos vivendo um gênero consagrado pelo cinema nacional: a chanchada.
Para a oposição é cômodo continuar com Lupi no Trabalho porque é um permanente desgaste para o governo.
As intervenções de Lupi, durante a semana, pelo seu despreparo, mostram como foi longe o pragmatismo. Tanto o PT como a CUT podem até apoiar Lupi. Mas deveriam ser chamados ao debate. Não é possível que convivam, naturalmente, com a galhofa na área que dizem tanto respeitar.
Sobre Lupi, Dilma diz que o passado já passou. Mas ela sabe muito bem que, mal resolvido, o passado sempre reaparece para nos assustar.
O passado não passará, enquanto Lupi não for demitido. Dilma espera o lenhador na forma de novas denúncias. Não percebeu que , como peixe, Lupi também morreu pela boca.
Ele se afogou nos anzóis de suas bravatas e juras de amor. Nada de balas, apenas amendoim. Incapaz de de uma análise mais profunda, o governo insiste num caminho equivocado e quer manter Lupi.
A ameaça do PDT de deixar a base não é assim tão fatal. Lupi fez inúmeras programas de tevê denunciando a corrupção no governo Lula. Depois aderiu e nunca mais tocou no assunto.
Ele é descartável como nas fotos em que beija mão. Dilma talvez hesite pensando em evitar uma vitória da imprensa que levantou as denúncias
É um erro não tomar decisão apenas porque está sendo pedida pelo adversário. Abraçar o erro e tocar o barco serve apenas para agravar a situação.
Numa célebre cena de um western, um mexicano pendura um americano na árvore e diz: vou ter de lhe matar para provar que gosto de você.
Quantas juras de amor, Dilma está preparada para suportar? Quando vai ouvir os conselhos da vovó e dizer que com lobo não sai só?
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Estão dizendo que o colete mais poderoso permitido pelas Forças Armadas é o IIIA. Acho que Carlos Lupi andou tomando muito IIIA.
É a única explicação que encontro para sua frase de hoje: só saio daqui abatido por uma bala e assim mesmo tem de ser bala forte.
Diante de Orlando Silva, temos uma nuance de humildade. Lupi não disse que era indestrutível : só sai com bala forte.
Ambos deviam ouvir o Canto de Ossanha, de Vinicius de Moraes e Baden Powell. O homem que diz sou/não é/porque quem é mesmo/ não sou.
Apesar das imperfeições, a democracia brasileira funciona. Nela, um ministro que diz o que Lupi disse, não é caso de bala, mas de amendoim.
Ate Silvio Berlusconi, ao perceber que a maioria lhe faltava, vai sair de fininho. Lupi é só bravatas.
A maneira como se comporta nesta crise, independente da corrupção no Ministério, já era o bastante para fosse demitido.
A outra parte da fala, refere-se aos que pensam que vão carregar o seu caixão. Segundo Lupi, devem morrer antes dele.
Outra metáfora maluca. Mortes, tiros, lutas sangrentas, pra que tudo isso?
Basta seguir o conselho do deputado Regufe: sair do cargo é mais inteligente.
Mas não tem jeito. As saidas dos ministros são cheias de declarações patéticas. A Casa Branca foi forçada,hoje, a dizer, em seu site que não há extraterrestres entre nós. Cerca de 17 mil eleitores exigiram uma resposta para a pergunta.
Daqui a pouco, o próprio Palácio do Planalto sera forçado a repetir a nota americana.
Sinceramente, viver num país em que um Ministro do Trabalho diz que só deixa o cargo abatido à bala é ser jogado, através da metáfora, nas cavernas pré-democráticas. Ou num outro planeta.
Lupi tem de parar de beber esses coletes IIIA e começar a fazer sentido.
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Como posso fazer o que queres lobo?
Lupus,lupi, declinava-se assim. E a lembrança da fábula de Esopo, recitada na escola, me veio com a nova crise que se desenha. Desta vez é o Ministro do Trabalho Carlos Lupi. Parece com todas as outras cinco.
Vai-se a primeira pomba- recitava o professor de português. Vai-se o sétimo ministro neste primeiro ano de governo. Um deles, Nelson Jobim, saiu por excesso de franqueza.
As coisas se repetem com detalhes idênticos : ONGs, tarefas não realizadas, dinheiro para os cofres partidários; basta trocar o nome dos personagens para contar toda a história.
Aliás a Policia Federal suspeita que todos os envolvidos andaram fazendo um curso comum sobre como desviar dinheiro, falsificar notas fiscais e até a idade da ONG.
Lupi é macaco velho. Fez-se na política como um abnegado assessor de Brizola. Nada que possa descrever, substitui a foto de Orlando Brito. Mimetizado naquela atmosfera, o brilhante fotógrafo brasileiro consegue contar, com um simples clique, grandes histórias da corte brasiliense.
Com essa personalidade, Lupi deveria procurar, o mais rápido e discretamente, sair de cena. Os dirigentes do PC do B também são macacos velhos. Mas de outra forma. Ainda acreditam na força de guerra fria para vitimar a verdade.
Por que Lupi sairia? Não estaríamos aplicando a ele a lógica do próprio lobo, no dialogo com o cordeiro: o responsável não é você mas seu secretário executivo?.
Vamos voltar à foto. Dilma sequer olha para o beijo na mão. Ela desvia o foco para bem distante, como fez quando Sérgioo Cabral, num inglês bastante acidentado, desfiava elogios à ela no sambódromo: the first woman president of Brazil.
Lupi dificilmente vai à televisão envolver a imagem de seu partido, o PDT e , como os comunistas, construir uma blindagem através da mitificação do passado. Talvez fique apenas alguns dias e, depois, resolva sair para provar a inocência de sua gestão.
A divulgação pela CGU da existência de 500 contratos sem fiscalização, no Ministério do Trabalho, indica que o governo sabia que Lupi era o próximo.
Vamos assistir, mais uma vez, ao mesmo filme. Menos dramático, mas revelador quando se escolher o novo ministro.
Estamos apenas trocando peças de uma engrenagem imutável? Ou será que, no sétimo ministro demitido , já se pode perguntar se não há algo errado com a maneira de compor um governo?
Quem se lembra das verbas que não foram para as estradas, dos convênios engolidos no turismo, dos dribles à prestação de contas no programa Segundo Tempo?
Lupi deveria pedir licença e sair, mas a sucessão de atores em cena não alterou ainda a essência do script. É possível retirar as ONGs da sala.Mas é muito ingênuo supor que o problema está apenas nelas, sobretudo as que foram criadas com o único objetivo de levantar grana.
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2011