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A presidente Dilma Rousseff, para variar, ficou irritada. O vice Michel Temer perguntou onde estavam as provas robustas.

As duas figuras que aparecem como noivo e noiva no bolo de aniversário da coligação PMDB- PT  estão unidas na censura à Policia Federal.

Acontece que a tanto a Policia Federal como a Procuradoria estão apresentando muitos dados, gravações telefônicas e, agora, depoimentos dos presos.

Apareceu até uma testemunha chamada Errolflyn de Souza Paixão. Os mais jovens podem ir ao Google e encontram lá o nome do ator norte-americano que inspirou os pais do Errolflyn brasileiro.

Num texto literário, esse nome seria um achado. Mas os estudiosos dos escândalos brasileiros sabem que, assim como fumaça e fogo, nomes estranhos e escândalos andam juntos no Brasil. Ele afirma que a deputada Fátima Pelaes sabia do esquema e ficou com parte do dinheiro da emenda de R$ 4 milhões.

O ideal seria que o governo ficasse calado até que o processo se desenrolasse. Ao se precipitar nas criticas à operação da PF, tentou mostrar para a base aliada que vai protegê-la.

Mas os fatos estão aí. O trabalho da PF está fundamentado neles. Dificilmente, as investigações, sobre esse e outros casos, será paralisada.

É o dilema que  tenho enfatizado. Não dá para evitar que a roubalheira venha à luz. Mas não dá também conter a base aliada que quer verbas das emendas parlamentares e suavidade na PF.

Se a greve dos aliados acabar com a liberação das verbas, aí então é que o trabalho da PF se fará mais necessário porque é das verbas que nascem as tramóias.

Só uma coisa preocupa. A PF tem enfatizado sua luta salarial. Isso significa que, com aumentos de salários, ela será mais complacente?.

Os tempos de vacas gordas permitiram a implantação de um poderoso esquema no Brasil. Seu objetivo não foi somente trocar o governo, mas também democratizar as benesses do poder, incluindo um amplo espectro de partidos, sindicatos, entidades de classe e ONGs.

É a tática da Arca de Noé que funciona bem no pais mas ameaça afundar nas crises. Quando menino, ouvia muito esta frase: ou todos se locupletam ou restaure-se a moralidade.

Em tempos da vagas gordas, chegou-se perto da estabilidade ideal do modelo. Quase todos que têm voz e organização foram cooptados. A própria PF, em alguns casos que envolviam o governo, pipocou.

Errol Flyn, o ator, em pose de detetive.

Não é só a crise econômica que ameaça a estabilidade do modelo. Ele também é ameaçado pela ganância e sensação de impunidade.

No imenso laranjal em que tranformaram o Brasil, Erroflyns da Paixão, Capitães Marvel da Silveira, Clarkgable dos Santos vão aparecer muitas vezes. Isto para ficar apenas na inspiração do cinema americano. Há todo um arsenal nativo à disposição dos plantadores

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O primeiro-ministro britânico, David Cameron, afirmou que o governo pretende controlar as redes sociais para evitar que as pessoas se organizem para saques.

No discurso, ele afirmou que a liberdade de informação era muito importante mas que pode ser usada para o bem ou para o mal.

Todos de acordo. No entanto, essa característica da liberdade de expressão é tão velha quanto ela mesma. E no entanto, sempre que esteve ameaçada, foi preciso dizer que, apesar de todos os males que pode trazer, ela deve continuar existindo.

A pressão sobre redes sociais é grande nos paises autoritários. No Irã, Síria, e mesmo no Egito, antes da queda Mubarak, houve inúmeras tentativas de controlá-la.

Em alguns países do leste europeu, pessoas são interrogadas sobre ideias expressas no Facebook, indicando que a polícia política está atenta.

Segundo a imprensa, no caso ingles, não houve grande papel das redes sociais. O que houve foi o uso do SMS do Blackberry.

O discurso de Cameron foi vago. Mas ele vai encontrar dificuldades em controlar redes sociais, porque o princípio da liberdade de expressão é muito forte na  Europa.

Os saques podem ser combatidos sem lançar mão de censura.

Não quero ser pretensioso, mas quando cobri saques no Rio, logo após as revoltas na Califórnia, percebi que era possível prever sua eclosão com uma pequena margem de erro.

Ao invés de controlar redes sociais, Cameron deveria investir na polícia e não  fazer cortes no seu orçamento. E sobretudo preparar o serviço de inteligência britânica para essa dimensão interna de segurança.

Uma investida contra a liberdade de expressão na Europa teria efeitos catastróficos em outras parte do mundo, onde, no momento ela tem um papel essencial, salvando vidas, inclusive.

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11.agosto.2011 09:17:42

Algemas e metáforas

Políticos usam as palavras com mais liberdade que os próprios escritores. O líder do governo, Cândido Vacarezza, afirmou que o Congresso não votou, esta semana, “porque há uma fadiga, um cansaço” entre os parlamentares.

Eles acabam de voltar do recesso. Tiveram um mês de férias, esta seria sua segunda semana de trabalho. Não se trata, com certeza, do cansaço que conhecemos, mas sim de um outro cansaço, sinônimo de crise na base do governo.

Qual a raiz da crise? Nela, têm um peso as prisões no Ministério do Turismo , as demissões nos Transportes, as promessas de faxina na Agricultura.

Algemas de pelúcia.

Mas não é só isso. Os deputados querem a liberação das emendas. Reclamam da crise econômica mundial e , alguns deles, como Jovair Arantes, do PTB, dizem que Dilma está preocupada com Londres, Nova York e Paris, todos distantes milhares de quilômetros de sua base eleitoral.

Dilma reclamou da operação no Turismo. Deveriam ter avisado, não podiam usar algema, enfim argumentos laterais, diante da evidência de corrupção.

De fato, não é preciso usar algemas. Mas o dispositivo legal exige que nos aviões, os prisioneiros uem algemas.

A crise não é das algemas. Ela é ditada por um momento internacional que pede contenção. Dilma está certa em acompanhar, atentamente, a conjuntura internacional.

Mas a crise tem outra face, além da econômica. No Brasil, o modelo de presidencialismo de coalizão está esgotado. Não dá mais para ratear ministérios entre partidos desesperados por dinheiro.

E os deputados querem mostrar que, sem dinheiro, não funcionam como base aliada. É preciso, na opinião deles, liberar as emendas e conter  Polícia Federal e a imprensa, na denúncias de corrupção.

Não há saídas no horizonte imediato. É tarde para deter o processo de denúncias. O sonho do Planalto é uma ilusão. Não é possível combater a corrupção e , simultaneamente, estruturar um governo no qual ela é importante moeda de troca. Alguma coisa deve mudar nessa equação.

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A delegação formada pelo Brasil, Índia e África do Sul foi recebida pelo presidente Assad na Síria e voltou com muitas promessas.

Assad reconheceu que o Exército se excedeu e prometeu suspender a repressão em duas semanas, quando termina o Ramadan.

Alguns diplomatas sírios prometeram também que o país terá uma democracia pulripartidária, até o final do ano.

O Brasil, quando resolveu intervir no caso do Irâ, aproximou-se da Turquia. Nessa delegação a Turquia ficou de for a. Ela é diretamente atingida porque os refugiados sírios estão cruzando a fronteira.

 

O primeiro-ministro turco, Tayip Erdogan, disse, com toda a clareza: Assad está atirando contra seu povo.

 

Cartaz em manifestação contra Assad.

A Síria não quis receber o chanceler turco porque sabe que é dificil enganar o vizinho. As promessas que fez ao Brasil, India e África do Sul, são apenas uma tentative de romper o isolamento.

Sob pressão americana, os países árabes se distanciaram do governo sírio que já matou 2000 pessoas nesses quatro meses.

Um dos elos da Síria com a ONU é exatamente a comissão composta pelo Brasil. Se o preço da mediação é não condenar as mortes dos oposicionistas, ele compensará realmente se Assad cumprir o que promete. Mas as chances são pequenas.

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Os escândalos se sucedem e esta sucessão tem consequências. Uma delas é o foco no conjunto e uma certa superficialidade no exame dos casos individuais. A outra mais radical, é o esquecimento.

Quem se lembra do DNIT, depois que o escândalo explodiu na COHAB? E quem se lembra do escândalo mais recente quando a PF organiza um verdadeiro voo charter com 35 suspeitos do Turismo para Macapá, onde serão interrogados?

Muitos acham que o governo está apenas fazendo jogo de cena, fingindo que combate a corrupção. As coisas parecem um pouco mais complexas.

Defrontado com o primeiro grande caso, o governo Dilma resolveu demitir no Ministério dos Transportes e deixou circular a imagem da faxina nos cargos de confiança de partidos.

É complicado fazer um discurso desse tipo e, simultaneamente, neutralizar órgãos de controle como o TCU e a Polícia Federal, abarrotados de relatórios com indícios de corrupção. Além disso, a imprensa está em grande atividade.

Podem acontecer excessos em uma ou outra operação. Os partidos políticos vão se apegar a esta possibilidade para evitar que o processo avance.

 

Turismo é uma complicação para Copa e Olimpîadas.(foto FG)

 

Talvez tenha ficado tarde demais para, simplesmente, encerrar a chamada faxina. Ou tarde demais para acalmar os aliados no presidencialismo de coalizão.

O governo vai apelar para crise econômica, em busca de unidade nacional. Acontece que a crise econômica torna mais difícil manter de pé um esquema de corrupção, destinado a garantir eleições sucessivas e a enriquecer alguns burocratas.

Curioso é que todos falam de Copa do Mundo e Olimpíadas e alguns acham que Londres não poderia sediar os jogos de 2012 porque houve confrontos nas ruas.

O que dizer então de um pais que organiza Copa e Olimpíadas e quase todo seu Ministério do Turismo embarca para a prisão, numa remota capital do norte?

A tese do PMDB e do próprio governo é de que o Ministro Pedro Novais não tem relação com o escândalo, pois o convênio que o propiciou foi assinado em 2009.

O problema do ministro Novais não é ter ou não relação com o escândalo. O problema dele é ter ou não relação com o próprio turismo no Brasil.

Dilma precisa enfrentar esta questão. Só tem sentido gastar com os jogos, se pudermos trazer algo de volta, com o crescimento do turismo. Graças à PF, o problema acabou na agenda, embora muitos, como eu, tenham insistido em discuti-lo, antes mesmo de estourar o escândalo.

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Os ingleses vivem momentos de decisão nesses dias de revolta. O debate se ampliou para vários lados. Deve-se ou não usar canhão de água nas manifestações? Balas de plásticos teriam utilidade? A experiência que orienta o debate foram os conflitos na Irlanda do Norte, de outra natureza.

Os prejuizos contabilizados até agora foram de R$260 milhões. Haverá ou não o início do campeonato inglês de futebol? Outro debate paralelo, pois o encontro de torcidas com saqueadores não seria dos mais auspiciosos.

Manifestção de voluntários em Londres.(AP)

O que fazer com o Blackberry, uma vez que grande parte dos revoltosos usaram seu sistema de comunicação, que além de gratuito, impede sua identificação?

Cerca de 60 mil pessoas atendendo a uma campanha pelo Twitter #riotcleanup ( limpeza depois do motim) foram as ruas na tarde ensolarada de Londres.

Eles se juntaram ao esforço das comunidades para retirar os destroços e devolver normalidade. Mostram como existe uma condenação ao processo destrutivo iniciado pelos revoltosos e como a cidade tem condições de se recuperar , a partir do esforço comunitário.

The Guardian mostra o encontro dos manifestantes com o prefeito de Londres, Boris Johnson. Ele dialogou com o grupo, empunhou uma vassoura , mas, na gravação, é possível ouvir críticas e até pedidos de renúncia.

Prefeito de Londres, Boris Johnson, no Guardian.

Cerca de 170 mil homens vão policiar a cidade e a experiência mostra que essas revoltas tendem a declinar, passada a surpresa inicial.

A manifestação dos voluntários na limpeza da cidade, mostra como Londres, ao contrario do que alguns disseram, está em condições de sediar as Olímpiadas.

O que não significa, em tempos de crise econômica, com alto nível de desemprego entre os jovens, que nenhum turbulência possa surgir ainda, antes de 2012.

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A imprensa inglesa faz um grande esforço para compreender as revoltas que começaram em Tottenham e se espalharam por outros bairros e algumas cidades do país.

O ponto de partida foi a morte de Mark Duggan. Ele foi preso por uma equipe chamada Trident, especializada no combate a delinquents armados.

 

Mulher deixando prédio em chamas.

 

A perícia ainda investiga se uma das balas usadas é dessas malas manipuladas para provocarem ferimentos mais destrutivos ainda.

Já houve muitas outras revoltas em Londres. De um modo geral, começam com conflitos e morte entre a juventude negra de bairros como Tottenham e Brixton.

 

Policial nada pode fazer diante do carro queimando.

 

Mas agora há a crise econômica, desemprego entre os jovens, fechamento de áreas de lazer em bairros mais pobres. E , recentemente, muitas pequenas revoltas de estudantes contra a política do governo conservador.

Pelo menos há uma constatação bem humorada, entre alguns analistas: o bom tempo também explica as revoltas; se estivesse chovendo, ninguém sairia às ruas.

 

Revoltas nas ruas de Londres: a atração pelas chamas.

Apesar de Londres conhecer revoltas desse tipo, a de agora tem componentes típicos de nosso tempo: twitter, telefones celulares, meios de comunicação mais poderosos que no passado.

Outro aspecto observado: os saqueadores entram nas lojas e procuram pelas marcas de sua preferência. Não são as mesmas necessidades de antes. Como os consumidores personalizados, os saqueadores sabem o que querem.

Lembro-me que nos saques acontecidos no Rio, no princípio da década de 90, a imprensa constatou que iougurte, bacalhau e uisque eram muito procurados.

 

The Independent mostra a fila para o saque.

Os saques já não são mais os mesmos porque o mundo está cheio de produtos atraentes. Nem todos  podem comprá-los, mas quase todos são seduzidos pela sua propaganda.

Crise econômica e medidas de contenção, sob inspiração conservadora, têm um grande peso nas revoltas. No caso do Chile, há uma tradição de esquerda e uma clara politização.

Apesar da morte de Mark Duggan os conflitos que se espalharam pela Inglaterra não produziram vítimas fatais.

Enquanto isso, na Síria,numa simples entrada do Exército em Deir al Zour foram mortas 65 pessoas. É uma crise de outra natureza e o Brasil está sendo muito brando com o governo Assad.

 

O saque em execução.

 

PS: A polícia britânica acaba de confirmar que nos tumultos das últimas horas, houve um morto.

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Teresópolis – Abandonados pelo governo, moradores de Vieira, um distrito de Teresópolis, na divisa com Friburgo, decidiram reconstruir sua área, com os próprios recursos.

Vieira como muitos outros pontos de Teresópolis e Friburgo sofreu grandes estrados com as chuvas. Um  grupo de 12 pessoas, apoiando-se na escola pública Monsenhor Mário Benazzi, criou um regime de mutirão para construir casas para desabrigados.

Uma casa erguida, novos moradores brincam no terreno da outra.(foto FG)

Como conseguir dinheiro? Jantares, doações, tudo foi mobilizado para construir as quatro primeiras casas.

Uma delas já está habitada por um ajudante de caminhão que perdeu toda a familia no desastre. A outra está sendo concluida esta semana e, ao seu lado, mais uma será construida.

Cada casa está custando R$10 mil. Segundo um dos participantes do grupo, o advogado Renato Schuenk, as casas não são entregues com todo o acabamento.

Ela cuida de cinco filhos e um vizinho inválido: é a primeira da fila.(foto FG)

Os novos donos têm o essencial para morar e, com o tempo podem ir incorporando melhorias.

No momento, quem espera uma nova casa é Aparecida de Silva, 45, mãe de cinco filhos e cujo marido foi embora de Vieira.

Aparecida era voluntária na escola, fazia limpeza e ajudava na cozinha. Ao  lado de seu barraco destruido, vive Francisco Correa, 67 anos, inválido e abandonado pela família.

Lavoura recuperada é essencial para as familias da região.(foto FG)

Aparecida cuida dele também, enquanto espera sair dos escombros que adaptou para viver com os filhos.

Como ele vive num barraco que está caindo não teve direito ao aluguel social, R$500 que a Pefeitura paga por mês aos desalojados. Mas também não teve ajuda para o projeto de compra assistida, na qual o governo contribui nas prestações de uma casa.

O prefeito que acaba de cair, Jorge Mário, não chegou a se interessar pelo mutirão. É um sistema que não envolve empresas construtoras. Apenas um pedreiro responsável, Enderson da Rocha, conhecido como Lico, e voluntários que aparecem no fim de semana.

-Aqui, em duas semanas, a gente levanta uma casa.

Advogado Renato Schuenke, um dos articuladores do grupo.(foto FG)

Nessa área de Teresópolis, não é apenas o esforço de reconstrução que impressiona. É também a lavoura que voltou com toda força: os campos estão verdes, irrigados e monitorados pelos produtores. Até barracas de venda de legumes e hortaliças foram dispostas na estrada para Teresópolis.

Vieira fica a 38 quilômetros do centro da cidade. O objetivo é criar o mesmo movimento em outros bairros. Os organizadores não dispensam ajuda pública. Pelo contrário, lutam por manilhas e outros materiais e esperam que a Prefeitura ajude.

A diferença é apenas esta: fazem o que podem, enquanto esperando.

Tendas na beira da estrada, para vender legumes.(foto FG)

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Sai cedo para subir a serra fluminense. Meu objetivo era o distrito de Vieira, em Teresópolis, situado na divida com Friburgo.

A viagem atrasou um pouco. Nuvens se formaram muito perto do solo, tirando a visibilidade, fechando o aeroporto Santos Dumont por quatro horas e interrompendo o serviço de barcas na Baia de Guanabara.

No Aterro do Flamengo, apenas esparsas silhuetas.(foto FG)

Antes de subir a serra, aproximei-me do aeroporto mas percebi que os dramas provocados pela nebulosidade se espraiaram até Brasília. No Aterro do Flamengo havia apenas algumas silhuetas de ciclistas e corredores.

Um avião que veio de Nova York, da American Airlines, não pode pousar nem no aeroporto Tom Jobim, no Galeão. Foi para a São Paulo e sofreu uma pane elétrica. Resultado: as pessoas tiveram de esperar por quatro horas a abertura das portas.

Foi a interrupção mais longa desse inverno. Ele começou , oficialmente, em junho mas agora está realmente no auge.

Apesar de tudo, fez muito calor na serra e no litoral. Quarta-feira, garantem os metereologistas, o tempo fecha de novo.

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07.agosto.2011 15:37:26

Zefa, chegou o inverno

Zefa, chegou o inverno/formigas de asa e tanajuras/Chegou o inverno/ lama e mais lama

O inverno para o poeta Jorge de Lima, nascido em Alagoas, era o prenúncio do verde, abundância. Era o inferno visto do nordeste do Brasil.

Depois de passar nove invernos na Suécia, não consigo deixar de notar as diferenças entre o Rio e Estocolmo. Aqui tivemos um domingo de sol brando e as folhas de amendoeiras dominavam as ruas com suas cores quentes. O inverno já tem algumas semanas mas foram poucos os dias de tempo fechado.

Mas entramos numa fase nova, bem mais delicada. No mundo, a situação econômica nos EUA e  Europa preocupa e parece indicar uma nova fase de turbulência.

Folhas de amendoeira em Ipanema, zona sul do Rio.(foto FG)

No Brasil, com denúncias sobre desvios no Ministério da Agricultura vamos colher nova safra de escândalos. E o presidencialismo de coalizão, com loteamento de cargos, vai passar por um inverno rigoroso.

Na serra fluminense, depois da vitória dos moradores de Teresópolis, que pressionaram para a saída do prefeito, uma tragédia pessoal.

Dois dias depois de assumir a prefeitura, Roberto da Silva,  o vice, que tinha 67 anos, morreu do coração.

Mesmo assim vão continuar as investigações sobre desvios de verbas e o novo prefeito deverá ser o presidente da Câmara.

Subo amanhã para a Serra e devo visitar o distrito de Vieira, onde há coisa boa acontecendo. Iniciativas de reconstrução, independentes de governo.

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  • ZULA VIEIRA: ESTOU DENUNCIANDO QUE NO MARANHÃO TEM MUITAS FLAUDES NO SEGURO DEFERO QUE É COMANDAO PELA FEDERAÇÃO...
  • Fernanda: Mesmo sendo um movimento estratégico, sinto orgulho do meu país por recebê-los. Bem vindos! :)
  • Fernanda: Ainda que com atraso, desejo-lhe um feliz ano novo! Muita sorte e felicidade! :)
  • VOZ ATIVA: DESORDEM E CAOS EM SALVADOR >>> A polícia da Bahia em manifestação de máxima orquestração...
  • Dany: Gostei da sua ideia.Louvo sua coerência e sinceridade,prezado Fernando.

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