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10.junho.2011 23:37:30

Das cinzas ao mel

Porto Alegre-A dúvida matinal: nosso avião para o Rio conseguirá driblar as nuvens de cinza do vulcão Puyehue? Ou elas se dissipam a ponto de podermos atravessá-la?
Acordei com o pensamento positivo talvez inspirado pela luz meridional. E conto essa história porque hoje é sábado, como dizia Vinicius.

No corredor do hotel uma visão promissora.(Foto FG)

Quando olhei para o corredor pensei: o vulcão não vencerá. O dia vai estar tão bonito e claro como a quinta-feira. Isto quer dizer o seguinte: se o vulcão vencer não será nenhuma tragédia.
Logo no princípio da manhã fui visitar o porto. Ele vai ser revitalizado.

Uma visão matinal do porto.(foto FG)

Seu potencial é tão grande como o de Puerto Madero, em Buenos Ayres. Não entendi ainda porque não começaram. Ouvi dizer que há problemas idelógicos. Uma empresa espanhola ganhou a concessão mas o governo do PT parece hesitar. Não seria mais vantajoso deixar nas mãos do estado.
Sei não, acho difícil o estado atracar com um barquinho carregado de R$500 milhões. Mas não vou me meter. A proximidade da Copa do Mundo resolve o problema.
Sai para o Gasômetro, um centro cultural à margem do Guaiba e custei a chegar. Havia uns grafites bonitos no caminho. Minha missão era gravar o comentário de rádio que faço às sextas na Estadão-ESPN.

Grafites na porta defronte ao Gasômetro.(foto FG)


Achei que o lugar seria tranqüilo naquele momento. Esqueci das crianças. Chegavam aos bandos, gritando. Se é para ter barulho no fundo que seja o dos gritos das crianças.

Visitantes matinais no Gasômetro.(foto FG)

Terminei meu trabalho de rádio e fui para a palestra na Universidade do Rio Grande.

Vitral da Universidade do Rio Grande.(foto FG)

Fiquei impressionado com o prédio, da década dos 40. Trouxe umas lembrancinhas dele,uma delas está aí.
Fiz a palestra, almocei no Gavinda e voltei para o hotel, para fechar a conta. De novo o vulcão entra em cena. Hóspedes que foram ao aeroporto, pela manhã, voltavam para o hotel. Nada de vôo.

Liguei para a TAM e perguntei pelo vôo e telefonista disse: ainda não foi cancelado. Com essa ambigüidade na mala, parti para o aeroporto Salgado Filho, deu uma melhorada desde minha última visita.

Passageiros à espera de vencer o vulcão.(foto FG)


Procurei o velho lugar no café e me indicaram o primeiro andar. Café agora era no primeiro andar, onde havia uma praça de alimentação.
A pista estava vazia. O movimento era pequeno. Não subia, nem descia nada. Repórteres de televisão me abordam e perguntam. Disse que tinha fé porque o dia estava muito bonito.

Pisto do Salgado Filho, no fim da tarde.(foto FG)

Passei pelo saguão, tomei café, e nada de pouso ou decolagem. Mas check in eram mais positivos: as chances são grandes.

Uma visão do primeiro andar do aeroporto.(foto FG)

s

Por onde andavam as cinzas do Puyehue? Imaginam que foram para os céus de Curitiba, ou se dissiparam no caminho. Aquele aeroporto de Curitiba tem outro adversário no inverno: a névoa.
Na sala de embarque o sol iluminava a todos. Mas não descia avião. Até que as locutoras começaram a anunciar a confirmação de chegadas

À espera do voo incerto.(foto FG)

Nosso voo estava confirmado. Fiquei tão feliz que documentei a saída do vôo da Gol, a primeiro a derrotar as cinzas do Puyehue. Vôo 666, para Campinas, portão 3.
Dali a pouco voaria para o Rio onde me esperam um mergulho e um passeio na praia domingo para apoiar o movimento dos bombeiros.
Invertendo o titulo de Levy Strauss, das cinzas ao mel.

A partida do 666.(foto FG)

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