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20.novembro.2011 09:20:44

Uma chance ao azul

Com o vazamento da Chevron na Bacia de Campos, o Brasil descobriu que não tem um plano de contingência contra desastres .

Nossa tendência é discutir o tema no momento dos desastres e esquecê-lo quando a situação se acalma.

No princípio do século, apos o desastre de 2000, a Petrobrás avançou muito na sua preparação. Foram investidos R$1,4 bilhão e criou-se um plano chamado Pegaso, Programa de Excelência na Gestão Ambiental.

Uma voluntária no desastre com o navio Prestige,na Galícia.(foto FG)

Quando houve o desastre na Galícia, resolvi ver de perto. Encontrei uma equipe daa Pebrobrás, que tinha o mesmo objetivo.

Naquela época, cheguei a sugerir que a Petrobrás criasse uma empresa de segurança, para atender a desastres na América Latina. Seria uma forma de atenuar os custos do Pegaso e, além disso, preenchia uma lacuna.

Com o desastre no Golfo do México, o Brasil despertou para a necessidade de um plano nacional. Formou-se um grupo de trabalho mas ele não prosperou porque envolvia vários ministérios.

A Ministra Izabella Teixeira, do Meio Ambiente, afirma que não houve problemas com a falta de um plano, pois o desastre da Chevron foi pequeno.

Há alguns problemas nesse argumento. O primeiro é quanto à dimensão. Os americanos consideram grande um vazamento de mais dois mil barris diários, segundo a ONG Skytruth.

Mesmo se o desastre não tivesse sido grande, foi uma excelente oportunidade para treinamento. Esses desastres demandam coordenação, envolvem a sociedade, como mostraram os voluntários na Galícia Em síntese, precisam até de simulações para funcionar bem.

O quesito transparência, para envolver a sociedade, é fundamental. Quem cuidou da transparência no Governo? Não havia informações corretas, periódicas e confiáveis sobre o vazamento da Chevron.

O Brasil poderia ter sido mais rápido na resposta. O que Lobão, Ministro da Energia, fez todo o tempo foi minimizar o impacto do vazamento. Lobão é o Lobão, Lupi é Lupi. Nem as questões de segurança nem as do trabalho, cheio de irregularidades na Bacia, poderão ser resolvidas por esses personagens de fábula..

Conseguimos, os interessados na segurança do oceano, introduzir na lei do pré sal uma cota de 3 por cento dos royalties para a proteção . Mas o debate foi pobre em tudo, menos na questão dos royalties.

No fundo, ainda vemos a imensidão azul como uma cloaca que recebe todo tipo de lixo ou como um eldorado que produz riquezas. A vida mesmo, e as verdadeiras riquezas do oceano continuam ocultas.

É uma ilusão, apesar do mar territorial, achar que estas coisas não repercutem no mundo, que nossas águas não se comunicam com outras, que não existe movimento das correntes, algo essencial para quem queira entender  o futuro do processo de aquecimento global. Quando as correntes forem perturbadas, aí começa uma nova fase de perigo para todos.

O movimento ecológico, pela presença da floresta amazônica, a devastação da Mata Atlântica, fixou-se no verde. No momento em que começam a explorar o pré-sal é preciso dar uma chance ao azul.

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A Chevron, empresa responsável pelo derramamento de óleo na Bacia de Campos não começou agora em lutas judiciais.

Ela foi condenada no Equador a pagar multa de R$9 bilhões por poluir a floresta amazônica. É a segunda grande multa da história, pois a BP se prontificou a pagar US$20 bilhões pelos estragos no Golfo do México.

New York Times mostra moradores se banhando no poluido Rio Santa Fé, Equador

A disputa entre Equador e Chevron acontece também nas cortes americanas. Se o Brasil quiser fazer alguma coisa, vai precisar se basear muito bem, para que o processo não seja neutralizado

A Chevron é acusada também de financiar o terrorismo em Angola, violar a Lei do Ar Limpo nos Estados Unidos e destruir florestas em Bangladesh.

No momento em que o Brasil fala em multar e investiga a ação da Chevron é importante saber que a empresa tem experiência em ações judiciais e alguns dos melhores advogados americanos.

É bom que o governo brasileiro fale em multa. Mas não é bom que o governo brasileiro fale apenas em multa. Onde está o plano de contigência, como reagimos a esse desastre, quais são as perspectivas reais de fiscalização da atividade na Bacia?

Jornais disserram que a Chevron contrata estrangeiros irregularmente na Bacia de Campos. É um caso antigo, já fizemos inúmeras comissões para examinar este problema. Não é só a Chevron que faz isso. Parece que há algo errado entre o ritmo buocrático e a da exploração do petróleo.

Era preciso um tratamento mais amplo do problema. Quem sabe o ministro Lupi resolva? Com um par de mentiras e algumas bravatas, ele consegue tudo.

A PF contratou um excalente oceanógrafo como perito, David  Zee. Mas é preciso gente que entenda da produção e seja independente. Procurá-los na Petrobrás não vale. Ela é sócia do empreendimento. A Chevron está respondendo porque tem maioria nas ações.

O pré sal até agora só tem suscitado discussões sobre o destino do dinheiro. Muitos prefeitos, no final da elaboração do projeto, chegaram a telefonar para deputados, perguntando se já havia o dinheiro.

Foi um comportamento caricato mas diz muito sobre nossa cultura política. Briga-se em torno do dinheiro e dorme-se na hora de preservar o meio ambiente.

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