O turismo continua nas mãos de Sarney. Saiu um, entrou outro deputado maranhense. Gastão Vieira é aliado de Sarney e foi secretário duas vezes, de planejamento e educação.
Na Câmara sempre atuou na área da educação. É mais versátil que Pedro Novais, o ministro que sai, mas, dificilmente, terá tempo para dominar o tema e produzir algo que o momento exige.
Quando Sarney indica um ministro, a julgar pela passagem de Novais, ele procura, entre outras coisas, dirigir recursos para o Maranhão e fortalecer sua dominação política doméstica.
Sarney vai negar que escolheu Gastão, como negou que escolheu Novais. A troca de guarda, de um aliado maranhense para outro, dá um pouco a dimensão de como o governo vê o turismo diante dos eventos internacionais que nos desafiam.
As obras de melhoria da locomoção urbana tiveram seus prazos de conclusão adiadas para dezembro de 2013. O famoso legado vai ficando para o fim. Nos aeroportos serão construidos terminais de passageiros provisórios.
Gastar tanto dinheiro apenas para gritar gol não compensa, sobretudo nesse momento em que a economia em crise pede avanços sustentáveis. E o turismo desenvolvido era um dos fatores chave da sustentabilidade nos projetos de sediar a Copa do Mundo e as Olimpíadas.
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A escolha do novo Ministro do Turismo seria uma excelente chance para levar um pouco mais a sério a Copa do Mundo e Olimpíadas. Não tem sentido um investimento bilionário sem que se tire proveito do potencial turístico do Brasil.
Mas as notícias não caminham nessa direção. O que elas dizem é o seguinte: o cargo pertence a bancada do PMDB na Câmara, embora seja cobiçado também por Sarney.
As bancadas, de um modo geral, têm uma fila de pretendentes. É assim que se ocupam os cargos de presidente de Comissão. Nem sempre o primeiro da fila conhece o tema que vai abordar.
Se o critério de substituição for apenas apontar o do primeiro da fila na Câmara, ou mesmo no Senado, o Turismo continuará sendo dirigido por gente que não é familiarizada com o setor e vai levar um tempo longo para entendê-lo.
Se houvesse sensibilidade para o momento que o Brasil vive, o da preparação de grandes eventos, e também para a importância da indústria do turismo, a escolha deveria ser muito criteriosa. É um cargo decisivo, mas, infelizmente, como tantos outros tende a ser ocupado por critérios políticos.
Critérios políticos oriundos do fisiologismo. Não deixa de ser um critério político, valorizar o investimento na Copa, escolhendo alguém que realmente contribua com o setor e projete o crescimento do turismo no Brasil, expandindo-o também para o interior, conforme prevê o Plano Nacional de Turismo. É uma outra politica
Não tem sentido criticar uma decisão ainda não tomada. Critico, no momento, apenas o método de se chegar a ela. Não está à altura do momento e das necessidades nacionais.
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O Brasil ocupa o primeiro lugar no em roteiro turístico de belezas naturais. No entanto, nosso país esta abaixo dos 50 outros países em atração de turistas. Beleza é fundamental, mas não basta.
O depoimento do Ministro do Turismo, ontem na Câmara, Pedro Novaes, 80, revelou alguns aspectos do nosso fracasso. A cidade de Barcelona recebe mais turistas que o Brasil inteiro. Havia poucos deputados na exposição do ministro e ele próprio, que não usa telefone celular, parecia perdido no tempo: ao mencionar nossa moeda, falou de cruzeiros , como se ainda estivesse naquele tempo.
Temos dois eventos importantes no calendário: Copa do Mundo e Olimpíadas. O ministro do turismo não é o problema principal, mas a infraestrutura. A decisão de atrair a iniciativa privada para os aeroportos custou a sair porque o governo sempre esteve paralisado por um dilema ideológico e não reconhecia sua incapacidade no setor.
A escolha do ministro como o atraso na modernização dos aeroportos revelam como o Brasil subestima o turismo. É contraditório com o esforço de atrair a Copa e Olimpiadas para o país. Mas as forças do governo não se importam tanto com esta contradição. Os dois eventos esportivos funcionam como um símbolo. Representam uma vitória para o governo atual, um pepino para quem vai, efetivamente, administrar os jogos e um pepino ainda maior para quem vai pagar a conta.
Com menos dinheiro e mais foco o Brasil poderia encontrar o caminho de aumentar sua renda e postos de trabalho com o turismo. Mas quem vai debater o assunto se os deputados nem conseguem ouvir o ministro, que por sua vez não consegue falar com a presidente? Surreal. O Brasil subestima o turismo aqui, mas os brasileiros são grandes clientes dos centros turísticos mundiais. Já era tempo de perceber como o turismo abre empregos e aumenta a renda dos habitantes, com um nível muito menor de poluição do que a produção industrial.
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2011