As autoridades japonesas informaram que uma outra usina, da de Tokai, está com problemas no sistema de resfriamento do reator. Esta usina tem importância maior porque é mais próxima de Tóquio: 120 kms de distância. Estamos falando muito em risco de derretimento. E é isto que está em jogo. Mas é importante registrar que o derretimento necessariamente não vai liberar muita radiação. A Agência Internacional de Energia Atômica não chega nem a reconhecer tecnicamente a expressão derretimento, que aparece nos jornais de língua inglesa como o risco de “melting down”.
De qualquer maneira, o terremoto, seguido de tsunami, no Japão ensinou que um problema grave de segurança é o funcionamento dos sistemas de resfriamento, inclusive os redundantes. A questão da redundância é fundamental em todo empreendimento complexo. O primeiro-ministro japonês, Naoto Kan, afirmou que esta é a maior crise do país, desde a II Guerra e, ontem, reconheceu que houve falhas nos sistemas que deveriam garantir o resfriamento.
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É noite no Japão e as últimas notícias sobre o vazamento radiotivo em Fukushima 1 dão mais tranquilidade. Segundo as autoridades, não houve derretimento dos reatores e o vazamento foi pequeno. A região das usinas, a 250 quilômetros de Tóquio foi atingida por um novo terremoto, de 6 graus na escala Ritcher.
Não se sabe se a explosão que derrubou o muro aconteceu no momento do novo tremor. Houve notícias de quatro pessoas feridas, possivelmente colhidas em atividade de lançar água para resfriar o reator.
Os reatores, garantem as autoridades, não foram atingidos nem houve derretimento. Por segurança, moradores da região estão recebendo um composto de iodo para se protegerem das radiações.
Há ainda muita imprecisão nas notícias. Como dez mil pessoas estão desaparecidas na vila de Minami sanrycucho, este tema passou a dominar as preocupações da noite.
As autoridades prometerem dar todas as informações sobre o perigo nuclear mas estão confiantes de que o pior já passou. Depois do terremoto, seguido de tsunami, devem ser abertas novas discussões sobre as 52 usinas nucleares no país e sua expansão.
Talvez amanhã, com segurança, já se possa realmente afirmar que não só Fukushima resistiu como todo o país se comportou bravamente diante do desastres. Em regiões sem preparo estrutural e sem treinamento da população, as mortes seriam centenas de milhares.
Pela internet, informou-se que a radio japonesa está reportando a direção do vento e sugeriu aos moradores da região de Fukushima que usem toalhas ou máscaras para se protegerem.
A mais recente notícia da área informa que três pessoas foram contaminadas pela radiação. Elas foram testadas depois de serem retiradas da área próxima à usina nuclear.
Muitas explicações ainda precisam ser dadas. Quando passará o perigo de derretimento? Há especialistas dizendo que dura 24 horas. Até que ponto a água está sendo bombeada? Se há energia para bombear água deve haver também para reacionar os resfriadores. A Tóquio Eletricidade informou que há um gerador especial para acionar o sistema de resfriamento.
A julgar pelo que leio, além da recuperação do resfriamento, eles estão jogando água do mar para evitar que o reator se derreta. Acontece que a água do mar é corrosiva e a usina já anda pelos 40 anos de idade, o que pode representar um problema a médio prazo. Ao entrar em contato com o reator muito quente a água se transforma em vapor e parece que esse vapor também significa alguma radiação.
Um dos mais capazes de falar sobre o assunto é o ex-inspetor geral da Agência Internacional de Energia, Olli Heinonen. Ele trabalhou no Japão nos anos 80 e inspecionou os reatores. Acha que é importante ganhar tempo no processo de resfriamento e se mostra preocupado com o material nuclear já usado que se encontra numa piscina, como aqui em Angra dos Reis. Este combustível também precisa ser resfriado para reduzir a radiação alfa e evitar derretimento.
Minha síntese, com toda a precariadade, é esta:
Houve uma explosão em Fukushima mas os reatores não foram atingidos. A causa mais provável de uma explosão é o hidrogênio, usado para resfriamento, mas que foi aumentado, pela dissociação de moléculas da água.
O perigo de um derretimento ainda não foi totalmente superado mas deverá ser nas próximas horas.
A aparição de tres moradores contaminados significa que sera necessário um exame mais extenso da população, quando as coisas se acalmarem.
É noite no Japão e as autoridades devem estar se preparando para um novo dia. Temos de navegar pela imprensa occidental para tentar entender o que se passa. Não é fácil. Esse é um ponto decisivo para aprender num desastre: quem informa, com que frequência e o que informa. Nesse ponto especifico do perigo nuclear é uma tarefa extremamente delicada.
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A experiência que os japoneses estão vivendo com a usina nuclesar Fukushima 1 é importante para todo o planeta, mas especialmente para os países que também têm usinas. Não é nada parecido com Chernobyl mas é um acidente que precisa ser estudado porque a sequência de medidas tomadas é um tema de estudo.
O problema segundo os jornais aconteceu num dos sistemas de resfriamento, atingido pelo terremoto. O nível de radiação esteve mil vêzes acima do normal dentro da sala de controle, oito vêzes nas imediações da usina.
As autoridades afirmam que este nível não significa danos para a saúde da população, mas no entanto, por ordem do governo, os habitantes que vivem num radio de10 quilómetros foram retirados. A radiação mais intensa sera liberada gradualmente e os ventos estão soprando para o mar, o que torna a operação mais segura.
PS: A Companhia de Eletricidade de Tóquio informou que houve problemas não apenas em Fukushima 1 mas em três das quatro unidades localizadas na costa Nordeste do país. A temperatura nos reatores é no momento de 100 graus Celsius, 212 graus Fahrenheit.
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Nos Estados Unidos é a NOAA, (Administração Nacional dos Oceanos e da Atmosfera) que acompanha mais de perto o terremoto do Japão, chamado de terremoto de Honshu, pois esta ilha japonesa foi a mais afetada. Os mapas da NOAA são feitos para indicar hora de chegada, altura da onda e área de inundação, após o tsunami. Mas podem informarr outras coisas também ,como o mapa que foi lançado há algumas horas atrás, indicando o roteiro do tsunami pelo Pacífico
A NOAA opera dois centros de alarme e um centro internacional de informações sobre tsunami. Num dos textos de informação afirma que um tsunami não pode ser evitado, mas os efeitos do desastre podem ser atenuadas com alarme e preparação das comunidades costeiras.
Um dos grandes sonhos é ter um organismo desse tipo no Brasil. Sem subestimar o trabalho da Marinha, era hora de investir em ciência e tecnologia para monitorar os oceanos. Pode se argumentar que os grandes desastres acontecem no Pacífico. Isto talvez seja válido para a experiência natural. O Atlântico é objeto de muita exploração de petróleo e é muito arriscado considerá-lo uma área livre de desastres.
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<Este tsunami é hoje a grande preocupação mundial. Foi feita um alerta para o Pacífico e lugares com o Havai estão de prontidão. Da última vez que houve alerta de tsunami no Havai as coisas funcionaram bem e a força das ondas não foi tão grande. Espera-se um mar agitado em Mavericks na Califórnia e, certamente, também no México.

Talvez seja um bom momento para ler A Onda, de Susan Casey, recentemente lançado no Brasil pela Zahar. O livro acompanha surfistas de ondas grandes mas tem um contato com a ciência, pois Susan Casey entrevistou físicos geólogos e oceanógrafos. Segundo o livro, ondas de até 30 metros, antes consideradas impossíveis, hoje são frequentes objeto de estudo e levam destruição a inúmeras comunidades costeiras. Mesmo focalizando um grupo de surfistas de ondas grandes, como Laird Hamilton, o livro de Casey é mais do que um relato emocional, ele se inscreve na crescente curiosidade pelos oceano, nova fronteira do conhecimento e também da economia.
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2011