O Ministério da Saúde divulgou , ontem, que 40.610 pessoas morreram em acidentes de trânsito, em 2010. Um quarto das vítimas usava motocicleta.
Segundo a notícia no Estadão, as vítimas fatais em acidentes de moto triplicaram de 2002 a 2010. Eram 3744, no princípio da década, e agora foram 10143.
Fui motociclista nas ruas do Rio e de Brasília, agora uso apenas bicicleta. Mas vejo, nos exames realizados pelo Detran,na Lagoa, que cresce muito o número de motociclistas. É um transporte de rápido, barato e sem problemas de estacionamento.
Em muitos morros do Rio, em quase todas as grandes cidades do Nordeste, milhares de jovens usam a moto como taxi. Em São Paulo o contingente de motociclistas é visível nas ruas, assim como o visível o perigo que correm e que transmitem a todos os outros atores no trânsito urbano.
É muito difícil conduzir um debate sobre segurança no trânsito e motocicletas. A começar pelas grandes produtoras. Nos EUA elas criam institutos e, através deles, fazem campanhas de segurança.
Aqui no Brasil, apesar do vigor do mercado, não vejo nenhum movimento das produtoras. O Código Nacional de Trânsito,de cuja discussão participei, também não produziu grandes novidades sobre motos.
O número de motocicletas cresce, sobretudo em algumas áreas mais pobres em que quase ninguém usa capacetes .Não há fiscalização.
No caso do Rio, há um dado alarmante: um grupo de hospitais construidos para servir, em caso de acidentes, à uma grande via de acesso, a Avenida Brasil, não tem neurocirurgião. Como não há helicópteros disponíveis, as fraturas de crânio tornam-se mais letais.
É muito possível que isso aconteça em outros hospitais espalhados pelo Brasil. Estamos diante de dados alarmantes, que tendem a crescer. Temos apenas o número de mortos. Não sabemos quantos poderiam ter sido salvos.
Tantas negociações sobre o Iraque e Afeganistão e nenhuma sobre o trânsito brasileiro que está matando 40 mil pessoas por ano. Os números são trágicos, a apatia um escândalo.
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O número de vitimas fatais em desastres com motocicleta aumentou 753,8% , em apenas uma década no Brasil. Considerando os desastres fatais com todos os veículos, o aumento foi de 23,9%. Cerca de 38.273 pessoas perderam a vida no trânsito, entre 1998 e 2008.
Os dados da pesquisa foram divulgados pelo Instituto Sangari e revelam um crescimento histórico de mortes, sobretudo entre motociclistas. Em 1998, essas mortes representavam apenas 3,4% do total. Hoje, representam 23,4%. Na verdade, como a pesquisa foi concluída em 2008, esses índices podem ter aumentado.
O balanço mostra também que , em algumas unidades da federação, a morte de ciclistas está acima da média nacional. O importante da pesquisa é o mapeamento que indica o que está se passando em cada cidade. Em Picos, no Piauí, o índice de mortes fatais dos motociclistas é de 43,8/100 mil.
O quadro pode ser pior do que o estudo revela porque há muita imprecisão nos dados encaminhados ao Ministério da Saúde. Cerca de 20 por cento das notificações de mortes no trânsito não especificam o veículo.
Há muitos anos , defendo a ideia de envolver a indústria de motocicletas num trabalho de segurança no trânsito. Nos Estados Unidos, as empresas criaram um instituto para debater e propor saídas. Aqui, ainda não foram envolvidas pelo governo que, por sua vez, não fiscaliza adequadamente.
Por dezenas de lugares por onde ando, motociclistas e caronas viajam sem capacete e não são advertidos.Às vezes ao passar por eles, dá vontade de fazer um sinal chamando a atenção para o capacete que falta.
Esses dados indicam uma dinâmica, o crescimento espantoso da morte entre motociclistas. Em números absolutos, os pedestres atropelados ainda superam todos os outros: 9.474 pessoas.Já entre os motociclistas, registram-se 8.939 mortes
A revelação desses números pelo Globo deveria levar a algumas propostas. Há coisas elementares: Campina Grande, na Paraíba, apresenta o maior número de mortos por atropelamento, 53,7 para cada 100 mil habitantes. Por que não começar pelas mais destacadas? Pode ser que as lições ajudem no âmbito nacional.
As seguradoras deveriam também ser envolvidas nesse processo. Só de seguro obrigatório, em 2010, foram pagos pouco mais de R$2 bilhões e 60,7% dessa soma do DPVAT(Danos Pessoais Vitimas de Acidente) foi destinado a vitimas de acidentes de moto.
Tudo indica. pelo exame dos números, que o problema cresceu . E a resposta continua inexpressiva.
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O DETRAN anunciou que a cidade de São Paulo ultrapassou a marca dos 7 milhões de carros. E para cada novo carro emplacado, aparecem cinco motos: elas cresceram 118 por cento numa década, e hoje devem estar em 800 mil, já representando 18 % dos casos de atropelamento.
São duas questões interligadas. O número de motos tem crescido também em função do congestionamento no trânsito. Basta dar uma olhada nas áreas onde se fazem os exames dos futuros pilotos. Há muita gente querendo pilotar motos, muitos porque encontram nela também um meio de sobrevivência.
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2011