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15.setembro.2011 22:10:31

Dalai-lama em dia atípico

Escrevo no aeroporto de Congonhas, depois de um dia acidentado. O Dalai-lama chegaria ao hotel no WTC às 12 horas para falar às 14h30m. Ele chegou às 16h30m.

O avião atrasou e para simplificar tentaram trazê-lo de helicóptero. O tempo fechado obrigou o helicóptero a voltar.

Além desses transtornos, houve um muito mais grave na Rodovia dos Imigrantes: um choque envolvendo 300 carros, talvez o maior da história, pelo menos no Brasil.

Dalai-lama ao encerrar a palestra em SP.(foto FG)

O Dalai-lama acorda às 4h da manhã e costuma se recolher com o por do sol. Ele estava cansado mas respondeu perguntas da platéia.

A palestra era dedicada a empresários e o Dalai-lama enfatizou a importância dos valores nos negócios. Perguntou se havia alguém da indústria de armamentos. Não havia.

Seu discurso na Cidade do México foi voltado para uma proposta de desmilitarização planetária. Acontece que algumas guerras estão em curso, outras  no pipeline.

Seria bom saber como ele vê a transição. Mas o discurso religiosa não tem tanta necessidade de mediações. Isso é coisa da política e ele acaba de se desvencilhar de suas tarefas políticas. No rápido diálogo que tivemos perguntei se estava feliz com sua nova condição, de ser um simples monge.

Combinei com Lia Diskin uma entrevista de 20 minutos, mas senti que estava muito cansado. Tem 76 anos, acordou às quatro da manhã, pegou um longo atraso no avião e uma viagem abortada de helicóptero. Hora de descansar.

No aeroporto de Congonhas mudam muito de portão de embarque. Vou guardar o computador na mochila. Não vou mais abri-lo hoje porque a todo instante quebram seu ritmo e além do mais há o perigo de perder o avião. Verei as imagens do desastre  nos jornais noturnos da televisão.

 

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15.setembro.2011 10:39:46

O Dalai-lama no Brasil

O Dalai Lama começa hoje sua quarta visita ao Brasil. Lembro-me da primeira, em 1992, durante a Conferência do Meio Ambiente.

Foi uma batalha. Os chineses pressionaram para que só recebesse o visto, quando a delegação oficial saisse do país. Isso significava excluir o Dalai-lama da conferência e dos debates alternativos, que aconteceriam no Aterro do Flamengo.

Nesta quarta viagem, há uma novidade. O Dalai-lama abriu mão de suas funcões políticas. Transferiu-as para um exilado tibetano que estudou em Oxford e é filho da primeira geração de tibetanos que buscou refúgio no norte da Índia, em Dharamshala. O nome do tibetano que responde hoje pelo governo no exílio é Lobsang Sangay.

Apesar de ter se livrado de suas funcões políticas, o Dalai Lama ainda é objeto de pressão chinesa . Na Argentina, duas medalhas seriam dadas a ele, uma pelo governo federal, outra pela prefeitura de Buenos Aires. Foram canceladas por influência dos chineses.

Alguns tibetanos no exílio resistiram à saída do Dalai- lama. Queriam que prosseguisse, pelos menos, cumprindo algumas funções políticas rituais , como fazem os reis numa monarquia.

Com o humor de costume, o Dalai- lama teria contestado: só se vocês me derem uma rainha.

Ele se diz mais leve por ser apenas o que sempre quis: um simples monge budista. Infelizmente, a política está presente em tudo, no Tibete ocupado pela China. Até a sucessão do Dalai -lama, que hoje tem 76 anos, é motivo de grandes disputas.

Os chineses inventaram um successor, Gyaltsen Norbu, hoje com 21 anos, e querem impingi-los aos tibetanos. O successor apontado pelos líderes religiosos tibetanos Gedhun Choekyi foi raptado e desapareceu quando tinha cinco anos.

Estive com o Dalai- lama em algumas de suas visitas ao Brasil. Talvez vá a São Paulo para vê-lo  e entrevistá-lo. Nesse caso, o novo post sairá no princípio da noite.

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Aos 76 anos , o Dalai Lama anunciou que vai renunciar às suas funcões políticas e dedicar-se apenas ao trabalho espiritual. O anúncio do Dalai Lama acontece em 10 de março, dia em que se comemoram os 52 anos da rebelião tibetana, em 1959, sufocada, como tantas outras manifestações, pelos chineses.

O Dalai Lama esteve três vezes no Brasil e sua liderança, embora aceita por todos, foi questionada por alguns jovens tibetanos que queriam ações mais radicais pela independência do país.

Dalai Lama deixa a política mas segue líder espiritual

Acontece que a dominação chinesa não é fácil de superar. A China tornou-se uma potência econômica respeitada, importando comida e matéria prima e inundando o mundo com seus produtos industriais. A tática chinesa no Tibete foi a de povoar o país e enfraquecer a população nativa. Além disso, as visitas ao Tibete são controladas e os países que recebem o Dalai Lama sempre sofrem alguma restrição chinesa.

Lembro-me na Conferência do Meio Ambiente, em 1992, quando a China exigiu que o Brasil desse o visto de entrada para o Dalai Lama apenas quando seu representante tivesse deixado nosso país. Isto significava a ausência forçada do Dalai Lama no evento paralelo no Aterro do Flamengo. Foi preciso brigar para que entrasse a tempo.

Ultimamente, o Dalai Lama não falava mais em independência do Tibete. Queria apenas um estatuto especial, para que a cultura e religião tibetanas pudessem florescer. Ele afirma que não está desanimado e citou a rebelião nos países árabes como algo inspirador para todos que lutam pela democracia.

O governo tibetano no exílio está em Dharamshala na Índia. O Dalai Lama, embora viaje sempre, deverá continuar por lá. No caso tibetano, a liderança espiritual tem um peso muito grande e ele deverá ser influente e decisivo pelo resto de sua vida.

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