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20.março.2011 14:10:01

Boa notícia no Japão

Hoje seria dia de falar das dificuldades da reconstrução japonesa. Mas as notícias sobre Fukushima não são boas. O reator 3 está com a pressão alterada o que causa preocupação em todos. O Japão terá que desativar Fukushima, isto é certo. Mas provavalmente terá de sepultá-la, como aconteceu em Chernobyl. As próximas horas vão indicar o caminho.

No meio de tanto sofrimento, algo luminoso: uma mulher de 80 anos foi resgatada com vida, depois de passar nove dias sob os escombros de sua casa, em Ishonamaki. Seu neto de 16 anos também escapou.

Nove dias sob os escombros

O processo de reconstrução não sera fácil, nem pode ser explicado com psicologia popular, do tipo vontade de superação. Cientistas que trabalharam em muitos desastres dizem que as pessoas ficam muito abaladas e constataram que o abalo é mais facilmente absorvido quando o desastre é natural.

Quando há implicações industriais, processos, o ressentimento aumenta. Eles prevêm até crise de identidade em quem perdeu tudo e terá de deixar seu espaço com a roupa do corpo. E a velha geração japonesa constitui um caso à parte, porque não se queixa de problemas psicológicos. Só começará a ser atendida, como aconteceu no terremoto de Kobe, quando sentir sintomas físicos.

O caminho para atender às vítimas de desastres é muito delicado de traçar. Se houve descaso, o abandono agrava a situação, excesso de cuidado transforma as pessoas em vítimas profissionais, afirmam alguns especialistas.
Certamente, os japoneses encontrarão o tom.

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Apesar da distância, algumas conclusões lógicas sobre o drama nuclear no Japão acabaram se impondo. Para começar, aquele anúncio dos helicópteros jogando água nos reatores foi suspenso. O helicóptero iria navegar numa nuvem de fumaça radioativa e o espaço aéreo de Fukushima estava proibido aos aviões que, teoricamente, estariam menos ameaçados. Pelo menos a tripulação do helicóptero foi salva do equívoco.
Dois importante pronunciamentos nesta quarta-feira. O primeiro é de Yukio Amano, japonês e diretor geral da Organização Internacional de Energia Atômica, que se disse insatisfeito com as informações que saem de Fukushima. Além ser japonês diretor da mais importante agência do setor, Amano foi um dos cientistas que trabalharam na construção de Fukushima. Achei estranho que ele só vá agora ao Japão, mas antes tarde do que nunca.
Outra manifestação importante foi do diretor da agência estatal russa que cuida do nuclear no país, Sergei Kiriyenko. Na sua opinião a batalha está sendo perdida e deve se esperar o pior. Com informações tão imprecisas não dá para assinar embaixo. Reafirmo apenas que os dados indicam que os japoneses perderam o controle dos acontecimentos nos reatores 2 e 3 e estão tentando esfriar a piscina do 4.
Steven Chu, o prêmio Nobel de Física que é Ministro de Eenergia nos Estados Unidos, admitiu numa palestra que houve derretimento parcial nos reatores mas se recusou a especular sobre o futuro de Fukushima.
A presença do diretor da AIEA no Japão é importante porque torna-se necessária uma informação precisa sobre o que se passa. Não procedem, pelo menos no momento, os temores de uma contaminação mundial. A calma é a attitude correta mas a melhoria do nível de informação é que vai sustentar esta calma.

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Informações são vitais num desastre nuclear. Em Chernobyl foram negadas pelas autoridades. Na França, o governo da época mentiu, afirmando que a nuvem radioativa iria parar na fronteira do pais.
O Japão mantém um fluxo de informações mas ainda assim a opinião pública não está satisfeita com elas. Já havia reclamado aqui, inúmeras vezes das informações da Tóquio Eletricidade e do porta-voz do governo, Yukio Edano.
Leio agora que há uma campanha contra Edano no twitter japonês. Os japoneses querem informações mais precisas, sobretudo em Tóquio, onde uma eventual retirada da população seria muito mais complexa do que na área ao redor de Fukushima.
Por outro lado, o que se quer saber, isto é qual o nível de derretimento nos reatores não é muito fácil de checar. Os únicos índices que orientam o processo, nesse momento, são os que medem o nível de radiação.
O grupo de 50 funcionários foi retirado da usina e depois recolocado porque a radiação subiu e depois desceu a níveis suportáveis. Quando escrevo níveis suportáveis lembro-me dos inúmeros debates sobre dose mínima que travamos no passado. Qual é mesmo a dose mínima? Ela é mínima para todas as pessoas indistintamente? Ela é mínima para todos os ambientes?
Deixando de lado os debates do passado, avaliando apenas o que chega do Japão, a impressão que tenho é de que a batalha contra o resfriamento está sendo perdida. Espero que seja apenas impressão. Aquela história de usar helicópteros para jogar água era um indício de desespero. A retirada permanente dos trabalhadores seria um pouco como jogar a toalha. Mas é uma grande responsabilidade deixá-los lá, a partir de certos níveis de radiação.
O problema com a Tóquio Eletricidade e com Yukio Edano é que não precisam informações vitais. Falam-se em buracos de oito metros de diâmetro no prédio do reator 4. Os buracos teriam sido provocados pela explosão de hidrogênio. Era preciso explicar o que significam em termos de segurança. Na transmissão da Globo, falava-se que iam usar bombeiros para injetar água nesses buracos. Incompreensível. Ontem à noite uma grande fumaça branca saia do reator 2, possívelmente o vapor liberado para evitar explosões.
Não há se estabelecem os nexos entre as liberações constantes de vapor e as alterações no nível de radiação. Pode ser por causa disso que o nível de radiação sobe desce em torno de Fukushima. Nesse caso, as elevações seriam previsíveis pois a liberação do vapor é voluntária.
Algumas autoridades francesas já classificam o desastre como de nível 6, próximo de Chernobyl.Mas a usina ucraniana produzia menos que Fukushima. Se houver mesmo derretimento total, a usina japonesa tem um fator agravante pois será liberado mais material radioativo por mais tempo. Um outro fator agravante em Fukushima é a densidade populacional maior que Chernobyl. Na Ucrânia, as pessoas foram retiradas num raio de 30 quilômetros e os efeitos da radiação se fizeram sentir a 140 quilômetros.

Imagem pós terremoto, tsunami e vazamento nuclear


Há outros fatores em jogo como a direção dos ventos. O aumento da radiação em Tóquio pode ter sido provocado pela situação dos ventos. Espera-se que soprem nesta quarta-feira para o oceano. É menos problemático em termos humanos mas não é neutro em termos ambientais. Parodiando John Donne para quem nenhum homem é uma ilha, é possível afirmar que nenhum vazamento é uma ilha- tem repercussões planetárias, embora em alguns lugares remotos a radiação seja insignificante.

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Enquanto um terceiro reator apresenta problemas em Fukushima, a Suiça e Alemanha decidiram, hoje, iniciar a revisão de sua política nuclear. Deu no El País que a Alemanha vai encurtar prazos de funcionamento de usinas e a Suiça suspendeu todos os procedimentos em curso, até que tenha uma visão melhor do que se passou no Japão.

A Europa ocidental é o espaço mais sensível à questão nuclear, uma vez que foram grandes os movimentos de protesto no passado e os partidos verdes, em alguns dos seus países, têm importância eleitoral.

Esta resposta imediata da Europa era esperada, mas o foco continua no Japão. Um terceiro reator apresentou problemas nesta segunda feira e suas varetas de combustível estão expostas. No post anterior, falei um pouco sobre essas varetas, que são mais parecidas com tubos. O perigo de explosão é causado pelo hidrogênio e o derretimento do núcleo do reator poderia liberar radiação. O quanto seria liberado, ainda é uma dúvida. Há quem, como a matéria de agora do New York Times, use o adjetivo catastrófico para falar dessas radiações. Mas há também quem ache possível uma consequência mais branda.

Com problemas em suas estruturas antigas, cheias de corrosiva água do mar, o Japão talvez tenha que dar adeus a essas usinas. O problema no caso do nuclear é que o adeus, mesmo com a usina parada, dura anos.

O monitoramento continua na área das usinas.(foto AP)

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14.março.2011 08:41:03

E se o Japão fosse aqui?

A notícia de mais uma explosão numa das usinas nucleares de Fukushima é esperada por alguns técnicos. Mas ao surgir nas manchetes dos jornais internacionais, ela vai impulsionar o debate sobre energia nuclear, sobretudo na Europa. A Comunidade Européia, segundo o El País, já convocou os principais construtores de usinas e também técnicos numa tentativa de extrair as lições da crise.
O que aconteceria conosco se fóssemos ssubmetidos a um terremoto e um tsunami? Muitos países já se fazem esta pergunta. Os japoneses têm recursos, tecnologia e motivação. Em alguns países ricos essas três características estão presentes? Sem motivação não se fazem nem as simulações adequadas para o treinamento. O Papa Bento XVI resumiu, na sua fala de ontem, as características do povo japonês que deveriam inspirar todo o mundo: coragem e dignidade na tragédia.
Lendo aqui e ali notícias desencontradas sobre o drama nuclear japonês, cheguei a conclusão de que somente o terremoto não abalaria o sistema de Fukushima, embora já tenha 40 anos. Os geradores de reserva estavam nos porões do edifício e foram submergidos pelo tsunami.
A decisão de usar água do mar para tentar resfriá-los era a única possível, uma vez que não havia eletricidade regular nem geradores de reserva. Acontece que esta opção tem um custo. Numa estrutura de 40 anos a capacidade corrosiva da água do mar pode decretar o fim da sua vida útil.
Outro aspecto importante é que ao jogar a água no interior da usina, a produção de vapor é muito rápida e não dá tempo para continuar apenas jogando água: é preciso liberar um pouco do vapor para atenuar a pressão.
Alguns especialistas entrevistados pela imprensa internacional temem que os vazamentos continuem ainda por muito tempo. As explosões estavam previstas pelo acúmulo de hidrogênio. As varetas ou tubos do reator são feitas de uma liga de zircônio que, sob grande estresse, libera hidrogênio. Possívelmente, as molecúlas de água também passaram por um processo decomposição, acrescentando hidrôgenio.
Alguns jornais do mundo tentam comparar as usinas nucleares de seu país com as japonesas. O New York Times publica um artigo mostrando que os riscos das usinas americanas são parecidos. Algumas usinas de construção francesa e alemã, assim como as japonesas, costumam trabalhar com um combustivel chamado de óxido misto, mox, no qual o plutônio usado passou por alguma reciclagem, o que o torna os vazamentos mais tóxicos.

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Nesta manhã de domingo foi confirmada a ameaça de derretimento de dois reatores em Fukushima, localizada a 250 kms de Tóquio. Quem está falando pelo governo é o chefe de gabinete Yukio Edano. Os dois problemas mais confusos foram solucionados.
A explosão que atingiu Fukushima 1, ao contrário de algumas informações iniciais atingiu o reator, destruindo suas estruturas externas mas, segundo Edano, sem danificar sua couraça metálica. O procedimento tem sido o usar água do mar para evitar que derreta.
Foi resolvida aí a primeira dificuldade. Segundo a avaliação de alguns analistas, a explosão teria atingido o prédio das turbinas. Mas ao informar que a parte externa do reator foi destruida e que o revestimento metálico resistiu, Yukio Edano admite que a explosão foi mesmo no reator e não nas turbinas.
Os problemas no segundo reator aconteceram, ao que tudo indica, depois da explosão, provocada pelo hidrogênio. Algumas notícias já falam em dificuldades em três reatores. Portanto, não sera surpresa se as tentativas de conter o processo distribuam-se agora por três dos seis reatores de Fukushima.
O que não entendi ainda é a situação dos outros reatores ser tão grave como a do primeiro e terem a mesma chance de derretimento. As usinas atômicas foram desativadas após o terremoto. Os problemas de resfriamento se concentravam na Fukushima 1. Isto dava a entender que as outras usinas do complexo também, desligadas continuavam se resfriando normalmente.
As notícias de sexta-feira indicavam que a temperatura no reator de Fukushima 1 era de 100 graus Celsius, 212 Fahrenheit. Ninguém mencionava a temperatura dos outros reatores, na presunção de que seguiam o rumo normal do resfriamento.
A radio japonesa continua instruindo as pessoas que ainda estejam na região a usar toalhas e máscaras, assim como começam a ser distribuidas pastilhas de iodo, para prevenir câncer da tiroide, a glândula que fica na frente da laringe e produz hormônios que regulam o metabolismo.

Cerca de 160 contaminados: monitoramente continua.(foto AP)

É muito cedo para analisar o que houve realmente no campo nuclear. Os outros desastres, em Chernobyl e Three Mile Island, aconteceram isoladamente. Este se dá num contexto de terremoto , é apenas um dos problemas enfrentados. Há muita coisa para atacada do mesmo tempo. Como diz o analista Andrew Revkin, no New York Times, o Japão tem três atributos que o capacitam, mais que os outros, a enfrentar esses problemas: riqueza material, domínio da tecnologia e motivação.

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De um modo geral, escrevemos para infomar. Mas às vezes, a situacão é complicada. Daí, estar fazendo perguntas que são meu intinerário para entender e explicar este desastre nuclear.

A notícia que o sistema de resfriamento da usina Fukushima 3 também está com problemas e a admissão da possibilidade do núcleo do reator derreter colocam dado preocupante.Hesitei algumas horas em falar desta notícia porque me parecia incompreensível. Se o sistema de resfriamento não funcionava na terceira usina do complexo por que anunciar só agora? Se o problema surgiu depois, por que só depois?
No caso de Fukushima 1 já houve várias notícias sobre o uso da água do mar para resfriar o reator e a recuperação das baterias que movem os geradores de reserva. A certeza de que o problema estava superado só não veio ainda porque há um prazo de 24 horas para se considerar esta batalha vencida.
No caso de Fukushima 3 que, segundo o El País e o noticiário do Jornal Nacional, pode estar derretendo, a surpresa é grande. Se o sistema de resfriamento caiu desde o princípio e os esforços estavam concentrados em Fukushima 1, as possibilidades do reator da Fukushima 3 derreter são muito maiores.
Não acho possível esta hipótese. Pode ser que a explosão de sábado tenha afetado Fukushima3. Mas se o sistema de resfriamento caiu só agora, as chances de derreter são menores porque todas as usinas foram desligadas após o terremoto. Teoricamente, Fukushima 3 estava se resfriando de forma normal, mesmo após o desligamento. O sistema de resfriamento da terceira usina teria caido 48 horas depois de ter caido o de Fukushima 1 d, portanto a temperatura de Ukushima 3 deveria estar mais baixa.
Ou as informações são imprecisas ou algo grave está acontecendo. Vamos esperar as primeiras noticias de domingo sobre o Japão. E torcer para que o país possa se concentrar na reconstrução.

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Uma explosão na usina nuclear de Fukushima foi confirmada, hoje, pelas autoridades japonesas. A explosão, que atingiu o teto e derrubou muros laterais aconteceu às 15h40m de sábado, hora do Japão.
Ao que tudo indica, aumentou o nível de radiação em torno das quatro usinas, todas já desativadas. A a retirada dos moradores será feita num raio de 20 quilômetros. A decisão inicial foi a de retirar moradores num raio de três kilômetros. O governo decidiu aumentar para 10 quilômetros e agora a distância é de 20 .
Na noite de ontem, para o Brasil, discutia-se apenas o problema da pane no sistema de resfriamento. A temperatura no reator de Fukushima 1 era de 100 graus Celsius, 212 Fahrenheit.
É surpreendente a notícia de uma explosão pois, ao que tudo indica, ela não decorre da pane no sistema de refrigeração. Mas pode ter sido um resultado dele. O temor que a alta temperatura produzia era o de um derretimento do reator.O que as autoridades japonesas admitem como provável.
Mas numa situação como esta, as informações são dificeis pois não há apenas o problema nuclear em jogo, mas todas as consequências de um terremoto de 8,9 graus na escala Richter,seguido de um Tsunami.

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