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Na véspera de uma importante audiência na justiça de Nova York, a expectativa de liberação de Dominique Strauss Khan, ex-diretor do FMI, cresceu. Matéria do New York Times afirma que os investigadores já não confiam muito no depoimento da vítima.

O que levou a essa reviravolta? A manchete do Le Monde de hoje admite que Nafissatou Diallo, a camareira do Sofitel, tem uma história com muitas lacunas.

Foto de Nafissatou publicada na França

Os reporteres franceses descobriram que o homem que se apresentava como irmão dela, nas entrevistas, mentia. Ela veio da Guiné, ele é senagalês.

Mas o que mais preocupou a polícia americana foram os laços de Nafissatou com o tráfico de drogas. Em dois anos, cerca de US$100 mil dolares foram depositados em sua conta por pessoas suspeitas.

Telefonemas da camareira para um presidiario, pedindo instruções sobre o comportamento, também foram gravadas. A polícia acha também que houve relação sexual entre a camareira e o diretor do FMI.

Com tudo isso, cresceu a possibilidade, admitida até pelos investigadores, de cair a prisão domiciliar hoje e de o processo contra Dominique Strauss Khan se encerrar.

Dominique Strauss Khan deve deixar prisão domiciliar

PS: Como previmos no post matinal, a prisão domiciliar foi relaxada.

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21.maio.2011 23:43:34

A França no divã

Strauss Kahn rima como divã. A França não parou de discutir o caso do diretor do FMI, favorito na eleição presidencial, preso em Nova Yorque sob acusação de ataque sexual contra uma camareira.

Le Monde publica um artigo distanciando-se da onda nacional de críticas à justiça americana, pela maneira com que tratou DSK, como é chamado nas manchetes dos jornais.

O jornal afirma que os acontecimentos estão sendo uma lição de democracia e ressalta a independência dos procuradores que dependem de voto para se manter no cargo.

Cyrus Vance Jr

A proximidade da justiça e do poder político na Franca faz com que a desenvoltura americana pareça estranha. Para o Le Monde, a França ainda precisa percorrer uma grande distância para adote a cultura de contrapoderes ativos.

Por seu lado, as faministas lançaram manifesto com 1800 assinaturas deplorando a onda de machismo que surgiu, mesmo entre intelectuais, no bojo da defesa de Dominique Strauss Khan,em debates e declarações públicas.

Enquanto a França discute, a batalha legal em Nova Iorque tende a ser uma das mais intensas. O procurador Cyrus Vance Junior, cujo pai foi secretario de estado do governo Jimmy Carter, é o responsável pelo caso. É o processo mais importante de sua carreira e os conhecidos garantem que lutará com todas as forças.

No front da defesa, todas as forças já se colocam em campo. Dominique Strauss Khan contratou uma empresa de segurança e inteligência para ajudá-lo. Nela há antigos policiais, um antigo diretor de segurança da IBM, ex-agentes da CIA, enfim um grupo que vai gerir sua crise e fazer um pouco mais.

DSK, com a mão na parede, numa reunião do FMI.(France Presse)

A empresa contratada por Dominique Strauss Khan também vai investigar a vida da camarareira.. Um agente cobra US$800 por hora de investigação. Supondo que sejam quatro, a hora custará US3.200 reais.

Segundo os cáculos do jornal Le Figaro deve gastar US$500 mil só esse aspecto da defesa. A busca na vida de Ofélia, este é o nome que ela tinha no Sofitel, vai procurar situações de sua trajetória que possam abalar a credibilidade de seu depoimento.

Um grupo de investigadores está partindo para a Guiné, segundo os jornais franceses. O resultado dessa busca é que dará o tom da defesa. Se não houver nenhum arranhão na credibilidade da camareira, Dominique Strauss Khan pode se declarar culpado de alguma coisa; se não houver algo negativo,a defesa argumentará que ela já mentiu antes e afirmará inocência do acusado.

É um esquema poderoso que vai encontrar pela frente um procurador com reputação de competente e um departamento com 500 funcionários.

Apesar de sua vida pessoal ter sido revolucionada, não só pelo ataque sexual. mas pelas circunstâncias do agressor, célebre e poderoso, a camareira não está só.

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A imprensa já está dando os primeiros passos para traçar o perfil da camareira do Sofitel que acusa Dominique Strauss-Khan de agressão sexual.

A audiiencia em Nova York.(France Presse)

Seu nome não é Ofélia, como disseram alguns jornais, mas sim Nafissatou Diallo. Ela não veio de Gana, como se disse antes, mas da Guiné, precisamente da cidade de Labé.

Os dados são revelados pela revista Slate África e estão no site da Slate francesa, www.slate.fr. Segundo a revista, ela veio acompanhando o marido um comerciante de Guiné e com a separação nos EUA, passou a cuidar da filha de 15 anos.

Encarregado de representar a família, o comerciante da Guiné, Mamadou Cherif Dialo, declarou à Slate:

-“É uma boa muçulmana. Ela é muito bonita como muitas mulheres de etnia Peule(40 por cento da população da Guiné) Dominique Strauss-Kan atacou a pessoa errada.”

Nenhum organismo oficial confirmou esta revelação porque a polícia de Nova York está dando proteção à camareira, exatamente para evitar o assédio dos meios de comunicação.

A imigrante da Guiné tem a green-card permissão para trabalhar nos EUA. Ela não vota nem participa de política, segundo seus parentes.

A Guiné fica ao sul do Senegal e da Guiné-Bissau. O país disse não aos franceses, proclamando a independência em 1958, quando De Gaulle retirou funcionários e equipamentos, em represália.

Presidida, desde dezembro, por Alpha Condé, a Guiné está negociando uma saída com o FMI para seus problemas financeiros.

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Numa entrevista ao jornal francês Le Figaro, o criminalista novaiorquino Evan Barr, de um escritório que já tratou de casos semelhantes, faz uma previsão do curso do processo que envolve o diretor do FMI, Dominique Strauss-Kahn.

Se suas previsões forem confirmadas, vai ser uma longa batalha. Como se defende uma pessoa com recursos e uma dupla de advogados especializados, como William Taylor e Benjamim Brafman, contratos por DSK?.

Na previsão de Evan Barr, os advogados vão designar peritos próprios para conferir todos os exames de DNA. É provável que contratem um detetive particular para levantar todos os dados sobre a camareira. E que ouçam todos os funcionários do hotel que possam dar alguma informação que sirva à defesa.

Strauss Kahn contratou advogados de Michael Jackson

Qual seria a alegação? Evan Barr acredita que que nesses casos, é mais raro se declarar inocente. A tendência é afirmar que houve um mal entendido e que a relação parecia consensual.

O argumento não será suficiente, pois nos Estados Unidos uma relação pode começar de forma consensual e se tornar uma agressão, se um dos envolvidos se recusar a segui-la. Barr cita o caso do jogador de basquete Kobe Bryant que conheceu uma garota, convidou-a para seu quarto e ainda assim foi processado por agressão sexual.

A última hipótese é esperar que a camareira mude sua versao mas dependeria mais dela pois a defesa , se tentar negociar, corre o risco de estar exercendo pressão.

Na opinião de Barr, a tendência, a julgar pelos advogados, sera a de confessar alguma culpa e reforçar a idéia de um mal entendido cultural.

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Dominique Strauss Kahn corre o risco de ser condenado a 25 anos de prisão nos EUA por prender e tentar violentar uma camareira, na suíte do Hotel Sofitel em. Nova York.

A decisão da juíza Melissa C. Jackson de mantê-lo preso foi tomada com o argumento de que poderia tentar escapar. Mas a verdade é que o relatório dos especialistas nesse tipo de crime já indicam que ele pode ser o culpado.

DSK na audência onde foi negada fiança.(France Presse)

A preocupação da policia é de que, numa fuga, ele leve no corpo os vestígios do crime, tais como fragmentos de unhas e outras minúsculos marcas corporais, decifráveis através de um exame de DNA.

O debate na Franca continua intenso. O pais não tem tratado de extradição com os Estados Unidos e alguns teóricos se interrogam sobre os escândalos sexuais nos EUA. O sociólogo Eric Fassin, que escreveu um livro sobre sexo e política nos EUA defendeu, em artigo do Le Monde, que os escândalos sexuais não tem mais a mesma importância na política americana.

Ele demonstrou sua tese, lembrando do exemplo de Arnold Schwarzenegger, em 2003, quando se disputou o governo da Califórnia. Foi acusado de machista e agressor sexual mas as acusações caíram no vazio.

Para Fassi, os escândalos sexuais, normalmente atribuídos ao puritanismo norte-americano, só começaram a ter peso depois do processo de Watergate.

Depois de 2000, passaram a seguir uma nova lógica, concentrando-se nas denúncias de homossexualismo. Os escândalos heterosexuais passaram a ser tratados mais na esfera judiciária que política.

Como excessão, ele cita o caso de John Edwards que teve relações fora do casamento e sua mulher sofria câncer. John Edwards perdeu a chance de se candidatar à vice-presidência.

O sociólogo Eric Fassi cita ainda os casos de Mark Sanford que tinha amante mas foi pego porque sumiu uma semana, abandonando suas tarefas oficiais. E o de Elliot Spitzer, governador de Nova York, que fazia campanha contra a prostituição mas utilizava o serviço de prostitutas.

Mas a sensação do pesquisador no tema é que os escândalos continuam a acontecer mas não são mais políticos, não definem a cultura americana.

A conclusão que ele tira é a de que os escândalos sexuais são agora tratados como um fato da sociedade e não mais como uma busca da verdade imposta pela imprensa. Isto significa que os acusados são tratados de uma forma comum, presos em celas onde estão outros agressores, e não há nenhum tipo de imunidade política que possa salvá-los.

O sexo é simplesmente uma questão de justiça e tratado à luz da justiça ordinária e do direito comum.
A descrição do tratamento que Straus Kahn teve na cadeia, ao lado de outros acusados, grande parte deles nem falando o inglês, é uma prova disso. A outra é o fato de que a policia novaiorquina passeou com ele para que fosse fotografado com algemas por jornais do mundo inteiro.

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  • VOZ ATIVA: DESORDEM E CAOS EM SALVADOR >>> A polícia da Bahia em manifestação de máxima orquestração...
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