Os postos de saúde que atendem aos índios guaranis-caiuás, em Dourados, Mato Grosso do Sul, estão abandonados.
A denúncia é do Ministério Público Federal. Os postos receberam R$1,8 milhões do Ministério da Saúde mas seu estado é lamentável.
Conheço essa história porque quando morriam crianças nas aldeias de Dourados fizemos uma comissão para investigar.
Parte do dinheiro dedicado aos índios foi desviada para campanhas eleitorais. O alcoolismo avançava entre os guaranis, o número de suicídios era grande e as crianças estavam subnutridas.
Temo que o abandono dos postos de saúde tenha consequências negativas também para as crianças.
No passado, o Parlamento pelo menos se interessava pelo tema. Hoje, nem isso. O que o Ministério Público não disse ainda, precisa ser apurado: se os postos foram abandonados, qual o estado da saúde dos guaranis? Para onde foi o dinheiro?
Tags: Dourados, Funasa, Guaranis Cauiás
Mossoró – Acordei bem cedo para visitar uma salina. Mossoró produz uma grande parte do sal brasileiro. O Rio Grande do Norte, na verdade, é responsável por 97 por cento da produção.
Salinor é o nome da empresa que visitei. Ela capta a água no Rio Mossoró, perto do mar. A água captada vai para um reservatório e depois da evaporação o sal se deposita.
Caminhões como se estivessem num campo de neve recolhem o sal, numa camada de mais ou menos 15 centímetros, e o transportam para a lavagem.
Uma vez limpo, o sal segue numa esteira de 800 metros até uma barcaça que o transporta para uma ilha de exportação, já no Atlântico.
O sal de mesa representa apenas 20 por cento da produção. Nele é preciso, por força de lei, introduzir 30 miligramas de iodo por quilo.
Ganhei de presente um sal sem iodo, que eles chamam Flor do Sal. Seus grãos são ocos e eles explodem na boca, ao serem mastigados.
Será uma boa surpresa para os amigos. A Salinor que visitei esta manhã emprega 270 pessoas em Mossoró e produz 1,5 milhão de toneladas por ano.
Devo partir agora. Creio que escolhi, considerando o tempo, o lugar certo. Há muitos cavalos de pau, como chamam por aqui, retirando petróleo.
Seria uma outra visita, mas levaria o dia inteiro. Volto para o Rio e fiquei impressionado com esta cidade de 250 mil habitantes, que não para de crescer.
Mossoró sempre foi apontada como uma das melhores em qualidade de vida. Muita gente veio para cá e continua a chegar novo morador.
Ganhei de presente uma muda de craibeira, uma prima do ipê, que está presente em toda a região. Foi adotada como a árvore local.
Até breve.
Algumas fontes no Congresso indicam que esta será a semana em que a saúde estará no centro dos debates. Deve ser votada a regulamentação da famosa Emenda 29, que determina gastos mínimos obrigatórios no setor: 12 por cento do orçamento dos estados, 15 por cento dos municípios.
No texto, o governo federal tem que investir o mesmo que investiu no ano anterior mais a variação do PIB, (Produto Interno Bruto).
O governo federal afirma que é necessário determinar as fontes dessas novas despesas. Daí ter ressurgido e, aparentemente, desaparecido, o fantasma da CPMF.
Alguns políticos no mundo dedicaram suas vidas ao tema da saúde. A biografia de Edward Kennedy mostra isto. É um tema que justifica o esforço de uma vida.
Discutimos hoje se é preciso mais dinheiro ou melhor gestão nos hospitais públicos. Minha posição é singular: acho que é preciso unie as duas variáveis , mais dinheiro, melhor gestão.
Os gatos de saúde são crescentes. Às vezes surpreendem, como no caso da Índia, onde o combate à fome é prioritário. Com o progresso a fome não foi resolvida amplamente e surgiu o problema da obesidade.
Se não houver boa gestão, o dinheiro vai para o ralo. Um terço do desvio de verbas no Brasil acontece no setor de saúde. Mas sem recursos também será difícil atender à demanda reprimida.
Falei com muitas pessoas que esperavam uma operação há mais de um ano. Estavam na fila. Entrei em vários hospitais do Rio, denunciando o caos em que se encontram, com as pessoas no corredor, instaladas em macas.
Não é acidental o grande numero de infecções hospitalares no Brasil: elas matam 100 mil pessoas por ano e 80% dos hospitais não têm as condições higiênicas adequadas. É o que informa a manchete de O Globo de hoje.
Nos tempos em que fui parlamentar sempre contribui com a Rede Sara, tendo a chance até de participar das reuniões de seu Conselho Consultor.
É um exemplo de hospital público que funciona bem, dentro dos melhores padrões internacionais. E, ao contrario do que parece, gasta, proporcionalmente, menos que os hospitais caóticos.
Minha posição é delicada, se comparamos com a que defende apenas mais dinheiro, ou só defende mais gestão. O que vem primeiro, o ovo ou a galinha?
A melhoria da gestão e um sincero combate ao desvio de verbas no setor seriam um primeiro passo. É mais fácil financiar um sistema do qual nos orgulhamos, mesmo reconhencendo algumas de suas fragilidades. Enquanto a perepcão de que há desvios for alta e justificada, não há chances de aumentar os investimentos na saúde, exceto pelo caminho da austeridade.Um impasse de efeito devastador na vida dos que dependem do SUS.
Tags: Corrupçãoc, CPMF, Emenda 29, i
A pesquisa divulgada ontem sobre educação no Brasil é preocupante, embora não traga nenhuma surpresa.
A pesquisa é o resultado da chamada prova ABC( Avaliação Brasileira do Final do Ciclo de Alfabetização). É aplicada em alunos do terceiro ano, antiga segunda série.
Metade das crianças brasileiras em escolas públicas e privadas não aprendeu o esperado para o nível de estudo. O resultado em detalhes está em WWW.estadão.com.br/educação.
O desastre maior é em matemática, matéria em que 57 por cento dos alunos mostraram deficiência.
Além da matemática, cujo ensino já comentei aqui, há outro dado preocupante: os alunos das escolas públicas estão numa situação bem pior do que os de escolas particulares.
Também não é novidade a decadência da escola pública no Brasil, apesar de termos ampliado,amplamente, o número de vagas disponíveis.
Os alunos mais pobres não perdem competitividade apenas na escola. Eles já chegam em desvantagem. No Rio Grande do Sul, com patrocínio da UNESCO, foi realizado um programa para ajudar as mães com poucos recursos e estimular os filhos, na idade até cinco anos.
A tese é a de que a falta de estímulo nesta idade, reduz as possibilidades da criança aprender na escola e desenvolver seu potencial. Pena que o trabalho no Sul não se espalhou ainda pelo Brasil, exceto nas creches voltadas para alta classe média. As mães mais ricas sabem como estimular, mas terceirizam a tarefa.
Uma pesquisa desse tipo deveria provocar uma grande debate nacional sobre a saída que envolva governo e sociedade. Ao lado da infraestrutura, a educação é um dos gargalos no processo de crescimento do Brasil.
Tags: educacão, Pesquisa ABC, Unesco
Um perfil de Anders Behring Breivik, o homem de 32 anos, acusado dos atentados que mataram 91 pessoas na Noruega, indica que ele detestava a esquerda, a social-democracia e chamava a juventude do Partido Trabalhista de juventude de Stoltenberg, o Primeiro-Ministro do país.
O perfil saiu hoje no Dagens Nyheter, principal jornal sueco. Nos seus textos na internet, Bhering Breivik também condenava as organizações islâmicas.
- “Não podemos aceitar que o Partido Trabalhista subvencione uma juventude violenta, a juventude-Stoltenberg, que aterroriza os conservadores”-escreveu ele.
Num texto mais significativo ainda, Anders Bhering Breivik critica o muliculturalismo e afirma que imigração em massa é mais mais um produto da teoria marxista do que uma necessidade econômica. E pergunta: por que os japoneses e os sul coreanos não tão estigmatizados quanto os nazistas?
Breivik se afirma nacionalista e se diz também contra a ONU. Ele vivia com a mãe e seus dados fiscais indicam que sempre teve rendimentos modestos. .
Numa de seus posts, o Bhering Breivik se declara conservador cristão e afirma que atua, políticamente, desde os 18 anos.
Aparentemente, participou da juventude do partido conservador, Fremskrittpartiet,(Partido do Progresso) até 2007. É o segundo maior partido da Noruega e obteve 23 por cento dos votos, em 2009.
Grupos radicais de extrema-direita na Noruega e são pequenos e sem inserção social, afirma a editora do jornal cultural Utrop, Majoran Vivekananthan.
Segundo ela o que mobiliza esses grupos é uma hostilidade aos imigrantes estrangeiros e, sobretudo ao islamismo.
O primeiro-ministro Jens Stoltenberg iria falar hoje no acampamento de Utoya. Antes dele, Gro Harlem Brundtland, uma das mais conhecidas figuras politicas norueguesas, fez um discurso para os jovens do partido
Jens Stoltenberg que frequentava o acampamento e verão de 1974, afirmou:
-Transformaram o paraíso da minha juventude num inferno.
Tags: Anders Bhering Breivik, Gro Harlem Brundland, Jens Stoltenberg, Utoya
Morreu Paulo Renato Souza. Morreu em São Roque, dias depois de eu visitar a cidade.
Tentei imaginar seus últimos dias. Estaria no mesmo hotel em que hospedei? Paulo Renato foi um excelente amigo na Câmara.
Tínhamos um grupo de 30, um pouco mais um pouco menos, dependendo das circunstâncias, que discutia as chances de melhorar o Congresso.
Nossas reuniões eram depois do trabalho. Tirávamos o casaco, afrouxávamos a gravata, liberávamos o botão da camisa social, aí , mais aliviados, falávamos de algumas táticas para evitar que o Congresso mergulhasse no descrédito.
Ás vezes escrevia um texto e me mostrava. Era um bom amigo de plenário. Poucos ali escrevem textos e têm um olhar aberto para a sociedade e para o mundo.
Foi uma grande perda. Quando me candidatei a cargos majoritários sempre o procurava para ouvir suas propostas no campo em que tanto contribuiu: a educação.
Nos últimos meses como deputado, o motorista que trabalhava comigo, Mauricio, sempre brincava comigo: qual o enterro da semana?
Nessa idade, as mortes de amigos costumam ser mais freqüentes. Como poderemos esquecê-los se continuamos tão próximos?
De volta à casa depois de quase uma semana na estrada. Visitei cinco cidades de São Paulo e conheci , parcialmente, a Castelo Branco e Raposo Tavares. Muito interessante o contato com parte da juventude do interior de São Paulo.
Trânsito intenso mas tranqüilo. Fiquei impressionado com as instalações à beira da estrada. Bons lugares, banheiros limpos.
Nas estradas do Rio há muita loja de material de construção alem daquelas piscinas pré-fabricadas. Aqui em São Paulo vi pouco isso, algumas piscinas apenas.
Mas na Castelo Branco vi algo espantoso: o castelinho da Pamonha.Por segurança não dava para reduzir a marcha e o retorno era muito longe. Não fotografei.
Consegui escrever o artigo sobre sigilo e vejo agora que Dilma Roussef está vacilando e provavelmente voltou atrás. Por via das dúvidas vou mantê-lo ,até que ela mesma esclareça.
Retorno ao trabalho cotidiano e para compensar estarei firme nos feriados. Muitas bandeiras do Santos no caminho. Vai ser um jogaço.
Tags: Castelo Branco, Raposo Tavares, Sigilo
Estou atrasado no trabalho de fim de semana. Os vôos estavam complicados. Os aeroportos não ajudaram. Em Goiânia não havia lugar nem para sentar. Em Brasília nos jogavam de um portão de embarque a outro e tínhamos que sair carregando nossa bagagem.
Fiz uma palestra sobre o momento da energia nuclar no mundo para encerrar o Festival Internacional de Cinema Ambiental.
Minha palestra não foi tão importante quando o que encontrei lá: uma disposição da sociedade e do governo goianos contrária à transferência do lixo atômico de Angra para lá.
Os goianos sofreram muito com o acidente radiotivo na rua 57, quando várias pessoas foram contaminadas com césio 137.
Foram discriminados em alguns lugares do pais, tiveram seus produtos, sobretudo alimentos, recusados e até hoje as vítimas do acidente não recebem os medicamentos necessários na hora certa.
O trauma foi tanto que a própria Constituição de Goiás incorporou um proibição de instalações nucleares, exceto as de fins médicos e outras aplicações consideradas inofensivas.
O Ambiente de Goiás, Leonardo Vilela reafirmou a rejeição de Goiás ao lixo radiotivo. Seu argumento principal é de que o depósito de Abadia onde se construiu um parque contem apenas resíduos de baixo poder de contaminação e não pode receber o material de Angra
.
Começou também um movimento chamado Aqui Nem, trocadilho com a palavra CNEN(Comissão Nacional de Energia Nuclear) órgão que teve a ideia de transportar os resíduos para Goiás. Já havia mais de mil assinaturas no final do encontro em Goiás Velho.
De um ponto de vista cinematográfico, o filme vencedor foi Bicicletas de Nhanderu, de Ariel Ortega e Patrícia Ferreira. Não vi todos os filmes. Falavam bem de Lixo Extraordinário, que disputou o Oscar de filme estrangeiro nos EUA, e do chinês O Desejo da Vila de Changhu.
Os principais comentários sobre o filme chinês indicam uma nova fase do cinema ambiental: boas imagens, domínio técnico, algo que está quase sempre ausente em filme de denúncia.
Milhares de jovens foram a Goiás Velho. Os debates contavam com mais ou menos 500 pessoas. Os shows entratanto, como o de Mano Chao, atraíram mais de 30 mil pessoas.
Fica o registro e, se houver espaço no fim de semana, mostrarei um pouco mais de Goiás Velho. Ela tem um casario mais pobre do que Ouro Preto mas em compensação é cercada de morros e serras não habitados.
Tags: Césio 137, CNEM, Goiás Velho, Lixo Atômico
Recebi uma longa nota do paranaensa Rodrigo Moreto Cubec que ficou uma semana preso após exibir um ícone de Nossa Senhora na maior mesquita do Paquistão.
Rodrigo confirma toda a história. Jesus Cristo falou com ele . Menciona outros brasileiros que tiveram visões e não houve dúvida sobre sua sanidade mental.
Ele não entende por que foi considerado louco por ter recebido a voz de Cristo, se outros viram gnomos, foram abduzidos e outras coisas mais.
Pela descrição, Rodrigo faz esse trabalho nos lugares mais perigosos , dominados pelos Talibãs, e também a
o Irã levou o ícone de Nossa Senhora para pacificá-los.
Diz que Nossa Senhora tem aparecido todos os meses na Bósnia e a imprensa brasileira não registra. Mas que é ela o caminho para paz.
Sobre sua passagem na cadeia, afirma que elas são sórdidas no Paquistão mas que sua integridade física foi preservada. Quando contava sua história aos presos e mesmo à polícia, eles apenas diziam tic, tic, que quer dizei ok,ok.
Rodrigo acha que farei o mesmo, dizendo ok, ok. Consigo também publicar esta nota em que ele afirma que passa por todos os exames psicotécnicos em sua empresa e que seu visto de permanência no Paquistão estava perfeitamente em ordem.
Tic, Tic, Rodrigo
Tags: Abduções, Gnomos, Irã, Nossa Senhora da Paz, Paquistão, Rodrigo Cubek
Coisas da vida; havia concluído o artigo de sexta para o Estadão e escrevia alguns posts para o blog, quando vi fumaça e ouvi sirenes.
Encerrei meu trabalho rapidamente, peguei a câmera e sai para ver o que era.
Era um incendio perigoso no prédio vizinho, no final da nossa rua, a Alberto de Campos.
Dois caminhões de bombeiros, ambulâncias, escada Magirus, tudo parecia sério. Mas ainda assim, me detive num cachorro que fazia pipi diante do carro de bombeiros.
Fiquei sabendo que uma mulher de 39 anos despachou o filho para a escola e, como dizem os jornais populares, ateou fogo às vestes. Foi salva mas o fogo consumiu o apartamento onde morava.
Os bombeiros trabalham bem as as mangueiras estavam muito furadas. Fiquei ensopado ao me aproximar delas.
2011