Escrevi dois posts ligados ao salário mínimo e fui ver o debate na televisão Vinte falaram contra, vinte a favor. Foi discurso que não acaba mais, mas sem muitas variacões. Pensei que alguém abordaria o tema que mencionei ontem: a tendência global de alta nos alimentos.
Houve menção à cesta básica no texto, mas para formular uma política de quatro anos para o salário mínimo um seminário sobre o tema seria o ideal.
Ao contrário do que esperava, análises sobre o mínimo quase sempre se fixavam numa cifra: 545, 560 ou 600. Os parâmetros para alteração anual serao inflação e crescimento econômico. Os trabalhadores consomem muitos ítens, mas a variação no preco dos alimentos terá um papel decisivo no seu orçamento.
Um deputado, apenas um durante os discursos que vi- posso ter perdido algum- mencionou o aumento dos deputados no fim do ano passado. Assim mesmo seu argumento era incrível: já que o Congresso teve a sensibilidade de aumentar os seus salários, por que não aumentar o mínimo, acima dos R$ 545? A expressão correta não é sensibilidade mas cara de pau. Nos períodos de contenção, muitos querem conter os gastos dos outros, mantendo os seus próprios gastos. A Câmara tem poder para isso e não hesita em em utilizar o privilégio.
Tags: alimentos, Aumento Dputados, Câmara
Não é nada edificante esta luta do PMDB e PT em torno do salário mínimo. Sobretudo, porque todos percebem que a luta não é pelo mínimo e sim pela divisão de cargos no governo. O salário mínimo é uma espécie de fantasia que alguns grupos políticos usam antes do carnaval. Os valores mudam, há uma disputa por oferecer mais e tudo termina dentro dos limites do possível, determinados pelo governo. Ao iniciar meu novo trabalho, afirmei que não esperava muitos choques entre governo e opositores, pelo menos, no princípio. O problema para mim é a própria aliança formada para governar.
Os conflitos internos da época pré-carnaval nunca se limitam ao índice do salário mínimo. Devem se estender até a escolha do presidente da Câmara. A eleição de Severino Cavalcanti foi resultado de uma divisão interna no governo. Mas sempre que me recordo daquela madrugada, ressalto que a oposição também contribuiu, no segundo turno, jogando no quanto pior melhor. O governo se instalou com alguns discursos animadores, outros equivocados, mas sua face real é a do saco de gatos.
Muitos dos nossos governantes acreditam na tática que chamo de Arca de Noé: atraem o maior número de partidos e grupos, oferecendo sempre alguma coisa em troca. Todos querem agora um salário mínimo digno, todos falam agora de reforma política. Como realizar a promessa, se acharam o mecanismo ideal que é a Arca de Noé com a inscrição: em breve, reforma política?
2011