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Os liberais estão em conflito no Peru. Um dos assessores da candidata Keiko Fujimori, o conhecido intelectual Hernando de Soto, que chamou a atenção para a vitalidade capitalista nas favelas, desafiou Vargas Llosa para um debate sobre as eleições.

De Soto afirmou que um liberal sério não apoiaria o programa do candidato da esquerda, Ollanta Humala e insinuou que Vargas Llosa não chegou a ler o programa, antes de anunciar seu apoio.

Vargas Llosa

O desafio faz parte da campanha eleitoral e De Soto se diz disposto a viajar até a Espanha, caso Vargas Llosa não queira vir ao Peru para o debate.

A ofensiva da candidata da direita sobre alguns setores liberais coincide com seu avanço nas pesquisas. O jornal Ojo divulgou hoje a última  consulta e ela dá 53,7 % para Keiko e 43,3% para Humala.

Numa tentativa de atrair Vargas Llosa, De Soto pede uma discussão centrada no programa de Keiko e não seu passado familiar.

Hernando de Soto

Aí está o grande problema: ver Keiko apenas através de seu programa, esquecendo que é filha de Fujimori e grande parte dos seus votos é herança da popularidade do pai em alguns setores do pais.

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Marcado para 5 de junho, o segundo turno das eleições  no Peru está ficando mais emocionante, em termos de performance dos candidatos nas pesquisas.

Keiko Fujimori, filha do ex-presidente preso por corrupção e desrespeito aos direitos humanos, está na frente de Ollanta Humala, candidato das esquerdas. A última pesquisa nacional aponta 41 por cento para ela contra 39 por cento para Humala.

Keiko, pai preso, liderança na pesquisa

Vargas Lhosa, quando soube dos nomes que chegaram ao segundo turno, afirmou que seria uma escolha entre a Aids e o câncer. Um escritor pode se dar ao luxo da usar imagens desse tipo, mas, politicamente, não é bom apresentar os adversários como uma patologia.

Ollanta Humala conta com conselheiros do PT , que o orientam na campanha no sentido de ganhar votos também entre os setores médios. Ollanta procura distanciar sua imagem de Chavez e aproximá-la de Lula, assim como tenta garantir que não haverá mudanças bruscas na economia.

Ollanta Humala ainda tem tempo para virar o jogo.

Nas pesquisas recentes, Keiko crescia e vencia em Lima. Na pesquisa divulgada ontem ele supera Ollanta com apenas 2 % de vantagem, margem que pode mudar nas últimas semanas.

Estive no Peru quando Fujimori caiu. Devo voltar para cobrir as eleições de junho. Será uma estranha viagem ver a filha no cargo que ele deixou.

Pequenas vantagens não decidem eleição com antecedência. Faltam três semanas.

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No romance autobiográfico A Cidade e os Cachorros, o personagem de Mário Vargas Lhosa, pergunta nas primeiras linhas: quando é que o Peru se estrepou?O verba é outro mas para evitar discussões inúteis, ,modifico apenas para lembrar que a mesma pergunta aparece agora, depois do primeiro turno das eleições presidenciais.
O Peru vinha crescendo de forma sustentada nos últimos cinco anos. Em 2006, esse crescimento foi de 8 por cento. Estava sendo apontado como a nova estrela econômica do continente.
Hoje, Vargas Lhosa aparece na imprensa lamentando o resultado as eleições. Para o romancista, ela significou um fracasso do centro peruano e transformou o segundo turno num embate entre a direita, Keiko Fujimori, e a esquerda, Ollanta Humala. Lhosa os classifica de extrema direita e extrema esquerda.

A decisão sobre o furuto do Peru: Keiko ou Humala?


Visitei o Peru apos a queda de Fujimori e escrevi alguns textos sobre a viagem. Não esperava que o pais fosse recolocar no segundo turno alguém com a imagem tão associada ao ex-presidente, como sua filha Keiko. Humala, por seu lado vinha perdendo sempre, e agora, assessorado pelo PT, distanciou-se um pouco de Chavez , atenuou seu discurso, modernizou ligeiramente o guarda-roupa.
O crescimento econômico não deu a vitória para o governo, como se costuma esperar. Ex-funcionário do Banco Mundial, Pedro Pablo Kuczisnsky, ficou em terceiro lugar. É conhecido como El Gringo. O ex-presidente Alejandro Toledo chegou a liderar a votação mas no final colocou-se em quarto lugar.
A eleição de Humala amplia o leque dos chamados governos bolivarianos e cria, potencialmente, um conflito com o Chile, pois os dois países têm pendências sobre limites marítimos.
Espero voltar ao Peru, antes do segundo turno, para ver como as coisas estão se passando

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