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Ainda estou processando a notícia do corte de gastos no governo. Estadão elogiou disposição  de Dilma, em editorial. Em termos de disposição, concordo.

A grande pergunta é esta: como serão detalhados os cortes orçamentários? Mudou a visão de que o estado precisa crescer na economia, depois da grande crise de 2008? Cerca de 40 mil concursados terão de esperar por um novo posto. Mas e os cargos de confiança, não serão reavaliados? E as embaixadas em lugares que talvez não precisem delas? Haverá uma revisão do lado mais voluntarista da política externa?

Estava muito cansado, mas um reporter de televisão anunciava que Dilma cortará profundamente, inclusive a compra dos caças. Ele não informou quanto está previsto no orçamento para a compra dos caças.

Eu gostaria, com o tempo, de comprar uma bicicleta com motor elétrico. Mas isto não está incluído no meu orçamento, ao deixar de comprá-la, estou cortando apenas desejos.

Essa cantilena de corte de gastos é o que mais se ouve. O governo tem até uma posição de calma em relação às críticas. Lembro-me do ministro Paulo Bernardo, quando coloquei a questão de passagens e diárias (R$800 milhões anuais), respondendo assim: estaremos sempre prontos para uma discussão qualificada sobre cortes.

Ao reagir aos cortes, o ex-ministro José Dirceu disse que o governo parecia refém da mídia e da oposição. Se disso isso exatamente, talvez tenha razão; o governo nesse momento faz um grande aceno à imprensa e à oposição. O problema é adiante, pois também nesse caso, o diabo mora os detalhes. Quem vai monitorar esse corte?

As emendas parlamentares são algo parecido com a compra dos caças. O governo nunca, ou quase nunca, destina dinheiro para emendas da oposição. A maioria dos deputados da base depende desse dinheiro para sobreviver em suas regiões eleitorais. Será dificil mantê-los, mesmo com a promessa de que, no ano que vem, as coisas vão melhorar. Eles ficaram totalmente dependentes do mecanismo de liberação de verbas.

O que pode acontecer é: bloqueio de emendas da oposição, como é tradicional, e liberação seletiva das emendas dos aliados, de acordo com as dificuldades de cada projeto do governo no Congresso.

Fiquei perplexo com a fala de Arnaldo Jabour sobre Dilma na televisão. Até a passagem pela luta armada, tão combatida antes,  tansfigurou-se em qualidade guerreira e a destituição do grupo do PMDB em Furnas foi mostrado como algo heróico, sem menção à entrega do cargo à família Sarney.

Toda essa coreografia é típica de início de governo. Há um grande desejo de conciliação. O governo mostra-se sensível  à oposição, esta revela sua boa vontade com o poder. Pode ser algo positivo. Mas é preciso acompanhar nos detalhes.

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Comentários (4) | comente

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