Há mais libaneses no Brasil do que no Líbano. Razão para que o país fique de olho na decisão de um tibunal especial da ONU, que incriminou quatro integrantes do Hezbollah pelo assassinato do ex-primeiro-ministro Rafik Hariri. Ela era mais próximo do Ocidente.
A decisão do tribunal especial estava sendo aguardada há muito tempo. O problema para o governo libanês é ter força suficiente para prender os quatro acusados. Corre o risco de reiniciar uma guerra civil.
O principal líder do Hezbollah, Hassan Nasrallah descartou a obediência ao tribunal, atribuindo sua decisão a manobras dos EUA e Israel.
O governo libanês derá pressionado, internacionalmente, para cumprir a ordem de prisão. O próprio filho de Rafik Hariri, Saad, defendeu a entrega dos acusados à justiça.
Nos próximos 20 dias deve ficar clara a posição do governo. É o tempo que dispõe para dar uma resposta ao tribunal especial.
A Síria, que sempre apoiou o Hezbollah, também está alerta. No momento, o presidente Bashar Assad deve estar querendo o mínimo de conflitos. A oposição síria continua se manifestando pela democracia.
Quando acontece algo de grave no Líbano, o Brasil é sempre solicitado. Muitos libaneses vivem com passaporte brasileiro, outros estão visitando o país. É hora de monitorar o processo libanês. O Hezbollah não se importa muito com a ONU pois não respeita sua resolução para depor armas, tomada em 2004.
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As manifestações na Tunísia e no Egito estão longe do Brasil. A França foi acusada de silêncio constrangedor, mas seus laços com a Tunísia são muito fortes. Os acontecimentos nos dois países podem e devem ser acompanhados com tranqüilidade e há pouca esperança do surgimento imediato de uma democracia.
O caso do Líbano é diferente. A crise foi anunciada e não se apresenta como uma rebelião contra tiranias estabelecidas há muitos anos. O problema se agravou com o processo iniciado pela ONU para apurar responsabilidades na morte de Rafik Hariri, um líder mais próximo do Ocidente.
A reviravolta que levou Najib Mukati ao cargo de Primeiro Ministro desaloja do poder Saad Hariri, filho de Rafik e continuador de seu projeto. E confirma a predominância do Hezbollah. Perderam os EUA e a França, ganharam Síria e Irã, que têm muitos interesses no Líbano.
O Brasil, através de Lula, tentou participar dos problemas do projeto nuclear do Irã e também intermediar uma difícil paz no Oriente Médio. Foram duas iniciativas equivocadas.
No caso do Líbano, a diplomacia brasileira precisa ficar atenta. Há mais libaneses no Brasil do que no próprio Líbano. Uma crise por lá sempre envolve nosso pais, de um modo geral, em ações humanitárias.
Como o Congresso ainda não se instalou e as coisas não esperam deputados e senadores, vide tragédia na Região Serrana, era necessário criar logo um grupo de acompanhamento. Creio que o Itamaraty, com tanta coisa acontecendo no Oriente Médio, já deve estar atento. Mas a clássica audiência pública para explicar o que está sendo feito ou pensado sobre o Líbano e, secundariamente, Tunísia e Egito, ainda não aconteceu
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A origem do vice-presidente Michel Temer pode lhe trazer a primeira crise no governo. Não se trata do PMDB mas do Líbano. Um grupo de deputados brasileiros voltou de Beirute, no fim do ano, com uma visao sombria da situação do país. Deve haver conflito. Os grupos em presença são o Hezbollah e setores mais próximos do Ocidente. O estopim,desta vez, é o tribunal da ONU que investiga o assassinato do ex-presidente Rafik Hariri. O Hezbollah deve ser incriminado e está considerando isto uma provocação americana. O filho de Rafik, Saad Hariri é o chefe do atual governo.
Temer participou da frente de deputados descendentes de libaneses. E no Brasil existem mais libaneses que no próprio Líbano. Certamente sera acionado, agora como vice-presidente.
Na invasão de Israel o Brasil conseguiu retirar muitos brasileiros do Líbano. Não tínhamos navio e a retirada se deu por estradas perigosas: havia pouco garantia dos israelenses de que não iriam abrir fogo.
O Brasil aprendeu muito com a crise, em termos humanitários. Com a ajuda do vice-presidente, agora será mais solicitado ainda. Se houver conflito, é claro. A saída política ainda não foi esgotada.
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2011