Impossível ignorar o evento. Passou a ser um fenômeno da natureza, feito terremoto seguido de tsunami. Ao menos, não deixará vítimas. Esta frase do escritor brasileiro Ivan Lessa, que vive em Londres desde o meio da década de 60 e não é um entusiasta da família real, sintetiza a atmosfera que domina o casamento de William e Kate em Londres.Seu artigo está no site da BBC em português.
A precisão dessa análise pode ser conferida no New York Times que mostra hoje, como o casamento está produzindo excelentes negócios na França, um pais orgulhosamente republicano. O imprensa está explorando o evento, desde o conservador Figaro até o semanário Point de Vue, que vende 200 mil exemplares e pretende aumentar sua tiragem para 750 mil, descrevendo a cerimônia. Os três principais canais de tevê da França vão cobrir a cerimônia e, certamente haverá muitas reapresentações para quem perdeu o espetáculo.
A causa republicana na Inglaterra vai sofrer um baque. Uma das questões mais utilizadas contra a família real é o fato de consumir dinheiro público. Mas agora, com a presença de Kate, eles estão produzindo dinheiro. A família real costuma ser severa em termos de direitos com a exploração comercial de sua imagem. Dessa vez, a rainha está muito flexível, talvez percebendo que o casamento de William com uma plebeia vai dar uma sobrevida à monarquia: melhor perder os royalties do que perder os dedos.
O problema da família real agora não é explicar porque deixou de convidar Tony Blair mas sim porque incluiu na lista pelo menos oito líderes árabes acusados de desrespeitar os direitos humanos. Ainda teremos algum ruído, antes de nos dizerem que a festa acabou e que vinham trazendo os doces, mas eles cairam na ponte e se perderam no rio.
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A notícia de que o casamento do príncipe William com Kate Middleton vai trazer US$3 bilhões para os cofres britânicos, mais do que as Olimpíadas, deve repercutir entre os críticos da monarquia. Muitos deles afirmam que os custos da família real são inúteis e pagos pelos contribuintes.
A verdade é que os órgãos de turismo investiram US$160 milhões na campanha publicitária que vai aumentar as visitas à Inglaterra. Mas ainda assim, Kate Middleton é um fabuloso produto britânico, símbolo da modernização da família real, enfim um novo fôlego.
Alguns países da Comunidade Britânica já desfizeram seus laços com a monarquia que, ao contrario do que se pensa, tem muitos poderes. A rainha pode derrubar um primeiro-ministro e também pode indicá-lo até independente dos partidos. Isso foi feito algumas vezes, até que o Partido Conservador decidiu eleger um líder para deixar bem claro, caso tivesse maioria, quem seria o nome do primeiro ministro.
Muitos analistas políticos vêem uma contradição entre o cosmopolitismo da Inglaterra e a manutenção da monarquia. No entanto, ela não está realmente ameaçada. Ainda mais agora ,que produziu não só um novo símbolo, mas uma nova fonte de renda
Uma jovem mexicana fez greve de fome para ganhar uma passagem e ir ao casamento. Milhares de outras jovens européias devem estar preparando suas malas. O mundo mudou e é o mesmo. Ingenuidade romântica de um lado, novos e poderosos métodos de propaganda de outro.
Um caso de amor bate uma competição mundial de esporte, sem necessitar grandes obras, sem se preocupar com o que chamamos de legado para a população. Os cariocas, que ficaram tão felizes com a escolha da cidade para as Olimpíadas, devem estar pensando como foi possível ganhar esta fortuna sem ralar tanto, construindo estádios, correndo, nadando, saltando e arremessando pesos. A fórmula boy meets girl ainda é a fonte do inesgotável sucesso. Mesmo quando isso acontece entre araras azuis, como no caso do filme Rio, que também produz milhões de dólares.
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2011