Dia de muita névoa na estrada Rio Juiz de Fora. Ouvimos pela rádio que o aeroporto de Santos Dumont também estava fechado.
Chegamos a Juiz de Fora com sol e uma multidão estava diante da Câmara Municipal. Itamar Franco era querido na cidade que dirigiu por dois mandatos.
Muitos senadores, ex-presidentes, Lula e Collor, governador de Minas, Temer, Sarney, todo mundo lá.
Ao lado do caixão, encontrei o senador Pedro Simon. Ele vai se sentir mais solitário sem a presença de Itamar.
Com a entrada de um suplente suspeito de enriquecimento ilícito e a saída de uma referência da oposição, o Senado fica mais pobre.
Abracei alguns amigos de juventude que trabalharam anos com Itamar, Ruth e Henrique Hargreavres, Maria Andrea Loyola.
O dia estava triste na estrada. Resolvemos parar e ver um pouco do jogo do Brasil. Centenas de motociclistas voltavam do encontro em Tiradentes.
Abandonamos o jogo pela estrada. Mesmo com a névoa, ela era mais interessante do que a partida.
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Morreu Itamar Franco. Foi um grande político de Minas . Como Presidente da República cumpriu seu papel e levou o Brasil à segunda eleição direta para presidente com muita dignidade.
Eu conheci na nossa cidade, Juiz de Fora. Andávamos na rua Halfeld, onde se fazia o footing dominical. Itamar era um jovem engenheiro e, aos poucos, foi crescendo no cenário político.
Um dos lideres populares de Juiz de Fora era também dirigente sindical. Chamava-se Clodismith Riani e foi preso pelo governo militar.
Com a saída de Riani, Itamar ocupou o espaço de uma liderança de oposição. Riani era do PTB e creio que foi com esse sigla que Itamar ganhou a primeira eleição para prefeito.
Tive a oportunidade de reencontrá-lo às vésperas da queda de Collor. Ele se hospedou no Sheraton, no Rio, e não falava com jornalistas. Fui recebido com a ressalva de que não daria entrevista.
Parecia um pouco perplexo. Eu dizia que ele seria o próximo presidente, que Collor não aguentaria mais um mês. Parte de sua discreção era característica do cargo de vice.Além disso ,vinha da política mineira e era um pouco tímido .
Sua performance como senador sempre foi muito boa, sobretudo comandando a comissão que discutiu a energia nuclear no Brasil.
Voltei a encontrá-lo na convenção do PPS, quando já era candidato a senador por Minas. Foi sua última vitória eleitoral.
Itamar foi um homem de bem, cercado de pessoas corretas e fieis, alguns conhecidos desde minha juventude, como Ruth Hargreaves e seu primo Henrique, que se tornou Chefe da Casa Civil.
Na sua presidência, com Fernando Henrique na direção da economia, foi criado o Plano Real que estabilizou o pais, preparando-o para os grandes avanços das duas últimas décadas.
Uma grande perda, sobretudo para um Senado decadente e submisso como o de hoje. Às vezes, o critiquei quando exercia a presidência. Depois de tudo que aconteceu nos últimos anos,reconheço que seus erros foram secundários e o Brasil ainda precisava muito de gente como ele.
Tags: FHC, Henrique e Ruth Hargreaves, Juiz de Fora, Plano Real
2011