Num artigo que escrevi na sexta para o Estadão, Alguma coisa acontecendo, Mr. Jones, falava das pretensões do movimento contestador em Israel, que anunciava manifestação de um milhão de pessoas.
Israel tem oito milhões de habitantes. Um em cada oito estará na rua. Se projetássemos isto para Índia ou China teríamos multidões jamais vistas em protestos políticos.
A manifestação de sábado trouxe 400 mil pessoas para a rua. Foi a maior da história de Israel. Suas aspirações de justiça social são um pouco vagas. As coisas aparecem mais no custo de vida. O preço do combustível e suas consequências têm sido um tema de discussão . As empresas foram forçadas a reconsiderar sua margem de lucro. Mas o governo está sendo pressionado, pois fica com uma grande parte do dinheiro, através do imposto.
O detonador do movimento foram os preços do aluguel e as dificuldades de habitação no país. Judeus ortodoxos se juntaram aos manifestantes conforme o relato de Europa News – Ortodoxos juntam-se às manifestações em Israel.
Alguns jornais afirmam que o movimento é de esquerda. Um deles chegou a suspeitar de ex-assessores do presidente Clinton, que estariam orientando as manifestações.
Quando tanta gente sai às ruas as causas costumam ser mais complexas. Alguns manifestantes ressaltaram a sensação de unidade nacional, outros acham que estão iniciando uma espécie de revolução.
Nem sempre os fatos se desenrolam de acordo com as eufóricas expectativas dos manifestantes. Mas alguma coisa mudará em Israel, com repercussões não só no Oriente Médio ,mas também na paz mundial.
As manifestações foram pacíficas, contaram com a presença de músicos e personalidades da oposição em Israel. O governo afirmou que não aceitaria bloqueio das ruas e sua orientação foi respeitada.
O tema não teve destaque a imprensa brasileira, por causa da hora. O New York Times, dedica a ele uma longa reportagem, afirmando que a manifestação de ontem foi o auge do movimento.
Tudo começou através do Facebook, com os protestos de Daphne Leef , de 25 anos, contra o preço dos aluguéis. Inúmeras tendas, como a que ele armou , foram erguidas ao longo do pais.
Com o fim do verão, as tendas estão sendo desarmadas, mas os protestos devem repercutir nos próximos meses.
O que pode ter reduzido um pouco o impacto das demonstrações foi o atentado de quinta feira, dia 18, contra um ônibus e um veículo militar, na fronteira com o Egito. Morreram 14 pessoas.
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2011