Foram soldados nepaleses da ONU que trouxeram a cólera que matou 5.500 pessoas no Haiti. Esta revelação é do Centro de Controle de Doenças, CDC, que se baseou numa pesquisa de medicos franceses.
O estudo foi publicado numa revista chamada Emerging Infectius Diseases no seu número de julho.
O estudo rastreia a chegada dos soldados nepaleses à cidade de Mirebelais, isolada no centro do Haiti.
Uma das principais pistas é a de que havia uma epidemia de cólera no Nepal, em datas próximas à sua chegada a Mirebelais.
Outro indício trabalhado foi a análise da cepa que parece aos estudiosos franceses vinda de outras regiões, possivelmente do sul da Ásia.
O primeiro a ser contaminado foi o rio Meile. Segundo os medicos franceses a carga de bactérias em suas águas era capaz de contaminar quem as bebesse.
O rio Meile, por sua vez, contaminou o rio em que desagua, o Artibonite. Ao longo do Artibonite, os medicos constataram a presença da cólera em sete comunidades ribeirinhas.
O porta-voz da ONU, Faran Haq, afirmou que o organismo vai seguir com a atenção no caso, mas ainda não conhecia o estudo.
Há alguma semanas, a ONU admitiu que a cepa da cólera no Haiti era do sul da Ásia, sem mencionar os soldados nepaleses.
Depois do terremoto, a cólera. Um desastre natural, um desastre ambiental, este no rastro da ONU. Como recompensar o Haiti?
Tags: CDC, Mirabelais, rio Artibonite, Soldados nepaleses
O cantor Michel Martelly venceu as eleições no Haiti e vai enfrentar uma das mais duras tarefas como iniciante: reconstruir um país atingido pelo terremoto, epidemia de cólera e onda de estupros nos acampamentos de refugiados.
Martelly derrotou Mirlande Manigat, de 70 anos, que já foi primeira dama . O povo haitiano escolheu um nome fora da política convencional, na expectative de algo aconteça.
A ajuda internacional para o Haiti não chegou a utilizar um quarto dos US$5,5 bilhões prometidos. Há acusações de que a burocracia não deixa os projetos avançarem e as ONGs atuando separadamente não conseguem ser uma alternativa.
Martelly já disse que vai examinar o papel das ONGs. Ele terá que dividir o poder com um primeiro-ministro e deve, algo ainda não confirmado, ter minoria no Parlamento.
O Brasil está envolvido na pacificação do Haiti com a presença militar. Participa também das tentativas internacionais de arrecadar dinheiro e realizar o urgente processo de reconstrução.
O mandato de Martelly é uma incógnita. Apelidado de Sweet Micky foi um cantor ousado na indumentaria e performance. Agora usa ternos escuros e gravata e ninguém sabe se eleito por estar à margem tentará governar também à margem do sistema político haitiano.
O ex-presidente René Preval, que visitou o Brasil, continua forte porque seu partido deve definir o novo primeiro-ministro .Outro dado importante é presença, de novo, no país do ex-presidente Jean Bertrand Aristide, que continua com altos níveis de popularidade, depois de cair e passar por um exílio na África do Sul.
Cerca de 250 haitianos entraram, clandestinamente no Brasil pela cidade de Brasileia, no Acre. O governo federal em parceria com o governo amazonense pretende receber mais mil imigrantes do país, para trabalharem na Zona Franca de Manaus. Parte dos primeiros haitianos já está em Rondônia, onde vão se empregar nas obras de Jirau e Santo Antônio. No momento, estão paradas porque houve um motim dos trabalhadores.
Tags: ajuda internacional, burocracia, eleições, Martelly, Préval
No simpático discurso de Obama no Theatro Municipal, a idéia de apresentar o Brasil como modelo para o mundo árabe ficaria mais completa se falasse também do Haiti.
É compreensível esquecer o Haiti num dia em que o mundo está tão complicado: aumentou a pressão no reator 3 de Fukushima, foguetes e balas cruzam o céu da Líbia.
O problema é que no Haiti, Estados Unidos e Brasil estão envolvidos diretamente e hoje acontece a eleição presidencial com dois fatos novos. A volta de Jean-Bertrand Aristide e possível vitória da primeira mulher presidente do Haiti: Miniande Marigat. Chegou a ser favorita, hoje não é tanto mais.
Um outro ponto importante para se lembrar do Haiti é o futuro da Líbia. É um país que tem petróleo e pode financiar seu nation building. Mas terá problemas de instabilidade política semelhantes ao que o Haiti vive no momento. Vai precisar no mínimo da experiência acumulada dos EUA e Brasil para transmitir a outros países que entraram numa estrada extremamente complicada como esta que os leva a Tripoli
Tags: Eeleições, Haiti, Líbia, Miniande Marigat, Nation building
Com a aproximação do 12 de janeiro, os jornais do mundo inteiro dão um balanço da situação do Haiti. As pessoas continuam morando em tendas, os principais problemas não foram resolvidos e uma epidemia de cólera assustou o pais. O New York Times achou um ângulo positivo, dedicando-se ao esforço individual para reencontrar o equilíbrio de vida. Destacou três casos: o de uma bailarina que perdeu a perna, o de um pastor que perdeu a igreja e o da mãe que buscava o único filho sobrevivente e descobriu que já estava adotado na Pensilvânia.
Muitas outras histórias deverão ser revelados nos próximos dias. Nessa véspera de aniversário do terremoto, escrevi um pouco sobre Ricardo Seitenfus, o representante brasileiro na OEA, em Porto Príncipe, que foi demitido do cargo.Pede mais ação social, menos presença militar. O tema foi apresentado pelo Estadão e lembrei-me de Seitenfus porque é um gaúcho corpulento, que se parece fisicamente com o Nélson Jobim. São oriundos da mesma região. Ele defendia a participação brasileira no Haiti; eu era contra. No final, acabei me convencendo de que Seitenfus tinha razão: a presença brasileira foi positiva.
Mas as dúvidas que tinha, quando me coloquei solitariamente contra a ida das tropas, ainda não foram dissipadas. A presença militar no Haiti nunca resolveu seus problemas. No livro da Graham Greene, Os Comediantes, todo passado no Haiti, há registros de estradas em ruínas, construídos pelos americanos. Isso na década dos 50. No relatório de Regis Debray, feito a pedido do Ministério de Relações Exteriores, ele menciona a dificuldade de se construir algo de sólido no Haiti e faz referência ao verdadeiro cipoal de ONGs que atua no país. Este relatório foi produzido um pouco antes da intervenção brasileira.
O Haiti continua sofrendo. Não conseguimos achar a saída estável, algo que EUA e França também não conseguiram. Talvez tenhamos contribuído com a salvação de algumas vidas, com a reconquista do equilíbrio individual. Aprendemos a pacificar comunidades, inicialmente em Bel Air e, depois em Cité Soleil Fiz duas viagens ao Haiti, tenho inúmeras lembranças, inclusive fascínio cultural pela música e pintura daquele pequenos pais devastado:suas escassas árvores estão sitiadas num único e pequeno parque nacional.
O Brasil deveria voltar a discutir o tema. Seria uma oportunidade de avaliar a situação e perspectivas que, em termos coletivos, não me parecem animadoras.
Tags: ocupacão brasileira, seitenfus, terremoto
2011