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09.outubro.2011 12:47:02

Os velhos erros em Brasilia

-Ainda teremos uma revolução francesa.

Essa é a mensagem de um leitor que acabara de ler a noticia de que parlamentares gastaram 13,9 milhões com telefones, em oito meses.

Sabemos que uma revolução francesa não se repete. No entanto, revoltas de vários tipos podem acontecer quando se abre um abismo tão profundo entre políticos e a sociedade.

O que mais surpreende nesses gastos é a ausência de alternativas para reduzi-los. Os deputados falam, principalmente, com seus gabinetes regionais. Acredito que passam 70 por cento de seu tempo dando ordens, recebendo e transmitindo informações para sua equipe.

Jamais houve uma disposição para usar o skype ou qualquer outro programa de comunicação. Se houvesse, pelo menos esses gastos seriam reduzidos substancialmente.

De um modo geral,o Congresso brasileiro poderia cortar seus gastos em mais de metade, sem prejuízo da eficácia. Só não faz porque não quer, ou porque não foi pressionado de forma adequada.

Quando isso acontece, como no caso das passagens aéreas, as normas foram mudadas e a economia anual foi de mais de R$30 milhões.

Comentários mais pessimistas dizem que não há jeito; os mais radicais desejam apenas que o circo pegue fogo e morram todos os palhaços e artistas.

É difícil um pais sem Congresso. A melhor saída e obrigar os parlamentares a reduzir seus custos. Quem faria isso? Um conjunto de entidades poderia pedir um plano de redução, marcando reuniões com o próprio presidente da Câmara, pedindo alternativas menos dispendiosas.

O Congresso gasta como se o dinheiro caísse do céu. E a sociedade parece encarar a sangria com a resignação com que encara a chuva ou os raios de sol.

O que está aí não é um fenômeno natural como as estações do ano. Pode ser mudado. Para os dirigentes gastadores do Congresso a melhor coisa que existe é o desânimo seguido da expressão “não tem jeito”.

Aí então é que detonam os recursos nacionais.O leitor ao lembrar da revolução, confirma um texto de de Kant de 1798, no qual dizia que as revoluções quase sempre fracassam, mas continuam sendo uma referência de progresso no espírito humano.

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As boas intenções estão levando o governo ao inferno, ou vice versa, o inferno ao governo.

A ANVISA decidiu proibir remédios para emagrecer à base de anfetaminas. O Brasil é o mais consumidor mundial. Hoje, cerca de 16 milhões de pessoas fazem tratamento com eles.

A decisão foi tomada contra a vontade dos médicos que ficaram sem opção de receitas.

Existem muitas maneiras de emagrecer e as revistas e jornais estão cheias de novos métodos. Mas se os médicos e seus clientes optaram pelos remédios, por que interferir nessa decisão. Para salvar vidas?

Se radicalizamos nosso desejo de salvar vidas, vamos banir uma série de atividades de nosso horizonte, inclusive as corridas de Fórmula 1.

Os jornais de tevê mostraram algumas mulheres reclamando dor de cabeça e enjôo, apos o uso dos remédios. Isso prova que eles podem provocar efeitos colaterais. Mas a existência de efeitos colaterais é exclusiva dos remédios à base de anfetamina?

Certamente tudo isso será discutido na justiça. Outro tema transcendente a ser discutido não na justiça, mas no Conar é a propaganda das calcinhas Hope com Gisele Bündchen .

A ministra Iriny Lopes, dos direitos da mulher, resolveu combater a propaganda dizendo que era machista e afirmava o clichê da mulher submissa e etc.

Iriny poderia concluir ao ver o anúncio que a Hope tinha feito uma escolha errada. Ao invés de apostar na independência da mulher, procurou outro caminho. Iriny poderia lamentar baixinho: a Hope perdeu uma grande oportunidade com esse modelo maravilhoso que é Gisele.

O que ela fez? Com sua reação acabou potencializando o anúncio, ampliando o interesse pela marca e franquias para venda da roupa.

Iriny com sua cabeça acabou realizando uma tarefa que o corpo de Gisele sozinho não conseguiria realizar.

Se aplicar suas boas intenções à propaganda que é um setor estética e tecnicamente  sofisticado, vai acabar louca e voltar para o Espírito Santo.

Quando suspeitar, por exemplo, de estímulos de sado masoquismo num desfile de lingerie, vai botar a boca no mundo. E dependendo do barulho que faça, suas vizinhas vão despertar usando chicotes e algemas, sem necessáriamente entender o que estão fazendo.

Estou lendo um livro chamado Pornland, da Gail Dines, uma senhora que também faz conferencias para demonstrar que a pornografia seqüestrou a sexualidade dos jovens americanos.

Ela é tratada com muita hostilidade em alguns lugares .Mas pelo menos descobriu a razão: as pessoas confundem sua luta contra a pornografia com a  luta contra a sexualidade.

Fernando Botero

Ao invés de examinar teses, as pessoas reagem com os dados que têm e sobretudo por um impulso inconsciente. Elas pensam: Gisele tem cara de quem gosta; a ministra tem cara de quem não gosta.

Irany na sua luta contra o machismo acabou confundida como uma adversária da sexualidade. A ANVISA ao probir os remédios para emagrecer,  faz aumentar muito a vontade de comprar remédios para não emburrecer.

Num sábado desses de folga, contarei um pouco a história de Stanislaw Ponte Preta, uma figura do jornalismo brasileiro, que escreveu, entre outros, O Festival de Besteiras que Assola o Pais.

Lalau, esse era seu apelido, atuou durante a ditadura militar . Na época, era perigoso escrever contra. E ele o fez de uma forma bem humorada.

Nada contra Iriny nem contra a ANVISA. Ambas são importantes. É preciso  combater o machismo e o exagero nacional no consumo de remédios para emagrecer. Se não fizermos com jeito, o Brasil ficará cheio de bocas de anfetamina, ao lado das bocas de fumo. E de mulheres com calcinhas Hope dizendo que estouraram o cartão de crédito.

 

 

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Semana com dois dias na estrada e muita confusão no Ministério dos Transportes. Vejo caírem um a um os diretores do DNIT. Mas vejo também alguns graves acidentes nas estradas, como de ontem, ao subir para Friburgo.

O ideal seria investigar a corrupção e dar um balanço das principais estradas do Brasil. Tudo indica que a crise será empurrada com a barriga pois sua raiz é uma política de alianças que acaba propiciando os desvios de verba. Nessa política, o governo não quer mexer.

Ministério e estradas de pernas para o ar.(foto FG)

 

A semana foi marcada por um coquetel oferecido pela Presidente Dilma aos aliados. No dia anterior, deputados do PMDB e PT festejaram, ao lado de Ideli Salvati, diante um bolo de noiva.

O bolo tinha os logos do PMDB e do PT. No alto, os bonecos dos noivos, Dilma, de vermelho, Temer de terno azul.

Não sei porque estou descrevendo isso. Acho que enlouqueceram no sentido de não reconhecerem mais limites do ridículo.

O próprio Lula, esta semana, atacou os grandes jornais brasileiros com argumentos equivocados. Ele considera que os jornais estão perdendo influência ou porque não informam bem ou porque estão superados por outras fontes de notícia, com a chegada da internet.

E afirma: O Globo não chega na baixada fluminense. Como se isso fosse uma decisão política dos moradores da Baixada.

Se houvesse alguma recusa, como explicar a força da tevê Globo na mesma região? O correto teria sido uma ascensão da tevê oficial.

Não pretendo discutir muito o tema mas minha tese é oposta: com a edição de portais na internet os grandes jornais ampliaram sua área de influência. Eles chegam mais na periferia do que chegavam antes, apenas na forma papel.

Lula força a barra porque gosta de debater com a imprensa. Num mesmo discurso reclamou que ela estava pegando no seu pé e afirmou que estava doido para voltar ao microfone.

Essa dinâmica parece lhe interessar politicamente. Um combate entre o que chama de imprensa elitista e os interesses dos pobres, estes por ele representados.

Na áreas pobres não há baixo consumo de jornais por simples rejeição política. Aprendemos na escola que países como o Japão, Inglaterra e Suécia, têm um alto consumo de jornal per capita, por razões econômicas, culturais e tempo de lazer.

Vejo a internet como o caminho da pluralidade nas informações. Mas é preciso reconhecer que notícias decisivas para a sociedade são obtidas a partir de estruturas com investimento pesado. Uma boa parte do dinheiro é usada para checar as informações, algo que nem sempre acontece nos blogs.

Ao dizer que o Globo, um jornal simpático ao governo que apóia no Rio, não chega à baixada e misturar isto com a internet é um equivoco completo. Nunca os grandes jornais chegaram tanto nas regiões metropolitanas, quanto agora. A expansão vai além do papel, como diz o próprio slogan do jornal que ele criticou.

Lula confunde sua popularidade com o tipo de imprensa que ele gosta. As pesquisas sobre as duas, mostram um alto índice para o ex-presidente e números miseráveis para a televisão que criou.

Não tenho procuração para defender os grandes jornais. Trabalho neles desde menino. Reconheço que a internet pode ter roubado algum espaço às ediçõe simpressas. Mas só perde o espaço que se tem. Muitos assinantes preferem o jornal virtual, transitam do papel para o computador, o Ipad ou mesmo o telefone celular.

Milhares de novos leitores chegam via internet. O aumento de influência ainda não se materializou em aumento de lucros pelas próprias características da internet. Mais cedo ou mais tarde o encontro vai se dar.

É mais realista pensar assim do que avaliar os jornais confinados apenas à sua forma impressa. Supor que milhares de produtores isolados vão substituir as estruturas de produção de notícias é um equívoco. Eles vão interagir como elas, como fazem blogueiros e redes sociais.
Lula não acabaria a semana com um beijo na boca por um simples impulso sentimental. É a história do microfone e do pegar no pé. O beijo foi apenas foi uma forma de usar o microfone. E esperar que peguem de novo no seu pé.

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08.janeiro.2011 10:12:34

Saudades da Varig

Quase sempre, quando há solenidade importante, com presença de autoridades, aparece um grupo de aposentados da Varig com cartazes afirmando que foram abandonados assim como foi a empresa. Uma série de 13 telegramas da Embaixada americana no Brasil, divulgada pelo Wikleaks, confirma esta de denúncia. Aliás, como grande parte dos vazamentos, trata-se de algo que todos sabiam. O governo hesitou entre salvar a Varig e entregá-la à iniciativa privada. Naquele momento, estava pressionado pela crise do mensalão e se recusou a repassar para a empresa R$1 bilhão, relativo à divida oficial com ela.

A crise aérea, com atrasos, greves de controladores e a incapacidade da Anac foram alguns dos temas dos telegramas críticos. De fato, o governo Lula não respondeu como devia às necessidades do setor. Nem as companhias, que ficam meio escondidas na história, mas também são responsáveis.

Um dos mais interessantes telegramas revela uma fonte do Planalto justificando ideologicamente o abandono da Varig: por que financiar a elite se os pobres andam de ônibus e metrô? Esta fonte não podia imaginar que o setor estava crescendo e os pobres, progressivamente, teriam acesso ao meio de transporte mais rápido. Se a justificativa for sincera, como explicar o foco no trem-bala agora, etapa em que grande parte das populações metropolitanas ainda sofre com o transporte cotidiano?

Foi um erro deixar a Varig morrer. Não sei se resistiria ao novo momento da aviação brasileira. Mas a verdade é que saneada, a empresa teria chance num mercado que cresce 20 por cento ao ano. Os americanos mencionam o mensalão e dúvidas sobre o papel no estado como elementos que inibiram o governo. Os aposentados e funcionários, as vezes, vão mais longe e insinuam que interesses comerciais também tiveram peso. É o tipo de história que ainda levará algum tempo para ser contada com precisão.

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03.janeiro.2011 22:05:19

Primeiro dia útil

Qual será seu primeiro ato de governo? Os jornalistas fazem muito esta pergunta aos candidatos. Está acabando o primeiro dia útil do ano. Não houve nada de bombástico até agora. Apenas declarações de intenções. A presidente Dilma, que começou no domingo, recebeu o Primeiro Ministro da Coreia do Sul e o trem bala talvez tenha sido o tema mais importante em suas conversas diplomáticas do dia. Os ministros manifestaram suas intenções: Maria do Rosário,  de Direitos Humanos, enfatizou a criação da Comissão da Verdade; nas Comunicações, Paulo Bernardo anuncia a tendência de criação de uma Secretaria de Inclusão Digital; na Pesca, Ideli Salvatti quer levar o peixe à merenda escolar, e a nova Secretária de Política para Mulheres, Iriny Lopes, declarou que a legislação sobre aborto não deve ser modificada. Alguma coisa pode ter escapado ao meu giro pelo Brasil, mas o que li hoje sobre o governador do Espírito Santo informa que começou cuidando de um plano para as chuvas. O mais ousado da região sul, foi Beto Richa do Paraná: moratória de 90 dias. Em Santa Catarina , o primeiro dia foi  marcado pelo anúncio do novo Chefe de Polícia. Tarso Genro reuniu secretários e formulou uma proposta de sessões extraordinárias na Assembléia. Em  São Paulo, Alckmin resolveu fazer um corte no orçamento: R$1,5 bilhão. Em Brasilia, Agnelo Queiroz suspendeu por cinco dias de exame as licitacões no  Distrito Federal.  No Pará, Simão Jatene reclamou da dívida de R$400 milhões deixada pela antecessora e no Rio Grande do Norte, Rosalba Ciarlini, afirmou que o estado iria entrar em economia de guerra. Nos lugares onde govenadores iniciam um segundo mandato, de um modo geral, foram reuniões de pajelança. Em Alagoas, Teotônio Vilela, prometeu mais ousadia. O dia está apenas terminando, pode haver supresas.  Mas hoje, compreendo melhor porque os candidatos são evasivos diante da clássica pergunta: qual será seu primeiro ato de governo, Não é tão romântico quanto parece. PS: Agnelo Queiroz, no fim do dia, demitiu 15 mil funcionários comissionados e determinou um mutirão para limpar Brasília, que está muito suja, por causa da greve dos funcionários da Novacap.

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