Bater nesta fusão do Pão de Açúcar com o Carrefour já e nos jornais de hoje um movimento comum. Sobretudo pela participação do BNDES que entrará com R$4 bilhões no negócio.
O que falta ainda é explicar as razões dessa decisão. Muito provavelmente, o governo voltará atrás, antes de se explicar. O Ministro Fernando Pimental, do Desenvolvimento, afirmou que o governo entrava no negócio por causa da omissão dos bancos privados.
Mas os bancos privados são omissos em inúmeros outros campos, como o do saneamento básico, por exemplo. A ideia de cobrir com o dinheiro do Estado as lacunas deixadas pelos bancos particulares não nos exime de um critério de prioridades.
Uma vez escrevi aqui um texto sobre Dilma-Lula, Medvedev-Putin, mostrando algumas semelhanças entre a Rússia e Brasil. Uma das mais importantes é presença do estado na economia, promovendo fusões e alavancando empresários considerados amigos.
Na verdade, tanto os políticos saídos do velho comunismo soviético, como os oriundos da esquerda brasileira tornaram-se empresários nas empresas estatais. Eles têm uma visão própria do fortalecimento do estado e do tipo de iniciativa privada que deve coexistir com ele.
Na Rússia, as coisas são mais pesadas. Não são apenas esculpidas fusões, como a OI-BrTelecom ou como esta agora do Pão de Açúcar com o Carrefour. Empresários independentes são perseguidos , expulsos ou presos e jornalistas criticos mortos misteriosamente.
Aqui no Brasil é tudo mais suave. As amizades podem ser compensadas com isenção fiscal ou com uma substancial injeção financeira em caso de fusão.
Às vezes isto é lavado ao paroxismo por governantes provincianos, como o do Rio, que isentou até o salão de beleza usado pela mulher.
Mas o movimento geral é e de conformar um poderoso capitalismo de estado, apoiado pelos fundos de pensão e pelos conglomerados que o governo ajudou a criar.
Qual o único argumento por baixo de tudo isso? O nacionalismo. Criar uma empresa empresa telefônica nacional, aumentar o peso do Pão de Açúcar no exterior. Nada disso parece contraditório para eles. Identificam-se com o estado, na verdade sua capacidade de diferenciá-lo do partido é mínima. O Brasil são eles e tudo é feito para o bem do Brasil.
E ainda há uma pelotão de linchamento na internet para quem os critica. É interessante observar o destino das idéias clássicas de esquerda nesse princípio de século XXI. Já não temos mais brigadas voluntárias lutando na Espanha contra o regime de Franco, mas sim pequenos grupamentos ao lado da Oi-BrTelecom e alguns esquadrões do Pão de Açúcar-Carrefour.
Na história, a transformação do drama em farsa é até mais freqüente do Marx previu.
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Existem muitas razões para se suspeitar do regime de licitações, aprovado ontem na Câmara, contra apenas 88 votos.
Uma delas é o fato de as campanhas majoritárias no Brasil serem muito dependentes das empreiteiras. Inúmeros casos de superfaturamento foram vistos, ao longo da história, como uma espécie de recompensa dos governos à ajuda eleitoral de empresas.
Nas obras da Copa do Mundo haverá dispensa do projeto básico e não será dito o quanto o governo pode gastar, para evitar cartéis e manipulação dos preços.
Acontece que os governos , diante das empreiteiras, ficam dotados de mais uma moeda de troca: a informação.
Os vazamentos passam a ser mais um fator de enriquecimento, sobretudo quanto tantas consultorias se entrelaçam na política e nos negócios.
Nesse momento, o pais está financiando o Pão de Açúcar e o Carrefour, em processo de fusão, com um aporte de R$4 bilhões do BNDES. O argumento é que o Pão de Açúcar poderá se internacionalizar.
Mas os franceses já não são internacionais? O que vai acontecer, na verdade, com a brutal concentração, será um aumento de preço ao consumidor, cada vez mais indefeso diante de grandes conglomerados.
Num outro país, alem do CADE, Conselho Administrativo de Defesa Econômica, o Congresso ficaria interessado e examinaria o negócio em todos os seus detalhes.
No Brasil, o surgimento de uma empresa que será apenas menor que a Vale e a Petrobrás, não deve suscitar grandes dúvidas no Congresso, mas sim uma grande esperança de ajuda nas campanhas eleitorais.
Se Abílio Diniz não tivesse se aproximado tanto do PT, conseguiria colocar o BNDES, no centro do negócio? É uma interrogação que ainda não foi respondida.
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2011