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Hora de voltar ao continente. Dedico a manhã de hoje à Enseada do Abreu para conhecê-la e trazer algumas imagens.

Saio de Noronha com muito material que precisa ser elaborado. Desde quando cheguei, entretanto, já pensava que a política pode ter uma repercussão no destino do arquipélago.

O governador de Pernambuco, Eduardo Campos, tem pretensões nacionais. Noronha pode aumentar ou diminuir a simpatia em torno de seu nome. A opção por um projeto sustentável seria uma resposta.

Tartaruga monitorada pelo projeto Tamar.(foto FG)

As vezes quando  alguém de oposição faz uma sugestão dessas, o governo desconfia e a trata com má vontade. Acabamos de passar algo parecido com a proposta de demissão de Carlos Lupi.

Dilma resistiu para mostrar força, na suposição de que tudo o que adversário pede é o contrario simétrico do que ela precisa fazer.

OO patrimônio histórico está arruinado e o da II Guerra ocupado por sem teto.(Foto FG)

Esse será um tema do começa da semana, embora na essência já se esgotou. Não há o que falar mais do caso Lupi.

As vezes vejo na inflexibilidade momentânea o fato de Dilma não ter enfrentado muitas eleições. Mas minha tese não prospera, pois Lula, que esteve em todas as eleições do período democrático, também era contra a saída de Lupi.

Continuo à espera de mais sinais para entender.

Nesta semana, gostaria de abordar um pouco o campeonato brasileiro. Assisti a muitas partidas pela tevê. Mas sobretudo estive em cidades diferentes e viajei pelos aeroportos aos domingos.

É impressionante passar por um bairro de classe media em Manaus e ver a família erguendo uma bandeira do Vasco da Gama na varanda. Ou ver de, repente em cidades menores, surgir um motociclista com a bandeira do Coríntias. Para mencionar apenas os líderes.

Nos saguões, muitos passageiros com camisas de seus clube. Em termos de emoção o futebol foi bem. Em termos técnicos tenho dúvidas.

Saudades me trouxeram a Noronha.(foto FG)

Mas isso é apenas um pequeno programa para a semana que entra. Antes do voo, vou dedicar às horas que restam ao sentimentos que me trouxeram aqui.O reencontro com a netinha de coração e através dele a certeza de que é preciso fazer algo pelo futuro de Noronha.

Nada melhor do que recolher  material e continuar estudando. Temos caminho pela frente.

PS;  Aviso que o artigo sobre a Cabeça do Cachorro na Amazônia, saí hoje no caderno Aliás do Estado de São Paulo

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Sai ao amanhecer para ver o cotidiano começar na ilha. Fui direto ao porto, onde há uma grande obra. Como em outros pontos do Brasil muita discutida quanto aos cuidados ambientais e a relação gastos e realizações concretas.

No porto, equipes uniformizadas das empresas de mergulho chegam cedo para baixar as garrafas de oxigênio. Existem três empresas explorando o negócio de Noronha e ele parece  continuar a crescer.

Mergulho em dimensão empresarial em Noronha.( foto FG)

O espírito empresarial é um dos traços que, nesse momento, definem Fernando de Noronha. O próprio Parque Nacional Marinho será administrado pela empresa que já administra o Parque de Iguaçu.

Por outro lado, a pressão do turismo, com o pais crescendo, tende a aumentar. Os grandes navios trazem turistas  em numero muito maior do que os aviões de 45 passageiros da Trip.

Saí do porto e fui para a trilha que leva à Baia dos Golfinhos, onde há sempre um grupo de observadores esperando a aparição dos alegres visitantes que deram o nome à baia.

No meio de trilha encontrei dois ratos que se esconderam entre os arbustos. Mais tarde encontrei uma preá que aqui é chamado de mocó

Os ratos na trilha podem ser um sinal de que  seu número está crescendo na ilha. Na tarde anterior, passei pelo depósito de lixo e havia um grande acúmulo de resíduos à espera de  barcos para levá-los ao continente. A coleta está irregular.

Visão parcial da praia do Sancho.(foto FG)

 Um pouco mais adiante comecei na ilha as noivinhas, as aves brancas que sempre fizeram parte desse cenário natural. Na volta, usamos outra trilha, a que dá vista para a Baia do Sancho e sua praia maravilhosa, considerada por muitos a mais bonita do Brasil.

As noivinhas deitam sobre os ovos nas árvores e não constroem ninhos.(fogo FH)

Ainda na trilha dos golfinhos encontrei um tronco de mulungu que tem uma história singular. No passado, Noronha era um presídio e muitos tentaram fugir boiando num tronco de mulungu.

Tronco do mulungu.(foto FG)

Acontece que sua madeira encharcava rapidamente e o fugitivo naufragava. Mas existe, segundo os entendidos, uma .  técnica de “fumegação” para tornar o tronco do mulungu impermeável.

 Com amigos que moram aqui, tenho conversado sobre o futuro de Noronha. Essa combinação de um espírito empresarial com uma demanda maior do turismo é a tendência.

A única saída é ressaltar a importância natural do arquipélago  e trabalhar por uma visão sustentável. Numa das praias daqui, a do Boldró, já se notou, muitas vezes a presença de esgoto.

Há mais gente na ilha do que a infraestrutura comporta. Para um Parque Marinho que abranje 70 por cento da área terrestre e marinha até 50 metros de profundidade, isso é um sério problema.

Um monumento entre a baia dos Golfinhos e o Sancho.(foto FG)

Entre a visão empresarial voltada para os lucros e conservação dessas ilhas oceânicas pode não haver incompatibilidade. Desde que todos aceitem que estão num Parque Marinho e que esta realidade determine o projeto de exploração.

 

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Fernando de Noronha- Sempre que venho aqui lembro-me que, no passado, o lugar foi usado para confinamento de opositores políticos.

É um lugar bonito e vem também à lembrança da ilha em que Pablo Neruda foi confinado, tema de um filme do livro de  Antonio Skármeta, O Carteiro e o Poeta.

Mas logo ao chegar, constatei que  a presença de um grande navio  com 300 passageiros movimentou a ilha . Soube que os grandes navios chegam duas vezes por semana.

Começou a temporada dos grandes navios(foto FG)

O de hoje, segundo me disseram alguns moradores, foi um pouco mais complicado. Os passageiros não estavam informados de que não podiam descer todos para conhecer a ilha. O limite imposto pelo IBAMA é de 150.

A outra metade teve a opção de um passeio de barco. Fernando de Noronha tem três voos diários, dois da Trip, um da Gol. Os taxis aqui são bugres e estavam todos ocupados, levando três ou quatro passageiros.

Há uma novidade pós réveillon: dois guardas rodoviários de motocicleta. Na passagem de ano, morreram três  pessoas em acidentes de trânsito.

O  único desastre que encontrei no caminho foi um sapo atropelado na estrada que dá na praia do Sueste.

Ele morreu como se estivesse de pé, tentando escapar, depois de ferido. Mesmo que  a morte do sapo seja um episódio isolado, a presença de dois guardas de motocicleta indica que há uma tensão no trânsito.

Uma vítima de atropelamento, motociclistas patrulham o trânsito.(foto FG)

Fui visitar o Hotel Esmeralda que voltou às mãos do Ibama mas, na imediações, fiquei impressionado com o que restou do alojamento dos norte-americanos em Noronha, construídos durante a II Guerra.

Alguns estruturas de metal foram ocupadas por famílias  sem teto e parecem um imenso container. Outras foram destruídas, completamente, mas os despojos não foram retirados dali.

No caminho, vi que algumas casas populares foram construídas e devem ser entregues nas próximas semanas. Será que vão ser a alternativa das pessoas que ocupam aqueles containers?

Os despojos da estrutura americana deveriam ser retirados e o que restou de pé transformado numa atração turística, explicando o papel que o arquipélago teve na II Guerra.

Acabo de chegar. O navio atravessou minhas lembranças do  tempo em que se confinavam opositores políticos aqui. Felizmente, não se vai confinar ninguém mais no Brasil.

Se por uma desgraça isto acontecer, espero que mantenham a tradição dos antepassados e mandem os opositores para cá. É um dos mais belos lugares do país.

Garoto e as tartarugas diante da loja do Projeto Tamar.(foto FG)

 

 

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Parto hoje para Fernando de Noronha onde vou visitar uma netinha de coração, que vive lá. Aproveito para escrever um texto de viagem para o caderno Viagem do Estadão. É um gênero  de reportagem que já fiz algumas vezes, um bom trabalho para o fim de semana. Trarei fotos feitas em terra e mar e espero complementar com as belas imagens submarinas que são feitas pelas pessoas de lá.

Dois Irmãos, uma das imagens mais difundidas de Noronha.

Nesse período tentarei alimentar o blog. Gosto da luta para conseguir  esse tipo de conexão que só aparece em alguns momentos, em alguns lugares. Tanto sinal do telefone como a conexão da internet são bastante fugazes. Muitas vezes os perdemos porque passam sem serem percebidos. Mas é uma espécie de gincana

Em outra dimensão, essa ida a Fernando de Noronha me lembra luta dos moradores para que a ilha voltasse às mãos do governo federal. Procurado por eles, cheguei a formular a emenda constitucional, mas a volta ao governo da união   dependia de plebiscito em todo Pernambuco. Era impossível vencer .

Hoje, duvido se o problema é  mesmo estar nas mãos de Pernambuco ou do governo federal. A resposta é a cooperação entre os dois. Os problemas ainda não se tornaram insolúveis . O espírito da minha viagem, pela natureza da visita à neta, é de otimismo. Sem perder o contato com a realidade.

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Ao descrever a situação de Fernando de Noronha mencionei o preço da gasolina e fui, justamente, ironizado pelos leitores. Não reproduzi todas as noticias que falam também da falta de gás e da ausência do serviço de correios, desde o fim do ano passado.

Sou favorável a veiculos não poluentes em Fernando de Noronha. Mas o alto preço da gasolina não representa uma política no sentido de estimular a passagem para outra fonte. É pura especulação. No momento ainda existe uma pequena frota,alguns utilitários importantes para os que trabalham lá..

Tudo isso poderia ser equacionado num projeto de gestão de Fernando de Noronha que é um patrimônio natural mas  cobra uma taxa de R$30 por dia ao visitante.

Tentei junto a alguns deputados de Pernambuco, sobretudo Raul Henry que o tema fosse colocado na campanha eleitoral de lá. Tenho certeza de que a importância do arquipélago  será reconhecida em termos de uma nova visão administrativa.

As coisas não são tão complicadas: o Brasil tem nas mãos uma área de grande beleza natural, pode explorá-la de uma forma inteligente e estratégica, ou pode tratá-la com descaso. Vou continuar insistindo na primeira hipótese. Sem gasolina, por favor.

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Fernando de Noronha é dos lugares mais bonitos do Brasil. Mas até quando? Existe um processo de constante degradação do arquipélago. Os jornais falam de desabastecimento. Falta muita coisa e a gasolina é a mais cara do país: r$3,70 o litro.

Tudo isso são apenas sintomas de um problema mais profundo. Desde que foi transferido para Pernambuco, não houve um debate sobre a administração do lugar.

Alguns moradores insatisfeitos, me procuraram ainda no fim do século, em busca de uma saída. Tentamos uma emenda constitucional devolvendo Fernando de Noronha ao poder federal. Não funcionou porque se houvesse plebiscito, seriam todos os votos de Pernambuco contra pouco mais de dois mil votos na própria ilha.

A única saída real é convencer os pernambucanos que têm algo muito importante nas mãos e precisam de uma concepcão especial para administrá-lo. Fernando de Noronha poderia ser um modelo de exploração sustentável. A único tentativa de usar fontes limpas de energia fracassou porque um raio destruiu a torre eólica.

Políticos e artistas frequentam Fernando de Noronha. Mas ainda não foram capazes de uma conspiração a favor do arquipélago. O governador Eduardo Campos que busca projeção nacional poderia aceitar a idéia de que Noronha é uma vitrine e optar por uma administração à altura. É um jogo em que todos ganhariam.

Visão da Baia dos Golfinhos

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  • Dany: Gostei da sua ideia.Louvo sua coerência e sinceridade,prezado Fernando.

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