LIMA – Começo minha viagem de volta ao Brasil. Saio do Peru muito impressionado com os avanços que o país alcançou, desde a queda de Fujimori, época de minha visita anterior. Saio com uma visão tranquila porque esse filme de bolsa caindo e nervosismo apos a vitória de uma coligação de esquerda já aconteceu no Brasil.
O núcleo da equipe econômica é o mesmo de Alejandro Toledo, ex-presidente, que iniciou a preparação do país para uma nova fase de crescimento. Pode ser que as coisas aqui sejam mais complicadas. Mas de um ponto de vista parlamentar, talvez sejam mais fáceis. Humala elegeu 47 deputados e tem no apoio de Peru Posible, de Alejandro Toledo, a chance de maioria no Parlamento.
O primeiro embate será no campo econômico e as empresas mineradoras devem resistir a um imposto maior sobre seus lucros. Mas o próprio presidente da Bolsa de Valores de Lima, Roberto Hoyle, admite que esse não é o grande problema porque Keiko Fujimori também anunciou que iria taxá-las mais severamente.
Já saiu a equipe de transição e o país se prepara rapidamente para o novo governo, que toma posse em agosto. Vamos continuar monitorando. Na sexta, no Estadão, publicarei um artigo sobre a nova situação continental, tentando explicar por que a esquerda ganhou aqui e perdeu em Portugal, no mesmo dia. Existe um vínculo interoceânico entre essas duas eleições?
Hora de voltar. Chamo a atenção para um dado novo e curioso sobre o Peru. A cozinha peruana obteve um enorme avanço no mundo. Um dos seus chefes, Gastón Acurio, é considerado um dos dez melhores do planeta. No Chile, os restaurantes peruanos já são mais caros que os restaurantes franceses.
Espero que este belíssimo país continue evoluindo, embora alguns sobressaltos sempre possam marcar seu percurso.
Leia a cobertura completa sobre a transição no Peru no estadão.com.br
Tags: Bolsa de Valores, empresas mineradoras, Ollanta Humala
LIMA – A Bolsa de Valores de Lima acaba de fechar suas atividades ao começar com uma queda de 8,75%. O fechamento temporário foi decidido para evitar um colapso maior nas próximas horas. Segundo as autoridades financeiras, o procedimento é rotineiro e tomado para acalmar os mercados. As empresas mineradoras são as principais atingidas pela queda. O fechamento decidido às 9h locais deve durar duas horas.
Crescimento com inclusão social. Este é o principal tema da política econômica de Ollanta Humala, que prevê manter a independência do Banco Central e o regime de meta de inflação.

Táxi-bicileta na periferia de Lima (Fernando Gabeira/AE)
Para garantir a implantação de seu projeto, o Gana Peru, partido de Humala, pediu ao governo um plano de contingência para evitar o movimento especulativo, a partir de hoje, na Bolsa de Valores.
O governo Allan Garcia respondeu, prontamente, que tem um plano de contingência e vai colocá-lo em prática, caso haja especulação. A ex-ministra das Finanças Mercedes Arioz, no entanto, tem uma capacidade limitada de intervenção no mercado e seu principal instrumento é a fixação da taxa de juros.
Com injeções de dólares nos mercados financeiros, o governo peruano pode impedir que a moeda local – o sol – caia, mas nada pode sobre a queda na Bolsa de Valores.
O ex-candidato a presidência Pedro Pablo Kuczinsky, adversário do governo eleito, afirmou que a queda no movimento da Bolsa de Valores é “inevitável”. Segundo ele, o mercado financeiro é mais volátil que a economia real e as mineradoras têm grande importância na Bolsa.
Um dos temas da campanha foi o dos ganhos excessivos das companhias mineradores e a tendência da equipe de Humala de criar um imposto especial no setor. No campo da política a expectativa gira em torno da escolha do primeiro- ministro. Aqui o ministério tem um presidente que funciona como um primeiro-ministro. Nesse campo, espera-se um nome comprometido com a democracia.
Tags: Banco Central, Bolsa de Valores, empresas mineradoras, Ollanta Humala, política econômica
LIMA – Em entrevista concedida em Madri à TV peruana, o escritor e prêmio Nobel Mário Vargas Llosa afirmou que a vitória de Ollanta Humala é um motivo de festa para o país porque “o fascismo peruano foi derrotado”.

Álvaro Llosa, de mãos erguidas, representou o pai no palanque de Ollanta (Fernando Gabeira/AE)
Vargas Llosa manifestou a esperança de que Humala atenda as aspirações da nova classe media emergente que não só quer mais prosperidade mas melhor trabalho do estado. “Espero que Ollanta Humala não tente uma política revolucionária desastrosa como a de Hugo Chávez, na Venezuela, para não falar em Fidel Castro”.

Fila de votação no colégio Santo Agustín (Fernando Gabeira/AE)
Um dos peruanos mais conhecido no mundo, Vargas Llosa apoiou Humala no segundo turno, depois de ter votado em Alejandro Toledo, da coligação Peru Posible, no primeiro turno. Indagado se viria para a posse de Ollanta Humala, o escritor respondeu com uma gargalhada: “Já coloquei meu grão de areia. A mudança de poder é uma solenidade que pode muito se realizar na minha ausência”.

Tudo azul para a esquerda nas urnas da periferia (Fernando Gabeira/AE)
Tags: Álvaro Vargas LLosa, classe média, Hugo Chavez, Ollanta Humala
LIMA – Ollanta Humala é apontado como o novo presidente do Peru pela pesquisa de boca de urna da empresa CPI, que dá 52,5% dos votos ao candidato do Gana Peru, contra 47,5% a Keiko Fujimori, da Fuerza 2011.

Ollanta Humala é considerado o novo presidente do Peru (Fernando Gabeira/AE)
Com esta decisão, o Peru, um dos países que mais crescem no continente, aproxima-se do bloco continental de governos de esquerda, que vai da posição moderada do Brasil à área bolivariana na qual estão Venezuela, Bolívia e Equador.
Onze milhões de peruanos foram às urnas num processo pacífico marcado apenas por um incidente na região de Cuzco, em que narcoterroristas assassinaram cinco soldados do exército peruano.
Na manhã de domingo, depois de correr três quilômetros seguido pelas câmeras, Humala recebeu a imprensa estrangeira em um café da manhã no qual reafirmou sua confiança na vitória. No princípio da tarde, Humala e sua equipe se concentraram no hotel Los Delfinos onde deverá fazer um pronunciamento. A comemoração da vitória será na praça 2 de Mayo.
Com a vitória de Humala, em uma eleição acompanhada por observadores internacionais, é preciso esperar ainda suas primeiras decisões para compreender o alcance das mudanças.

Votação no colégio Alfonso Ugarte, em San Isidro (Fernando Gabeira/AE)
Um dos pontos em suspenso é como vai proceder com as grandes empresas de mineração, questionadas em Puno e outras regiões. Ollanta afirmou que elas obtinham um ganho excessivo mas não explicitou ainda qual será sua tática. Alguns analistas aqui acham que, apesar de alguns jornais continuarem criticando, a tendência do empresariado e de grande parte da imprensa é de aderir ao novo governo.
A eleição no Peru foi digital apenas no distrito de Pacaran, como experiência para o futuro. As apurações devem ser feitas até amanhã. Mas com o resultado da boca de urna muito acima da margem de erro, as comemorações já começaram.
Quando Allan Garcia derrotou Ollanta Humala, a mesma empresa de pesquisa apontou uma distância de cinco pontos percentuais na boca de urna.
Brasil. Como Ollanta Humala cancelou uma visita ao Brasil no auge da campanha, é possível que o País seja o primeiro a receber uma visita, depois de se ele tornar presidente do Peru.
Simplificação. Durante todo o dia percorri algumas das 888 urnas em Lima constatando não só a normalidade mas a ausência de filas. Isso se deve também à simplificação do segundo turno. Percorri algumas urnas de Callao, assim como de San Martín de Porres, um bairro mais pobre em que uma boa parte dos eleitores veio votar de moto-táxi. Aqui eles são cobertos e podem transportar um casal com dois filhos pequenos.
Até chegar à presidência, Ollanta Humala atravessou uma grande barreira de denúncias, do recebimento de suborno de narcotraficantes até o desrespeito aos direitos humanos, quando era comandante de uma base militar em Madre Mia. A última denúncia contra ele foi do ex-secretário de Bush para a América Latina, Roger Noriega. Noriega, sem apresentar provas, afirmou que Hugo Chávez enviou US$ 12 milhões para a campanha de Ollanta Humala.
Humala teve o apoio de Mário Vargas Llosa e da maioria dos intelectuais e artistas peruanos. Alem disso, ficou ao seu lado o ex-presidente Alejandro Toledo, que concorreu com a coligação Peru Posible.
LIMA - Deu Ollanta Humala. Nesse momento, com uma pesquisa da boca de urna com cinco pontos percentuais de frente, não há muita dúvida. As pessoas comemoram na praça 2 de Mayo, no centro de Lima.
Foi um dia intenso. Os peruanos nos indicaram um colégio eleitoral para cobrir. Era o mais organizado. Fica em San Isidro. Consegui escapar para o lado mais pobre da cidade. Foi um grande domingo para mim. Eles têm verdadeiros restaurantes a céu aberto. Famílias inteiras almoçam ao ar livre. E a comida é boa. Os peruanos têm uma excelente cozinha.
As fotos que mostro aqui foram feitas num bairro chamado San Martín de Porres. Apesar do dia cinzento em Lima, ali há uma explosão de cores e vitalidade. As motocicletas que trabalham como táxi são cobertas com uma lona e as cores são impressionantes.
Até uma llama cruzou no nosso caminho. Ela veio para a festa eleitoral. Eis uma síntese visual do dia.

Ollanta recebeu a imprensa no café da manhã (Fernando Gabeira/AE)

A mulher, Nadine, ao lado de Sami, o filho do casal, que tem duas meninas (Fernando Gabeira/AE)

Eleitores de classe média, em San Isidro (Fernando Gabeira/AE)

Llama: uma presença inesperada (Fernando Gabeira/AE)

Na periferia, o transporte vai mudando de figura (Fernando Gabeira/AE)

Garoto perto do posto eleitoral em San Martín (Fernando Gabeira/AE)

Um pequeno parque em San Martín (Fernando Gabeira/AE)

As ruas nos bairros mais pobres são restaurantes ao ar livre (Fernando Gabeira/AE)
Tags: Lima, Nadine Humala, Ollanta Humala, San Martin de Porres
LIMA – A cidade acordou sem sol na véspera das eleições. O dia de sexta-feira foi marcado pelas últimas reuniões em todos os comitês eleitorais dos candidatos.

Reunião final no comitê de Ollanta (Fernando Gabeira/AE)
O dia de hoje é todo dedicado à preparação das eleições. É o dia em que o braço operativo da justiça eleitoral, a ONPE, realiza seu trabalho mais visível. Centenas de caminhões saíram do Escritório Nacional de Processos Eleitorais, com o objetivo de levar as cédulas e o material das mesas. Esta será talvez a última eleição com cédulas de papel. No distrito de Pacuran, distante três horas de Lima será feito amanhã o primeiro teste com o sistema eletrônico.

Cabine como as brasileiras (Fernando Gabeira/AE)
O Jurado Nacional corresponde ao nosso TSE. Na manhã de hoje, os operários desmontaram a tenda branca usada para a solenidade em que foram entregues as credenciais aos observadores estrangeiros.
Os dois candidatos vão votar ao mesmo tempo, no mesmo colégio eleitoral, Surco, porém em secções distintas. Ollanta Humala votará na Universidade Ricardo Palma. Keiko Fujimori votará no no colégio Manuel Polo Jimenez.

No tribunal eleitoral operários desmontam a tenda de credenciais (Fernando Gabeira/AE)
Na última eleição, os eleitores reclamaram por causa do batalhão de fotógrafos. Para se ter um bom lugar, os fotógrafos começam a ocupar o espaço ao amanhecer.
Mas Lima tem 888 pontos de votação. Pretendo percorrer o máximo possível, daí minha opção de abandonar os candidatos pela manhã e me concentrar nos eleitores.
No princípio da noite, então, vou percorrer os pontos onde os dois estarão esperando o resultado. Está tudo tão pronto que até algumas ruas de Lima foram lavadas para a ocasião.

Lavando as ruas para as eleições de domingo (Fernando Gabeira/AE)
Tags: Jurado Nacional, Keiko Fujimori, Obesrvadores Estrangeiros.Ollanta Humala, ONPE
LIMA – Lima é uma cidade cheia de cores e situações surpreendentes. É de enlouquecer quem queira capturar isso no primeiro momento. São diferentes culturas coexistindo, improvisações inspiradas tão comuns nas capitais latino-americanas.
Mas o tempo foi muito curto. Antigamente, trabalhávamos para um veículo. Agora trabalhamos numa plataforma. Só depois das eleições de domingo poderei respirar. Limito-me agora à vista diante do hotel, o famoso Palácio da Justiça, ao interior do próprio hotel e alguma coisa colhida do táxi, quando engarrafamos.

Palácio da Justiça em Minas (Fernando Gabeira/AE)
Tivemos dois dias de sol. Não sei quando ele voltará, se é que volta antes da partida. Da última vez que estive aqui, nem vi o sol direito. No entanto, saí com inúmeras imagens que me pareceram interessantes.

Tapete vermelho do Palácio da Jusiça (Fernando Gabeira/AE)
Vamos torcer para que haja sol, depois de domingo, no Peru. E que haja sorte para este importante vizinho ao qual estamos ligados por muitos laços e uma interoceânica amizade.

Visão interna do Sheraton de Lima (Fernando Gabeira/AE)
PS: No Estadão de sábado e também no de domingo reportagens sobre a situação.
LIMA – Terminou a campanha eleitoral no Peru esta noite com dois comícios, próximos um do outro, mas sem incidentes. A policia ocupou as principais ruas do centro e milhares de pessoas, na Praças Bolognesi e 2 de Mayo, ouviram seus candidatos e os artistas convidados. Sob muitos aspectos os candidatos são parecidos. O início dos discursos é voltado para o combate à pobreza, ambos cantam o hino nacional antes do início de sua fala e ambos garantem que o Peru vai continuar crescendo.

Laranja: cor predominante na campanha de Keiko (Fernando Gabeira/AE)
Uma diferença clara é entre seus fantasmas. Num discurso, Hugo Chávez é vaiado quando seu nome vem à tona. No outro, é Alberto Fujimori, pai de Keiko Fujimori, que recebe a hostilidade da massa.

Comício de Humala, Fujimoris são condenados (Fernando Gabeira/AE)
No comício de Ollanta Humala as pessoas chegaram a pé e cantaram o hino. No comício de Keiko Fujimori, as pessoas apenas ouviram o hino e chegaram em muitos ônibus estacionados numa rua chamada Xota. Keiko Fujimori prometeu uma bolsa família para completar o orçamento doméstico dos pobres, alem de leite e almoço gratuito nas escolas públicas. Parece um programa de esquerda.
Mas ela falou que seu objetivo, ao lado de Hernando de Soto, é tornar o Peru um país de proprietários através da distribuição de títulos de posse.

Cena no comício de Ollanta Humala (Fernando Gabeira/AE)
No palanque de Ollanta a todo instante falava-se de nacionalismo e apareceu para apoiá-lo Álvaro Vargas Llosa, filho do escritor Mário Vargas Llosa. Álvaro é um dos autores de um livro intitulado O Idiota Latino-Americano, em que critica as teses da esquerda, entre elas o nacionalismo. Mas ele e o pai conhecem bem o que foi o governo Fujimori e criticam abertamente alguns setores da igreja, do empresariado e da imprensa que se aliaram ao projeto de Keiko.
Já é de madrugada no Peru. Amanhã tento explicar um pouco melhor como se chegou a esta polarização.

Keiko no último discurso da campanha (Fernando Gabeira/AE)
Tags: Álvaro Vargas LLosa, Hernando de Soto, Keiko Fujimori, Ollanta Humala
LIMA – No último dia de campanha permitido pela lei eleitoral, o sol apareceu por aqui, coisa rara em junho. Dizem que é o sol da democracia. Distante apenas algumas quadras, Keiko Fujimori e Ollanta Humala, na praça Bolognesi e 2 de Mayo, fazem seus discursos finais.

Funcionários fazem últimos ajustes na montagem do palanque de Keiko Fujimori nesta quinta
O clima é de tensão porque a bolsa caiu hoje 5,95 %, a maior queda desde abril. Os investidores expressam sua insegurança diante de uma eleição em que o centro naufragou e a direita e a esquerda disputam o poder.
Veja também:
Pesquisa aponta queda na vantagem de Keiko
TV Estadão: comentários sobre a reta final
Acompanhe a cobertura das eleições no blog
NUESTRA AMÉRICA: Raio-X das eleições no Peru
Na bolsa de denúncias de última hora, apareceu um traficante chamado Antonio Mori Sandoval afirmando que Ollanta Humala, quando comandava a base militar de Madre Dio, recebeu propinas do tráfico para que a pista de aviação fosse usada. Ollanta é acusado também de violação de direitos humanos quando dirigia a base.

Montagem do palanque de Ollanta Humala nesta quinta-feira
No front conservador, as denúncias de última hora referem-se a fraudes eleitorais. A coligação Gana Peru, de Humala, afirma que as cédulas do segundo turno, na comunidade de Luya, em Chachapoyas, estão marcadas com o símbolo de Keiko Fujimori.
O importante também é que o julgamento do habeas corpus de Alberto Fujimori, pai da candidata, foi adiado para depois das eleições. A pena de 25 anos foi mantida.
Descanso. Tenho pouco tempo para o blog hoje mas ao cobrir os preparativos dos dois candidatos para o comício final, encontrei esta peruana deitada diante do palanque de Keijo Fujimori usando não só a camiseta mas também o K, símbolo da campanha da Fuerza 2011.
(Foto: Fernando Gabeira/AE)
Tags: Alberto Fujimori, bolsa peruana, Keiko Fujiomori, Madredio, Ollanta Humala
SÃO PAULO – O medo de ver Alberto Fujimori e seu grupo de novo no poder transformou o escritor Mário Vargas Llosa, prêmio Nobel, em um dos mais importantes personagens das eleições. Vargas Llosa foi derrotado por Fujimori quando se candidatou a presidente do Peru.
As acusações de corrupção, desrespeito os direitos humanos e autoritarismo derrubaram “El Chino”, como é chamado Fujimori, e lhe valeram uma pena de 20 anos de cadeia. Llosa não ficou contente com as alternativas do segundo turno da eleição peruana que se realiza no domingo. Disse que era uma escolha “entre a Aids e o câncer”. Mesmo assim, resolveu apoiar a candidatura de Ollanta Humala.
Para o escritor, foi um erro o centro se dividir, deixando que as eleições fossem polarizadas entre esquerda e direita. Não lhe coube outra saída exceto criticar os setores conservadores do Peru, os que, segundo ele, apoiam Keiko Fujimori.
Mário Vargas Llosa (Reprodução)
Desde o início da campanha para o segundo turno, Llosa atacou os empresários conservadores, criticou o arcebispo José Luís Cipiriani e agora rompeu com o jornal El Comercio que, para ele, tornou-se a máquina de propaganda de Keiko Fujimori. Llosa escreveu ao jornal El Pais, de Madri, pedindo que cancelasse a distribuição de sua crônica regular, intitulada Pedra de Toque.
Um intelectual, o economista Hernando de Soto, propôs um debate com Llosa. De Soto, que desenvolveu a tese da força do capitalismo informal nas favelas, acha que um liberal como Llosa não deveria apoiar Ollanta Humala.
Intelectuais e cientistas peruanos lançaram um manifesto de apoio a Humala. Todos temem a volta dos Fujimori. Keiko diz que ela é uma coisa, seu pai outra. No entanto, em muitos pontos do país os panfletos da Fuerza 2011 trazem a foto do ex-presidente.
Acompanhe no blog informações sobre as eleições no Peru, a partir de hoje
Tags: Alberto Fujimori, Hernando de Soto, Keiko Fujimori, Ollanta Humala
2011