Mesmo com uma tolerância maior dos países latinos em relação às aventuras sexuais dos políticos, Dominique Strauss-Khan deve ter sua carreira política encerrada. O diretor do FMI , um dos favoritos até a semana passada, certamente sairá da corrida presidencial na França.
Isso não depende tanto do resultado do inquérito que a policia de Nova York está realizando, inclusive com exames de DNA.
É que o fato abriu na imprensa francesa novas especulações sobre o comportamento de DSK. Uma jovem escritora que tentou entrevistá-lo, segundo o Parisien, foi atacada por ele.
O nome da escritora é Tristane Banon. Ela havia denunciado o ataque sexual, mencionando apenas que foi realizado por um político. Mais tarde, ela confirmou que o nome do agressor era Dominique Strauss-Khan. O episódio aconteceu em 2002 quando ela tentava entrevistá-lo para um livro.
A denúncia da escritora foi feita numa entrevista a um tevê por assinatura, Paris Premiere. A mãe de Tristane, a socialista Anne Mansouret confrontou Dominique Strauss-Kahn e ele afirmou que, no episódio, não sabe o que aconteceu e “deve ter perdido a cabeça”.
Ao que tudo indica, este e outros fatos estavam sendo recolhidos pela campanha de Sarkozy e os dois homens públicos franceses tiveram um dialogo áspero num dos intervalos da reunião do Grupo dos 20. DSK disse a Sarkozy que muitos boatos a seu respeito estavam sendo espalhados pelo governo e que iria à justiça, se continuasse a atacar sua imagem.
O correspondente do Libération em Bruxelas, Jean Quatremer, já havia mencionado a tendência de DSK, quando foi apontado para o Fundo. O jornalista afirmou, na época, que o problema do diretor do FMI era sua relação com as mulheres:
-Muito insistente ele, muitas vezes, se aproxima do assedio sexual
A mídia francesa, segundo Quatremer, sabia disso mas não tocava no assunto. Mas ao entrar no FMI, DSK iria dirigir uma instituição com padrões morais anglosaxônicos: qualquer gesto equivocado, poderia resultar em escândalo na imprensa.
O episódio com a economista húngara, Piroska Nagy, em 2008 foi o primeiro grande tropeço de DSK dentro dos padrões do FMI. Ao se relacionar com uma subordinada, ele cometeu, segundo o julgamento do FMI, um erro de avaliação. Nagy foi demitida, Strauss Khan continuou no cargo de diretor.
No momento em que iria dizer se vai ou não disputar a indicação do Partido Socialista, acontece o escândalo em Nova York, marcando o fim da trajetória política de Strauss Khan.
Alguns críticos afirmam que ele queria disputar a presidência sem fazer o esforço necessário para mudar de comportamento. Isso é ainda é possível num Silvio Berlusconi. Mas mesmo ele, com o poder na mão, vive um dos momentos mais negativos de seu governo.
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O fim de semana está terminando com as mortes na fronteira de Israel , no dia do aniversário da fundação do país, data que os palestino chamam de Nakba, palavra árabe para catátrofe.
Acabaram os campeonatos estaduais de futebol e o noticário, como não poderia deixar de ser, está repleto de grandes loucuras individuais.
Refiro-me às duas que me impressionaram: a prisão de Dominique Strauss Kahn, em Nova York, e a de um advogado brasileiro Rodrigo Moreto Cubek que exibiu uma foto da Virgem Maria dentro do maior templo muçulmano do Paquistão.
Só a magia de um romance fantástico poderia colocar os dois no mesmo espaço.. Para o diretor do FMI , cosmopolita e conhecedor dos atritos religiosos no mundo, o gesto de Rodrigo deve parecer uma loucura.
Mas para um advogado que ouviu a voz de Cristo, determinando que exibisse a foto da Virgem Maria, jogar-se nu contra a camareira de hotel deve ser uma loucura mais séria ainda.
Em termos de importância são dois fatos incomparáveis. Mas ambos atravessaram a fronteira da lucidez e nos recordam que a imprevisibilidade não está apenas nos grandes fatos históricos mas também dentro do inconsciente.
O advogado brasileiro ouviu a voz de Cristo e o delirio talvez seja sua salvação. Será considerado maluco e deportado para o Brasil. Seu acerto de contas deverá ser com o próprio Cristo, que, segundo ele, o lançou na aventura.
Já o diretor do FMI não tem o apoio do sobrenatural. Não pode recorrer a vozes. Será defendido por um caro advogado profissional e terá de provar sua inocência.
Dominique Straus-Khan estava nu. Era diretor do FMI, favorito nas eleições francesas, e não havia ninguém protegendo a porta de seu quarto.
Rodrigo poderia entrar ali, na suite do Sofitel, e mostrar a foto da Virgem. Mas um estava em Islamabad, outro em Nova York. A loucura do brasileiro poderia ter salvo o FMI. Mas ainda não foi dessa vez.
As primeiras repercussões do escândalo envolvendo o diretor do FMI, Dominique Strauss-Kahn, em Nova York, mostram a esquerda prudente e a direita indignada.
DSK, como é chamado na imprensa francesa, ainda não tinha se definido concorrer à presidência mas era, na última semana, um favorito para derrotar Sarkozy.
O último episódio que o envolveu foi ter sido fotografado num Porsche, na porta de sua casa. Ele atribuiu isto a uma campanha política dos adversários que usam como argumento seu alto padrão de vida. A suite do Hotel Sofitel, onde DSK estava hospedado, custa US$ 3 mil por noite.
A direita francesa afirma que o comportamente de DSK foi uma humilhação para todo o país e comparou o episódio à série televisiva Dallas.
Muitos deputados manifestaram-se em seus blogs, afirmando que iriam esperar o pronunciamento de DSK e obter mais informações sobre o episódio.
Além de encontros políticos importantes, como o que teria com Ângela Merkel, DSK não estará presente na reunião de terça do FMI, que discute um empréstimo de 22 bilhões de euros para a Irlanda.
Os jornais admitem que pode ser demitido do FMI que tem um severo código de conduta para seus funcionários. Em caso de demissão, reza o contrato, DSK terá o direito de receber 60 por centos dos seus vencimentos anuais, a título de indenização.
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Favorito nas eleições presidenciais da França, Dominique Strauss-Khan foi preso por agressão sexual, em Nova York. Ele teria atacado uma arrumadeira de hotel e foi preso dentro do avião que partiria para a França.
É muito cedo ainda para analisar a repercussão porque até às 21 horas, nem o Le Monde nem o Figaro não tinham se dado conta da notícia. O Libération noticiou na manchete, repetindo as informações que vieram dos EUA.
Diretor do FMI e um dos lideres do Partido Socialista, Strauss-Khan aparecia nas pesquisas como o o candidato mais forte para derrotar o presidente Sarkozy e Marine Le Pen, representante da extrema direita.
Uma intensa manhã de domingo espera Paris .
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2011