ir para o conteúdo
 • 

Patrocinado por

07.dezembro.2011 19:10:52

Reflexões sobre o zero

É difícil escrever sobre economia, quando não se é economista. Mais difícil ainda é tentar entender um crescimento zero e ser acusado, como fazem alguns, de torcer contra.

No texto anterior não afirmei que a economia iria abalar o governo. Disse apenas que daria mais trabalho. Será que a intolerância chega ao ponto de considerar ofensivo uma simples constatação de que o governo terá mais trabalho.

A crise de 2008 também repercutiu na economia, reduziu o crescimento. Na época, Lula afirmou que era apenas uma marolinha. Tentava com isso neutralizar o impacto psicológico da crise e suas consequências nos  investimentos.

Dilma foi menos enfática na injeção de otimismo. Além disso, pegou um governo depois de altos gastos públicos,típicos, no Brasil, em períodos eleitorais.

Alguns analistas acham que a queda no nível de investimento revela a preocupação com a crise europeia. E isso teve um papel. Outros, afirmam que o governo decidiu colocar um freio no crescimento para evitar pressões inflacionárias. Isso também teve um papel.

Mas o que parece desafiar uma visão conjuntural é o declínio da indústria. Movimento constante, indica que caminho de superação?

Turista num bar do porto em Fernando de Noronha.(foto FG)

As relações com a China deveriam ser analisadas dentro do quadro geral. Os chineses sustentam a demanda de muitos produtos brasileiros e seu crescimento nos acelera também.

Mas os chineses, por outro lado, com sua alta competividade contribuem para o declínio da indústria, não só aqui mas em outros pontos do mundo.

Se você, em termos nacionais, olha os chineses apenas como consumidores tende ao otimismo. Mas se olha como vendedores tem uma certa apreensão.

No Brasil há uma resistência à ideia de uma política industrial. Mesmo que se evite um rótulo polêmico, um conjunto de medidas deve ser tentado, como, por exemplo, Obama tenta Estados Unidos, estimulando, entre outros, a indústria solar. O que  ja levou a um certo conflito com a China.

Talvez fosse interessante na tentativa de entender o processo não se concentrar apenas nos investimentos, mas no exame da trajetória da indústria.

Além das medidas gerais de controle que o governo já prevê , um debate nacional sobre o estado da indústria e suas perspectivas pode ser um ser um saldo positivo do sobressalto trimestral.

Pelo menos, seria uma tentativa de entender os problemas de curto prazo, com uma reflexão de como reverter o processo com uma retomada sustentável.

As comissões de relações exteriores do Congresso poderiam organizar um debate sobre as relações Brasil-China. Elas se tornaram muito importantes, mas não têm correspondência na realidade parlamentar.

A primeira objeção é esta: o que esperar deles? Acontece que o debate é televisionado, falam especialistas, a imprensa cobre.

Essas primeiras observações sobre o momento e talvez muitas outras não são de quem tem as respostas, mas apenas algumas perguntas.

 

Tags: , ,

Comentários (3) | comente

O que significa parar de crescer um trimestre? Os analistas divergem mas divergiram também nas previsões. O consumo das famílias está em alta, mas desacelerando.

Tudo isso nos remete também à política, província onde os escândalos brotam generosamente do solo. Nos tempos de euforia, os escândalos foram até positivos para o governo. Cada ministro caído, eram pontos a mais na popularidade de Dilma.

Levar o país com um crescimento mediocre, abaixo de 3 por cento, através de um labirinto de escândalos, não será uma tarefa fácil.

Até o momento, tudo resultou em prestígio para o governo. Os ciclos de bonança da social democracia europeia no pós guerra também foram longos.

Muito possivelmente será longo também o período de hegemonia do que se chama, por falta de precisão, centro esquerda brasileira.

Não  há ,no horizonte, perigo de cairem do cavalo. Mas, pelo menos, têm de mostrar um pouco mais de habilidade.

Os chineses devem continuar comprando e o comércio exterior crescendo. Embora com um ritmo menor, vamos seguindo no embalo dos emergentes.

Tucunaré na balança.(foto FG)

O caderno de Economia do Estadão apresenta hoje muitas análises. Outros jornais também analisam o tema, alguns achando positiva, no momento, a queda na produção.

Daqui a pouco cairemos naquele mesmo debate americano e europeu sobre o que é adequado ou não para voltar a crescer.

Voltaremos ao tema.

Tags: , , ,

Comentários (3) | comente

Comentários recentes

  • ZULA VIEIRA: ESTOU DENUNCIANDO QUE NO MARANHÃO TEM MUITAS FLAUDES NO SEGURO DEFERO QUE É COMANDAO PELA FEDERAÇÃO...
  • Fernanda: Mesmo sendo um movimento estratégico, sinto orgulho do meu país por recebê-los. Bem vindos! :)
  • Fernanda: Ainda que com atraso, desejo-lhe um feliz ano novo! Muita sorte e felicidade! :)
  • VOZ ATIVA: DESORDEM E CAOS EM SALVADOR >>> A polícia da Bahia em manifestação de máxima orquestração...
  • Dany: Gostei da sua ideia.Louvo sua coerência e sinceridade,prezado Fernando.

Arquivos

Seções