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11.maio.2011 13:56:45

Escritor revisita Havana

Um escritor, José Manuel Prieto, visita seu país depois de 10 anos de ausência. O país é Cuba e o olhar do escritor revela inúmeras nuances que passariam em branco para um observador desatento.

O relato de Prieto foi publicado no New York Book Review e me deu uma ideia muito próxima do que encontraria hoje em Havana, caso a visitasse e tivesse sua sensibilidade.

Paladar La Guarida, centro de Havana : a foto, de Mark Grog, ilustra o texto de Prieto no New York Review of Books

Em primeiro lugar, ele descobriu, comprando as publicações disponíveis, que o best-seller em Havana eram as orientações para a política econômica. Todo mundo queria ler e saber o que seria permitido ou não nos próximos meses.

Pireto constatou também que o estado está em suave retirada. Continua sendo onipresente, comparado com outros países. Ele concluiu que o modelo que o governo está buscando para reformar a economia é o chinês ou o vietnamita, que não prevêem mudanças políticas.

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Mas as mudanças são visiveis na Calle San Rafael, por exemplo, onde ele contou 10 barracas vendendo comida. Ele se encontrou também com blogueiros independentes mas concluiu que seu peso é muito pequeno pois apenas um milhão e meio de cubanos têm acesso à rede, assim mesmo com conexões exasperadamente lentas.

No longo relato, ele menciona uma casa que vende comida e notou que as pessoas assistiam à uma das última novelas brasileiras na tevê.

Quando disseram que meio milhão de cubanos iriam perder seu emprego no estado, as pessoas que conheciam o sistema não se impressionaram. Muitos dos demitidos ganham apenas US$15 por mês; um telefone celular custa, no mínimo, US$40.

É um longo contato do escritor com seu pais natal e que termina exatamente na casa que vendia comida. Quando a mulher estendeu o prato para ele, disse: cuidado, está extremamente quente.
Prieto refletiu sobre isso e concluiu que os cubanos foram mantidos como crianças pelo sistema mas agora estão ficando adultos. A mulher não disse: cuidado está muito quente. Disse:extremamente quente e ele viu nessa pequena nuance mais uma esperança no país que está nascendo.
Escritores são assim, um pouco estranhos, mas costumam intepretar como ninguém a virada dos tempos.

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