Com a epidemia de dengue muita próxima de mim, na verdade dentro de casa e fora dela, o fim de semana me obrigou a conhecer mais a doença. Tenho tido a ajuda de um dos maiores especialistas do pais, Roberto Medronho. Mas ainda assim, quando as coisas ficarem mais calmas gostaria de escrever sobre o tema.
Neste domingo que passou, dos textos mais interessantes que foi o do correspondente do Channel 4, de Londres, na Costa do Marfim. Seu nome é Seyl Rodhes e a tradução em português saiu no caderno Aliás, do Estado de São Paulo.
Ele conta a história dos correspondentes que foram a Costa do Marfim esperando um desenrolar rápido para a crise. Tomaram uma cervejas, nadaram na piscina do hotel e quando se deram conta viram que a guerra estaria lá por muito tempo..
O grupo de jornalistas é heterogêneo pois conta com gente de relativa experiência como Rhodes, gente que está começando e foi apenas tentar a sorte, e jornalistas internacionais já experimentados em guerra.
Rhodes se refere a este último grupo de forma irônica usando, com a letras maiúsculas, a expressão Correspondentes de Guerra Endurecidos na Batalha. São homens que chegaram em carros empoeirados e furados de bala, com seu equipamento destruído, mas se comportavam como se aquilo fosse comum para eles.
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As forças leais a Laurent Gbagbo na Costa do Marfim, apoiadas em artilharia pesada, conseguiram repelir o ataque dos rebeldes que pensavam em decidir o longo conflito nas últimas horas.
Segundo testemunhas, os soldados de Alassane Quattara abandonaram o cerco ao bunker de Gabgbo mas não desistiram de derrubá-lo do poder.
Derrotado nas eleições presidenciais, Gbagbo continua no poder e a luta para derrubá-lo tem sido feroz de ambos os lados. Massacres e emprego de crianças no combate são constantemente denunciados.
A ONU está presente no terreno e as forças francesas tomaram o aeroporto de Abidjan. Tanto na Líbia como na Costa do Marfim , os franceses estão ocupando um lugar de destaque, embora o sucesso das intervenções seja insignificante.
Por que a França está na dianteira dessas lutas? Tudo indica que sua tentativa é a de ocupar um pouco do espaço deixado pelos EUA e corrigir os erros e cochilos na Tunísia e no Egito. Sarkozy quer a reeleição mas foi suplantado nas pesquisas pela representante da direita, a filha de Jean Marie Le Pen, Marine.
A situação na Costa do Marfim pode se definir nas próximas horas. As notícias são ainda desencontradas. Nesses momentos, as fontes mais procuradas são as francesas. A presença da França na Costa do Marfim data das últimas décadas do século XIX. Mesmo independente, o país quis se chamar Côte d´Ivoire .
Mesmo agora, quando se fala na presença internacional, as notícias da Costa do Marfim misturam constantemente tropas francesas e tropas da ONU. Por essa ligação histórica, a França se sente mais responsável e segundo Bernard Kouchner a presença no país era para evitar massacres como os de Ruanda.
Foi noticiada até uma possível rendição de Laurent Gbagbo. Os jornais franceses explicam que esta notícia foi precipitada pelas negociações de seu ministro de Relações Exteriores, Alcide DjéDjé. O que está em jogo nas negociações para Gbagbo deixar o poder não é só a possibilidade de deixar o país mas o acesso aos bens que depositou no exterior.
Dizem também as fontes francesas que Gbagbo estava inclinado a aceitar a negociação mas foi impedido por sua mulher Simone de capitular.
Os soldados da coligação de Alassane Quattara continuam dominando muitos pontos de Abidjan. Os oficiais podem ir comer no Hotel de Golf, frequentado por Quattara. Aliás, existe uma suspeita de que tanto as tropas de Gabgo como as de Quattara matam adversários indefesos e usam crianças em combate. Não é fácil uma saída democrática em Costa do Marfim.
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O ONU está com 11.500 soldados na Costa do Marfim. Ocupa o aeroporto de Abidjan. Apesar da presença de suas tropas não conseguiu evitar o massacre de cerca de mil pessoas, pelas tropas do ditador Laurent Gbagbo. Os Estados Unidos pediram a Gbagbo para deixar o poder, a ONU reconhece a eleição de seu adversário, Alassane Quattara mas a situação não se resolve.
O caso da Costa do Marfim mostra como as forças internacionais têm um poder limitado. Na Líbia, por estarem bombardeando de cima, matam também civis e os próprios rebeldes. Em Abidjan, onde os combates são mais ferozes, os capacetes azuis tomaram o aeroporto que é um ponto estratégico. Mas já foram atacados por partidários de Gbagbo.
Imagino que a posição brasileira seja idêntica à da ONU, reconhecendo a vitória de Quattara e exigindo a saída de Gabgo. Mas até o momento, não vi nenhuma notícia sobre isto. Lula visitou a Costa do Marfim, que é grande produtor de cacau. Manteve conversações com Gbagbo. Foi criticado por isto. Mas o episódio se encerrou. Ou a visita foi apenas protocolar e não valia pena tanto esforço, ou o Brasil queria mesmo se ligar ao continente africano. Nesse caso, o que me parece mais provável, seria preciso dizer alguma coisa. Ou então reconhecer que não era visita protocolar, mas apenas de negócios. O diabo é que vivemos num mundo em que os negócios estão mesclados com guerra, tirania, grandes esperanças democráticas.
Há cerca de dois meses, escrevi sobre o tema, anunciando que havia fugas em massa. Naquele momento ja havia um grande número de gente na estrada, hoje são 900 mil. De um modo geral, uma definição do governo é provocada pelo Congresso. Se os parlamentares deixaram passar em branco as rebeliões no mundo árabe, é possível que se deem conta tarde demais da tragédia em Costa do Marfim.
Depois da morte de 500 pessoas e o registro de um milhão de desalojados pela guerra civil, o Conselho de Segurança da ONU resolveu censurar,hoje, o ditador da Costa do Marfim, Laurent Gbagbo. Já estava ficando problemática a concentração de atenções na Líbia, enquanto na Costa do Marfim a repressão continuava.
Ainda é cedo para dizer que a Costa do Marfim tem um novo governo, o de Alassane Quattara, vencedor nas eleições presidenciais. Os rebeldes disseram que as tropas de Gbgabo se dissolveram como manteiga quente e a tomada da capital foi bastante fácil.
O ditador ainda mantém o controle da maior cidade do pais, Abdijan, e os rebeldes marcham para tomar o estratégico porto de São Pedro. É importante que o Brasil siga os acontecimentos e se pronuncie quando necessário. Lula sofreu críticas por visitar Gbagbo porque o Brasil estaria respaldando um ditador. Mas agora que o ditador está prestes a cair, seria interessante olhar um pouco para a África. Entre os críticos de Lula, havia os que condenavam fortalecer um ditador e outros que achavam irrelevante a relação com o continente africano. Considero importante a relação com a África e acho até que a queda de figuras como Gbagbo pode abrir mais oportunidades para o Brasil.
Tags: Conselho de Segurança, Gbabgo, Líbia, Lula, Quattara
Os rebeldes tomaram hoje a capital de Costa do Marfim. É um fato que terá mais importância do que se espera. Já havia mencionado a crise humanitária em Costa do Marfim e o silêncio brasileiro.
Mas a vitória das forces de Alassane Quattara, que venceu e não leveou as eleições, vai colocar em cheque a nova doutrina de Obama sobre o papel dos EUA no mundo.
Os norte-americanos vão invadir outros países quando houver massacres contra a população e sempre junto com uma base aliada. Os jornalistas norte-americanos já perguntavam por Costa do Marfim. Lá o ditador Laurent Gbagbo matou muita gente e provocou um êxodo em massa. Havia uma crise humanitária da mesma dimensão ou mais grave que na Líbia.
O fato de ser um país africano, sem recursos estratégicos, contribuiu para que o Ocidente abandonasse Costa de Marfim. O supreendente é que mesmo sem a ajuda externa que os rebeldes líbios tiveram, eles estão triunfando.
Nesses primeiros momentos, ainda é preciso analisar a evolução dos fatos, Costa do Marfim mostra uma lição: crises humanitárias em paises com petróleo são mais graves do que em países pobres. Rebeldes vencendo com força própria acabam produzindo um processo potencialmente mais estável.
Tags: Doutrina Obama, Gbagbo, Líbia, Quattara
2011