O governo blindou o ministro Fernando Pimental, impedindo, através de sua maioria, que fosse convocado a depor no Senado.
Os estrategistas do governo pensam assim: se evitarmos a ida do ministro, o tema, aos poucos, cai no esquecimento e o episódio estará superado.
Há um outro modo de pensar. É oposto a este, mas poderia ser mais benéfico ao futuro político de Pimentel. Se fosse ao Congresso e desse explicações convincentes, o caso cairia no esquecimento de maneira mais estável.
A leitura da blindagem é esta: o ministro Pimentel e o governo temem esse depoimento no Congresso porque acham que não há explicações convincentes.
Entre o desgaste de uma má performance no Congresso e a ausência de explicações satisfatórias, optou-se pela segunda saída.
Alguns dos argumentos levantados aqui, valeram também para os seis dos sete ministros que se foram. A opção de blindar Pimentel pode comprometer seu futuro político, tornando-o vulnerável em qualquer disputa eleitoral.
O governo tem maioria no Congresso e desfruta de grande popularidade. Sabe o que faz. Está seguro de sua posição olímpica.
Praticamente, tentou segurar um ministro por mês. E nisso o ano se passou, deixando uma sensação de vazio, logo agora que a crise econômica mundial volta a dificultar nosso avanço.
Com ou sem queda de Pimentel, 2011 termina sem novidade , exceto a discussão, precisamente, sobre a saída de mais um ministro.
No ano que vem, há uma reforma. Se os episódios se repetirem, vai ser mais monótona e repetitiva a queda dos ministros.
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Quando Dilma disse que o passado já passou, tinha um leve sorriso nos lábios. Ela sabia que Carlos Lupi continuaria sendo acusado de várias coisas pela imprensa e que o passado viria puxar sua perna.
Essa foi minha leitura. Dentro do Palácio do Planalto, a capacidade de análise política não é das mais fortes. O que não desmerece a inteligência de cada um dos formuladores.
O PT viu nas denúncias contra Lupi o adversário de sempre: as elites. E resolveu resistir porque está em luta com as elites e tudo o que acontece é uma expressão dessa luta.
Se substituirmos o termo elite, para imperialismo americano, veremos que Chavez usa o mesmo método, embora o presidente da Venezuela atravesse, com frequência, as fronteiras da paranoia, atribuindo aos americanos a capacidade de produzir terremotos.
Quando você se define pelos adversários, não importa quem sejam, gregos,romanos, ou vendedores de pamonha, o caminho do erro está pavimentado.
A presença de Lupi é insustentável porque ele não tem condições de ser Ministro do Trabalho. Ninguém afirmou o contrario. Lupi continuava apenas para como prova de resistência “ao golpe das elites”.
Foi este o tom dos discursos entre os jovens do PT, quando homenagearam o ex-Ministro José Dirceu, que, por sua vez, afirmou que as denúncias de corrupção são uma onda de moralismo.
O mesmo que Brizola disse sobre Lula, José Dirceu e seus companheiros, no passado: o PT é a UDN de macacão.
O Brasil perdeu um pouco o senso da realidade. Quando Lupi fez aquele cena na Câmara, para mostrar, que não conhecia o dono das ONGs, Adair Meira, ele o fez de uma forma tão ostensiva, que levaria qualquer psicólogo de botequim a concluir que estava mentindo.
Lupi abriu um papel e nada viu nele. Em seguida, Lupi abriu outro papel, e nada viu. Voltou ao primeiro papel e perguntou: como é o nome dele? do senhor…? Adair.
Lupi estava fazendo um esforço extraordinário para se desvincular de Adair. Buscou seu nome nos papeis para mostrar que não o localizava nem em suas anotações. Em seguida, hesitou sobre o nome, como se fosse algo muito remoto para ele. E, finalmente, o chamou de senhor para simular distância.
Lupi queria bala, apareceu o Bala da Rocha, deputado do PDT: juntos legalizaram no Amapá sete sindicatos falsos, isto é de atividades que não existem no estado.
Surgiu a foto de Lupi no avião em Grajaú. Surgiu o vídeo de Lupi, no avião em Grajaú. É uma cidade do Maranhão que faz fronteira com o Piauí . Os dois estados são separados ali pelo rio Gurgeia. Estive por lá, quando o vale do Gurgeia queria se separar do Piauí.
Grajaú é o Waterloo de Lupi e dos estrategistas do Planalto que o mantinham, como um fósforo frio, até a reforma de janeiro, para não capitularem diante da “elite golpista”.
O grande adversário, quase sempre, está dentro de nossas cabeças. Cada minuto de Lupi significa meses de desgaste. É pegar ou largar. De preferência, em Grajaú, no Maranhão.
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Contos de fadas e histórias infantis têm muitas interpretações. O psicanalista Bruno Bettelheim se especializou nessas análises. As próprias canções populares, como a de Ronaldo Bôscoli, são também uma intepretação poética: lobo bobo, promete tudo, até amor/ mas fraco de lobo é ver o chapeuinho de maiô.
Minha análise é só política. O lobo na história é o pragmatismo, o Chapeuzinho Vermelho são as vinculações históricas do PT com uma ideia de classe operária.
Ao longo desses anos, na luta eleitoral, o PT cresceu também entre desempregados e pessoas que dependem da Bolsa Família. Mas os trabalhadores, pelo menos no discurso, continuam sendo importantes.
Dizer, como o líder Paulo Teixeira, do PT, que seu partido apoia Lupi é uma visão fantástica do mundo do trabalho. Se o Partido dos Trabalhadores acha mesmo que Lupi deve permanecer, cai por terra toda essa história de respeito ao seus representados.
Lupi não só dirige um Ministério acusado de desvios, como se mostrou, ao longo da semana, despreparado para o cargo.
Aquela história de sair só à bala, pode ser interpretada como uma franqueza típica de um homem do povo. Tudo bem. Mas uma franqueza que revela também desprezo pela democracia e seus ritos.
Finalmente, a declaração pública de amor a Dilma confirmou a sensação de que estamos vivendo um gênero consagrado pelo cinema nacional: a chanchada.
Para a oposição é cômodo continuar com Lupi no Trabalho porque é um permanente desgaste para o governo.
As intervenções de Lupi, durante a semana, pelo seu despreparo, mostram como foi longe o pragmatismo. Tanto o PT como a CUT podem até apoiar Lupi. Mas deveriam ser chamados ao debate. Não é possível que convivam, naturalmente, com a galhofa na área que dizem tanto respeitar.
Sobre Lupi, Dilma diz que o passado já passou. Mas ela sabe muito bem que, mal resolvido, o passado sempre reaparece para nos assustar.
O passado não passará, enquanto Lupi não for demitido. Dilma espera o lenhador na forma de novas denúncias. Não percebeu que , como peixe, Lupi também morreu pela boca.
Ele se afogou nos anzóis de suas bravatas e juras de amor. Nada de balas, apenas amendoim. Incapaz de de uma análise mais profunda, o governo insiste num caminho equivocado e quer manter Lupi.
A ameaça do PDT de deixar a base não é assim tão fatal. Lupi fez inúmeras programas de tevê denunciando a corrupção no governo Lula. Depois aderiu e nunca mais tocou no assunto.
Ele é descartável como nas fotos em que beija mão. Dilma talvez hesite pensando em evitar uma vitória da imprensa que levantou as denúncias
É um erro não tomar decisão apenas porque está sendo pedida pelo adversário. Abraçar o erro e tocar o barco serve apenas para agravar a situação.
Numa célebre cena de um western, um mexicano pendura um americano na árvore e diz: vou ter de lhe matar para provar que gosto de você.
Quantas juras de amor, Dilma está preparada para suportar? Quando vai ouvir os conselhos da vovó e dizer que com lobo não sai só?
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Estão dizendo que o colete mais poderoso permitido pelas Forças Armadas é o IIIA. Acho que Carlos Lupi andou tomando muito IIIA.
É a única explicação que encontro para sua frase de hoje: só saio daqui abatido por uma bala e assim mesmo tem de ser bala forte.
Diante de Orlando Silva, temos uma nuance de humildade. Lupi não disse que era indestrutível : só sai com bala forte.
Ambos deviam ouvir o Canto de Ossanha, de Vinicius de Moraes e Baden Powell. O homem que diz sou/não é/porque quem é mesmo/ não sou.
Apesar das imperfeições, a democracia brasileira funciona. Nela, um ministro que diz o que Lupi disse, não é caso de bala, mas de amendoim.
Ate Silvio Berlusconi, ao perceber que a maioria lhe faltava, vai sair de fininho. Lupi é só bravatas.
A maneira como se comporta nesta crise, independente da corrupção no Ministério, já era o bastante para fosse demitido.
A outra parte da fala, refere-se aos que pensam que vão carregar o seu caixão. Segundo Lupi, devem morrer antes dele.
Outra metáfora maluca. Mortes, tiros, lutas sangrentas, pra que tudo isso?
Basta seguir o conselho do deputado Regufe: sair do cargo é mais inteligente.
Mas não tem jeito. As saidas dos ministros são cheias de declarações patéticas. A Casa Branca foi forçada,hoje, a dizer, em seu site que não há extraterrestres entre nós. Cerca de 17 mil eleitores exigiram uma resposta para a pergunta.
Daqui a pouco, o próprio Palácio do Planalto sera forçado a repetir a nota americana.
Sinceramente, viver num país em que um Ministro do Trabalho diz que só deixa o cargo abatido à bala é ser jogado, através da metáfora, nas cavernas pré-democráticas. Ou num outro planeta.
Lupi tem de parar de beber esses coletes IIIA e começar a fazer sentido.
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Como posso fazer o que queres lobo?
Lupus,lupi, declinava-se assim. E a lembrança da fábula de Esopo, recitada na escola, me veio com a nova crise que se desenha. Desta vez é o Ministro do Trabalho Carlos Lupi. Parece com todas as outras cinco.
Vai-se a primeira pomba- recitava o professor de português. Vai-se o sétimo ministro neste primeiro ano de governo. Um deles, Nelson Jobim, saiu por excesso de franqueza.
As coisas se repetem com detalhes idênticos : ONGs, tarefas não realizadas, dinheiro para os cofres partidários; basta trocar o nome dos personagens para contar toda a história.
Aliás a Policia Federal suspeita que todos os envolvidos andaram fazendo um curso comum sobre como desviar dinheiro, falsificar notas fiscais e até a idade da ONG.
Lupi é macaco velho. Fez-se na política como um abnegado assessor de Brizola. Nada que possa descrever, substitui a foto de Orlando Brito. Mimetizado naquela atmosfera, o brilhante fotógrafo brasileiro consegue contar, com um simples clique, grandes histórias da corte brasiliense.
Com essa personalidade, Lupi deveria procurar, o mais rápido e discretamente, sair de cena. Os dirigentes do PC do B também são macacos velhos. Mas de outra forma. Ainda acreditam na força de guerra fria para vitimar a verdade.
Por que Lupi sairia? Não estaríamos aplicando a ele a lógica do próprio lobo, no dialogo com o cordeiro: o responsável não é você mas seu secretário executivo?.
Vamos voltar à foto. Dilma sequer olha para o beijo na mão. Ela desvia o foco para bem distante, como fez quando Sérgioo Cabral, num inglês bastante acidentado, desfiava elogios à ela no sambódromo: the first woman president of Brazil.
Lupi dificilmente vai à televisão envolver a imagem de seu partido, o PDT e , como os comunistas, construir uma blindagem através da mitificação do passado. Talvez fique apenas alguns dias e, depois, resolva sair para provar a inocência de sua gestão.
A divulgação pela CGU da existência de 500 contratos sem fiscalização, no Ministério do Trabalho, indica que o governo sabia que Lupi era o próximo.
Vamos assistir, mais uma vez, ao mesmo filme. Menos dramático, mas revelador quando se escolher o novo ministro.
Estamos apenas trocando peças de uma engrenagem imutável? Ou será que, no sétimo ministro demitido , já se pode perguntar se não há algo errado com a maneira de compor um governo?
Quem se lembra das verbas que não foram para as estradas, dos convênios engolidos no turismo, dos dribles à prestação de contas no programa Segundo Tempo?
Lupi deveria pedir licença e sair, mas a sucessão de atores em cena não alterou ainda a essência do script. É possível retirar as ONGs da sala.Mas é muito ingênuo supor que o problema está apenas nelas, sobretudo as que foram criadas com o único objetivo de levantar grana.
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Dilma resolveu fazer uma devassa nos convênios com ONGs. Suspendeu o pagamento por 30 dias. Em caso de problemas, a ONG terá mais dois meses para se regularizar.
É uma boa decisão. Costuma ser tomada em princípio de governo. Mas como eram todos companheiros , foram necessários os escândalos no Turismo e Esportes para abalar a confiança.
No caso do Ministério dos Esportes, não é preciso ir muito longe. Cerca de 20 ONGs estão dispostas a contar como funcionava o esquema montado pelo PC do B.
Naturalmente, a decisão de Dilma foi tomada a partir da repercussão dos escândalos. Sua intenção é boa, mas deixa um flanco inevitável: por que só agora? Uma devassa desse tipo não significa que o governo perdeu o controle?
O governo se move em linhas bem sinuosas. Dilma resistiu no princípio contra os que apedrejavam Orlando Silva. Diante de novas evidências, aceitou sua demissão.
Passados alguns dias, anunciou o devassa. No Palácio do Planalto, segundo notas nos jornais, há uma sensação de alívio com o fim de notícias negativas sobre o Ministério dos Esportes.
Com a devassa em curso, o governo ganha mais um mês. E com isso, dá também uma sobrevida ao governador de Brasília, que é do PT e está enrolado no mesmo escândalo de Orlando Silva.
Vamos esperar que a devassa do governo-não seja a mesma de Paris Hilton, a loira que anuncia cerveja na televisão, isto é: apenas propaganda.
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O Ministério dos Esportes foi pacificado da mesma forma que o do Turismo. O sistema de divisão do poder permanece inalterado.
No Turismo, caiu um ministro entrou outro aliado de Sarney. Há diferenças entre os dois? O atual ministro é mais articulado, atuou na educação e tem experiência administrativa.
Houve portanto uma melhora, dentro da rigidez inabalável de manter o ministério sob a influência de Sarney.
Caiu Orlando Silva, entre Aldo Rebelo. Este com mais experiência parlamentar, com posições próprias sobre Raposa Serra do Sol e o Código Florestal.
Os jornalistas enfatizam também de suas campanhas contra o uso de palavras estrangeiras, seu projeto criando o Dia do Saci Pererê, a combinação, em sua estante, de efígies comunistas com imagens de santos catóicos.
O que querem dizer é o seguinte: a mudança foi para melhor.
A trajetória de Gastão Vieira também autorizava dizer que a mudança no Turismo foi para melhor.
É uma resignação típica . Acho que está na raiz da longa sobrevivência da ditadura militar.
A palavra de ordem é sempre buscar algo positivo nas ações do governo, para evitar confrontos prolongados.
Dilma muda os nomes mas não altera os esquemas herdados. No passado colonial, tínhamos a capitanias hereditárias.
Esporte é com o PC do B; Turismo, Minas e Energia pertencem ao Sarney. E assim por diante.
Sarney já estatizou o museu com suas imagens e documentos. É um faraó acabado.
Pelo menos, no último escândalo, discutimos alguma coisa sobre o comunismo. Chegamos ao princípio do Século XX, com múmias mais recentes.
O difícil será mergulhar na agenda atual: economia verde, erradicação da miséria, Copa do Mundo sustentável.
PS: leia o artigo de hoje no Estadão: http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,e-o-vento-levou-,791649,0.htm
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Brasília- Estou na capital para um seminário. Nada a ver com os escândalos. Mas aqui na corte, só se fala nisso. O Brasil é hexa na modalidade queda de ministros: Orlando Silva cai e o PC do B , parece, continuará com o Ministério dos Esportes.
Orlando Silva aparelhou o ministério para o PC do B, que o defendeu com unhas e dentes. As ONGs, que pegaram o dinheiro e não comprovam seu uso , também são ligadas ao PC do B.
O ministro foi punido, seu partido não. O PC do B se comportou de uma forma que merecia a mesma punição que o próprio Orlando.
Sempre se dizendo um partido experiente, afirmando ter passado por várias situações difíceis, sua reação às denúncias foi elementar.
Produziu um programa de televisão para incensar o comunismo no Brasil. Não era isto que estava em jogo. Usou, indevidamente ,a imagem das pessoas. E não respondeu às acusações de frente.
Sinceramente, não esperava que seus dirigentes fossem tão estreitos. Eles se dirigem a uma opinião democrática tentando infantizá-la, como se estivessem num pais sem liberdade de imprensa.
No movimento estudantil, chamávamos os quadros do PC do B de a tigrada. Isto por causa da frase de Mao: o imperialismo é um tigre de papel.
É surpreendente, tantos anos depois, que a tigrada reduza o mundo a uma guerra de propagandas.
Fala–se que Aldo Rebelo será o no novo ministro. Ele tem mantido posições independentes da esquerda, a partir de sua própria reflexão.
Mas daí a contestar o aparelhamento do estado pelo PC do B vai uma grande distância. O esporte continuaria nas mãos de um partido, alimentando suas finanças e seu crescimento.
Impressionante a mediocridade do governo. Não consegue dar um passo adiante, na liberação da máquina do estado de seus ocupantes espúrios.
Pela mesma lógica, demite alguém do Sarney, mas coloca outra pessoa do Sarney no Turismo.
Não acredito que Orlando Silva seja o culpado sozinho. O governo, com a renúncia do Ministro e a continuação do cargo com o PC do B, tenta nos passar esta ideia.
Assim como o PC do B, o governo desistiu de fazer sentido. Resolve apenas mudar um pouco, para deixar tudo como está. Inauguramos, sob inspiração da tigrada, o grande salto no mesmo lugar.
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Coisas do jornalismo. Escrevi um artigo sobre o conselho de Lula a Orlando Silva: resistir aos ventos fortes.
Mostrei como era frágil a argumentação do governo e previ que, pelo menos a médio prazo, não daria certo.
Quando terminei o artigo, surgiu a notícia de que Orlando Silva será investigado pelo STF, que atendeu ao pedido do Procurador Roberto Gurgel.
Não sei se Orlando Silva dura até sexta-feira. Se vão enterrar logo sua passagem pelos Esportes ou vão prolongar as cerimônias fúnebres.
No momento em que encerro o texto( na linguagem técnica se chama deadline) sinto a necessidade de trabalhar uma nova formulação.
Bem que hesitei, ao supor que o esquema teria mais algumas semanas de vida. Quando Orlando Silva declarou que se sentia indestrutível, percebi que a coisa tinha atingido também sua mente. Os deuses enlouquecem aqueles que querem destruir.
No caso de Orlando Silva, talvez não tenha sido preciso intervenção divina. O PC do B também perdeu o contato com a realidade.
A decisão autoritária de se defender martelando os fatos é escandalosa numa programação normal de tevê.
Talvez fosse cômodo criticá-los por mais alguns dias. Preciso de um tempo para refazer o trabalho porque se Orlando Silva amanhecer no cargo, no princípio de semana, certamente será uma atração turística
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Custou um bilhão e noventa milhões de reais. Maior ponte fluvial do Brasil, a ponte do Rio Negro tem 3596 metros.
Levou três anos e meio para ser concluida e hoje é uma estrela no twitter:#Ponte do Bilhão.
Algumas lacunas no planejamento, obrigaram importar equipes estrangeiras para solucionar os problemas da obra.
Grande parte deles, problemas ambientais: acidez da água, fluxo do rio, coisas que um bom relatório de impacto ambiental deveria ter indicado antes da licença de construção.
A ponte vai integrar a região metropolitana de Manaus, composta de oito cidades, e com dois milhões de habitantes.
Está sendo considerado, ao lado do Teatro de Manaus, um dos grandes monumentos da cidade.
Todas as vantagens do projeto devem ser ressaltadas hoje, no discurso de inauguração.
No entanto, o preço incendeia a imaginação num momento em que se discute tanto os gastos do governo e os desvios de verbas públicas.
O empreendimento envolve o BNDES e o governo da Amazônia. O jornal a Crítica fez um levantamento dos gastos do governo no semestre, indicando que pagou R$105 milhões só à Camargo Correia.
Num semestre o governador Omar Aziz já gastou R358,4 milhões com a ponte e empenhou R$908 milhões. Para os recursos do estado e os ganhos econômicos imediatos, é uma obra faraônica.
Segunda maior ponte da América Latina, é maior sobre o Orenoco, na Venezuela, a Manaus-Iranduba já atrai a atenção da imprensa internacional, em busca das mega obras.
A China acaba de concluir uma delas, a maior ponte sobre o mar no mundo:42 quilômetros. O custo do quilômetro foi de R85 milhões contra R$360 milhões da ponte brasileira.
A ponte brasileira não é a maior, mas desponta como a mais cara do mundo. O Tribunal de Contas do Amazonas está examinando os gastos. Mas o dinheiro já foi gasto.
O custo da manutenção da ponte está orçado em R$1 milhão por mês. Mais um encargo que os opositores da obra consideram pesado para os contribuintes do Amazonas. Será, no entanto, uma eterna vitrine para os políticos que determinaram sua construção.
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2011