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O Exército foi chamado para uma tarefa dificílima de permanência no Morro do Alemão, no Rio. A promessa era de ser substituído na tarefa de pacificação, por uma UPP com policiais militares.

O tempo foi passando, os soldados não apareceram e agora o Exército enfrenta sua primeira crise.

Os acontecimentos da noite de domingo, registrados em video, se agravaram agora com a morte de uma adolescente de 15 anos, atingido pelo que se chama de bala perdida, na Nova Brasília dentro do Complexo.

Muitas conclusões ficam em suspenso, enquanto não visitar o Complexo e conversar com o maior número de pessoas. Mas algo parece errado desde domingo quando houve um conflito de rua, registrado em video.

O processo de enfrentamento entre o Exército e a população é indesejável por inúmeras razões. Uma delas: os traficantes querem recuperar o morro e iniciaram um ataque que resultou na morte da adolescente, Ana Silva, e um homem de 37 anos foi ferido e hospitalizado.

Desde ontem, moradores mostram as cicatrizes provocadas pelas balas de borracha. Faixas com a inscrição Comando Verde foram erguidas no morro.

Segundo o Comandante das Forças de Pacificação, General César Leme Justo, os traficantes estão jogando a população contra a tropa do Exército. É exatamente aí que se trava a luta mais importante. Os traficantes sempre tentarão isso, mas só terão algum êxito se ganharem a simpatia momentânea da comunidade.

As tropas brasileiras passaram por situações difíceis no Haiti. Uma das suas caracteristicas, em contraponto aos marroquinos , em Cité Soleil, maior favela de Porto Príncipe, foi a de se aproximar dos moradores, prestar serviços, criar vínculos.

A prorrogacão da presença do Exército no Alemão já revelou falta de plenejamento. A UPP prometida foi apenas um golpe publicitário.

Tive a oportunidade de reproduzir algumas denúncias dos moradores, após a ocupação. Foi tão grosseira a pilhagem que um dos policiais, em gravação interceptada, chamava o Morro do Alemão de Serra Pelada, lugar que atraiu milhares de mineradores em busca de riqueza.

O Exército precisa buscar uma saída para essa crise, pois com a prorrogação de sua permanência, o governo estadual tende a adiar mais a prometida UPP.

Os últimos acontecimentos no Rio revelam uma sequência de crimes de repercussão que neutraliza a sensação de euforia criada após a tomada do Complexo .

A tentativa de retomada do Alemão revela que os traficantes perderam o território mas mantêm um nível de organização e poder de fogo. Mais uma razão para para acreditar que os problemas de segurança do Rio estão longe ainda de serem solucionados.

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