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15.dezembro.2011 09:46:32

Sobre a China

Kissinger e Zhou Enali (1973)

A China, depois de uma análise da situação internacional, decidiu continuar crescendo e deixar para segundo plano o combate à inflação. Os dirigentes chineses viram que isto traz mais estabilidade, no momento dificil. Como disse no blog de ontem, acabo de concluir a leitura do livro de Kissinger,” Sobre a China”, impressionado como fazem analises de curto e longo prazo e, de certa forma, a popularizam.
O mais impressionante no livro, que é restrito às relações diplomáticas dos dois paises, é ver como posiçoes tão antagônicas encontraram um ponto de convergência para avançar. O relato mostra como havia disposição mutua de um entendimento e como delicados episódios diplomáticos foram sendo superados para que o interesse comum continuasse a ser negociado. O cimento dessa complexa relação são os objetivos claros de cada um.
Não vejo nada parecido no panorama nacional. Não foi criado um espaço de interesse comum que pudesse ser encaminhado, apesar das divergências. Esse espaço poderia ser conquistado na política externa. O Brasil saiu-se bem na Conferência de Durban e vai ser o anfitrião da Conferência Rio+20. Não existem diferenças substanciais entre a posição do governo e da oposição. Por que não dialogar nesse campo e realizar uma preparãção verdadeiramente nacional?
O ano de 2011 foi passado na discussão da queda de ministros. É muito pouco. Dois paises gigantescos souberam distinguir entre suas querelas e objetivos de longo prazo, criando um espaço para que esses últimos fossem preservados. Se avançarmos na política externa, isso pode ser estendido no futuro a algumas linhas  da economia. Não estou propondo nenhum tipo de trégua, ou esfriamento dos conflitos políticos. Mesmo sem neutralizá-los, é preciso sair do pântano onde só de definem as divergências e não e não se distinguem os pontos de convergência nacional.

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Acabo de ler o livro de Kissinger, Sobre a China. Muitas coisas me impressionaram nos chineses, algo que ,realmente, poderíamos aprender com eles, apesar das diferenças culturais.

Eles definem princípio organizador para a época, analisando sua situação no mundo. Consideram o   princípio do Século XXI “um período de oportunidade estratégica”

 

Depois de uma série de conferencia envolvendo acadêmicos e principais lideranças do pais, produziram uma série em 12 episódios, intitulada A Ascensão das Grandes Potências, acompanhada por centenas de milhões de chineses.

Embora sempre criticada pelo autoritarismo político, o projeto chinês  de crescimento acaba sendo mais compartilhado do que o nosso.

Hoje estarei em São Paulo para o lançamento do livro de fotos sobre os 80 anos de Fernando Henrique Cardoso. Organizado por Herbert Alqueres, o livro é uma excelente fórmula de registro histórico. Escrevi algumas linhas como prefácio.

Até amanhã, caso não aconteça nada de grave no final do dia.

 

 

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15.abril.2011 08:45:53

Como no tempo de Stalin

A imprensa chinesa começou sua campanha para condenar o artista plástico Ai WeiWei, preso no momento em que se preparava para uma de suas viagens ao exterior.
A tática é parecida com a estalinista. Segundo as noticiais oficiais, Ai WeiWei estaria começando a confessar os seus crimes, inclusive a leitura de revistas pornográficas.

WeiWei antes da prisão, numa pose para o New York Times


A presidente Dilma Roussef fez ontem na China um discurso sobre direitos humanos e democracia no Brasil. O comunicado conjunto dos dois países fala em entendimentos para avançar nesse campo.
Quem pode acreditar nisso? O Museu Guggenheim já iniciou uma coleta de assinaturas pedindo a libertação de WeiWei. Sugeri que a Bienal de São Paulo também fizesse algo do gênero.
As reportagens do New York Times, após a prisão, descreviam WeiWei como um intelectual brilhante a atualizado. Não creio que seja necessário basear o pedido de libertação no seu talento. Embora ache que os motivos da prisão possam estar ligados a isto. Um talento exuberante constrange a burocracia partidária que depende da mediocridade para sobreviver.

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Como avaliar a viagem de Dilma Rousseff à China? As interpretações são contraditórias e, pelo tom de algumas emissoras, conquistamos duas vitórias: exportar carne de porco e receber um parque de montagem de tablets.
O editorial do Estado de São Paulo lembra com propriedade uma presidente não viaja apenas para vender costeletas e lombinhos. E José Serra revela em seu artigo que importamos 97 por cento de manufaturados da China e exportamos apenas 7 por cento. Isso constitui segundo ele o que chamávamos no passado uma relação de centro e periferia.
Os tablets no Brasil, registra Carlos Alberto Sardenberg, têm pelo menos a virtude de criar empregos, embora continuem a serem desenhados na Califórnia, berço da Apple. E a construção de aviões brasileiros na China já estava acontecendo, mas a partir de agora tem mais garantias.
Observando o discurso da presidente Dilma, vê-se que ela tentou mandou algumas mensagens para os chineses. A mais importante delas, referindo-se possívelmente ao valor artificial da moeda chinesa, é de que o interesse coletivo deve predominar sobre o interesse nacional.
Os chineses ouvem e concordam. Mas isso não os modifica. O historiador brasileiro Eric Von Bussche, da Universidade Stanford, mas no momento vivendo em Taiwan, tenta explicar os chineses, afirmando que suas promessas não valem muito.
Na opinião dele, a China se considera uma potência mundial e o avalia o Brasil como uma potência regional. Ela só levará a sério o Brasil na medida em que sua influência se estender aos outros países do continente. No momento, os chineses querem do Brasil o que buscam na África: materia para seu crescimento, alimento para suas grandes massas humanas.
O historiador lembra que numa viagem de Lula à China foi prometido apoio à entrada do Brasil no Conselho de Segurança da ONU. Mas logo em seguida, a China atuou para conservar as estruturas do órgao internacional. Portanto, não se deve levar a sério a promessa chinesa.
O grande impasse na China para mudar o Conselho de Segurança é a entrada do Japão. As autoridades chinesas temem que o Japão se associe aos Estados Unidos e que o próprio povo chinês considere uma traição permitir a entrada do antigo rival asiático.
Viagens não costumam ser milagrosas. O Brasil quer exportar mais manufaturados; a China quer importar alimentos e material prima. Cada traz uma cenoura para atrair o outro. A cenoura brasileira é reconhecer a China como uma economia de mercado; a chinesa, é admitir a entrada do Brasil no Conselho de Segurança.
O problema é que a cenoura brasileira é mais substancial porque trata de economia; a chinesa é política e mais abstrata. O Brasil já reconheceu a China como economia de mercado, falta apenas formalizar. Isto quer dizer que parte da cenoura brasileira já foi comida pelos chineses, extremamente habilidosas nas negociações internacionais.
Dilma fez o discurso correto e obteve aquilo que poderia obter nas circunstâncias. Tudo muito mais modesto que nos faz crer a propaganda oficial.

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