ir para o conteúdo
 • 

Patrocinado por

Quando começa o ano no Brasil? Depois do carnaval, respondem quase todos. Mas hoje é depois do carnaval e o ano não começou de vez. Grande parte dos médicos não voltou ainda do feriadão, a julgar por amigos que os procuram. Foi um tempo duro nas estradas brasileiras: 212 mortos e 4165 acidentes.

Exceto uma ou outra advertência feita pelos jornais, não há indício de que a mortandade seja levada a sério. Alguns especialistas chegaram a sugerir uma campanha articulada, mas quem ouve especialistas em transportes, durante o carnaval?

O número de mortes e acidentes representou um aumento de 48 por cento em relação ao ano passado. Mesmo no Afeganistão ou na Líbia não morreu tanta gente.

Em fevereiro, foram vendidos, no Brasil, 12 mil carros novos por dia . O crescimento do número de carros prossegue sua marcha e há uma indiferença em relação ao agravamento das condições de segurança nas estradas. Só se falará do assunto no próximo carnaval. Será muito  tarde.

O ano ainda não começou mas o verão está acabando. Não sou quem diz. As amendoeiras é quem estão dizendo ao dourar as ruas do bairro com as folhas caídas. Foi olhando para o chão que me dei conta do fim do verão. Pode ser que elas se enganem, que faça muito calor em março e chova como sempre chove. Mas os sinais estão aí.

Verão não pode acabar no esquecimento.(foto FG)

Numa semana normal, com o ano começado, alguém terá de dizer alguma coisa sobre os desastres. O Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) está anunciando inúmeras obras no seu site. Mas ali não se está discutindo o assunto.

O mínimo que tem se ser feito é uma análise dos desastres, ver se ocorreram por falta de sinalização, por defeito na pista, enfim é preciso estudar o que aconteceu. Em seguida, propor alternativas e ter meta de redução de acidentes.

Se não fizer isso, o Brasil vai repetir seu comportamento diante das chuvas de verão. A canção diz que os ressentimentos passam com um tempo, são chuvas de verão. Mas tantas mortes sob a chuva e tantas mortes nas estradas não podem ser esquecidas. Vamos ver se no começo real do ano, algumas autoridades continuarão fingindo que nada aconteceu neste verão.

Tags: , , ,

Comentários (3) | comente

Tem feito calor no Rio e isso não é novidade em fevereiro. O material de que são feitos  carros alegóricos e fantasias de carnaval é altamente inflamável. Isso fica muito evidente ao passarmos em revista o que sobrou do incêndio e também a área onde o fogo não se propagou.

Garça salva do incIendio.(foto FG)

Na Grécia, em Portugal , Califórnia e Austrália, para citar alguns casos, o período mais quente do ano coincide com os grandes incêndios, mas também com algumas campanhas de prevenção.

A experiência brasileira mais próxima é a de Brasília. Quase sempre, os parques de Brasília ardem durante a seca. Como a cidade é também atingida por uma queda na umidade do ar, há uma atenção maior ao problema.

Elefante num depósito ao lado do incêndio.(foto FG)

Um dos caminhos é pedir ao governo que se mobilize também. Mas o jornalismo tem um grande papel preventivo. Aliás, numa conferência da ONU sobre diplomacia preventiva, houve um capítulo dedicado ao jornalismo. Ali , a questão era evitar conflitos armados.

Duas informações que me impressionaram ao longo do dia. A primeira é de que os funcionários não tinham autonomia para atacar o fogo e precisavam  autorização da Liga das Escolas de Samba. A segunda mais problemática ainda: o Corpo de Bombeiros ainda não havia feito sua vistoria no Barracão Cultural. Não é a primeira vez que os incêndios, ainda que menores , aconteceram na área do samba.

Ali mesmo, no centro do Rio, houve um grande incêndio no camelódromo da Central do Brasil, em 2010. No começo da temporada de calor, em 2007, houve também um incêndio no camelódromo da rua Uruguaiana.

O Corpo de Bombeiros fica muito sobrecarregado com as tarefas de defesa civil, no princípio do ano. Exepcionalmente, o desastre na região serrana consumiu muito de sua energia.

Nesses lugares onde há concentração de gente e material inflamável é preciso vistoriar sempre. No caso dos camelódromos, o vilão costuma ser um curto circuito. Na Cidade do Samba, ainda não sabemos a causa.

Hora de pensar como preservar o que restou.

Leões esperam um novo lugar à sombra.(foto FG)

Tags: , ,

Comentários (8) | comente

07.fevereiro.2011 15:44:35

Incêndio e precaução

Embora a parte mais atingida ainda não possa ser visitada, por questões de segurança, a impressão inicial é de que muita coisa escapou para o carnaval do Rio de Janeiro. A reconstrução dependerá de alguns fatores: dinheiro rápido, material no mercado e a contratação de um grande número de voluntários.

O prefeito Eduardo Paes disse que os trabalhos vão começar logo e que, na sua opinião, a escola mais atingida foi a Grande Rio, seguidas da União da Ilha e da Portela. Esta última estava com algum atraso em seu cronograma e pode ser que isto tenha jogado a seu favor.

Visão do teto fumegante do Barracão Cultural.(foto FG)

Muitos carros foram retirados do Barracão Cultural com desgastes quase invisíveis. O que me assustou e deveria assustar a todos são as condições de segurança. Parece que o alarme, segundo alguns funcionários, não é atividado e, em caso de incêndio, é preciso comunicar à Liesa.

Com a escada Magirus, bombeiros ainda trabalham no Barracão(foto FG)

Como se sabe, muitas escolas de samba são dirigidas pelos bicheiros que controlam a entidade. Na campanha eleitoral de 2008, para dizer a verdade em outras campanhas também, sempre se falou em retirar deles o controle do carnaval.

Uma decisão dessas não é fácil. Eles têm o conhecimento de como fazer o carnaval e, certamente um enorme poder de sabotagem, caso sejam desalojados.

Carros estão do lado de fora, salvos com pequenos desgastes.(foto FG)

O caminho agora é reconstruir e impor medidas de seguranças mais adequadas. Talvez não dê nem para esperar um laudo técnico. Os bombeiros ainda não haviam feito a vistoria e isto agora é  emergência, para que não aconteça nada de grave nos próximos dias.

Todo o material é inflamável e a segurança precária.(foto FG)

Tags: , , , ,

Comentários (11) | comente

07.fevereiro.2011 12:56:45

Reconstruir mais uma vez

Um grande impacto no Rio terá esse incêndio que irrompeu esta manhã na Cidade do Samba, no bairro da Gamboa. O incêndio atingiu barracões das escolas União da Ilha, Portela e da própria Liesa ( Liga das Escolas de Samba) que abriga uma espécie de museu do carnaval.

Falta menos de um mês para grande festa popular e atração turística do Rio. O prefeito Eduardo Paes anunciou que a reconstrução começará na próxima semana. Nesse prinícipio de ano, é a segunda vez que conjugamos o verbo reconstruir. A primeira foi na região Serrana.

Talvez seja interessante acionar também o Ministro do Turismo, Pedro Novais. Se passou o fim de semana no Rio, deveria dar um pulinho  na Cidade do Samba.

Mais tarde, depois de voltar do incêndio, farei meu relato

Tags: , ,

1 Comentário | comente

Comentários recentes

  • ZULA VIEIRA: ESTOU DENUNCIANDO QUE NO MARANHÃO TEM MUITAS FLAUDES NO SEGURO DEFERO QUE É COMANDAO PELA FEDERAÇÃO...
  • Fernanda: Mesmo sendo um movimento estratégico, sinto orgulho do meu país por recebê-los. Bem vindos! :)
  • Fernanda: Ainda que com atraso, desejo-lhe um feliz ano novo! Muita sorte e felicidade! :)
  • VOZ ATIVA: DESORDEM E CAOS EM SALVADOR >>> A polícia da Bahia em manifestação de máxima orquestração...
  • Dany: Gostei da sua ideia.Louvo sua coerência e sinceridade,prezado Fernando.

Arquivos

Seções