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Escrevi um post para ser lido no sábado,na presunção de alguma tranquilidade. A notícia dada pelo New York Times de que as tropas de Kadafi estão usando as chamadas bombas de fragmentação (bombas cluster) contra civis em Misurata.

Algumas organizações internacionais afirmam que essas bombas, em português também chamadas de bombas cacho, são proibidas. Mas na verdade ainda não se logrou um acordo internacional mais amplo para que sejam banidas.

O Brasil, afirmando que as potências mundias também o fazem, produz e vende bombas cluster, que explodem em mil fragamentos. Pior: às vêzes não explodem no momento em que são lançadas e, como parecem brinquedos, matam também as criancas que as tocam.

Deixei na Câmara um projeto de lei proibindo a fabricacão e venda dessas bombas no Brasil. O próprio governo poderia dar o passo adequado, sem esperar uma lei.

Não posso afirmar que o Brasil vende essas bombas para Kadafi. Mas também não posso afirmar que não vende. Quando pedi a lista dos países que importam essas bombas foi levantada uma questão de segurança para manter o segredo.

Criou-se uma blindagem sob a qual é possível produzir e vender para o exterior sem que ninguém saiba. A imprensa poderia pelo menos perguntar ao governo quais suas razões.

Uma bomba cacho, conhecida no mundo como cluster

Suspeito que tomando conhecimento do que são as bombas cluster, fabricadas e exportadas pelo Brasil, a presidente Dilma Rousseff notará a contradição entre o discurso de respeito aos direitos humanos e uma prática internacionalmente condenada.

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