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A Comissão de Direitos Humanos da OEA pediu a suspensão do projeto da usina de Belo Monte. Instruido pela presidente Dilma Rousseff, o Brasil reagiu com energia, considerando injustificável o pedido. O texto da Comissão pede a realização de uma consulta  “prévia, bem informada, e boa fé e culturalmente adequada”em cada comunidade indígena. Ao mesmo tempo, o organismo quer um Relatório de Impacto Ambiental traduzido nos idiomas dos povos indígenas atingidos.

Há algum tempo falei do histórico dessa usina de Belo Monte, que no passado se chamava Kararaô. Ela foi combatida, principalmente, pelos caipós, tendo à frente o cacique Raoni que viajou pelo mundo e conseguiu a simpatia do então presidente da França, Jacques Chirac.

Kararaô, Belo Monte, passou a ser um símbolo internacional de ameaça à Amazonia. Na primeira reunião ainda na década dos 80 veio o cantor Sting e outras figuras como Anita Roddick criadora e dona da rede Bodyshop. Agora, nesta nova fase em que Kararaô se chama Belo Monte, o diretor de Avatar, James Cameron faz campanha contra a usina e, recentemente, o próprio Bill Clinton, em Manaus, aconselhou a busca de alternativas para usinas na floresta.

O tom que Dilma Rousseff deu à resposta é um pouco parecido com o ritmo com que a obra está sendo tocada. Quatro diretores do Ibama já cairam porque se colocaram no caminho. Antes da licença de instalação, foi permitida a construção do canteiro de obras, o que é um paradoxo. Os indios acham que sua vida sera radicalmente alterada, sobretudo pelos canais que serão construidos na Grande Volta do Rio Xingu, que podem reduzir a água que necessitam.

A resposta do Brasil acusando o texto da OEA de injustificável acaba revelando a quem procura uma resposta para Belo Monte que o governo optou por um caminho autoritário. Se os argumentos disponíveis estivessem na mesa, bastava dizer que a OEA não foi adequadamente informada e que o Brasil está pronto para explicar.

Caiapó em Altamira, primeiro protesto.(Foto FG)

O novo presidente da Vale do Rio Doce, Murilo Ferreira, estaria disposto, diz o Globo, a investir em Belo Monte. Isto impulsiona a obra mas revela também seu lado mais perverso. Se o objetivo é usar energia barata para exportar minério, inclusive produzir alumínio, que é um devorador de energia, estrategicamente será um erro provocar um desequilíbrio na bacia do Xingu. Mais uma vez podemos sacrificar interesses de longo prazo por um aumento de lucros imediatos.

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Os protestos contra a construção da Usina de Belo Monte em Brasília não são novos para mim. A construção da usina no Xingu foi tema de um encontro dos povos indígenas, em Altamira, Pará. Isso foi em 89 e muitos convidados famosos vieram visitar a região. O mais conhecido é o cantor Sting mas lembro-me também da presença de Anita Roddick, fundadora da Body Shop, que morreu alguns anos depois.

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O cacique Raoni que hoje participou das manifestações era a grande estrela do evento.  A partir dali, tornou-se conhecido no mundo inteiro, visitou Jacques Chirac algumas vezes na França e chegaram a combinar a criação de um instituto de pesquisas na Amazônia.

Mas o momento mais dramático do encontro foi durante uma audiência com o presidente da Eletronorte, José Antônio Muniz Lopes, a india caipó Tuira o ameaçou com um facão.

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Na época Belo Monte chamava-se Kararao. O projeto foi alterado, José Antônio deixou a empresa e agora volta a ela, pelas mãos de Sarney. É um técnico competente, apesar disso.

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Belo Monte continua com problemas, embora o projeto tenha sido atenuado. O licenciamento foi confuso e traumático pois implicou na demissão de diretores do Ibama. É um projeto no qual o governo se dedica com muita pressa, sem tempo para convencer a iniciativa privada. Será uma usina quase estatal. Tanto as questões ambientais como as econômicas estão embaralhadas e o movimento de oposição a Belo Monte, que existe desde aquela época, apresentou hoje no Planalto os seus argumentos.

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Antes das eleições, o diretor de Avatar, James Cameron esteve no Brasil para apoiar o movimento de resistência. Resolvi abrir os arquivos um pouco por nostalgia, um pouco para mostrar como são velhos alguns temas da atualidade no Brasil.

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