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Os destinos de Dominique Strauss-Kahn e Arnold Schwarzenegger já estão mais ou menos selados. Um vai a julgamento, o outro perdeu o casamento, ao confessar que teve um filho com uma empregada de sua casa.

Dois tipos de debate surgem na França e nos EUA. Os franceses se interrogam sobre a tolerância da imprensa com as aventuras amorosas de seus políticos.

Strauss Kahn era o favorito nas eleições francesas, mas grande parte dos eleitores ignorava seu estilo com as mulheres. Na verdade, 57% dos franceses acha que ele foi alvo de uma conspiração.

Nos Estados Unidos, o problema agora é a proteção das vítimas. Equipes de televisão saem atrás da camareira, do caso DSK, e da empregada do caso Schwarzenegger.

O New York Times, por exemplo, tem como política não revelar os nomes de mulheres que sofreram assédio sexual. Fez uma exceção no caso de Maria Mildred Baena, a empregada que trabalhou 20 anos na casa de Schwarzenegger.

Maria Baena, foto divulgada no seu perfil do Myspace

O caso não é idêntico ao da camareira do Sofitel. Além disso, a foto de Maria Baena foi revelada no seu perfil no Myspace.

A imprensa francesa, por sua vez, tem divulgado a foto da escritora Tristane Banon, filha de uma vereadora do Partido Socialista, que afirma ter sido assediada por Strauss Kahn, há nove anos.

Isso se tornou mais fácil porque ela concedeu entrevista à televisão, constituiu advogado e resolveu tratar a questão de forma pública.

Tristane Banon a escritora francesa que processará Strauss Kahn.

Exércitos de paparazzi e muitas equipes de televisão estão em campo em Nova Yorque e na Califórnia em busca das mulheres associadas aos dois escândalos.

Suzanne Goldberg, especialista em leis sobre gênero e sexualidade, da Universidade de Columbia, afirma ao New York Times que o interesse por esses mulheres é um efeito colateral do interesse por todos os detalhes da vida das homens poderosos.

Como se proteger? No caso de Baena, que tem uma casa em Bakersfield, na Califórnia, os próprios vizinhos reclamaram do assédio.

Já a camareira teve seu nome revelado pelo África Slate e algumas mentiras já  foram publicadas sobre ela nos tablóides. Uma dessas mentiras dizia que a casa onde vive era para portadores de HIV.

Um homem que trabalha num restaurante de Nova York se apresentou como irmão da camareira. Um dia depois, desmentiu a afirmação.

A vulnerabilidade das mulheres é grande e por esta razão a policia de Nova York está protegendo a camareira. Retornar ao seu emprego , nesse momento, parece impossível.

Algumas pessoas, no debate intercontinental, como  o filósofo francês Bernard Henry Levi, invocam a importância mundial de DSK para criticar  o tratamento da policia americana.

Quanto mais célebre for o acusado, maior é o dano que ele causa à normalidade da vida das pessoas que atacou. Sob a ótica das vítimas, são assédios mais devastadores.

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