Foi ótimo ver publicada reportagem de hoje no Estadão sobre o amianto. Um núcleo de pesquisadores da Unicamp avaliou a situação e concluiu que o amianto crisotila pode ser banido, sem grandes consequências econômicas. De uma forma menos elaborada, é o que tentamos dizer para a bancada de deputados de Goiás, ao longo desses anos. Apresentamos, o deputado Eduardo Jorge e eu, projeto para banir o amianto, no meio dos anos 90. Fizemos inúmeros debates e em alguns casos vieram cientistas e pesquisadores internacionais.
Os goianos conseguiram bloquear o curso do projeto, argumentando que seria desastroso para Minaçu, a pequena localidade de Goiás que depende economicamente do amianto. Os pesquisadores mostraram que os recursos originados do amianto são da ordem de R$3,3 milhões anuais e nem todos vão para Minaçu, pois há divisão com os governos estadual e federal. Já existem alternativas para o amianto e o mercado internacional cada vez estará mais fechado para o produto.
Estava na França quando o país resolveu banir o amianto. Lá, tiveram muitas despesas com o processo de desamiantação, substituindo telhados e inclusive fechando, por algum tempo, uma universidade. Minha proposta sempre foi a de permitir que alguns processos industriais limitados ainda pudessem utilizar o amianto e que o prazo de adaptação fosse de cinco anos.
Além disso, afirmava que era possível fazer um projeto de conversão da economia de Minaçu, com a ajuda do governo federal. Infelizmente, a proposta ainda não foi compreendida. Ao invés de ajudarem os dependentes da mina numa transição para outra atividade econômica, os deputados correm o risco de arruiná-los, num futuro próximo.
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2011