Os dias que antecedem ao Natal são perigosos. O governo militar brasileiro, em 68, escolheu o 13 de dezembro para realizar um fechamento de decretar o famoso AI-5.
Coincidência ou não(ver o post abaixo) Bolívia e Argentina iniciam uma ofensiva contra a oposição. No caso boliviano, os alvos são governadores de Santa Cruz e Beni.
Na Argentina, não satisfeita com a nova lei que dificulta o consumo da papel de imprensa, o governo mandou a polícia invadir as dependências da empresa Cablevision, do grupo Clarin.
Durante três horas, os policiais vasculharam o local, diante das cameras da tevê oficial que os acompanhou desde o princípio.
A ordem judicial foi dada em Mendoza, onde o grupo não atua e sua inspiração foi a denúncia de uma empresa rival, alinhada aos Kirchners, o grupo Uno, conhecido também como Vila Manzano.
Isso parece uma escaramuça, porque o mais importante é o projeto de Cristina K. considerando de utilidade pública a produção e comercialização de papel de imprensa. É através dele que o governo pretende estrangular os jornais de oposição.
Já foi aprovado na Câmara e está no Senado. Por ele, o governo, através do Ministério da Economia, avalia a tarifa de importação de papel imprensa, de três em três meses.
O Clarin importa 16 mil toneladas e La Nacion 11 mil toneladas. A empresa Papel Prensa, controlada pelas duas empresas e o governo produz apenas 170 mil toneladas e o consumo argentino é de 230 mil toneladas.
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Nesse importante 5 de janeiro para a Venezuela, tomou posse a nova Assembleia. Governo e oposição realizaram seus rituais à distancia, de forma que não houve nada de especial. Apenas uma novidade. Um banco fechou as portas, sob intervenção do governo: o Banvalor, cujo dono está sendo procurado pela Interpol.Num jogo truncado pela ação do governo, a oposição, pelo menos, se instalou .
O novo Presidente da Assembleia, Luis Fernando Soto Rojas é considerado um marxista intransigente. Atuou na Ação Católica e mais tarde aderiu à guerrilha, integrando-se na Frente Ezequiel Zamora. Havia gente mais radical na guerrilha. Rojas fazia apenas ações armadas de propaganda, enquanto outros queriam batalhas reais. Por isso, foi chamado de Pólvora Molhada. É sempre bom contar uma história dessas, para mostrar que por mais que um político seja considerado radical, sempre há alguém mais à esquerda.
O que me impressionou no giro pela imprensa venezuelana, foi constatar que o Tal Cual, dirigido pelo ex-militante de esquerda Teodoro Petkoff, continua com uma visão crítica, mas não está abrindo sua página para comentários. O jornal pede a compreensão dos leitores, mas informa que um grande números de insultos anônimos estava atingindo indivíduos e organizações políticas.
Esse tema pois foi também capa do New York Times de ontem, embora tenha tratado apenas da questão americana. O anonimato na internet representa perigo? Para os que a consideram um mercado de idéias, através do qual vai emergir a verdade, a resposta é não. Para os que acham que cascatas de rumores não respeitam os direitos das vítimas e ameaçam a democracia, a resposta é sim.
Quando ainda era asilado, na década dos 70, nem sonhávamos com a internet. E um dos bons livros que li foi o de Hans Magnus Enzensberger que continha alguns ensaios sobre rumor e política. Mostrava como alguns governos foram derrubados por rumores. A internet pode potencializar o efeito dos rumores. Mas boatos sempre foram poderosos antes dela.
Tags: assembleia, Soto Rojas, Venezuela
2011