De volta da Amazônia foi possível perceber como o Oriente Médio não só é principal foco de tensão mundial como produz crises em série.
Refiro-me aos três temas em cartaz: eleições no Egito, massacres na Síria, tumultos na embaixada britânica no Irã.
No caso egípcio, as manifestações voltaram ao auge porque os militares ofereceram uma limitada visão de democracia. Não querem submeter seu orçamento ao exame do país.
Eles sabem o que fazem. Segundo a imprensa internacional, os militares são uma grande empresa. Administram US$1,3 bilhões enviados pelos Estados Unidos e têm inúmeras empresas, muitas delas usando soldados como trabalhadores. Produzem milhões de dólares de lucros que não são contabilizados abertamente.
Um especialista nas questões militares egpícias , Robert Springborg, sintetizou assim, na Newsweek, a posição dos militares:” não querem nem mando nem governo, mas também não querem ser mandados ou governados”. Querem apenas continuar enriquecendo.
Na Síria a novidade da semana foi o relatório da Comissão da ONU, que tem à frente, Paulo Sérgio Pinheiro. Dado inédito: 250 de crianças mortas.
Leio relato do jornalista James Harkin que conseguiu entrar incógnito, na cidade de Homs, o alvo maior da repressão de Bashar al- Assad. O clima é de guerra e toque de recolher.
Isolada pela Liga Árabe, condenada pela ONU, a Síria infelizmente ainda vai produzir mortos, antes que o ditador caia.
Finalmente o Irã onde o conflito não está sendo entre oposição e governo mas entre militantes islâmicos e potências ocidentais. A invasão da embaixada britânica foi um caso grave que leva insegurança a todas as representações diplomáticas ocidentais.
Se o Irã não garante nem as embaixadas e está no centro das atenções estrangeiras é sinal de que adotou a provocação. E num momento em que Israel fala em bombardear e uma forte corrente nos Estados Unidos ainda defende um ataque preventivo.
Não dá para ignorar o Oriente Médio nem por um fim de semana. Lá, a crise tende sempre a se agravar.
No caso da Síria, o Brasil tende a se alinhar com os críticos da repressão. Dilma trouxe uma nova nuance nas relações com o Irã. Ainda assim, será difícil uma posição de equilíbrio nessa tragédia em movimento.
Tags: Eleição egpícia, embaixada britânica, Irã, ONU, Síria
Esses caras vivem na época das cruzadas, não tenho dúvida, apesar de ser impactante, que a paz no oriente médio somente virá com Estados Laicos, agora, não vejo, sequer um pingo de possibilidade dsito acontecer.
Albero Moravia, em Diário Europeu, relata a paixão dos iranianos pelos poetas e reclama do desprezo dos italianos pelo poeta Pasolini.
Hoje na TV Cultura teremos a exibição de Persépolis, filme autobiográfico de Marjane Satrapi que relata a brutalidade do fundamentalismo islâmico que tomou conta do país em 1979.
Não assisti “300”, filme com Rodrigo Santoro no papel de Xerxes, pois torcia pelos persas, hoje torço contra Ahmadinejad.
A compreensão da cultura dos povos árabes é o grande desafio para os ocidentais. Nada é o que parece ser. Quando alguma potência mundial pensa que “já ganhou”, aí vem a surpresa, tudo está começando. Assim foi no Afeganistão: russos, americanos…e quem será o próximo? Assim está sendo no Oriente Médio. Sem a mínima chance de ser profeta, mas acompanhando o rastro da pólvora, vejo que em algum ponto ele (rastro) se bifurca: uma parte vai para a Ásia – Coréia – a outra já está nas areias do deserto. Não é miragem!
2011
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