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Santiago- Nesses minutos de espera para a viagem de volta ao Brasil, não posso deixar de expressar minha tristeza com o resultado da votação de ontem na Câmara: por 265 votos a 166, a deputada Jaqueline Roriz foi absolvida.

Acusada de corrupção, com um vídeo mostrando como recebeu o dinheiro, Roriz foi absolvida pelos deputados com o argumento de que isso se passou antes de seu mandato federal.

A causa dessa decisão é a cumplicidade entre deputados. Mas a cumplicidade só se manifesta porque o voto é fechado. Em 2006 aprovamos, em primeiro turno, o voto aberto para a cassação de deputados. O segundo turno jamais foi votado.

Quando se aprovou pela primeira vez o voto aberto , havia uma pressão social e presença muito forte da imprensa. Alguns jornais dizem que isso se deu na esteira do mensalão. Mas o que realmente impulsionou a decisão foi o caso dos sanguessugas, deputados e empresas que negociavam ambulâncias superfaturadas.

Por que não se votou jamais o segundo turno? Porque se formou uma coalizão poderosa, cimentada pelo próprio governo. Uma das condições para se obter a simpatia dos deputados é, precisamente, a tolerância com casos de corrupção.

PMDB-PT, aquele abraço

O deputado Carlos Sampaio(PSDB-SP), relator do processo, disse que vai pedir ao presidente Marco Maia para recolocar o voto aberto na pauta. Maia dirá que sim, que vai estudar o assunto.

No entanto, nada sairá. A minoria na Câmara só avança empurrada pela imprensa e com apoio da sociedade. Imaginem que na primeira votação, o voto aberto ganhou por unanimidade, com apenas duas abstenções.

Como explicar isso? É que para votar a matéria o processo era de voto aberto. Ninguém queria aparecer bloqueando esta decisão essencial.

A foto do líder do governo Cândido Vaccarezza cumprimentando Jaqueline Roriz não é acidental. Não sabemos como ele votou. Mas o afago serve apenas para reforçar a ideia de que o governo concorda com o processo escolhido pelos deputados que é o de tolerância máxima .

Com voto fechado, os deputados absolvem até Hitler. Cassação ali é um tabu. Só em caso extremo, para salvar a pele de todos.

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Santiago- Os jornais chilenos amanheceram com manchete vinda do Brasil: a presidente Dilma Rousseff vai receber a líder estudantil chilena Camila Vallejo na quarta feira.

Camila viaja a convite da UNE e vai participar da Marcha dos Estudantes,que pretende reunir 20 mil manifestantes em Brasília .

Camila Vallejo,líder estudantil chilena.

A marcha pedirá um investimento de 10 por cento do PIB na educação e 50 por cento dos recursos do pré-sal.

Os jornais chilenos acentuam que Camila será recebida pela Presidente do Brasil antes de seu encontro com o Presidente Sebastián Piñera marcado para sábado no palácio La Moneda.

A fonte da notícia é o blog da presidente Dilma. O encontro entre as duas vai marcar a aproximação com a esquerda brasileira, algo que no Chile existe, mas com algumas reservas, pois, ao longo de 20 anos de governo da Concertación, as aspirações dos estudantes não foram atendidas.

Analistas consideram o movimento dos estudantes no Chile, apesar de sua nítida inspiração de esquerda, uma critica indireta ao sistema político de modo geral.

 

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30.agosto.2011 16:45:56

Ensaio de primavera no Chile

Santiago- O sol brilha na cordilheira, a temperatura vai a 20 graus amanhã. Princípio de primavera? Ainda falta algum tempo. É um ensaio apenas.

Voltei de um trabalho agora para escrever. Daqui a pouco, estarei de novo no computador para redigir meu artigo de sexta no Estadão.

Universitária na ocupação desta manhã.(foto FG)

Dei sorte, de manhã. Estava na entidade estudantil, a Confederação dos Estudantes do Chile, e uma funcionária me disse: vai haver uma toma no escritório do governo que credencia universidades.

Toma quer dizer ocupação. Consegui chegar antes da polícia, graças à habilidade do motorista. As fotos foram enviadas agora, o texto também.

Operários reparam a igreja de Santo Antônio, mais antiga do Chile.(foto FG)

O governo decidiu iniciar sábado o diálogo com estudantes. O comandante dos carabineros, Eduardo Gordon, pediu desculpas à família do jovem morto nas manifestações. E sinto que o Chile já está na contagem recessiva para comemorar sua data nacional, o 18 de setembro.

Sol e vidraças duplicam os prédios na avenida Vitacura.(foto FG)

Fiz alguns curtos videos e ,com um tempinho de edição, vou mostrá-los em breve.

Um país onde a educação é o tema número 1 da agenda não está perdido. O senador Cristovam Buarque iria gostar de discutir por aqui.

Até breve. Talvez só volte ao ar amanhã à tarde, quando desembarcar no Brasil.

O descanso do manifestante.(foto FG)

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30.agosto.2011 10:22:55

Degola na polícia chilena

Santiago- Começa mais um dia de trabalho no Chile. O governo decidiu adiar a reunião com os estudantes. O jornal El Mercúrio aconselhou o presidente Piñera a não participar do primeiro encontro, que será apenas de aproximação.

O tema central no Chile hoje é a punição do sub-comandante dos carabineros, general Sergio Gajardo, que foi demitido pelo governo. Ele se recusou a abrir inquérito sobre a morte do jovem Manuel Gutierrez Reinoso, alegando que a policia não tinha nada com o caso.

 

 

General Gajardo caiu porque não quis apurar.

Investigações do Ministério Público chegaram ao suboficial Miguel Millacorda Carcamo, que, inicialmente, confessou que disparou sua sub-metralhadora Uzi para o ar. Apos o interrogatório, admitiu que atirou para valer.

Nas televisões e seções de carta dos leitores o personagem central é o lucro. Pode-se acabar com o lucro na educação? Qual a definição de lucro? O lucro é o o centro do problema?

A lei de educação no artigo 30, proíbe que escolas e unviersidades sejam exploradas com fins lucrativos. Existe também um novo projeto no Senado, proibindo que o governo destine algum tipo de recurso para escolas que tenham o lucro como objetivo.

Os mais esquemáticos afirmam que estão em jogo dois modelos: o de mercado, defendido pela direita, e o da esquerda que propõe educação pública ,gratuita  e de qualidade

Estudantes dançam diante da Universidade do Chile.(foto FG)

Há outras vozes, como a do ex-ministro da educação Ernesto Schiefelbein, para quem os problemas não se situam aí. Ele propõe uma nova formação dos professores e afirma que as crianças mais pobres chegam à escola dominando 500 palavras contra 4 mil, em média, das mais ricas.

Tudo muito interessante, mas agora tenho de trabalhar.

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Santiago- Devo sair em alguns minutos para a Praça das Armas, onde costuma haver manifestações à noite.

Dois fatos importantes surgiram hoje na crise chilena. Os estudantes indicaram suas condições para o início do diálogo. Suspensão de projetos sobre os quais não foram consultados, transparência e fim da repressão policial.

Fachada da Universidade do Chile.(foto FG)

O governo ainda não respondeu. Outro fato importante foi a polícia ter admitido, pela primeira vez, que um oficial dos carabineros atirou no dia em que o menino Manuel Gutierrez Reinosa foi morto.

Nos pontos de ônibus, protesto por Reinoso.(foto FG)

Essas fotos aí são apenas para mostrar a atmosfera no Chile, no principio da tarde de segunda. Observem que o Banco deixou de ter vidros na porta. Foram introduzidas rapidamente placas da madeira. Todos os bancos nas área de manifestação ficaram com essa aparência.

Hasta luego.

Bancos taparam portas de vidro com madeira.(foto FG)

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Santiago – O tempo abriu um pouco e já anunciam sol para quarta feira. Dediquei a manhã a uma visita à Universidade do Chile, tomada em maio pelos estudantes.

É uma ocupação pacífica com novidades que desconhecia. Na porta, oferecem café e biscoito para os passantes e instalaram uma rádio para anunciar seus projetos.

Vendedora de hamburgers de soja se instalou na porta.(foto FG)

Consegui visitar o interior da Universidade do Chile, onde a  ocupação que é feita por 70 alunos, revezando-se nas tarefas internas e externas. O prédio fica a 200 metros do La Moneda, palácio do governo chileno.

Cada milímetro da parede é ocupado por cartazes ou desenhos.(foto FG)

Voltei à esquina da Grécia com Macul e constatei que está tudo calmo. A policia do Chile sabe que essa calma é provisória. Tanto que decidiu deixar um carro de combate, estacionado diante do Mcdonalds.

Vou me dedicar agora a descrever o que vi para uma reportagem do Estadão. Reservei uma dezena de fotos para o blog vou  mostrando devagar .

Mesmo porque há a previsão de ações na Praça das Armas, no final da tarde. Estarei lá para conferir.

Blindado em estacionamento permanente.(foto FG)

O mais importante que ouvi dos universitários é que, mesmo em universidades públicas, pagam cerca de US$4 mil dólares por ano. Eles acham que o governo investe adequadamente em eduação mas o dinheiro é mal distribuído.

A sensação que se tem aqui é a de que, dificilmente, o diálogo vai encontrar a saída para o impasse.

- Vamos dialogar sem desmobilizar, informam os estudantes.

Uma nova e grande manifestação está sendo organizada para o 8 de setembro, sinal de que se faz pouco fé no diálogo. Os estudantes estão se arriscando a perder o ano letivo. E a própria Concertacion, frente de esquerda, pode se desgastar com greve prolongada e manifestações.

Ainda assim, não se vêem saída no horizonte

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28.agosto.2011 17:21:45

Barricadas e diálogo no Chile

Santiago – A Cordilheira dos Andes ainda está bastante gelada. Um vento frio espalha as folhas das árvores nuas. Meu primeiro destino foi a esquina de Macul com Grécia, onde costumam acontecer alguns conflitos.

Não havia ninguém, mas a Universidade Tecnológica estava protegida pelas cadeiras e cobertas de cartazes. Em outros lugares, como liceus, vi também esse tipo de barricada.

Cartaz pede ação pelo adolescente morto.(foto FG)

Há uma ligeira esperança no diálogo aberto pelo Presidente Sebastián Piñera. Deve começar terça-feira.

Amanhã vou encontrar alguns estudantes e percorrer as ruas. Segunda feira é sempre um dia mais cheio. Fiz um texto para o Estado e continuarei acompanhando as coisas por aqui.

Barricadas foram mantidas no domingo.(foto FG)

Pela minha experiência, esses diálogos não costumam prosperar. Mas são uma espécie de fôlego tanto para o governo como para o movimento.

É difícil fazer demonstrações todo o tempo. Há três hipóteses: chega-se a um acordo com resultados imediatos, acordo com resultados futuros ou não acordo.Os estudantes, por exemplo, querem a queda do Ministro do Interior, Rodrigo Hinzpeter. Se ele cair na terça, podem se sentir atendidos e continuar a conversar. Eles o consideram responsável pelos Carabineros, instituição acusada da morte de Manuel Gutierrez Reinoso, a única vítima fatal dos choques do fim de semana.

O problema que os estudantes manifestam são os acordos para o futuro que o governo pura e simplesmente pode descumprir. O diálogo será filmado e passado na internet ao vivo, se depender dos estudantes. De qualquer forma, no mínimo será gravado, o que dará base para cobrancas futures.

Caiu o sistema da TAM de manhã, cheguei uma hora atrasado e foi dificil realizar tudo a tempo. Amanhã volto com mais calma.

Cartazes na porta da universidade pedem ensino gratuito.(foto FG)

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27.agosto.2011 08:57:43

Rumo ao agitado Chile

Meus olhos estão voltados para o Chile. Sigo para Santiago, em missão do Estado de São Paulo. Devo apenas fazer a mediação do debate entre Daniel Cohn Bendit e Marina Silva, no festival Back2Black.

Surpreendente, graças a Deus, a vida de jornalista. Estava pronto para fazer uma nova viagem de estudo na Amazônia, desta vez na região chamada Cabeça do Cachorro. A visita pode esperar um pouco.

O movimento dos estudantes no Chile avançou tanto que colocou o governo na parede. O presidente Sebastián Piñera convocou um dialogo nacional e parece que esta semana será decisiva.

O movimento ganhou o apoio dos sindicatos e a greve geral mobilizou milhares de pessoas, como nos velhos tempos.Os sindicatos de funcionários públicos foram o que mais responderam à palavra de greve. Tudo se agravou porque o adolescente Manuel Gutierrez Reinoso foi morto com um tiro no peito.

O movimento chileno ganhou destaque também graças à personalidade da presidente da Confederação dos Estudantes do Chile, Confech. Ela se chama Camila Vallejo e foi considerada pelo The Guardian como o líder revolucionário mais interessante na América Latina, desde a aparição do comandante Marcos, no México. Com a diferença, diz o jornal, que ela usa um brinco no nariz, ao invés de arma.

 

Camila, a líder que fascinou a imprensa internacional

A grande reinvindicação estudantil é a universidade pública e gratuita. Piñera resistiu afirmando que não existe nada de graça na vida. Alguns economistas tentaram complementar seu argumento, afirmando que todos terão de pagar pelo ensino de alguns.

Francisco Figueroa, um dos lideres mais destacados entre os estudantes, argumenta que médicos salvam vidas, engenheiros constroem pontes, logo a sociedade recebe, de volta, o que investe nos profissionais.

Tudo o que sei, li nos jornais. É hora, graças ao Estadão, de checar nas ruas de Santiago, onde já vi grandes manifestações de massa e, infelizmente, os aviões começando o bombardeio ao Palácio La Moneda, em setembro de 1973.

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O furacão Irene se aproxima de Nova York. Na manhã de sábado já se terá uma ideia de seu impacto. Na classifiação de impactos, Irene é número dois podendo ser 3.

Mas avança num corredor que cruza estados. A decisão do prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, de esvaziar cinco hospitais e asilos de idosos, foi uma importante medida. Lição do Katrina em New Orleans, onde um asilo afundou com seus ocupantes.

Os detalhes com que as medidas estão tomadas, hora de fechamento de cassino,equipes para restabelecer a luz, revelam um plano ensaiado. As mexidas de grande alcance, como a retirada de 250 mil pessoas de suas casas começaram ontem.

Irena,visto pela Nasa.

No momento em que acompanho a chegada de Irene em Nova Iorque, recebo o convite para a inauguração de um Centro de Ecologia Aplicada, em Teresópolis.

Eles compreenderam que as chuvas estão se aproximando, encostas não foram protegidas, e , portanto, há muita vulnerabilidade, embora não se conte com o volume de água do verão passado.

A iniciativa do trabalho é também da Associação das Vitimas das Enchentes. Junto com o Centro vão organizar um curso de 63 horas sobre como se comportar na emergência.

Pena que o governo seja lento e não mergulhe nessa tarefa com a sociedade de Teresópolis. Mas ainda temos alguns meses pela frente.

 

 

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A pesquisa divulgada ontem sobre educação no Brasil é preocupante, embora não traga nenhuma surpresa.

A pesquisa é o resultado da chamada prova ABC( Avaliação Brasileira do Final do Ciclo de Alfabetização). É aplicada em alunos do terceiro ano, antiga segunda série.

Metade das crianças brasileiras  em escolas públicas e privadas não aprendeu o esperado para o nível de estudo. O resultado em detalhes está em WWW.estadão.com.br/educação.

O desastre maior é em matemática, matéria em que 57 por cento dos alunos mostraram deficiência.

Além da matemática, cujo ensino já comentei aqui, há outro dado preocupante: os alunos das escolas públicas estão numa situação bem pior do que os de escolas particulares.

 

Criança guarani, na reserva em Dourados.(foto FG)

 

Também não é novidade a decadência da escola pública no Brasil, apesar de termos ampliado,amplamente, o número de vagas disponíveis.

Os alunos mais pobres não perdem competitividade apenas na escola. Eles já chegam em desvantagem. No Rio Grande do Sul, com patrocínio da UNESCO, foi realizado um programa para ajudar as mães com poucos recursos e estimular os filhos, na idade até cinco anos.

A tese é a de que a falta de estímulo nesta idade, reduz as possibilidades da criança aprender na escola e desenvolver seu potencial. Pena que o trabalho no Sul não se espalhou ainda pelo Brasil, exceto nas creches voltadas para alta classe média. As mães mais ricas sabem como estimular, mas terceirizam a tarefa.

Uma pesquisa desse tipo deveria provocar uma grande debate nacional sobre a saída que envolva governo e sociedade. Ao lado da infraestrutura, a educação é um dos gargalos no processo de crescimento do Brasil.

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