Cerca de 200 manifestantes da Frente Nacional dos Torcedores concentraram-se, desde as 10h da manhã, no Largo do Machado pedindo uma Copa do Povo e a demissão de Ricardo Teixeira, presidente da CBF.
O movimento dos torcedores, que se organiza pela internet, foi engrossado, no fim da manhã, pelos professores estaduais em greve, que chegaram com cartazes, em inglês e português, denunciando baixos salários e precárias condições de trabalho.
Além de pedirem a queda de Ricardo Teixeira, os torcedores se opõem às reformas no Maracanã porque vão custar cerca de 950 milhões e desfigurar o estádio, que é tombado pelo Patrimônio Histórico.
Na concentração, havia torcedores com diferentes camisas de clubes do Rio e São Paulo. Houve uma negociação com a polícia sobre o trajeto da marcha que deve se dirigir ao palácio do governo, e, em seguida, à Marina da Glória onde se realiza a festa do sorteio.
Suprapartidário e envolvendo torcedores de vários clubes, a Frente dos Torcedores é um primeiro grande movimento do gênero e sua estréia na rua é o começo de uma luta que deve se alongar até 2014.
Tags: copa do mundo, Frente Nacional de Torcedores, Ricardo Teixeira, sorteio
Aos sábados, costumo postar algo sobre cotidiano nas cidades. Daqui a pouco, no entanto, vou à rua ver essa manifestação da Frente Nacional de Torcedores, contra Ricardo Teixeira, presidente da CBF. Hoje, será um dia de Copa do Mundo no Rio.
Algumas pessoas não gostaram de ter dedicado um post à Rua Augusta, na verdade, ao trecho da Augusta que percorri.
Fiquei surpreso, porque não manifestei nenhum juízo de valor sobre o que a Augusta é hoje, ou sobre o que será no futuro próximo.
Pode ser até que não exista a transformação à qual me referi, que tenha sido um delírio.
Mas vi novos prédios surgindo e intensa atividade de compra e venda. Um leitor pergunta: por que não falar da Avenida Paulista?
Acontece que é possível também falar da Augusta. Lugares como Les Halles, em Paris, Village, em Nova York, e Soho, em Londres, também sofreram transformações, cada um à sua maneira.
Areas boêmias passam por transformações diferentes nas metrópoles, mas, em quase todos os casos, são engolfadas pelo crescimento econômico. Sua nova forma não depende apenas do planejamento, mas também do entrechoque de interesses e visões dos moradores, urbanistas e políticos.
Era só isso que queria registrar. Já estive na Augusta, num evento de rock, patrocinado pela revista Trip. O lugar era parecido com o Club Noir.
Por sinal, durante meu passeio, parei no Club Noir e tomei um café com o jornalista Palmerio Dória que mora nas imediações da Augusta.
Se houve tanta reação às fotos da Augusto, imagino que haverá também para o tema de nossa conversa: Paulo César Pereio, o ator com que dividi um apartamento nos anos 60.
Pereio agora é herói de história em quadrinhos. É o segundo amigo que se transforma em herói de história em quadrinhos.
O outro foi Hugo Bidê, desenhado por Jaguar em os Chopnics, uma série publicada, há alguns anos, nos jornais. São figuras realmente extraordinárias. Pertencem à história da boemia cultural brasileira.
Algumas comentários recomendam que deveria me limitar ao Rio. Mas o mundo é tão grande, e, além do mais, dentro de 50 anos, seremos, talvez, uma única cidade. No caso do Rio, o exemplo que me veio à memória, foi o da Lapa. Aqui, em função do turismo, a Lapa foi remodelada como centro de vida noturna.
Mas com o projeto de recuperação da área portuária e o crescimento da demanda, muitos dos prédios vazios do centro serão ocupados. E o modelo futuro talvez combine na mesma área, residências, lojas comerciais, bares e vida noturna.
São esses bairros e sua trajetória que me vieram a cabeça, quando falei do enigma da Augusta. Não mencionei a Avenida Paulista porque, no rápido passeio, não cheguei nem à esquina das duas. A Augusta tem três quilômetros e oito metros. Por falta de tempo, entrei na rua, como na letra da música, a 120 por hora.
Mas para não dizer que falei de flores, mostro o ponto de partida do meu passeio, a esquina da rua Avanhadava, área reformada em 2007, com a Martins Fontes.
Tags: Avanhadava, Clube Noir, Palmério Dória, Paulista
Um cientista de origem brasileira e sua filha protagonizam uma bela história, divulgada hoje pelo New York Times http://nyti.ms/pw9d9f) e assinada por Dan Hurley.
O cientista Alberto Silva está pesquisando de forma avançada um remédio para portadores da sindrome de Down.
Tudo começou com o nascimento de Tishe, hoje adolescente. Ela tem a sindrome de down e Alberto levou um choque ao descobrir isto, quando nasceu, em junho de 1995.
O choque não demorou muito, porque ele logo se apaixonou pela menina e descobriu que outras pessoas na mesma situação estavam tendo uma vida cada vez mais produtiva.
Ainda assim, pelo amor de Tyche, nome dado em homenagem a uma deusa grega, Alberto resolveu se dedicar ao tema e achar maneiras de melhorar a vida das pessoas com a sindrome de down
Começou lendo tudo o que se publicou sobre o assunto. Descobriu que um cientista havia reproduzido em ratos as características da sindrome de down. Foi atrás e conseguiu do autor da pesquisa, Muriel Davisson, permissão para usar alguns dos ratos.
Como resultado de um longo trabalho, constatou que o uso do remédio Prozac alterava o comportamento dos ratos, melhorando sua performance Estava num caminho promissor, pois os ratos eram cobaias excepcionais: a precisão genética do trabalho de seu inventor era tanta que apresentavam as caracteristicas físicas externas da síndrome.
Costa, que mudou de especialidade acadêmica para realizar esta longa jornada, descobriu que o remédio aplicado nas cobaias normalizava a comuniçação neuronal. E isso era a base para aumentar o rendimento.
Hoje, ele faz pesquisa já com pessoas adultas e está obtendo grandes resultados. Tyche , sua filha,não participa porque ainda não é adulta. Se os resultados continuarem a se revelar positivos, o tratamento poderá ser aplicado também na infância.
A sindrome, considerada irremediável, não atraia nenhuma grande empresa de pesquisa. Hoje, pelo menos quatro empresas estão investindo no campo e. em breve, ele será revolucionado.
Alguns pensadores, como Freeman D. Dyson, dizem que a genética, energia solar e a informática vão marcar o século XXI.
Mas um poeta poderia dizer que não se trata apenas de uma conquista da genética. Nesse caso, o amor foi o dínamo da revolução.
Tags: Genética, Muriel Davisson, Prozac
O presidente da FIFA, Joseph Blatter, recebeu uma chave do Rio e deu uma medalha do prefeito Eduardo Paes. Comentário do prefeito, olhando a medalha: você sabe que vou derreter e vender.
Era apenas uma piada. Mas num dia em que talvez não possa ser considerada piada de bom gosto.
O secretário da FIFA, Jerome Volcke, perguntado sobre o financiamento da festa de sorteio, afirmou que a entidade não exigiu do governo que pagasse com dinheiro público.
O problema é que ninguém se interessou em patrocinar a festa. O prefeito Eduardo Paes diz, orgulhasamente, que será um bom negócio para o Rio pois terá propaganda mundial para a cidade.
Mas a Nike, a Coca Cola, a Panasonic desprezam uma boa publicidade mundial? Será que seus departamentos especializados não conseguiram ver na festa o excelente negócio que o prefeito Paes vislumbrou.
A festa será na Marina da Glória, que está arrendada por Eike Batista, que também comprou o Hotel Glória para reformá-lo.
Poderia ser em outro lugar. Mas na Marina atende a Eike e fecha o aeroporto Santos Dumont. Espera-se que ele tenha dado o espaço de graça e que os R$30 milhões sejam apenas o custo da festa.
Por essas e por outras, a Copa vai se tornando um fato político. Sábado de manhã, haverá manifestação contra Ricardo Teixeira.
Blatter está se recusando a responder perguntas sobre corrupção. Ricardo Teixeira entrou em luta aberta contra a imprensa inglesa, que ele chama de corrupta. Aliás é exatamente o que a imprensa inglesa pensa dele.
Numa da suas entrevistas, o prefeito Paes afirmou que voltará a gastar dinheiro público da Copa, se for necessário.
E se os procuradores deixarem. O Maracanã terá um teto reconstruido e um dos procuradores quer embargar a obra, porque o Maracanã é tombado e não poderia ser desfigurado.
É uma forma de questionar os gastos com a Delta, empresa de Fernando Cavendish, amigo do governador Sérgio Cabral.
Como dizem os locutores, o jogo começa nervoso e truncado. Afinal, é Copa do Mundo.
Tags: Eduardo Paes, Eike Batista, Jerome Volcke, Joseph Blatter, Marina da Gloria, Ricardo Teixeira
A Copa do Mundo no Brasil , de uma certa forma, começa amanhã com o sorteio das chaves , numa festa que custará R$30 milhões e mudará o trajeto de 40 voos no aeroporto Santos Dumont.
Foi uma decisão política e, certamente, virão outras que causam espanto. E a Copa não começa apenas com o fechamento do aeroporto.
A entrevista de Joseph Blatter foi toda marcada por perguntas sobre corrupção na Fifa. Um movimento pela saída de Ricardo Teixeira tornou-se muito forte no twitter e promete também manifestações até 2014, caso Teixeira não caia até lá.
As circunstâncias são dificeis tanto para o governo brasileiro como para a FIFA. A Copa do Mundo imaginada para distrair com as emoções do futebol começa com dos dois grandes atores às voltas com o problema da corrupção.
No âmbito nacional, a presidente Dilma demitiu 18 funcionários do Ministério dos Transportes mas o tema ainda não de todo superado.
No plano internacional, as acusações contra a FIFA e também contra Ricardo Teixeira ganharam corpo, sobretudo na Inglaterra.
Uma entrevista dos dirigentes do país como os da FIFA corre o risco de trazer à tona, exatamente o tema que o futebol, com sua magia, tem o dom de ocultar.
Adiei minha viagem de amanhã para domingo. No aeroporto de Congonhas, os que vinham para o Rio a trabalho, estavam preocupados coma volta no sábado.
Está apenas começando uma Copa do Mundo histórica. Não necessariamente pelos lances dentro de campo mas pelo esgotamento de um certo modo de governar o Brasil, a FIFA e a CBF.
Tags: Aeroporto Santos Dumont, Joseph Blatter, Ricardo Teixeira, sorteio
Entre compromissos, consegui um tempo para percorrer a rua Augusta. Um quilômetro para cima, um para baixo. Seria preciso percorrê-la muitas vezes. Sobretudo de noite.
Meus olhos não conseguiram decifrar o enigma da Augusta. A impressão é que está pintada para morrer e ressuscitar.
A arte de rua tomou conta dos prédios mais velhos que começam a ser tombados. Em alguns lugares, os novos já estão sendo erguidos e os espaços vendidos freneticamente.
Fotografei tudo o que pude e vou continuar a fazê-lo porque sinto que, daqui a alguns anos , não me lembrarei mais da Augusta.
Com algumas vindas a São Paulo, concluirei o trabalho , quem sabe, em seis meses. A noite sempre será mais difícil. Mas não tanto como no passado.
Lembro-me de um trabalho que realizei com os travestis da Glória no Rio. Usava ainda filmes e as fotos preto e branco ficaram granuladas, dando uma certa dramaticidade às cenas.
Com o digital, talvez capture a atmosfera com mais leveza.
Tags: arte de rua, boemia, demoliçes
Acordei em São Paulo com o sol iluminando a igreja presbiteriana, diante do quarto de hotel. Fiquei sem conexão toda a manhã e constato agora que terei de alterar minha próxima viagem para cá.
Decidiram fechar o aeroporto Santos Dumont na tarde de sábado. O tráfego aéreo iria prejudicar a transmissão do sorteio da Copa do Mundo. Começam os transtornos da Copa. O sorteio custa R$30 milhões aos cariocas. As autoridades dizem que é para o nosso bem. Haverá mais propaganda para o Rio.
A FIFA determinou o fechamento do aeroporto e todos cumprem sem hesitar. A FIFA é considerada um covil de gangsters, não só pelos ingleses, como por muitos outros observadores. O presidente da CBF, Ricardo Teixeira, deu uma entrevista à revista Piauí revelando que não se importa com sua reputação depois da Copa, porque estará aposentado.
A associação de dirigentes da FIFA com governantes brasileiros ainda vai dar muito o que falar. Seria interessante informar se os alemães ou japoneses fecharam aeroportos para transmissão de cerimônia de sorteio. Viajarei para São Paulo, na manhã de domingo. Será menos complicado.
Esta cerimônia que fechará o Santos Dumont será mostrada para todo mundo e foi organizada pela Globo e RBS, ambas muito competentes. No entanto, as chamadas empresas parceiras, ou mesmo as patrocinadoras do evento, não compareceram com os recursos para o sorteio. Coube ao Estado do Rio pagar R$15 milhões e a Prefeitura R$15 milhões.
É uma tese discutível a de que a propaganda compensa tudo. Se compensa para a cidade, por que não compensaria para a Panasonic, a Nike , etc? Claro, as empresas são livres para investir onde e quando quiserem. Mas se continuar nesse tom, a maior parte do investimento será feita pelo contribuinte.
Tags: Aeroporto Santos Dumont, copa do mundo, FIFA, Ricardo Teixeira
O atentado na Noruega reacendeu o debate sobre imigração na Escandinávia, um debate que não é muito diferente do que acontece no sul da Europa.
Mas as características da Noruega, e também da Suécia, colocam algumas questões singulares. Ambos os países sempre foram abertos para o acolhimento de povos em dificuldade. Alguns bastante pobres e sem educação formal.
A Noruega, por exemplo, com 4,9 milhões de habitantes tem 550 mil imigrantes. Metade deles veio da Polônia ou Suécia
Em áreas próximas a Oslo, como Furuset, há escolas onde apenas dois alunos são noruegueses. Muitos estrangeiros não falam o idioma, o que empobrece bastante o ensino.
No passado, os questionamentos à uma política mais aberta aos imigrantes eram considerados racistas. Hoje, com o avanço da crise econômica, as coisas mudaram.
O chamado multiculturalismo é atacado pelos três principais lideres: Merkel, na Alemanha, Sarkozy na França, David Cameron na Inglaterra.
Merkel diz que a política multicultural, que consiste em estimular a identidade cultural dos imigrantes, foi um fracasso.
Cameron, por seu turno, afirma que ela representa a criação de guetos. E Sarkozy foi à prática, proibindo o véu muçulmano nas escolas.
Em muitos países da Europa, os partidos que condenam a presença maciça de estrangeiros continuam avançando. Na Holanda (Partido da Liberdade), os partidários dessa posição, alcançaram 15 por cento; na Suécia, eles obtiveram a cota de 7 por cento que os alavancou ao Parlamento, e na própria Noruega, o Partido do Progresso, ao qual Anders Bhering Reivick pertenceu na juventude, teve 23 por cento dos votos.
A própria combatividade de Sarkozy está sendo vista como uma tentativa de deter o avanço da extrema-direita, representada por Marine Le Pen, que é candidata à presidência. Seu pai, Jean-Marie Le Pen, chegou a disputar um segundo turno com Jacques Chirac.
A Noruega, recentemente, endureceu sua lei tanto no que diz respeito ao acolhimento de estrangeiros como de refugiados políticos.
Os analistas, como Roger Cohen, hoje no New York Times, continuam acusando a direita européia por ter dado argumentos ao terrorista norueguês. Mas o fato é que, de um ponto de vista eleitoral, seu processo é de crescimento.
Grupos neonazistas, na Alemanha, por exemplo, não se orientam pelo processo eleitoral. Tanto que neste ano, em Mecklenburg-Vopormmern, aumentaram os ataques às sedes de partidos de esquerda
Existem duas dinâmicas, uma institucional, outra clandestina. O atentado na Noruega chegou num momento histórico em que o pais estava revendo sua política, por considerá-la um pouco ingênua para um mundo real.
A Escandinávia desenvolve um grande papel para atenuar os males do mundo. Mas agora examina até que ponto foi romântica e qual a correção de linha possível, para seguir ajudando, sem ameaças à sua estabilidade interna.
Tags: Angela Merkel, David Cameron, Noruega, partidos de direita, Sarkozy
Pensei em escrever um artigo sobre multiculturalismo, tema central no manifesto de Anders Bhering Breivik, o atirador norueguês que matou 76 pessoas, na novas contas da policia.
Queria falar um pouco desse movimento que vi crescer na Europa, de alguns fundamentos teóricos, inspirados por filósofos como o alemão Jürgen Habermas ou o canadense Charles Taylor.
Hoje, os excessos dessa política são criticados por Angela Merkel e Nicolas Sarkozy, lideres de dois fortes países do continente.
Antes de abordar o tema, que seria melhor desenvolvido nas generosas dimensões do jornal, acabei encontrando no manifesto do terrorista uma interessante referência ao Brasil.
Ele acha que a miscigenação brasileira tornou nosso pais disfuncional. Apenas repetiu alguns argumentos colonialistas e, na verdade, argumentos que sempre estiveram presentes em muitas cabeças nos trópicos.
Tive a oportunidade de participar de alguns debates, aqui e fora, e afirmar que a miscigenação era uma qualidade da cultura brasileira. Aliás, quase todos aqui são mestiços. A própria Luci, a pessoa mais velha encontrada em nossas terras, aparentemente, era mestiça e viveu há milhares de anos.
A Semana de Arte Moderna ficou famosa também por levantar o tema da antropofagia. É uma característica de nossa cultura embora miscigenação cultural seja melhor que antropofagia. Significa não devorar tudo, mas fixar-se nas qualidades desejadas.
Num mundo globalizado, a experiência brasileira é uma das mais reverenciadas. Isso não impede que os teóricos da pureza cultural invistam contra ela.
O próprio Cícero em Roma, que tinha estradas abertas, falava do perigo da chegada de estrangeiros e como isso enfraqueceria a cultura local. É uma discussão muito antiga.
Algumas ideias do terrorista norueguês são comuns entre alguns conservadores e podem ser defendidas por partidos de direita na Europa. Culpar os defensores dessas ideias pelo desatino de Bhering Breivik é que me parece equivocado.
Buscar aqui e ali as influências que ele teve, não deve representar um álibi.Manifestos de terroristas de esquerda estão repletos de acusações ao capitalismo e ao imperialismo. Isso também não significa, necessariamente, que os críticos teóricos do capitalismo, sejam responsáveis pelos seus crimes.
O terrorista não queria ver a Noruega como o Brasil. Mas é exatamente uma Noruega com brancos, pretos, mulatos, e amarelos que emergiu nos últimos anos.
As bombas não fazem a história retroceder. Embora um atentado dessa dimensão, assim como foi a morte de Olof Palme, na Suécia, seja o prenúncio de uma sociedade mais atenta, com uma polícia mais severa.
A Noruega, de forma mais traumática, vive o drama que a Suécia viveu com a morte de Palme. Como se tornar uma sociedade segura sem se tranformar numa sociedade policial?
Tags: Anders Bhering Breivik, multiculturalismo, Noruega, Suécia
Luis Antônio Pagot saiu aplaudido por um auditório de mais de 500 pessoas, ao fazer seu discurso de despedida do DNIT, Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes.
O que disse para provocar tanta simpatia? Criticou o Ministro Jorge Hage, da CGU, que afirmou, diante de tantos casos escabrosos, estar a corrupção no DNA do DNIT.
Na mesma semana em que Pagot é aplaudido em sua defesa do DNIT, a imprensa mostrava como o sistema de controle é falho no órgão e cria facilidade para que os desvios aconteçam.
O que Hage declarou ,os jornais demonstraram. O órgão funciona de maneira a evitar que o controle sobre a corrupção seja eficaz.
Pagot mencionou também da importância social dos que trabalham no DNIT. Hoje, em muitos lugares, as pessoas gastam uma hora para atingir um hospital que, no passado estava a oito horas de distância- disse ele.
Isso é verdade. Mas não é o que está em discussão. Ninguém afirmou que as estradas inexistem. Apenas que custam mais caro do que deveriam custar e muitas delas se destroem num tempo muito rápido.
Se houvesse apenas corrupção no DNIT e nenhum quiômetro de estrada feita, todos já estariam na rua, há muito tempo.
Os aplausos a Pagot são a expressão de uma burocracia interessada em manter seus privilégios e a possibilidade de desviar dinheiro público.
Os aplausos a Pagot mostram o imenso abismo cultural que existe entre a auto representação da burocracia e a expectativa das pessoas que pagam imposto.
Eles acham mesmo que foram eles que construiram as péssimas e caríssimas estradas brasileiras. Só podemos tratá-los com a mesma ironia que Brecht dedicava aos que achavam que os faraós construiram as pirâmides.
Além de aplaudirem uma estrutura viciada, usurpam o lugar de milhares de trabalhadores que suaram camisa e calejaram as mãos para construir a malha de estradas no Brasil
Tags: DNIT, Jorge Hage, Luiz Antônio Pagot, transportes
2011