Foram soldados nepaleses da ONU que trouxeram a cólera que matou 5.500 pessoas no Haiti. Esta revelação é do Centro de Controle de Doenças, CDC, que se baseou numa pesquisa de medicos franceses.
O estudo foi publicado numa revista chamada Emerging Infectius Diseases no seu número de julho.
O estudo rastreia a chegada dos soldados nepaleses à cidade de Mirebelais, isolada no centro do Haiti.
Uma das principais pistas é a de que havia uma epidemia de cólera no Nepal, em datas próximas à sua chegada a Mirebelais.
Outro indício trabalhado foi a análise da cepa que parece aos estudiosos franceses vinda de outras regiões, possivelmente do sul da Ásia.
O primeiro a ser contaminado foi o rio Meile. Segundo os medicos franceses a carga de bactérias em suas águas era capaz de contaminar quem as bebesse.
O rio Meile, por sua vez, contaminou o rio em que desagua, o Artibonite. Ao longo do Artibonite, os medicos constataram a presença da cólera em sete comunidades ribeirinhas.
O porta-voz da ONU, Faran Haq, afirmou que o organismo vai seguir com a atenção no caso, mas ainda não conhecia o estudo.
Há alguma semanas, a ONU admitiu que a cepa da cólera no Haiti era do sul da Ásia, sem mencionar os soldados nepaleses.
Depois do terremoto, a cólera. Um desastre natural, um desastre ambiental, este no rastro da ONU. Como recompensar o Haiti?
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Dois milhões de crianças em casa, seis mil escolas fechadas totalmente, cinco mil funcionando parcialmente, trouxeram o debate sobre a crise do continente para a Inglaterra, com o mesmo calor de outras países.
A Inglerra viveu algumas manifestações violentas de estudantes, contra os cortes na educação, mas agora o front se deslocou para os professores.
Os mestres ingleses sentem-se atingidos pelas medidas econômicas restritivas, as mesmas que estão sendo aplicadas em outros países. No momento a preocupação é com a aposentadoria.
O governo vai mudar as regras do jogo. A idade minima para se aposentar será de 66 anos, as contribuições do funcionalismo aumentarão e novos cálculos serao aplicados nos benefícios.
Esses novos cálculos foram criticados pelos manifestantes. Serão baseados não mais no ultimo salário de quem se aposenta, mas numa média dos salários. Uma queda no beneficio, portanto.
A previdência na Inglaterra custa US$50 bilhões por ano, o crescimento econômico pós crise foi de apenas 0,5 por cento e a população envelhece.
Essas variáveis num governo conservador costumam trazer conflitos . Sua tendência é apressar as reformas e, com isso, criar uma grande resistência nacional.
O Primeiro-Ministro, David Cameron, tem metas de economia na previdência e já afirmou que o sistema simplesmente vai quebrar, se continuar como está.
Portugal, Espanha, Irlanda, Grécia, Itália, com algumas variáveis, a Europa parece se engolfar numa única crise.
Se comparamos os que se diz nas ruas de Atenas, Londres ou de Madrid, sente-se uma constante na formulação dos protestos: a crise nasceu de erro dos banqueiros e os governos querem, agora, sacrificar os mais vulneráveis.
A greve de professores é uma faca de dois gumes. Milhares de pais tiveram de abandonar seu trabalho para cuidar dos filhos. Os professores estão explicando suas razões. Mas alguns pais afirmam que trabalham para pagar impostos e mover a máquina estatal. Se deixam forçadamente seu trabalho, a situação piora para todos.
A imagem de manifestantes ensanguentados , ontem, em Atenas, assim como os grupos incendiários nas ruas, demonstram que há um túnel escuro, antes do fim da crise.
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Aprovado no ano passado, o projeto que acaba com o serviço militar obrigatório começa a vigorar na Alemanha.
Desde 95, apresentei em diferentes situações um projeto semelhante para o Brasil. Mas houve uma resistência dos militares que consideram que o Exército tem ainda uma função pedagógica e até econômica para um setor da juventude.
Na Argentina, o serviço militar obrigatório foi suprimido, sobretudo por causa do trauma representado pela ditadura.
No caso brasileiro, as dispensas de aprovados no exame médico são muito grandes. Estamos caminhando para uma situação em que poderiam ser aproveitados apenas os que quiserem. E não faltaria gente, pois o desejo de servir ainda é grande.
Para se ter uma ideia cerca de 5 por cento dos 1.600 mil jovens que se inscrevem são aproveitados.
Tanto o serviço militar obrigatório, como a votação, o programa de tevê, enfim muita coisa obrigatória vai ser revista no futuro.
No caso do serviço militar obrigatório, 21 países decidiram acabar com ele nos últimos dez anos. Nesses países, a saída foi constituir um exército profissional ou admitir voluntários. O Brasil poderia escolher uma das alternativas, ou mesmo combiná-las.
Esta é também uma questão da juventude masculina. Depende dela o futuro do tema, pois os políticos não se interessam por ele
Bater nesta fusão do Pão de Açúcar com o Carrefour já e nos jornais de hoje um movimento comum. Sobretudo pela participação do BNDES que entrará com R$4 bilhões no negócio.
O que falta ainda é explicar as razões dessa decisão. Muito provavelmente, o governo voltará atrás, antes de se explicar. O Ministro Fernando Pimental, do Desenvolvimento, afirmou que o governo entrava no negócio por causa da omissão dos bancos privados.
Mas os bancos privados são omissos em inúmeros outros campos, como o do saneamento básico, por exemplo. A ideia de cobrir com o dinheiro do Estado as lacunas deixadas pelos bancos particulares não nos exime de um critério de prioridades.
Uma vez escrevi aqui um texto sobre Dilma-Lula, Medvedev-Putin, mostrando algumas semelhanças entre a Rússia e Brasil. Uma das mais importantes é presença do estado na economia, promovendo fusões e alavancando empresários considerados amigos.
Na verdade, tanto os políticos saídos do velho comunismo soviético, como os oriundos da esquerda brasileira tornaram-se empresários nas empresas estatais. Eles têm uma visão própria do fortalecimento do estado e do tipo de iniciativa privada que deve coexistir com ele.
Na Rússia, as coisas são mais pesadas. Não são apenas esculpidas fusões, como a OI-BrTelecom ou como esta agora do Pão de Açúcar com o Carrefour. Empresários independentes são perseguidos , expulsos ou presos e jornalistas criticos mortos misteriosamente.
Aqui no Brasil é tudo mais suave. As amizades podem ser compensadas com isenção fiscal ou com uma substancial injeção financeira em caso de fusão.
Às vezes isto é lavado ao paroxismo por governantes provincianos, como o do Rio, que isentou até o salão de beleza usado pela mulher.
Mas o movimento geral é e de conformar um poderoso capitalismo de estado, apoiado pelos fundos de pensão e pelos conglomerados que o governo ajudou a criar.
Qual o único argumento por baixo de tudo isso? O nacionalismo. Criar uma empresa empresa telefônica nacional, aumentar o peso do Pão de Açúcar no exterior. Nada disso parece contraditório para eles. Identificam-se com o estado, na verdade sua capacidade de diferenciá-lo do partido é mínima. O Brasil são eles e tudo é feito para o bem do Brasil.
E ainda há uma pelotão de linchamento na internet para quem os critica. É interessante observar o destino das idéias clássicas de esquerda nesse princípio de século XXI. Já não temos mais brigadas voluntárias lutando na Espanha contra o regime de Franco, mas sim pequenos grupamentos ao lado da Oi-BrTelecom e alguns esquadrões do Pão de Açúcar-Carrefour.
Na história, a transformação do drama em farsa é até mais freqüente do Marx previu.
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Foi uma votação histórica na Grécia. Milhares de pessoas gritavam “traidores”. do lado de fora do Parlamento, mas ainda assim Papandreou obteve 155 votos para sua proposta.
A Grécia terá de economizar US$40 bilhões nos próximos anos, demitir gente e cobrar imposto até dos salários mais humildes.
Papandreou atacou a oposição revelando que a Nova Democracia foi responsável pela estado falimentar do pais.
Dois deputados socialistas que se comprometeram a votar contra as medidas de austeridade se dividiram. Um deles, Panegiatis Kouroublis manteve a promessa; o outro, Alexandro Athanassiadis acabou votando com o governo. Diz que foi convencido por Papandreou.
Muitos propuseram uma saída argentina para a Grécia, saída que evitaria saldar a dívida mas poderia ser corrosiva dentro do sistema econômico europeu.
A União Européia deve liberar, junto com o FMI, cerca de US$12 bilhões para a Grécia. As bolsas no mundo apresentaram alta, a partir do desfecho da crise grega. Amanhã, ainda há votação mas tudo indica que o sentido geral de concessão aos credores será mantido. Cristine Lagarde, nova dirigente do FMI, estreou com vitória, apelando à oposição grega por um voto responsável.
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Existem muitas razões para se suspeitar do regime de licitações, aprovado ontem na Câmara, contra apenas 88 votos.
Uma delas é o fato de as campanhas majoritárias no Brasil serem muito dependentes das empreiteiras. Inúmeros casos de superfaturamento foram vistos, ao longo da história, como uma espécie de recompensa dos governos à ajuda eleitoral de empresas.
Nas obras da Copa do Mundo haverá dispensa do projeto básico e não será dito o quanto o governo pode gastar, para evitar cartéis e manipulação dos preços.
Acontece que os governos , diante das empreiteiras, ficam dotados de mais uma moeda de troca: a informação.
Os vazamentos passam a ser mais um fator de enriquecimento, sobretudo quanto tantas consultorias se entrelaçam na política e nos negócios.
Nesse momento, o pais está financiando o Pão de Açúcar e o Carrefour, em processo de fusão, com um aporte de R$4 bilhões do BNDES. O argumento é que o Pão de Açúcar poderá se internacionalizar.
Mas os franceses já não são internacionais? O que vai acontecer, na verdade, com a brutal concentração, será um aumento de preço ao consumidor, cada vez mais indefeso diante de grandes conglomerados.
Num outro país, alem do CADE, Conselho Administrativo de Defesa Econômica, o Congresso ficaria interessado e examinaria o negócio em todos os seus detalhes.
No Brasil, o surgimento de uma empresa que será apenas menor que a Vale e a Petrobrás, não deve suscitar grandes dúvidas no Congresso, mas sim uma grande esperança de ajuda nas campanhas eleitorais.
Se Abílio Diniz não tivesse se aproximado tanto do PT, conseguiria colocar o BNDES, no centro do negócio? É uma interrogação que ainda não foi respondida.
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A Europa está de olho na Grécia cujo parlamento vai decidir se aprova ou não medidas de austeridade na economia.
Uma greve geral de 48 horas foi deflagrada pelos dois grandes sindicatos gregos. Manifestações diante do Parlamento reprimidas com bombas de gás lacrimôgeneo marcaram a tarde em Atenas.
Na França, os bancos particulares anunciaram que vão refinanciar a dívida grega em 30 anos. A notícia foi comemorada na Alemanha.
Falta apenas convencer os gregos que relutam em aceitar as medidas restritivas. Para o funcionário europeu Ulli Rhein, que trata das questões econômicas e monetárias, a única saída para a crise é aprovação das medidas pelo Parlamento.
Não há plano B, garante ele. Ou o Parlamento aprova o acordo com as autoridades financeiras internacionais, ou o calote grego sera inevitável.
A votação deve sair amanhã.
A manhã no Rio foi fria. Não tanto pela temperatura, que andava pelos 20 graus, mas pelo vento que veio do sul, que aumentava a sensação. Entre a temperatura e a sensação vai sempre uma distância. Na Antártida, esta distância é mais forte ainda. Quando o sol se livrou das nuvens, tudo ficou mais claro: era apenas uma fria manhã de sol e as coisas melhoravam a cada minuto.
Vejo as fotos do frio no sul do pais, especialmente em São Paulo. Em certos momentos, os termômetros marcavam três graus.
Como não registrei a entrada do inverno, registro-a agora, nessa onda de frio. O inverno é dos períodos mais agradáveis no Rio. Ontem tivemos chuva e dia cinzento. Mas agora o clima é típico de inverno, com sol e, às vezes, um vento mais frio.
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O governo parece que voltou atrás na decisão de vetar o projeto de acesso aos documentos públicos. Ao contrário do que queriam Sarney e Collor não haverá sigilo eterno. Isso porque, nesse momento, a maioria do Senado concorda com o projeto aprovado na Câmara.
Segundo uma notícia de hoje, Dilma também voltou atrás no sigilo sobre as obras da Copa. Segundo a nova formulação aceita pelo governo, o Tribunal de Contas terá acesso a todos os gastos, do começo ao fim.
A história do sigilo nas obras da Copa é parcialmente um mal entendido. O governo queria construir um estádio perguntando quanto custa e não dizendo, antecipadamente, quanto pode gastar.
No entanto, formulou a medida provisória de forma que o sigilo poderia ser mantido.Muita gente reclamou e o governo disse que foi mal entendido. Na verdade, foi também mal explicado e formulado.
Essas idas e vindas do governo são noticiadas nos jornais sem que Dilma se pronuncie. É preciso ficar atento para ver o que vale, no momento da decisão.

A impressão que se tem é a de que o governo, nesse tópico Copa do Mundo, aprova aquilo que quiser. Não há resistência de peso na Câmara.
Começam, agora, por exemplo, os jogos militares. Começam custando R$1,5 bilhão, 28 por cento a mais do que estava previsto. Com nossas Forças Armadas tão carentes de verba, será que vale a pena gastar tanto com uma competição internacional entre militares?
Chavez deve voltar à Venezuela, antes do 5 de julho. É a data da comemoração dos 200 anos da independência da Venezuela. Data da proclamação pois foram necessários 10 anos de luta contra os espanhóis para consolidar a decisão.
Desde o princípio do ano, as ruas de Caracas estão cheias de murais, aludindo aos 200 anos. Os murais de cores vermelhas celebram também Simon Bolivar e, em alguns pontos, o próprio Hugo Chavez.
A oposição está pedindo que Chavez se licencie e deixe o cargo por 60 dias. Argumento: a Constituição exige a posse do Vice, enquanto Chavez estiver em outro país. Apesar desse pedido, a transferência de poder não será realizada.
Não se governa um país pelo twitter,afirmam os oposicionistas. Nem se pode trocar a cadeira do presidente de um país para outro.
Mas o que mais empolga a discussão é a saúde de Chavez, que tem 56 anos. Alguns boatos espalharam que sofre de câncer na próstata. Um jornal de Miami atribuiu as informações ao serviço de inteligência americano.Não é uma boa fonte para saúde de estadistas adversários. Pelos relatos de inteligência, Fídel Castro já estaria morto há vários anos.
O período que Chavez ficará em Cuba abriu uma grande discussão. O que fazer sem ele? Quem pode substitui-lo entre os aliados do governo? O que será da oposição sem Chavez para combater?
O jornal oposicionista Tal Cual apresenta uma análise, hoje, afirmando que é normal uma doença do presidente mas ele precipitou o desejo de um novo ciclo na Venezuela.
Como o país entra na fase eleitoral, com Chavez candidato, tudo indica, como afirmei em fevereiro, que o ano será quente na Venezuela. Este mês foi o de motins nas prisões.
Os preços da cesta básica continuam aumentando. Por seu lado, a carne subiu 30 por cento, o que a tornou cada vez mais rara nas mesas.
Quando Chavez voltar será possível avaliar a situação. Dizem que seu caso não é grave, apenas uma infecção pélvica, mas estão reformando a ala de um hospital militar para recebê-lo.
Teremos Chavez por muitos anos, diz o vice-presidente Elias Jaua. É esperar para ver.
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2011