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20.fevereiro.2011 08:21:40

Democracia e suas armadilhas no Oriente Médio

Ao tirar o sábado para ler alguns artigos sobre o Oriente Médio, conclui que estamos navegando na neblina e que a situação é um um pouco mais complexa do sugerem as notícias diárias. Li uma excelente reportagem sobre os militares do Egito, que agora são os guardiões da democracia. Ela mostra como eles têm interesses na economia, participando de indústrias e empresas variadas. Usam sua influência para ter uma situação privilegiada na concorrência. E os militares egípcios já deram a entender o limite das reformas: não podem tocar nos seus interesses.

Outro aspecto que me impressionou foi a presença tribal em países como Iêmen e Bahrein .Qualquer democracia terá muita dificuldade em nevegar por esses meandros.

E como se não bastassem as dificuldades mencionadas, existe uma que permanece um pouco estudada: a rivalidade entre xiitas e sunitas. Os partidos que realmente podem se aproveitar da nova situação têm uma conotação religiosa.

Não alinho esses argumentos para afirmar que a democracia é impossível. Apenas para lembrar que haverá sobressaltos, desilusões, idas e vindas, presentes em quase todos os grandes processos históricos.

Ao longo da semana, vamos acompanhar tentando escapar um pouco da tirania dos telegramas e dar um balanço das tentativas de interpretação desse processo. A Arábia Saudita que é financeiramente poderosa e conservadora em termos de religião está ficando cercada de movimentos democráticos. Sua confiança nos EUA caiu porque ela percebeu que, em certos momentos, os norte-americanos podem deixá-los na mão.

O que torna difícil entender o processo nesses países é o fato de estarmos sempre lendo a imprensa estrangeira, de uma certa forma, também distante. Felizmente, alguns jornais se abrem também para os intelectuais e políticos do próprio lugar. Outra fonte importante são nossos embaixadores. Eles poderiam dizer alguma coisa ainda que discretamente.

O Brasil estava se preparando para um encontro entre países do MERCOSUL e árabes. Vamos dar também um balanço nos nossos interesses na região. Neste momento, a luta não é só para divulgar mas também para entender.

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Comentários (5) | comente

5 Comentários Comente também
  • 20/02/2011 - 09:18
    Enviado por: Tweets that mention Democracia e suas armadilhas no Oriente Médio « Fernando Gabeira -- Topsy.com

    [...] This post was mentioned on Twitter by jandira feijo, lucila nogueira and Alisson Berkenbrock, Fernando Gabeira. Fernando Gabeira said: Democracia e suas armadilhas no Oriente Médio. Fernando Gabeira http://t.co/1rRTZQg via @estadao [...]

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  • 20/02/2011 - 11:02
    Enviado por: José Bispo dos Santos

    Talvez num sonho impossível, feito o Sr. de La Mancha, o desenho do mundo ficasse melhor sem muros, sem cercas, sem fronteiras, sem divisões raciais e religiosas. Utópico(?) parece que sim, pois o ser humano não facilita Nada neste sentido, senão vejamos, as fronteiras dos países são muito mais tênues se acharem que não deve fazer com seu vizinho o que não gostaría que fizesse á voce, do que uma Fronteira Continental, forte, sólida´onde feito uma colmeia se mexer com uma única abelha, todas “caem” sobre o pretenso agressor. De que serve este absurdo desequilíbrio europeu, onde tem países que vivem em padrões como se fossem Sul Americanos, menos o Brasil que só está atrás de três. O neo bobismo mundial formou blocos “tectônicos” e pôs na cabeça de incautos que era o melhor. Para que serve esta busca incessante de um bloco Sul Americano? É vantajoso para o Brasil, parece que sim, porém o nosso objetivo sería sermos odiados pelo nossos vizinhos como o mundo torce contra os Estados Unidos, pelo mesmo motivo? Sinceramente acho que assim distanciamos cada vez mais do mundo Ideal.

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  • 21/02/2011 - 10:10
    Enviado por: Anna H.

    Entender o que ?

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  • 21/02/2011 - 18:29
    Enviado por: Marcus Lopes

    O Egito pode ser aqui
    As manifestações de rua feitas pelos egípcios, que culminaram com a queda de um ditador que dirigia o país com mão de ferro por mais de trinta anos serviu como um pavio que está provocando uma série de outras manifestações principalmente em países também comandados por ditadores, longevos ou não. Muitos estão morrendo nestas saídas do povo às ruas para protestar, pois os donos do poder reagem de modo violento, deixando claro que não pretendem “largar o osso” nem tão cedo. As notícias que nos chegam mostram pessoas de todas as idades nas ruas,muitas vezes enfrentando as tropas de peito aberto;

    Há quem pergunte se isso algum dia aconteceria no Brasil. Talvez. Dependeria dos motivos e principalmente da mobilização. Mas aqui até as ditaduras sempre foram “democráticas”. A famosa revolução de 31 de março de 1964 praticamente ocorreu por telefone. Um general ligou para o presidente João Goulart e deu ordem para que ele fosse até Brasília – ele estava em outro estado – e pagasse suas coisas, saindo do País em seguida. As mortes que ocorreram foram em reação aos que queriam tirar os militares do poder. Dos militares até hoje, nossos presidentes foram sempre eleitos, seja por eleição indireta ou direta e só um dos eleitos diretamente não cumpriu seu mandato integral, história recente que todos se lembram;

    Existe, no entanto, alguns fatos que estão a exigir uma reação popular, exatamente contra aqueles que constitucionalmente representam o povo, os parlamentares. Está hoje na mídia a notícia de que deputados estaduais do Rio de Janeiro tem uma especial de “vale-gasolina” com uma franquia de 1.150 litros de combustível por mês, sem nenhum controle da Assembleia Legislativa a respeito de qual veículo está sendo abastecido, se no carro oficial (mais uma mordomia) ou se foi um carro de alguém parente ou amigo, por exemplo, que recebeu o benefício que é pago com dinheiro proveniente de impostos. E tem um agravante que é o fato de que se algum deputado não gastar a cota toda, a mesma pode passar para o mês seguinte. Um outro agravante é que o “vale-gasolina” é igual tanto para o parlamentar que mora na capital do Estado, a poucos quilômetros da Alerj, como para o que resida e tenha base a algumas centenas de quilômetros do Rio;

    Se levarmos em conta que os deputados federais e senadores ganham mais de R$ 26 mil, fora as incríveis e vergonhosas mordomias, tais como verbas indenizatórias, telefone, passagens aéreas, plano de saúde e outras, um deputado estadual do Rio de Janeiro podem ter subsídios acima de R$ 20 mil, ou seja, 75% do que ganham seus colegas federais. O povo precisa reagir para essa verdadeira pouca vergonha continue sendo praticada. Já está chegando a hora do brasileiro também reunir multidões numa praça, a dos Três Poderes, em Brasília, para exigir o fim desses gastos excessivos que não se justificam que sejam somados aos elevados vencimentos (salários) que eles recebem. Aproveitando a ocasião, pode o povo também exigir mais seriedade no Executivo e agilidade no Judiciário, pois todos estão na mesma praça. É algo para se pensar

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    • 22/02/2011 - 06:51
      Enviado por: serjao

      Atencao , vou dizer aqui e agora , o que o Moubarak deveria ter feito para nao ser alijado do poder.
      1 – Instituir a bolsa-esmola. Se vc é pobre , entao é coitado e tem direito ao dinheiro.
      2 – Usar a verba de propaganda de grandes firmas do governo para dizer a todos que está tudo muito bem. Como dizia Goebbels . ” Uma mentira , muitas vezes repetida , passa a ser verdade.
      3 – Inventar um partido que se auto-intitula popular , mas ele é apenas uma escada para o poder. Qualquer ataque contra o governo , passa a ser ataque contra o povo.
      4 – Invente um monte de empreguinhos meia-boca para manter a juventude ocupada.
      Nao de muito estudo e instrucao , senao eles vao descobrir a maracutaia . Só aprender a escrever o nome tá bom.
      O dito acima é semelhante com algum lugar que vc conhece ? Méra coincidencia.

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